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quinta-feira, 9 de maio de 2013

Melhor investimento - Emprego mais bem remunerado - por Nuno Serras Pereira



09. 05. 2013

Bem sei, bem sei; nunca estudei economia nem finanças. Nem tenho formação académica em filosofia política, nem em sociologia; nem, além disso, tenho qualquer tipo de licenciatura. Mais não sou do que um tosco remendo na nas vestes da gloriosa Ordem franciscana. E, no entanto, ninguém me despersuade de que o melhor e mais urgente investimento, por parte de uma nação e de um estado como nosso, é na renovação das gerações, no crescimento da natalidade; apesar de todos os dias ouvir e ler opiniões dos mais graúdos economistas e fiscalistas que, na sua generalidade, ignoram petulantemente este “factor”.

Na suposição de que aquilo que afirmo é verdade, então daí derivará, como consequência inevitável, de que o trabalho, a profissão – que neste caso coincide com a vocação -, mais bem paga deverá ser, sem margens para dúvida, a da paternidade/maternidade (expressões como “parentalidade”, para além de não serem bom português, são ideologicamente venenosas), principalmente no matrimónio – isto é, no casamento natural -, onde os filhos são gerados, nutridos, educados e socializados. O casamento natural, e a família que dele resulta, é a sementeira e o útero, das sociedades sãs, das nações com futuro, da convivência amistosa, da justiça misericordiosa.

Se o estado obtuso se tem, cretinamente, nas últimas décadas, como a diluviana evidência o tem demonstrado à saciedade, empenhado com todas as veras na limitação dos nascimentos e na destruição da família; e se monetariamente em tudo corta menos nessa persecução suicida, então a única salvação, por mais abstrusa que se afigure aos católicos deformados e aos descrentes, será confiar na Providência Divina e acolher os filhos, sem manhas contraceptivas, que Deus quiser, obrigando, desse modo, à mudança de mentalidades e de comportamentos dos actuais ídolos eclesiásticos, dos poderes partidários, governamentais e estatais. 

Parece uma temeridade. Não é. Não queiramos fazer a figura da mãezinha que preocupada com a ida do filho para a força aérea, lhe recomendava instantemente: filhinho voa baixinho e devagarinho…

terça-feira, 30 de abril de 2013

Um povo impiedosamente desumano - por Nuno Serras Pereira



30. 04. 2013

São tão abundantes as provas da crueldade do povo português que é caso para infinito pasmo como haja ainda quem encomie o seu carácter manso e pacífico. Esta realidade continua a evidenciar-se na indiferença descaroável para com as crianças que dentro em pouco serão ignobilmente vitimadas pela adopção por parte de pseudocasais homossexuais

É verdadeiramente extraordinário que a autoproclamada, sem pingo de vergonha, rádio católica portuguesa (rr), propriedade do Episcopado português chame sistematicamente casais aqueles que não o são nem o podem, de facto, ser, contribuindo assim, com inusitado fervor, para a propaganda lgbt

Mais inacreditável ainda é a passividade dos prelados portugueses os quais porventura cuidarão que a publicação de uma Nota pastoral sobre a família, aliás bem-feita e com linguagem acessível, é suficiente para se desobrigarem de qualquer outra acção no combate contra este violento vampirismo espiritual e moral. Mas a verdade é que se puserem de lado as racionalizações autojustificativas e olharem de frente, diante de Deus, as suas consciências saberão muito bem que isso não passa de uma mentira infame. Nem será necessário meditarem atentamente na importantíssima entrevista recente, a propósito de um outro assunto, embora com este relacionado, mas igualmente aplicável neste caso, que o Cardeal Burke concedeu a uma prestigiada agência noticiosa

Evidentemente que quando falta o ensinamento insistente, repetido para ser assimilado, o exemplo, o encorajamento e a liderança andam as ovelhas tresmalhadas, anuindo a tudo o que os lobos vorazes propõem, como meio mais pronto e eficaz para dizimarem facinorosamente o rebanho. Verdadeiramente há Pastores que se não são lobos, imitam muito bem.

Diz um dos periódicos de hoje, em primeira página, que o Senhor Bispo do Porto, é o preferido para Patriarca de Lisboa. Eu, confesso, que tenho a maior estima e admiração pelo Senhor D. Manuel Clemente, a quem aliás devo imenso, mas rezo a Deus, apesar de já ter pensado o contrário, que não seja ele. 

O que precisamos é de alguém que saiba governar, tenha mão firme e ortodoxa, seja desassombrado em relação aos princípios inegociáveis, não se deixe lisonjear com adulações, não seja político mas sim Pastor, tenha a coragem de vir para a rua, e o arrojo da verdadeira e completa Misericórdia, com a inteireza de quem sabe, pois é impossível ignorá-lo, que a defesa e promoção da vida e da família são o factor decisivo na Nova Evangelização, isto é, no evangelizar de novo. 

Não saberei dizer se há algum Bispo em Portugal capaz do que digo, mas se não há, Ordene-se. E será seguramente tempo de ser mais rigoroso e responsável nas consultas que a Santa Sé faz em relação aos “episcopáveis”. Conheço bem verdadeiros hereges, no rigoroso sentido do termo, que são sistematicamente consultados e santos presbíteros, já anciãos, que nunca o foram… Basta de diabólicos respeitos humanos, de silêncios cobardes e cúmplices. Os tempos são demasiado graves para que nos deixemos afundar nestas areias movediças.

À Honra e Glória de Cristo. Ámen.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Destruir Portugal - por João César das Neves

In DN

Somos a geração que está a destruir Portugal. Daqui a décadas, aqueles que viverem nos escombros do que foi Portugal olharão para trás e culpar-nos-ão da sua situação. Apesar do nosso hábito pedante de condenar épocas antigas por males que lhes assacamos, as acusações que um dia ouviremos nunca as pudemos atribuir aos antigos.

Na sua amargura, os futuros terão dificuldade em acreditar que, apesar do desvario, tivéssemos momentos de lucidez e vislumbre da futura destruição. Hoje, no meio da crise, muitos dizem que Portugal está destruído. Só que, até admitindo o mal, a tacanhez que arruína o País está activa e distorce a compreensão. Os disparates que acompanham queixas e acusações manifestam, nelas próprias, o terrível vício que destrói Portugal.

Aqueles que agora contemplam a desgraça que cairá sobre nós começam logo por se considerar totalmente inocentes. São sempre outros os culpados. Como se um punhado de vilões, mesmo em posição de poder, conseguisse uma devastação destas. Muitos até dizem identificar os bandidos, lançando-se afanosamente em intensa e mesquinha campanha de denúncia e insulto. Assim manifestam a mesma desgraçada grosseria.

Pior é que o diagnóstico da situação, os males considerados e as curas recomendadas são tão laterais, incipientes e tolas que, em si mesmas, manifestam o vício que destrói Portugal. A razão por que tantos bramam que se arruína o País tem a ver com... dinheiros. É espantoso, mas muitos estão mesmo convencidos de que a recessão será irremediável e as dificuldades económicas fatais. O nosso problema é, afinal, falência de lojas e restaurantes, desemprego alto, dívida pública.

Isto permite compreender a desgraçada atitude que arrasa um povo. Pondo a nossa esperança a esse nível, colocando a nossa ânsia nesses temas, tendo a razão de ser em coisas dessas, não admira que se devaste uma nação. "Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração." (Mt 6,21)

De facto, a destruição de Portugal não tem nada a ver com isso. Esta crise estará esquecida dentro de anos, como tantas para trás, a maioria bastante pior. Aquilo que o tempo não pode apagar, aquilo que chega para aniquilar o País é a destruição da família e a extinção da natalidade. Com a taxa de fertilidade mais baixa da Europa Ocidental e das mais baixas do mundo, o casamento em vias de extinção, o divórcio em níveis nunca vistos e a educação na quinta década sucessiva de crise, não admira que as próximas gerações acusem este tempo dos seus males.

Em 2010, último ano com dados para a amostra completa, éramos o terceiro país dos 15 da Europa com mais divórcios e o quarto com menos casamentos. Com apenas mais 1.3 casamentos do que divórcios por mil habitantes, o nosso País mostra uma precariedade familiar que é difícil de replicar na história do mundo, e raramente se encontra fora de situações de calamidade nacional. Não podemos ter dúvidas de que estamos a destruir Portugal.

Nos cinco anos desde 2007 já houve mais de 80 mil abortos, cerca de dez vezes os soldados portugueses mortos nos 14 anos de Guerra Colonial. Muitos se queixaram das cicatrizes que esse conflito deixou na geração que a suportou. Mas ninguém ouve sequer a voz da geração que hoje é sacrificada a "razões socioeconómicas" e à "opção da mulher". E o genocídio não demora apenas 14 anos. Sem fim à vista, continua galopante.

Entretanto, muita gente acha Portugal perdido pela concorrência chinesa, reforma do Estado ou participação no euro. O disparate chega para revelar a infantilidade. Quando souberem que pensamos assim, os futuros habitantes desta terra perceberão a mesquinhez da nossa atitude. Os nossos poucos descendentes e todos aqueles que vierem de longe tapar o buraco populacional que deixámos vão entender como foi possível que fizéssemos esta desgraça.

Afinal, a atitude egoísta e interesseira que endividou o País, trazendo-o à crise, é a mesma que hoje motiva as lamúrias e os insultos e que promove o divórcio, despreza a fertilidade e prefere o aborto. Sem filhos não há futuro.





sábado, 2 de fevereiro de 2013

Liliana e os seus dez filhos, uma parábola sobre o que distingue uma sociedade decente - por José Manuel Fernandes

In Público 
01/02/2013
Ao ler a sentença, percebe-se que só houve real humanidade quando o técnico de uma ONG acompanhou aquela família
 
Chama-se Mamhoud e desde Junho do ano passado que está separado da maioria dos seus irmãos. Porque estava na escola quando a polícia chegou para levar sete dos dez filhos de Liliana Melo. As irmãs mais velhas ajudaram-no a escapar à ordem do tribunal e no outro dia vimos a sua silhueta numa reportagem da RTP. Passaram sete meses e as "autoridades", que naquele dia de Verão entraram pela sua casa adentro, parece terem-se esquecido dele. Na altura era uma "criança em perigo" que tinha de ser imediatamente retirada à guarda dos familiares. Agora será o quê para o tribunal, os seus técnicos e os seus polícias?
 
O país esquece depressa as suas fugazes histórias mediáticas, e poucos se lembrarão de Liliana e da polémica sobre uma ordem de laqueação de trompas, mas esperava-se que as instituições fossem, no mínimo, mais persistentes. Não dão indicações de o ser. É que se Mamhoud ficou para trás na ordem de o levar para uma instituição de acolhimento, as suas duas irmãs mais velhas também ainda esperam pelo "apoio psicológico" que o juiz prescrevera. As sentenças dos tribunais são, pelos vistos, de aplicação facultativa, mesmo pelas autoridades judiciais.
 
Estas incongruências reforçam a convicção de que houve neste processo muita inumanidade e, porventura, algum preconceito. Por isso ele é, também, exemplar sobre alguns dos males da nossa sociedade. 
 
Primeiro que tudo, o problema da imposição da laqueação de trompas. O tribunal, apoiado pela corporação dos juízes - da associação sindical a um comunicado apócrifo do Conselho Superior da Magistratura -, sustenta que a decisão de tirar os filhos à mãe nada teve a ver com o facto de esta, por razões religiosas, não aceitar realizar aquele tipo de operação. O tribunal diz até que Liliana a "aceitou" num acordo com os técnicos da Segurança Social. O que não deixa de ser extraordinário, pois aparentemente o tribunal não se interrogou sobre as condições em que Liliana terá sido levada a aceitar um "acordo" que, sendo conhecida a sua religião, mais soava a imposição. Por outro lado, conforme relatava o último Expresso, este tipo de imposição está a tornar-se muito habitual na Grande Lisboa. A "sugestão" vem por regra de técnicos da Segurança Social, as destinatárias são quase sempre mulheres de origem africana. É uma solução expedita que desobriga os técnicos e lhes permite passar o problema ao hospital, altura em que os serviços lavam dele as mãos. 
 
Mesmo que o tribunal não tivesse considerado a falta à laqueação de trompas uma questão relevante - e considerou, como se verifica lendo as 42 páginas do acórdão -, a verdade é que em momento algum questionou a validade da "sugestão". Mais: apesar de o acórdão descrever a situação familiar do pai das crianças, um muçulmano com três mulheres e três famílias diferentes, em nenhuma passagem há qualquer referência ao facto de Liliana ser muçulmana, como se as suas crenças não tivessem qualquer importância nas suas opções e não devessem ser respeitadas. 
 
Não está em causa saber se concordamos com as opções de Liliana, nem sequer o que possamos pensar de alguns aspectos da religião muçulmana. O ponto, como notou esta semana José Tolentino Mendonça, é que "é trágico não perceber-se que a ofensa à liberdade religiosa coloca em causa a liberdade em sentido absoluto, a liberdade de nós todos". E foi a liberdade religiosa de Liliana que foi posta em causa neste processo.
 
A leitura da sentença é muito instrutiva. Não quero ser injusto, pois não pretendo conhecer todos os detalhes do caso, mas a forma como é descrita a intervenção dos diferentes serviços sociais é reveladora de uma frieza e de rotinas burocráticas que afligem. Em certos períodos visitavam a casa de Liliana de três em três meses, concluíam que ela ainda não estava a cumprir com todas as "sugestões", faziam mais um relatório e ficavam à espera que um qualquer milagre ocorresse entretanto. Por exemplo: os papéis da cabo-verdiana não estavam em ordem e por isso ela não podia receber apoios sociais (só recebia abono de família, num certo período 175 euros); os técnicos determinavam então que tinha de ir tratar dos papéis; ao mesmo tempo condenavam-na por às vezes deixar os filhos mais novos à guarda dos mais velhos e constatavam que o pai só ia a casa alguns dias por semana. Pergunta-se: mas como queriam que ela fosse tratar dos papéis? Podia encontrar outros exemplos, que o padrão seria sempre o mesmo: olhava-se para aquela família com os olhos de quem tem uma família normal e exigia-se a uma mãe com nove filhos que lhes desse os banhos que se dão numa casa da classe média, mesmo quando se reconhecia que a água estava cortada ou o esquentador avariado. 
 
Não duvido que, pelo menos em alguns dos períodos, aquela família era muito desorganizada, que aquela mãe não cumpriria com todas as obrigações que hoje se esperam de uma mãe, mas só por uma vez se encontrou uma resposta adequada para a situação: quando uma técnica da organização não-governamental Movimento em Defesa da Vida passou a acompanhar o processo. Ia a casa da Liliana quatro vezes por semana, levou-a a Cascais a tratar dos papéis e enquanto a colaboração se manteve a evolução foi notável. Não é possível deixar de pensar que isso também sucedeu porque esta organização se baseia na dedicação de voluntários e nos serviços públicos há demasiado espírito "das nove às cinco" e um desejo inconfessável de que "ninguém venha com mais problemas". Não é sempre assim, mas é demasiadas vezes assim. Talvez porque o sentido de humanidade de uma sociedade diminua consoante temos mais leis e mais funcionários a tratar de nós, e menos obrigação sentimos de olhar para quem está ao nosso lado e possa precisar de ajuda. A simples existência de serviços sociais é nisso muito eficaz: alivia-nos a consciência.
 
Chegamos assim à questão do equilíbrio da sentença - até porque a decisão de dar um filho para adopção é a solução- limite, a solução para casos extremos. Neste caso, retirar sete dos dez filhos a uma família onde se admite que há amor e carinho, onde não há maus tratos, abusos sexuais ou dependência de drogas, onde podem faltar umas vacinas no boletim de saúde mas onde as crianças têm aproveitamento escolar muito razoável, é incompreensível. Se houvesse violência ou abandono, o que se decidia? Condenava-se a mãe à forca e o pai ao exílio?
 
Aquilo que parece ser proibido, seguindo a lógica da sentença, é ser pobre e ter muitos filhos. Não está lá escrito, mas é o que está implícito numa declaração do juiz Rui Rangel ao PÚBLICO, em que defendeu que os pais "não podem ter os filhos que querem" se não tiverem condições. Ficámos sem saber o que sugere nesses casos. Talvez a castração, pois é o passo que falta dar. 
 
Em todo o acórdão se nota que as acusações àquela família oscilam permanentemente entre ela não ter condições de vida tranquilas, não haver dinheiro suficiente ou a casa ser pequena, e a mãe (sistematicamente tratada como "a progenitora") não cumprir com as sugestões dos técnicos, sendo culpada de desorganização. Algumas das coisas que lhe fizeram são mesmo inauditas e impensáveis se se tratasse de alguém mais diferenciado e com advogado constituído. Basta referir que Liliana foi convocada para ir a tribunal sem saber ao que ia, que chegou e ouviu a leitura da sentença secamente, que depois não pôde levantar uma cópia porque era sexta-feira e os serviços já tinham fechado, que teve de lá voltar na semana seguinte e acabou assim por falhar o prazo do recurso por 24 horas. Kafkiano, no mínimo. 
 
Uma sociedade decente não é uma sociedade com muito "Estado social", muitos serviços públicos de assistência, muitas instituições de acolhimento e muita burocracia. É sim uma sociedade que sabe olhar para os seus vizinhos e ajudá-los, que respeita e valoriza as famílias e que só se intromete no espaço de liberdade dos cidadãos quando isso é mesmo inevitável. Não me parece que numa sociedade decente o Estado e os seus agentes se comportem como neste caso da Liliana. Mas todos os que, nas suas relações, a podiam e deviam ter ajudado mais, como a sua comunidade de Fé, também não estão ilibados.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Usurpações aterradoras - por Nuno Serras Pereira



Cada vez tem havido mais casos vindos a público de roubos violentos, por parte do estado, de filhos a seus pais. Os tribunais conluiados com assistentes sociais arrogam-se o direito a um poder absoluto contra a família determinando se podem ou não ter filhos, e impondo ameaçadoramente o que têm que fazer para os evitar. Isto, tanto quanto sei, começou com o então chamado “rendimento mínimo garantido”, o qual exigia que quem dele quisesse usufruir fosse obrigado ao uso contínuo da contracepção, mesmo a abortiva precoce. Esta brutalidade totalitária não incomodou os altos prelados que se desfizeram em elogios à introdução daquele sem atender a este monstruoso “detalhe”. 


Ontem foi noticiado por um semanário o mais clamoroso dos casos conhecidos. A coisa é medonha. Um juiz determinou a esterilização permanente de uma mãe em virtude da pobreza em que vivia com os filhos. Como ela felizmente, e ajuizadamente, não o fez e se atreveu a procriar mais, o tribunal determinou, para gáudio das assistentes sociais, que lhe fossem extorquidos sete dos dez filhos, deixando-a só com os mais velhos. A ferocidade controladora e predadora do estado, em nome do bem-estar material, da higiene e da pontualidade escolar, ignora friamente os vínculos familiares, os laços de amor filiais, maternos, paternos e fraternos, e em vez de colaborar com a sociedade civil e com as Instituições de solidariedade para melhorar as condições de vida desta sociedade natural, anterior ao estado, entretém-se sadicamente a escaqueirá-la. Por este andar tardará muito até assistirmos impávidos e serenos, como temos estado ao longo destes anos, a decisões judiciais que imponham aos pobres o aborto forçado? Aliás, se esta mãe tivesse abortado os sete filhos não a espoliariam de nenhum dos que restassem nem padeceria controlos das assistentes sociais nem poria o pé em qualquer tribunal. Seria, pelo contrário, apontada como uma progenitora responsável, inteiramente capaz de cuidar da família, enfim uma mulher exemplar. Esta mentalidade inoculada sistematicamente ao longo das últimas décadas pela APF, prodigamente protegida e subsidiada por todos os governos, continua coadjuvada pela introdução da ideologia do género (ver os dois primeiros parágrafos deste discurso de Bento XVI e a entrada ideologia do género no blogue Logos), desde 1995, a sê-lo maciçamente com a cooperação activa dos mesmos políticos germinados nesse caldo infeccioso e pestilento em que se transformaram os partidos que têm estado nos governos.


Baste para exemplo o encontro, no próximo 13 de Fevereiro, organizado e promovido pelo ministério dos negócios estrangeiros. 


Eduardo Pinto da Silva (Divisão de Direitos Humanos - Human Rights Division - SPM-DGPE - Ministério dos Negócios Estrangeiros - Directorate-General for External Policy - Ministry of Foreign Affairs) numa mensagem-e enviada para uma extensa lista de representantes e associações da sociedade civil escreve: “Tenho a honra de informar V.Exas que a Comissão Nacional para os Direitos Humanos (CNDH) se reunirá em formato alargado a representantes da sociedade civil no próximo dia 13 de fevereiro, às 9 horas e 30 minutos, no Auditório do Instituto de Defesa Nacional (Calçada das Necessidades, nº 5, Lisboa) … Na qualidade de Presidente da Comissão Nacional para os Direitos Humanos, o Senhor Secretário de Estado Adjunto e dos Assuntos Europeus fará a abertura da reunião e dirigirá os respetivos trabalhos (ordem de trabalhos em anexo).”


O anexo da “comissão nacional para os direitos humanos” apresenta na sua ordem de trabalhos, entre mais uma ou duas coisas o seguinte:


“Igualdade de Género - Esclarecimento de Conceitos” - Apresentação pela Presidente da Direção da Associação Portuguesa de Mulheres Juristas, Dra. Mª Teresa Féria de Almeida 


“Globalização: Porquê a necessidade de sensibilizar para a Igualdade de Género?” – Apresentação pela Presidente da Delegação de Matosinhos da Cruz Vermelha Portuguesa, Dra. Joana Salinas”


Não resta pois dúvida alguma de que o estado português dominado pela agenda “gay”, “lgbt”, etc., em nome dos direitos humanos, “catequisa” a sociedade civil com estas nefandas ideologias que têm o propósito de acabar com os mesmos, invertendo-os, de modo a que o seu poder tentacular se vá fortalecendo, ainda mais, até ao ponto de estabelecer o seu totalitarismo intrinsecamente perverso, que perseguirá implacável e desalmadamente os cristãos e todas as demais pessoas que queiram viver de acordo com a recta razão.


Para concluir volto ao princípio do texto somente para dizer que, se dependesse de mim, aquela mãe que, não obstante a pobreza, tem um amor maior que todas as riquezas, seria condecorada com o mais alto galardão nacional como exemplo de generosidade em tempos de tanto egoísmo, como modelo do maior contributo que se pode dar para o futuro deste país que se encontra em estado adiantado de suicídio demográfico.


19. 01. 2012

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Igreja Católica é 'tábua de salvação' para famílias no limiar da sobrevivência - Por Agência Lusa

In i 

A crise, o desemprego e a pobreza obrigaram a Igreja Católica a recentrar-se na sua função de solidariedade social, cada vez mais criteriosa, devido aos crescentes pedidos de ajuda, de famílias inteiras, algumas no limite de sobrevivência.
 
Da Igreja e dos padres já não se espera apenas consolo espiritual e orientação moral. Para aqueles que deixaram de conseguir fazer face às despesas, crentes ou não crentes, as suas paróquias transformaram-se numa 'tábua de salvação', muitas vezes a última esperança para quem já bateu a todas as portas onde podia encontrar auxílio.

O padre Mário Rui Pedras, pároco na igreja de S. Nicolau, em Lisboa, entende que a crise, apesar de ser "em si mesma uma coisa muito desagradável", pode também ser uma oportunidade para refletir sobre a atual situação, e até mesmo "um convite à mudança e à conversão [religiosa]".

Mas é sobretudo de bens essenciais que se tem feito o apoio prestado pela paróquia. Com a ajuda de voluntários e dos donativos que chegam à igreja, a paróquia de S. Nicolau apoia neste momento 12 famílias carenciadas, todas as semanas, com alimentos frescos e não só.

Outras 153 são ajudadas todos os meses, com alimentos doados pelo Banco Alimentar e pela comunidade. Só no mês de outubro esta pequena paróquia recolheu e distribuiu mais de 280 kg de alimentos.

"A igreja é relativamente pobre e o que fazemos é o milagre da multiplicação: pedimos para dar, mas também encontramos apoios noutros setores", disse o padre, em entrevista à Lusa.

O desemprego foi o principal responsável pela "nova realidade de pobreza" com que esta paróquia passou a lidar diariamente, tendo desde então tentado encaminhar as situações que ali chegam para "pequeninas bolsas" de emprego que conhecem.

"É um trabalho mínimo, pequenino, obviamente, mas que tem algumas respostas. Há outro tipo de respostas muito simples que vamos dando. Estamos neste momento a apoiar dez famílias que vivem em situação de dificuldades, por não terem dinheiro para pagar a renda, a luz, a água, os livros dos filhos. Depois de fazermos a triagem, encontramos um conjunto de apoios de outras famílias que vão ajudando a resolver estas situações", contou o padre.

Histórias como estas repetem-se por todo o país. O presidente da Cáritas Diocesana do Algarve, Carlos Oliveira, revelou à Lusa que esta instituição, com sede em Faro, entre janeiro e novembro, atendeu 1033 famílias necessitadas, das quais 404 eram novas famílias em relação a 2011. No total, estas 1033 famílias representam 2665 pessoas, mais 1087 do quem 2011.

Rendas e prestações de casa, água, luz, gás, livros escolares, propinas. À Cáritas do Algarve chegam pedidos de ajuda para todo o tipo de despesas. A alimentação, sendo uma das maiores carências, não é o apoio mais procurado, apesar de tudo.

"As pessoas ficaram desempregadas, mas não é por causa disso que falta comida à mesa. Depois atrasam é o pagamento da renda de casa e das contas da água, luz e gás", explicou.

Por serem cada vez mais os pedidos de ajuda, é também cada vez mais difícil dar resposta a todos. A instituição tem sido obrigada a recorrer ao Fundo Diocesano Social, constituído por donativos e por um vencimento anual de cada pároco da diocese, mas Carlos Oliveira revelou que neste momento ele "está quase esgotado", o que obriga a analisar de forma "muito precisa" os pedidos que chegam para poder "dividir o mal pelas aldeias".

Desde que foi criado, em fevereiro de 2009, este fundo já distribuiu ajudas num valor superior a 91 mil euros.

Em Viana do Castelo, outra Cáritas, a mesma realidade. Ao telefone, o tesoureiro da instituição, Carlos Barbosa, desfia a contabilidade da pobreza do distrito com a tranquilidade quase indiferente de quem convive diariamente com ela.

À Cáritas de Viana do Castelo chegaram até novembro 1766 famílias a pedir ajuda, mais 148 novas famílias do quem 2011. Já foram gastos mais de 56 mil euros até novembro, quando o total dos apoios em 2011 se tinha ficado pelos 42 mil euros.
Também até novembro, e desde o início do ano, a instituição de Viana do Castelo pagou 6.100 euros de contas de eletricidade em atraso, 3.700 euros em contas de gás, 3.100 euros em rendas, e gastou mais de 16 mil euros com ajudas médicas para medicamentos, consultas particulares, óculos, vacinas, entre outras coisas.

Quem ali chega pede ajuda para tudo: para comer, para comprar fraldas para idosos, para pagar o passe social dos filhos, para pagar os livros escolares, para comprar enxovais para recém-nascidos, até para pagar o IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis).

Carlos Barbosa garantiu que, apesar da crise, ainda não há quebras nos donativos, e que com o auxílio de uma verba mensal que recebem da Câmara Municipal ainda conseguem chegar "ao que é essencial".

*Este artigo foi escrito ao  abrigo do novo acordo ortográfico aplicado pela agência Lusa*