quarta-feira, 24 de julho de 2013
Eutanásia: A democracia assenta em chão firme, não depende de uma mera opinião - por José Maria André
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
A hostil tolerância - João César das Neves
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
A Razão do Bom Combate - P. Gonçalo Portocarrero de Almada
No dia 29 de Agosto passado publiquei um artigo que questionava o actual regime legal de alteração de sexo. A 4 de Setembro seguinte, o mesmo jornal publicou uma contundente resposta àquela pacífica crónica. Por essa altura, o director de um semanário, que escrevera um inofensivo texto de opinião sobre os «casamentos» entre pessoas do mesmo sexo, sofreu, por esse motivo, uma impiedosa campanha de ataques pessoais. Estes casos obrigam a questionar: está em causa a liberdade de pensamento e de expressão em Portugal?
A «igualdade de género» e os casamentos ditos homossexuais são teses aguerridamente defendidas por poderosas organizações nacionais, com a cobertura de instituições internacionais. Estes lóbis têm uma grande influência política e, em geral, gozam de um complacente acolhimento por parte dos meios de comunicação social.
Os defensores destas teses, tidas por avançadas e mesmo progressistas, advogam, na prática, uma unicidade cultural. É razoável que se lhes reconheça a liberdade de divulgação das suas opiniões, mas não a sua pretensão de silenciar as vozes discordantes. Este seu propósito não consta formalmente, é certo, mas resulta da sua estratégia de depreciação pessoal e de intimidação sobre quem se atreva a questionar o seu ideário político e social.
Um dos princípios da democracia é, precisamente, a liberdade de pensamento e de expressão. Mas esta liberdade não subsiste senão no respeito por todos os cidadãos, quaisquer que sejam as suas opiniões, desde que as mesmas não tipifiquem um delito de injúrias que, obviamente, de verificar-se, deve ser punido.
Mas o incondicional respeito pelas pessoas, pela sua dignidade e pelos seus direitos fundamentais, não tem por que traduzir-se pela adesão às suas opções. É recorrente pressupor, por exemplo, que os que defendem o matrimónio natural são contra as pessoas com tendências homossexuais, convertendo-se assim, abusivamente, uma legítima divergência conceptual numa inadmissível ofensa pessoal. Deste jeito logra-se, através da falaciosa vitimização das pessoas, a injusta condenação da tese que se pretende contraditar.
Com a mesma lógica, ou falta dela, os regimes totalitários entendem que são anti-patriotas todos os dissidentes quando, na realidade, estes apenas defendem um outro modo de servir a pátria, que seguramente não amam menos nem servem pior do que os seus opositores.
Todas as pessoas, sejam quais forem e como forem, merecem respeito, mas as suas circunstâncias – sejam elas opções de vida, ideias, teorias, gostos, doenças ou taras – nem sempre são igualmente respeitáveis. É legítima a liga contra o cancro, mas não o seria uma liga contra os doentes de cancro, por exemplo.
Mas a questão fundamental não é, contudo, a da identidade de género ou a da natureza do matrimónio. O que realmente está em causa é mais do que isso: é o modelo de sociedade que se pretende para o nosso país, para a Europa e para o mundo.
Contra a intolerância e o totalitarismo dos que pretendem impor critérios contrários à ordem natural, há que recordar as exigências da natureza humana, fundamento dos direitos fundamentais. Contra a ideologia contrária aos princípios da doutrina social da Igreja, há que defender o direito de opinião e de intervenção cívica dos fiéis, que não são menos cidadãos do que os não-cristãos. Não se trata de impor à sociedade os dogmas da fé católica, mas fazer respeitar o direito de cidadania da mundividência cristã, sem excluir as outras religiões e filosofias sociais.
Defender a liberdade de pensamento e de expressão é, entre outras, missão da Igreja a que me orgulho de pertencer e que modestamente sirvo. Esta é, como cristão e como cidadão, a razão da minha luta. Não tenho a veleidade de vencer, nem de convencer, mas não me demito do meu dever de travar o bom combate da fé.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
A enorme crueldade dos intolerantes
Existe nos dias de hoje um gravíssimo tipo de intolerância que não só não é reconhecido como passa pelo seu antónimo ou contrário. Esta intolerância apresenta-se com as vestes e a aparência da condescendência, da indulgência. Em nome dela há uma multidão que tolerando o erro e a mentira é totalmente intolerante para com a verdade. A afirmação clara desta surge como uma ameaça, como um fundamentalismo perigoso e injustamente beligerante. A clareza na afirmação e na prática da verdade, condição essencial do amor, parece a muitos uma violência imperdoável e fanática. Por isso, em nome da misericórdia, calam-na, censuram-na, diminuem-na, apoucam-na, distorcem-na, desvirtuam-na e pervertem-na. Mutilando-a e despedaçando-a de um modo fanaticamente intolerante dão rédeas soltas à falsidade e ao erro. Não tendo estes quem os desmascare e denuncie, logo seduzem as mentes e se apoderam dos costumes. Guiadas, as pessoas, pelo “mentiroso e pai da mentira”[1] tornam-se, para usar as palavras de Jesus, filhos do diabo, que querem realizar os desejos do seu pai[2].
A mim parece-me uma enorme crueldade entregar ou não intentar redimir qualquer pessoa humana (também as há Divinas e angélicas) da escravidão do pecado[3], do Maligno. Ora a forma desse resgate foi ensinada pelo Salvador com uma precisão rigorosa e com uma clareza meridiana: “… conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”[4]. Pelo que todo aquele que tolera o erro e a mentira sendo, por isso, intolerante para com a verdade não tem misericórdia alguma para com as pessoas necessitadas de arrependimento, conversão e salvação. Pelo contrário, quem é intolerante com o erro e a mentira é dotado não só de uma grande tolerância para com as pessoas concretas, mas também de uma verdadeira Misericórdia e Piedade que lhe são concedidas pela mesma Verdade, à qual se aferra e da qual não abdica, por Graça de Deus.
Nuno Serras Pereira