sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Il senso dell'economia nell'insegnamento del Papa - di Ettore Gotti Tedeschi
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Viva o Bispo do Porto!! Viva!!
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terça-feira, 31 de julho de 2012
Livres à Força? - por P. Gonçalo Portocarrero de Almada
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Produzem-se Crianças e Alugam-se Panças
Nas últimas eleições legislativas não estava somente em jogo o futuro económico e financeiro da nação portuguesa mas principalmente a rejeição de um caminho suicida, cruel e desumano manifesto na liberalização do aborto, na “lei” da falsamente intitulada PMA, do divórcio expresso sem culpa, do imprópria e absurdamente chamado “casamento” de pessoas do mesmo sexo, da imposição totalitária de uma degradação sexual, mascarada de educação, nas escolas, etc.
É inteiramente indecoroso e detestável que os partidos que agora têm maioria absoluta na assembleia da república nada façam para derrogar aquelas deformidades legislativas e monstruosidades inumanas. Antes se mostrem indulgentes ou se conformem ou as queiram intensificar, como agora mais uma vez se verifica.
O psd admite, em certas circunstâncias, o arrendamento de panças para crianças fabricadas por tecnocratas em gélidos laboratórios sem querer ver os espezinhamento da transcendente dignidade da pessoa humana quer no bebé produzido quer na hospedeira.
O cds fez-nos hoje chegar esta nota extraordinariamente hipócrita e relativista:
“1 – O CDS não terá projeto próprio nesta matéria, não só porque a nossa prioridade é a resolução dos difíceis problemas financeiros e económicos de Portugal, como, porque entendemos que há uma lei, a de 2006, que, globalmente, aponta para a PMA como um tratamento contra a infertilidade que pode e deve ser concretizada.
2 – A Direção do Partido tem uma posição negativa sobre projetos de lei que abordam temas sensíveis e sobre valores importantes em sociedade, sem o necessário cuidado técnico e rigor científico.
3 – A Direção do CDS transmitiu aos Deputados do Partido que projetos de lei que pretendam transformar a PMA, não numa opção subsidiária e certificada de tratamento contra a infertilidade, que é um problema que atinge muitos casais – essa sim uma ótica humanista – mas numa prática corrente e generalizada, não contribuem para uma visão equilibrada nesta matéria.
4 – Na exata medida em que a questão da PMA não consta do último Programa Eleitoral do CDS, que foi muito focado na situação de emergência financeira e económica do País, a Direção reconhece o direito de cada Deputado fazer uma avaliação própria dos projetos de lei e agir em conformidade.”
Note-se que no primeiro ponto o partido começa por mentir ao afirmar que a lei da PMA de 2006 trata a infertilidade o que é manifestamente falso porque limita-se a recorrer a uns processos de substituição deixando que a pessoa infértil o continue a ser. Em segundo lugar, mais grave ainda, o partido dá o seu acordo pleno a que tal “lei” deva ser concretizada, com todo o cortejo imenso de vítimas inocentes e eminentemente vulneráveis que isso implica.
No número dois, este partido afirma que a resolução de projectos de lei sobre temas sensíveis e sobre valores importantes para a sociedade passa somente pelo cuidado técnico e pelo rigor científico, ignorando por completo a necessidade da justiça e por isso da ética como critério de discernimento e de decisão. Finalmente no número 4 o cds mostra de novo que é um partido sem princípios, que não cuida do bem-comum, nem tem em conta a verdade, pois concede aos deputados uma avaliação subjectivista dos projectos juntamente com a consequente acção em conformidade. E assim procura lavar as mãos, tentando agradar a gregos e a troianos. Experimente-se aplicar a lógica subjacente a este texto não a pessoas humanas na sua fase embrionária mas a judeus adultos e logo se topará a malícia intrinsecamente perversa desta posição oficial do cds.
Já em 2004 adverti aqui e aqui para a iníqua subversão total dos partidos políticos com assento na Assembleia da República. Os partidos que nos primeiros anos defendiam os valores e princípios inegociáveis, há muito que o deixaram de fazer, embora se apresentem aos eleitores como mais restritivos que os outros mais à esquerda. Mas essa limitação com o tempo tem-se vindo a tornar mais e mais elástica. Claramente se verifica que não passa de uma armadilha para captar o voto dos cristãos e demais homens de boa vontade. E nós, imbecis, temos caído de esparrela em esparrela, e com o intuito de evitar o pior caímos insensivelmente no abismo que queríamos evitar com horror quando era apresentado pelos partidos tidos como mais radicais. O que esses partidos não lograram por si conseguiram-no através daqueles a quem temos vindo a dar o voto.
Ora é tempo de tomarmos consciência de que actualmente há uma só maneira de evitar que isto continue, se queremos ser fiéis à Doutrina do Magistério da Igreja, coerentes com a sua Doutrina Social, consistentes com uma consciência bem formada e acima de tudo obedientes ao Amor devido a Deus e a todos os homens, a quem temos por próximos, a saber, os católicos que andam espalhados pelos partidos actuais cumpliciando-se pelo voto e demais tipos de cooperação devem deixá-los e formar um novo partido credível. Não se trata de fundar um partido Católico ou Cristão mas sim de um partido constituído por Cristãos, Católicos ou não, e demais homens de boa vontade que acolham integralmente os princípios inegociáveis. Tudo o resto é pensar à maneira dos homens e não de Deus.
Já agora e até como complemento ao que escrevi deixem-me sugerir-vos um livro precioso: Giampaolo Crepaldi, Il Cattolico in Politica (manuale per la Ripresa), Prefazione del Cardinale Angelo Bagnasco, Cantagalli, Siena Settembre 2010, 235 pp. O autor é Arcebispo-Bispo de Trieste e Presidente do Obsevatório Internacional Cardeal Van Thuân sobre a Doutrina social da Igreja. É brilhante, claríssimo, conciso, eficaz e corajoso. Depois de ter lido milhares e milhares de páginas sobre a Doutrina social da Igreja posso dizer que nunca encontrei uma síntese tão excelente, tão vibrante e tão urgente como esta. É muito aconselhável não só para políticos mas para todos os católicos.
Nuno Serras Pereira
20. 01. 2012
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Os não-existentes
Hoje foi divulgada uma Nota Pastoral do Conselho Permanente da Conferência Episcopal intitulada Crise, Discernimento e Compromisso, que ignora totalmente, como se não importassem, ou melhor, não existissem, as crianças nascituras. Pelos vistos, mais de sessenta mil assassinos legais não comovem os Senhores Bispos. Dissertam sobre Portugal e a Doutrina Social da Igreja sem a mínima referência a estes nossos irmãos, totalmente inocentes, com quem Cristo Se identificou (Cf, Mt. 25, 31-46) e que são espostejados, triturados, esquartejados com subsídios do estado saqueados às famílias.
É verdade que a Nota afirma:
“A dignidade – e dignificação prática – de cada pessoa humana é o princípio e também o fim duma sociedade propriamente dita. “Sociedade”, isto é, comunhão de destino e companhia entre todos, que só em conjunto se podem realizar, sem dispensar ou ultrapassar ninguém e com particular atenção aos mais fracos e vulneráveis. É em função deles – como de todos – e da sua irredutível dignidade que a sociedade se constitui e aperfeiçoa, assim mesmo se qualificando.
Na presente conjuntura nacional, é em torno deste primeiro princípio que se devem definir e avaliar as políticas concretas, por mais exigentes que sejam. Legisladores e governantes, empresários e gestores, famílias e cidadãos, todos devemos ter em primeiríssima conta a dignidade das pessoas que somos e os outros igualmente são, sobretudo os que vêem tal dignidade contrariada na prática ou obviada no futuro. Insistamos: A qualidade das decisões e das políticas afere-se prioritariamente com este critério.”
E também não há dúvida nenhuma que a pessoa o é desde a sua concepção. Mas todos sabemos que nos dias de hoje falar de pessoa (humana, porque também as há Angélicas e Divinas), sem mais, ou seja, sem pôr preto no branco que fala dela em todas as etapas da sua existência, desde o momento da concepção até ao seu fim natural, é percebido como referência somente às já nascidas. E esta impressão é confirmada pelo restante teor da Nota (a qual nunca fala dos nascituros) que gira toda ela à volta dos já nascidos sintetizando a urgência actual de acção nestes termos:
“ … também nos deve mobilizar para responder prioritariamente àquilo que de modo algum pode esperar. É este o caso fundamental do trabalho e do emprego, base indispensável de sobrevivência e dignificação humana; a sua garantia é urgente, mesmo exigindo mais criatividade e solidariedade prática para chegar a todos.”
A multidão dos “invisíveis”, dos não-pessoa, dos que positivamente não existem, mas que são degolados, estraçalhados, aniquilados e depois arrojados ao lixo ou aproveitados para sabores de bebidas, para cosméticos, e outras infâmias nefandas não constituem uma emergência para os nossos Bispos. Ignoram sistemática e olimpicamente, com um desprezo que raia a impiedade, o Magistério de João Paulo II e de Bento XVI com as suas insistentes referências a esta tragédia e às implicações sociais da mesma. Chegam ao desplante de citar a Caritas in Veritate, Encíclica que torna bem claro, na continuidade da Evangelium vitae, que é impossível uma Doutrina Social da Igreja à margem da sexualidade e da vida nascente.
A Sagrada Escritura aponta como um dos mais graves pecados dos gentios a falta de piedade para com o próximo. Giuliano Ferrara, um ateu, director do jornal Il Foglio, mostra uma sensibilidade, ou uma piedade, muito mais apurada que os nossos Bispos quando escreveu, a propósito de um abortamento que deu brado em Itália:
“O desaparecimento da piedade é uma notícia que se sobrepõe à crise do euro e a qualquer outra notícia. Uma rapariga de dezasseis anos abortou, isto é, libertou-se aniquilando uma criatura humana concebida no seu seio, depois e por causa de uma campanha desencadeada com as melhores das intenções dos seus pais em nome de um valor social surdo a qualquer rémora de tipo ético … ”
O texto do Conselho Permanente da Conferência Episcopal tem claramente, e é uma mais-valia, a mão do Bispo do Porto, D. Manuel Clemente – percebe-se isso pelo estilo, pela clareza e profundidade, bem como por aquelas frases brilhantes que sintetizam magnificamente o essencial e que nos atiram para a acção/concretização.
Não sei compreender e muito menos explicar esta relutância do Senhor D. Manuel Clemente, por quem aliás nutro grande estima e a quem muito devo, em abordar esta defesa da pessoa humana nas suas fases iniciais, antes do nascimento. Tem sido nele uma constante, embora com algumas excepções. Por exemplo, na RR (rádio renascença), no seu programa semanal, pregou sobre a Exortação Apostólica do Papa Bento XVI durante uma série de programas vindo a parar, exactamente no número anterior àquele em que o Santo Padre escrevia sobre a Coerência Eucarística, a propósito dos políticos auto-intitulados católicos mas que são abortistas ou abortófilos. Algo de semelhante sucedeu quando dedicou diversos programas à Caritas in veritate. Ignorou por completo grande parte dos seus fundamentos, a saber, a abertura à vida na sexualidade e a defesa da pessoa nascente, em que o Papa Bento XVI a assentou. Tudo isto me entristece, particularmente vindo da sua parte, pois nele depositava grandíssimas esperanças. Aliás elas estão bem patentes no texto que escrevi intitulado “Eu vi uma Sentinela Vigilante” que a ele se referia.
A Nota do Conselho Permanente da Conferência Episcopal provocou em mim uma reacção contraditória. Por um lado, a satisfação de ver um texto bem redigido, ao alcance de muita gente, com frases lapidares a que se adere de coração e de inteligência. Por outro lado, a grave lacuna, que enquanto a mim minou a excelência da Nota, a ponto de a tornar como que contraproducente, sobre os mais oprimidos, espezinhados, vulneráveis e inocentes, os nossos irmãos as crianças nascentes. Por isso o que comecei a ler com alegria e contentamento foi transformando-se numa angústia funda que procurou em vão encontrar algum conforto em lágrimas.
Nuno Serras Pereira
13. 12. 2011
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Da Igualdade de Género ao Respeito pela Liberdade de Pensamento e de Expressão - P. Gonçalo Portocarrero de Almada
1. Na edição de 29-8 passado, saiu no PÚBLICO o artigo «Igualdade de género ou falsa identidade», da minha autoria, no qual se questionava o actual regime legal de alteração de sexo. A 4-9 seguinte, no mesmo jornal, foi dado à estampa um texto intitulado «Uma questão de respeito», assinado por dois ex-deputados da Assembleia da República, que pretende responder àquele primeiro artigo.
2. Importa, em primeiro lugar, saudar o PÚBLICO pela divulgação dos referidos textos, num gesto de grande respeito pela liberdade e de pluralismo democrático, tanto mais louvável quanto a corajosa publicação do primeiro artigo foi criticada pelos referidos ex-deputados, decerto pelo pouco respeito que lhes merece a liberdade de pensamento e de expressão.
3. É certamente honroso, para qualquer autor, que dois ex-deputados comentem um seu texto de opinião, sobretudo se o mesmo já tinha merecido a viva felicitação de muitos leitores, entre os quais outros dois ex-parlamentares, professores universitários, etc.
4. A inegável discordância entre os dois artigos é, certamente, salutar, mas é de lamentar a atitude acintosa dos referidos ex-deputados, porque só na base do respeito mútuo e da tolerância é possível um diálogo construtivo.
5. Pelo contrário, o artigo «Igualdade de género ou falsa identidade», embora crítico, não é ofensivo para ninguém, nem contém nenhuma falta de respeito em relação a nenhum ser humano, quaisquer que sejam as suas ideias e opções.
6. A este propósito, transcreve-se o que na edição do PÚBLICO, mas a 14-8 passado, o mesmo autor escreveu e agora reafirma: «Todos iguais? Com certeza, no que respeita à comum natureza e dignidade do ser humano, bem como a todos os direitos e liberdades fundamentais».
7. Portanto, as alusões a eventuais sentimentos de ódio, de violência ou de premeditada humilhação de quem quer que seja, não tendo qualquer fundamento objectivo, devem ser entendidas no contexto de uma estratégia de ofensa pessoal que, como é óbvio, dispensa qualquer comentário.
8. Na ausência de dados objectivos que sustentem uma crítica consistente, fabula-se como teria sido grave se tivesse sido dito o que não foi dito, ou seja, se se «equiparasse as mulheres ou negros a uma subespécie». Mas esta injuriosa conclusão não consta, explícita ou implicitamente, no texto em apreço e, diga-se de passagem, parece relevar algum preconceito machista e racista.
9. Talvez, se se tivesse dito o que não se disse, a Igreja, a que o autor pertence com muito gosto, tivesse que pedir perdão através da sua hierarquia, mas não decerto pelo facto desse texto, embora discutível e da única responsabilidade do seu autor, reflectir, com substancial fidelidade, o magistério eclesial. Por muito que isso custe aos que desejariam silenciar uma voz livre e coerentemente cristã.
10. Questão mais interessante seria a de saber se os respectivos partidos subscrevem as teses destes seus ex-deputados. Se for este o caso, deveriam assumir publicamente a sua incompatibilidade com a doutrina social da Igreja e, por uma questão de elementar honestidade e de transparência política, esclarecer, sobre este particular, o eleitorado.
11. A ameaça de um eventual procedimento criminal, por sinal juridicamente improcedente, deve ser registada com alguma preocupação, não por temor à justiça – quem não deve, não teme – mas porque este tipo de intimidações são próprias dos regimes totalitários, em que todas as divergências são sistematicamente eliminadas.
12. Compreende-se o empenho dos dois ex-deputados na defesa da actual normativa, mas talvez não seja descabido perguntar-lhes se estão dispostos a respeitarem a vontade do povo português, se este entender que não se revê na «mais avançada» lei da identidade de género. A questão é tanto mais pertinente quanto a maioria que aprovou a actual lei sofreu uma significativa derrota nas últimas eleições legislativas.
13. A resposta dos dois ex-deputados foi expressa em termos aparentemente azedos e ressabiados, ao contrário do bem-humorado texto precedente. Embora a alegria seja mais própria do património cristão, importa alguma serenidade ao abordar questões desta natureza, sob pena de que os estados emocionais toldem um equilibrado uso da capacidade de argumentação.
14. A questão fundamental deste debate não é, contudo, a da identidade de género, que apenas afecta uma percentagem ínfima da população. O que realmente está em causa é o modelo de sociedade que se pretende para o nosso país. Contra a intolerância e o totalitarismo ideológico, há que defender a tolerância e a liberdade de pensamento e de expressão em Portugal.