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sábado, 13 de agosto de 2011

Loureiro dos Santos. "Merkel está a conseguir aquilo que Hitler não conseguiu"


In i

(Entrevista ao General Loureiro dos Santos)

...

Em 2009 disse ao i que "na história não se conhece uma alteração das forças globais num tão curto período".


Exactamente. E aquilo a que assistimos agora é a adaptação à realidade. O poder dos países emergentes e reemergentes está a mudar e na Europa há um caso.

A Alemanha?

Exacto. O poder está a ser transferido dos países ditos desenvolvidos para o Sul e para o Leste e na Europa os países estão a perder poder para a Alemanha. Isso acontece pelas dívidas desses países que não têm riqueza - e poder é riqueza. É isso que acontece diariamente com as bolsas. Nestes últimos dias, por causa da queda das bolsas, o Ocidente ficou mais pobre 900 mil milhões de euros. Portugal, nestes últimos dias, perdeu 10 mil milhões de euros. Isto é perda de poder! E no meio disto dá--me a ideia de que os países que perdem mais poder e riqueza e que têm de mudar completamente os seus comportamentos são os europeus, excepto a Alemanha.

Numa crónica recente falou na fatalidade de os países do Sul ficarem completamente dependentes dela...

Nesse artigo também levanto uma dúvida: dizem muito mal da Merkel mas eu interrogo-me sobre se há razões para isso. A táctica de não decidir logo é fenomenal! Pode não significar fraqueza, pode ser intencional, porque ela sabe que não decidindo logo vai criando desespero, os países aflitos vêem as dívidas crescer e a certa altura ficam disponíveis para aceitar tudo o que a Merkel quiser impor e é isso que se está a passar. Com o tempo, a própria legislação da UE altera-se para dar poder à Alemanha, que está em condições de conseguir algo que nunca conseguiu...

Nem com o Kaiser nem com Hitler?

Exactamente, escrevi isso. O grande problema da Alemanha, como da Rússia, é não terem fronteiras defensáveis. A Rússia compensa isso por ter muito espaço, que desgasta o adversário. Foi o que aconteceu quando Napoleão invadiu a Rússia e quando Hitler invadiu a Rússia: foram por aí fora, chegaram lá exaustos, perderam e vieram-se embora. A Alemanha para conseguir fronteiras defensáveis tem de ir para as praias. Tentou fazer isso pela guerra, com o Kaiser e com Hitler, e agora está a fazê-lo pela via económica, pagando as fronteiras. E isto é uma alteração brutal no campo estratégico.

A Alemanha vai dominar-nos?

Ouça, a dada altura pensámos que a UE era o reino da solidariedade, mas eu já digo há muitos anos: em relações internacionais não há solidariedade, só interesses. Quando um país entra numa organização de vários estados é porque está convencido de que é melhor estar dentro. E aí cada um procura sempre defender os seus interesses.

Acha que o sonho europeu falhou?

Houve uma série de pessoas com esse sonho, que viam uma Europa tipo Estados Unidos. Mas desde o início foi claro que nem a Alemanha, nem a França nem o Reino Unido estavam interessados nisso, porque não queriam que houvesse uma câmara alta em que o Luxemburgo pudesse pesar tanto como a Alemanha. Como é que a Alemanha podia admitir isso? Na UE nunca houve solidariedade. Eu escrevo isso desde o ano 2000. Que não pensemos que outros vão vir em nosso socorro. Como esta subida do preço dos alimentos: alguém pensa que, se nós estivermos aflitos sem dinheiro para comer, a Alemanha ou a França nos vêm dar alimentos e ficam eles com fome? Que ninguém pense nisso! Em Portugal houve líderes que se convenceram de que agora éramos todos iguais, podíamos ser todos ricos e andámos a gastar o que não tínhamos! Isto explica a nossa actual situação e não fomos só nós que o fizemos, foi a maior parte dos países. Não há solidariedade internacional e a prova é o que está a acontecer na UE.

Já falámos no desespero generalizado e na rapidez dos acontecimentos. Que previsões faz a médio prazo?

Em 2009 eu dizia que se previam cinco ilhas de poder mundial, estados com capacidade de intervenção global: EUA, Rússia, China, Índia e Brasil. E havia duas áreas que podiam ser ilhas de poder mundial, mas que não eram nem eu esperava que viessem a ser. Uma, a Europa - se se unisse sob um poder comum; a outra, o Médio Oriente. Ambas têm muita população e são muito ricas. Só que, não tendo poder político único, as políticas internas chocam e inviabilizam a projecção exterior.

Esta Primavera Árabe mostra isso...

Sim. E na Europa, qual era a possibilidade? Era que a Alemanha dominasse! [risos] Eu escrevi isso! Se a Alemanha arranjasse maneira de se impor à Europa, transformava-se na sexta ilha do poder mundial. E em 2009 eu estava convencido de que isso ia acontecer, mas nunca tão depressa. As coisas estão a cavalgar. Na altura dizia que os EUA seriam a potência directora, mas estou a ver agora que dentro de uns anos vão deixar de marcar a agenda internacional. Será a China, a Índia ou até a Alemanha, se conseguir submeter a Europa. Basta ver pelos ratings. Agora só há meia dúzia de países com AAA e dos grandes julgo que é só a Alemanha.

Falando em rating, o que pensa dessas agências? Ultimamente tem-se questionado muito a sua existência e poder.

O poder é-lhes dado pela forma como os estados reagem aos seus anúncios. Não são elas que detêm poder, quem lhes dá o poder são os estados. Quando os EUA ficam completamente à nora com a baixa do rating estão a dar-lhes muito poder. O capitalismo já não é aquele que os teóricos do século xx referiam. Agora quem controla são organizações acéfalas, que não se sabe bem o que são, nem quem manda lá... Mas são eles que manobram a economia mundial. E mais, hoje o dinheiro é virtual, são bits, aquelas coisas do computador, que não é nada [risos]. Se não houver mudanças nos estados democráticos, se não arranjarem forma de sair desta tendência quase inevitável, vamos caminhar para capitalismos do género russo ou chinês, autoritários, sem liberdades, sem democracia, e isso é um perigo. Os países democráticos têm de evitar que o actual capitalismo sem rosto se transforme em sistemas ditatoriais.

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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

J. M. de Prada: La actual expulsión del cristianismo de lo público es «más criminal» que usar la violencia

«El laicismo quiere usurpar las prerrogativas divinas e instaurar un régimen en el que la democracia no es una forma de Gobierno sino una religión».

In Religión en Libertad

El escritor y periodista Juan Manuel de Prada ha asegurado, en los cursos de verano de la Universidad Católica de Valencia en Santander, que “toda forma de laicismo termina expulsando la visión cristiana de la realidad, y en eso estamos ahora”.

De Prada, que intervino el miércoles en una sesión sobre los cristianos en la democracia, indicó que esta “expulsión” de la vida pública “puede hacerse mediante procedimientos violentos y de otra forma mucho más criminal, que es la de ahora, que si bien no se están matando los cuerpos sí se están matando las almas”.

Al respecto, añadió, que “el laicismo no es positivo ni negativo, sino que lo que quiere es usurpar las prerrogativas divinas e instaurar un régimen en el que la democracia no es una forma de Gobierno sino una religión”.

De igual forma, el escritor advirtió que, como consecuencia, aparece “el relativismo, la subversión del orden natural: abolir la naturaleza e instaurar la religión de la adoración del hombre”.

“Los peligros los estamos viendo: la descomposición del orden social, las desvinculación de los ciudadanos, la anomia, el debilitamiento progresivo de la sociedad bajo la máscara del enaltecimiento de la voluntad humana”, entre otros, según Juan Manuel de Prada.

Igualmente, De Prada se refirió a que en España, que ha sido “un país evangelizador, el país más católico del mundo”, ahora “se está llevando un proyecto de destrucción de toda esta tradición”. En este sentido, recordó que la próxima visita del Papa Benedicto XVI tiene un “significado muy profundo” puesto que en este país se está “librando una batalla fundamental para el futuro de Europa y de la cristiandad”.

De la misma forma, el escritor subrayó que “una visita del Papa es siempre una gracia, una ocasión excepcional para volver a descubrir la belleza de nuestra fe y de entender el mundo a través de unas pautas distintas a las que imperan, lo que siempre es luminoso”. Así, De Prada espera que las palabras del Papa “dejen un poso en nosotros y sea una semilla fecunda en los españoles”.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Democracia de mirones - por João César das Neves


por João César das Neves

In DN - 30. 08. 2010

Portugal tem problemas sérios e profundos: crise económico-financeira, bloqueios na justiça, deficiências na saúde, falhas na educação. Como pode isso tudo ser resolvido no meio da praça pública, com uma multidão ululante a opinar, criticar, insul-tar? A sociedade mediática tem muitas vantagens e excelentes benefícios. Mas está a estrangular a democracia.

Imagine gerir uma empresa, uma casa de família ou até guiar um automóvel com chusmas de mirones a espreitar por cima do ombro e a dar palpites e remoques! O desastre estaria garantido. É precisamente esse o sistema que, em nome da suposta liberdade de informação, queremos que funcione no País.

A resolução de qualquer problema grave necessita de estudo, meditação, consultas. Exige negociações delicadas, tentativas controversas, compromissos ambíguos. Impõe tempo, diplomacia, delicadeza. Só assim se chega a algum resultado. Tudo isso é impossível satisfazendo a cada passo sondagens mensais, debates semanais, telejornais diários. O resultado está à vista: a imprensa funciona bem e tudo o resto anda muito mal.

Vivemos no reino da opinião. Pior ainda, os contributos sérios, honestos e fundamentados estão ao nível dos palpites ignorantes, dislates pomposos, provocações espúrias, conspirações inconfessáveis. Acima de todos reina soberana a piada oportuna. Mas todas estas intervenções - úteis, pertinentes, vácuas ou nocivas - têm em comum a falta de responsabilidade. Um artigo como o que está a ler, por cuidadoso e profundo que seja, não passa de conversa, sem a exigência de quem tem o dever de decidir. Mas influencia essa decisão. O resultado da cacafonia mediática é uma intolerável pressão sobre ministros e deputados, que torna impossível qualquer gestão corrente equilibrada, quanto mais projectos de reforma ou planeamento estratégico. Ignoramos as respostas a qualquer questão porque sabemos os defeitos de todas as propostas. A facilidade com que se destroem soluções gera a impossibilidade de solucionar problemas.

Também a vacuidade dos políticos de sucesso nasce daqui, porque o próprio sucesso a impõe. Os dirigentes elegíveis não são especialistas em soluções mas mestres em ficção, porque esse é o jogo decisivo. Deste modo, domina a superficialidade, improvisação, aldrabice. Vivemos num mundo de ilusão, convencidos de que os líderes, que na televisão e semanários travam duelos aparatosos e praticam números de circo, obedecem às nossas exigências. Por detrás da retórica de modernidade, reformismo, legitimidade popular e sofisticação técnica, somos governados pelos poderes da sombra, que controlam a imagem mediática que nos alimenta.

Se isto é verdade em geral, torna-se gritante em momentos de austeridade. O nosso problema mais urgente é financeiro: exagerámos nos gastos, endividámos o País, temos de cortar. A dificuldade está na divisão dos sacrifícios. Onde impor poupanças? Quem sofre a redução? Decidir isto na praça pública só pode ter um resultado: os grupos organizados controlam a informação e impõem os sacrifícios aos sem-voz. Corporações, sindicatos, grandes em-presas, sectores influentes têm bem oleados os contactos mediáticos. Ninguém toca nesses interesses sem suportar uma enxurrada de notícias, artigos, comentários. Eles são o interesse nacional. Os pobres não fazem manifestações, os desempregados não publicam nos jornais, os imigrantes não são assunto de reportagem. A sociedade mediática estabeleceu uma aristocracia ainda mais poderosa, influente e injusta que a medieval.

O mais espantoso é tudo isto ser feito em nome do direito democrático à informação e intervenção política. A incompreensão do verdadeiro sentido da democracia não só impede o seu funcionamento mas, devido a essa inoperância, cria os bloqueios que podem conduzir ao seu desprezo pelas gerações futuras. Democracia é o povo escolher os governantes, que assumem responsabilidades quatro anos depois. Democracia não significa o povo discutir, pressionar ou manipular cada decisão dos responsáveis. A isso chama-se caos.


terça-feira, 25 de maio de 2010

Ainda as Presidenciais

Escrevi há dias um pequeno texto (escrevo sempre por tópicos[1]) no qual afirmava que se não fora Sacerdote faria campanha pela abstenção nas próximas eleições presidenciais[2]. Mas como não sou político nem filho de político[3] todo o meu empenho é pela conversão dos corações, pela salvação das almas. Todavia, pelos ecos recebidos, verifiquei a necessidade de esclarecer um ou outro ponto.

Um dos que me chegou por vias diversas foi o da afirmação de que em vez da abstenção deveria apelar ao voto em branco, uma vez que este significaria, por um lado, a adesão ao sistema democrático e, por outro, a demonstração de que o eleitor não se reconhecia em nenhum dos candidatos e, por isso, os repudiava desse modo. A verdade, porém, é que, absurdamente, em Portugal, o voto branco não conta como tal mas é equivalente ao voto nulo[4].

Outro ponto é o de que o católico tem a obrigação moral de se empenhar e participar na política de modo a fermentá-la com o Evangelho. O voto, adianta-se, é um dever grave do cristão, de modo que a abstenção, consciente e livre, seria uma falta ou pecado grave. Ora quanto a esta objecção podemos concordar inteiramente com a primeira parte mas, no que se refere à segunda devemos dizer que ela é condicional.

Para inteira inteligência dessa condicionalidade importa ter em conta vários factores. O primeiro é o de que actualmente se vive em Portugal num regime democrático meramente formal. Substancialmente vivemos num estado tirano, num regímen totalitário[5]. Ora o voto pode, em determinadas circunstâncias, contribuir para a consolidação e mesmo promoção dessas realidades gravemente injustas.

Se atentarmos bem ao que se tem passado ao longo destas últimas décadas teremos de concluir que o católico bem formado e todo o homem de boa vontade têm progressivamente visto o seu horizonte de escolha lícita ser de tal modo reduzido que chegámos ao ponto de nos quererem obrigar a optar somente entre coisas ilícitas e injustas. Embora possamos não concordar com a identidade não há dúvida de que as eleições presidenciais, que se aproximam, têm muitas semelhanças com o dilema nazi. Aqui chamo dilema nazi àquela escolha a que quiseram obrigar um pai de família. Consta, de facto, que durante a segunda grande guerra um oficial nazi dirigindo-se a um pai, diante das suas duas filhas, lhe teria dito: ou matas uma delas ou eu mato as duas. Evidentemente que a crueldade diabólica desta proposta só poderia ter como resposta de amor verdadeiro a recusa do pai em assassinar qualquer uma delas. Outra opção traduzir-se-ia numa cumplicidade e numa promoção objectivas da mentalidade nazi, e numa transformação do desventurado num filicida. Que nunca é lícito escolher o mal é um princípio absoluto da moral natural, confirmado pela Revelação sobrenatural de Deus.

É verdade que haveria grande conveniência em conseguirmos um candidato, intransigente em relação aos princípios não negociáveis, que aproveitasse a campanha eleitoral para esclarecer e formar as consciências com a verdade que por sê-lo é universal e encontra eco em todos os corações. Será possível, creio eu, e mesmo provável que isso possa vir a acontecer. No entanto, como não se antevê a possibilidade de um candidato com peso político suficiente para derrotar aqueles cujas propostas ou/e actuações representam o Inimigo do género humano, melhor seria que não fosse a votos mas que apelasse à abstenção maciça. E isto porque o seu revés (mesmo que conseguisse algumas dezenas de milhares de votos) seria interpretado como uma derrota clamorosa, como um soçobro, das forças favoráveis à vida e à família. Ora parece-me mais fácil persuadir as pessoas à abstenção do que mobilizá-las para uma candidatura alternativa ao candidato “católico e grande amigo” do Papa.

Uma abstenção maciça, isto é, uma abstenção que excedesse significativamente a habitual enfraqueceria politicamente a legitimidade formal do presidente, representaria um sério aviso para os partidos que o tivessem apoiado e constituiria uma advertência para os políticos que intitulando-se católicos[6] se têm entretido em trair a sua Fé, seduzindo os simples.

Momentos excepcionais exigem comportamentos e medidas excepcionais.

Estas reflexões, já se sabe, são de um franciscano miserável e idiota. Os fiéis leigos são chamados a agirem de acordo com a sua consciência, bem formada, quer dizer concorde com a Verdade interpretada autenticamente pelo Magistério da Igreja. Isto significa que serão eles e não os Pastores (se cumpriram o seu dever) a responder, a prestar contas, perante Deus no Juízo particular e no final.

Nuno Serras Pereira

25. 05. 2010



[1] Escrever, para quem ainda não o saiba, para mim é um tormento. Não o faço por vocação mas por ser compelido a tal. Sendo um suplício tão grande julgo que se compreenderá facilmente porque não desenvolvo nem explicito miudamente as ideias e conceitos. Geralmente parto do princípio que quem me lê tem já a informação suficiente para contextualizar o que escrevo. Muita dessa informação é enviada por mim mesmo por outras vias para os meus leitores.

[2] Nuno Serras Pereira, As Presidenciais, 18. 05. 2010. In http://jesus-logos.blogspot.com/2010/05/cavaco-e-as-presidenciais.html

[3] De facto o meu pai, segundo a carne, foi político mas aqui refiro-me à paternidade espiritual de S. Francisco de Assis.

[4] É certo que nos resultados eleitorais se distingue entre brancos e nulos, mas ambos não contam como votos expressos.

[5] É isto que nos ensinam, por exemplo, as Encíclicas O Esplendor da Verdade e O Evangelho da Vida do Papa João Paulo II.

[6] Vide Nuno Serras Pereira, Dos políticos católicos, livrai-nos Senhor, 25. 05., 2009. In http://jesus-logos.blogspot.com/search?q=ladainha