Mostrar mensagens com a etiqueta Catalina Pestana. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Catalina Pestana. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Patriarcado nega ter recebido denúncias de Catalina - por Rita Carvalho

In DN 

O diretor de comunicação do Patriarcado de Lisboa diz que D. José Policarpo não se reuniu com ex-provedora da Casa Pia nem recebeu denúncias de eventuais crimes praticados por padres da diocese 

O cardeal patriarca de Lisboa nunca recebeu denúncias sobre casos de pedofilia envolvendo sacerdotes feitas pela ex-provedora da Casa Pia. É esta a resposta do diretor do gabinete de comunicação de D. José Policarpo à informação de Catalina Pestana, que diz ter denunciado cinco casos de pedofilia envolvendo padres da diocese de Lisboa. O padre Nuno Rosário Fernandes acrescenta ainda ao DN que o cardeal nunca se reuniu com Catalina Pestana.

Em entrevista ao Público na semana passada, e a propósito da detenção do vice-reitor do seminário menor do Fundão, Catalina Pestana afirmou que este caso não era único e que ela própria já tinha denunciado abusos sexuais na igreja de Lisboa. A ex-provedora disse até ter reunido com D. José Policarpo e membros da conferência episcopal portuguesa.
Em resposta a estas declarações, a Procuradoria Geral da República decidiu ontem abrir um inquérito. Sobre esta investigação em curso, o Patriarcado não tem qualquer declaração a fazer.

Ontem, numa entrevista à Rádio Renascença, o bispo auxililar de Lisboa, D. Nuno Brás, também comentou as palavras da ex-provedora. "Não faço a menor ideia. Já há um ano fui interrogado por uma jornalista acerca destas declarações - porque ela [Catalina Pestana] já as fez há um ano - e eu disse que não comentava as declarações da Dra Catalina Pestana, até pelo respeito que tenho por ela. Estranho que só agora seja aberto o inquérito", disse.

D. Nuno Brás acrescenta ainda que a igreja é a primeira interessada em que tudo se esclareça, com clareza e justiça. "É normal, havendo notícia de suspeitas, a pessoa que lança essas suspeitas deve depois concretizá-las e é bom que o faça porque se isso não acontecer fica a suspeita lançado sobre todos os sacerdotes do Patriarcado de Lisboa. Não se pode aceitar isso", disse.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

PGR abre inquérito a denúncias de Catalina Pestana sobre pedofilia na Igreja

In Público 

A Procuradoria-Geral da República (PGR) vai mandar instaurar um inquérito, junto do Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa, na sequência das declarações de Catalina Pestana sobre alegados casos de abusos sexuais de menores na Igreja. A informação foi avançada há pouco pela gabinete de imprensa da PGR em resposta a um pedido de informação do PÚBLICO.

Este fim-de-semana, a ex-provedora da Casa Pia de Lisboa comentava, em declarações ao PÚBLICO, a detenção do vice-reitor do Seminário Menor do Fundão, um padre de 36 anos que foi acusado por alunos de abusos sexuais. Catalina Pestana não se mostrou surpreendida: “Sei que há casos de pedofilia, só na diocese de Lisboa conheço cinco”, afirmou, explicando que já tinha dado essa informação ao cardeal-patriarca de Lisboa, D. José Policarpo.

Nesta quarta-feira, ao Correio da Manhã, Catalina Pestana mostra-se disponível para dizer o que sabe ao Ministério Público, depois de o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), padre Manuel Morujão, ter pedido ontem que seja mais concreta. “Que diga os nomes [...], com provas e não apenas com imaginações”, disse Morujão no final do Conselho Permanente da CEP, em Fátima. Sublinhou ainda que, ao contrário do que a ex-provedora disse, nunca esteve em nenhuma reunião com representantes da Rede de Cuidadores, uma organização não governamental criada depois do escândalo da Casa Pia de Lisboa, de que Catalina Pestana é fundadora.

Essa reunião terá existido, sim, mas com D. Jorge Ortiga, bispo de Braga, então presidente da CEP, em “Março ou Abril” do ano passado, segundo o psiquiatra Álvaro de Carvalho, presidente da Rede de Cuidadores.

Álvaro de Carvalho, que pertenceu à comissão coordenadora do apoio psicológico às vítimas da Casa Pia de Lisboa e é, actualmente, coordenador do Plano Nacional de Saúde Mental, explica que nessa reunião com D. Jorge Ortiga falou dos casos de que a Rede tinha conhecimento.

“Não eram casos recentes, eram casos antigos, mas achámos que a Igreja devia retractar-se, como estava a retractar-se em todo o mundo”, diz, acrescentando que as situações reportadas não diziam respeito a “casos activos”, ou seja, de alegados abusos que estivessem a acontecer naquele momento. “Oferecemo-nos para mais reuniões com a CEP”, diz. Não voltou a haver contacto.  

Contactado pelo PÚBLICO, D. Jorge Ortiga fez saber, através do seu secretário, o padre José Miguel, que teve, de facto, uma reunião com a Rede de Cuidadores na qual disse que iria tomar decisões nessa matéria, o que veio a acontecer, segundo este padre, através da publicação, pela CEP, já em Abril deste ano, das “directrizes referentes ao tratamento dos casos de abuso sexual de menores por parte de membros do clero”.

Neste documento, a CEP diz como devem as dioceses gerir estes casos, desde logo agindo sempre que haja “qualquer notícia verosímil de abuso de menores” e colaborando com “as autoridades civis competentes”. O padre José Miguel nota, contudo, que qualquer outro comentário sobre o assunto, a ser feito, será pelo porta-voz da CEP.

Catalina, a pedofilia e a cumplicidade - por Henrique Monteiro

In Expresso

Ontem, uns tantos leitores criticaram-me por pedir a uma senhora que se calasse (refiro-me ao que escrevi sobre Cândida Almeida). Mas hoje vou pedir a uma senhora que fale - Catalina Pestana.

Esta senhora disse ao 'Pùblico' que conhecia vários casos de pedofilia na Igreja. Só em Lisboa, diz ela, conhece cinco. E acrescentava, a propósito do escândalo no seminário do Fundão, que tinha reunido no ano passado com o porta-voz da Conferência Episcopal, padre Manuel Morujão, e com o então presidente da Conferência, o bispo D. Jorge Ortiga para denunciar esses casos.

Acontece que o padre Morujão vem dizer que é mentira. Que nem sequer conhece a senhora e nunca reuniu com ela. E adianta: ela que diga os nomes. Pessoalmente, reforço a ideia: ela que diga os nomes. Já as jornalistas do 'Público' que com ela falaram (Alexandra Campos e Sandra Rodrigues) lhe haviam perguntado por que razão não tinha denunciado os casos às autoridades. E citam a resposta: "Não somos da polícia!" (Catalina referia-se a si própria e ao psiquiatra Álvaro Carvalho, que a acompanharia nas denúncias).

Catalina, já no caso Casa Pia, dizia saber de tudo. Mas que se saiba só atuou depois das denúncias. Provavelmente, pensou que "não era polícia". O mesmo se passa agora. Ora, à segunda vez poderemos considerar cumplicidade com o crime o facto de estar calada? Não sou jurista, mas acho que ela deve falar antes que alguém a considere como tal...

É que, se na Casa Pia bastou ao Estado (de quem a instituição depende) ter pago uma indemnização às vítimas para se pôr fora do processo, no caso do Seminário do Fundão e da Igreja Católica já se sabe que a tolerância não será a mesma. Isso agrava a cobardia de Catalina, que parece querer lançar uma mancha geral sobre a instituição, em vez de denunciar os casos concretos que diz conhecer.

Com assuntos destes, não se pode fazer política, nem brincar, e menos ainda levantar o dedo só para aparecer nos jornais.