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quarta-feira, 24 de abril de 2013

Mamom - por Nuno Serras Pereira



24. 04. 2013

Depois da minha Ordenação Sacerdotal, em 1986, fui enviado para Coimbra com a finalidade de exercer o ministério, principalmente, na nossa Igrejinha. Aí homiliei, sobretudo nas Missas Dominicais, durante quatro anos. Um assunto que me perturbava, desde uns anos antes, tinha a ver com o impressionante fascínio sedutor, senão mesmo hipnótico, que as pregações dos políticos e os pronunciamentos de boa parte de membros da Igreja, exercia sobre as almas. Tudo aquilo estava nimbado de uma nova religiosidade: Os fautores da união eram novéis Moiséses, melhor, definitivos salvadores, que nos conduziam à nova terra prometida, ao paraíso neste mundo, o único existente. Daí escorria leite e mel, isto é, dinheiro a jorros, garantindo-nos uma abundancia tal que infundiria em todos uma felicidade perfeita. A generalidade dos cidadãos, e não poucos prelados, indiferentes aos princípios inegociáveis, aos absolutos morais, aos valores essenciais e à sua justa jerarquia, votavam com a carteira, com o multibanco, em busca da riqueza sonhada, não obstante os insistentes avisos e exortações homiléticas de um resto, mínimo, que por ter a Graça de ver e escutar os sinais dos tempos se recusava, por virtude do Espírito Santo, a emudecer. Era preciso ser cego e surdo, ou estar magnetizado, para não perceber a inversão perversa e enganadora da Fé verdadeira. O diabo, esse grande invertido, macaqueia, com sofisticado requinte, a obra de Deus, mas deixa sempre um fedor a enxofre, que deixa nauseados aqueles que não vivem na imundície.

A cobiça, essa deusa de beleza luciferina, subtilmente enganadora, dominava soberana e implacável. Para alcançar e gozar do “tudo isto te darei” (Mt 4, 9) era imprescindível dar provas iniciais da maturidade de uma democracia relativista e, portanto, meramente formal, instituindo o divórcio, impregnando a mentalidade contraceptiva, aprovando, como brecha primeira, a legalização do aborto provocado. Deste modo, uma substancial tirania se implantou e consolidou em nome, precisamente, da sobredita democracia. Tudo isso foi feito sem sobressaltos de maior.

Transformados efusivamente em orgiásticos adoradores do deus Mamom (dinheiro) entregámo-nos ebrifestivamente a uma vertiginosa avidez insaciável com o consequente fúnebre cortejo de crueldades que sempre o acompanham: deseducação sexual nas escolas, liberalização do aborto, reprodução artificial, experimentação letal em pessoas no seu estado embrionário, asfixia da liberdade religiosa, pseudocasamento entre pessoas do mesmo sexo, com concomitante adopção pela figura do apadrinhamento, divórcio expresso sem culpa. Mamom sempre foi desapiedado, desconhecendo em absoluto a Misericórdia.

Inclementes e desalmados para com os inocentes e os mais vulneráveis, imploramos agora socorro, compaixão e beneficência para com as nossas aflições monetárias… A verdade é que se não nos convertermos pereceremos todos igualmente (cf Lc 13, 1-3); e, pior ainda, seremos julgados sem misericórdia (cf Tg 2, 13). Mas a misericórdia triunfa sobre o juízo! Enquanto não chega a morte corporal, que tantas vezes é súbita e imprevista, estamos sempre - e este sempre significa agora, já que logo pode ser tarde -, a tempo, assim Deus conceda a Sua Graça, que a ninguém a recusa, de nos arrependermos e a Ele, Infinitamente Misericordioso, nos convertermos (Mt 25, 31-46).

NOTA BENE: Este texto não cuida de análises políticas (no significado ordinário que é dado a este vocábulo) nem económico-financeiras, matérias que não são da minha competência. Reflexiono, tão só, naquilo que diz respeito ao meu ministério.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Destruir Portugal - por João César das Neves

In DN

Somos a geração que está a destruir Portugal. Daqui a décadas, aqueles que viverem nos escombros do que foi Portugal olharão para trás e culpar-nos-ão da sua situação. Apesar do nosso hábito pedante de condenar épocas antigas por males que lhes assacamos, as acusações que um dia ouviremos nunca as pudemos atribuir aos antigos.

Na sua amargura, os futuros terão dificuldade em acreditar que, apesar do desvario, tivéssemos momentos de lucidez e vislumbre da futura destruição. Hoje, no meio da crise, muitos dizem que Portugal está destruído. Só que, até admitindo o mal, a tacanhez que arruína o País está activa e distorce a compreensão. Os disparates que acompanham queixas e acusações manifestam, nelas próprias, o terrível vício que destrói Portugal.

Aqueles que agora contemplam a desgraça que cairá sobre nós começam logo por se considerar totalmente inocentes. São sempre outros os culpados. Como se um punhado de vilões, mesmo em posição de poder, conseguisse uma devastação destas. Muitos até dizem identificar os bandidos, lançando-se afanosamente em intensa e mesquinha campanha de denúncia e insulto. Assim manifestam a mesma desgraçada grosseria.

Pior é que o diagnóstico da situação, os males considerados e as curas recomendadas são tão laterais, incipientes e tolas que, em si mesmas, manifestam o vício que destrói Portugal. A razão por que tantos bramam que se arruína o País tem a ver com... dinheiros. É espantoso, mas muitos estão mesmo convencidos de que a recessão será irremediável e as dificuldades económicas fatais. O nosso problema é, afinal, falência de lojas e restaurantes, desemprego alto, dívida pública.

Isto permite compreender a desgraçada atitude que arrasa um povo. Pondo a nossa esperança a esse nível, colocando a nossa ânsia nesses temas, tendo a razão de ser em coisas dessas, não admira que se devaste uma nação. "Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração." (Mt 6,21)

De facto, a destruição de Portugal não tem nada a ver com isso. Esta crise estará esquecida dentro de anos, como tantas para trás, a maioria bastante pior. Aquilo que o tempo não pode apagar, aquilo que chega para aniquilar o País é a destruição da família e a extinção da natalidade. Com a taxa de fertilidade mais baixa da Europa Ocidental e das mais baixas do mundo, o casamento em vias de extinção, o divórcio em níveis nunca vistos e a educação na quinta década sucessiva de crise, não admira que as próximas gerações acusem este tempo dos seus males.

Em 2010, último ano com dados para a amostra completa, éramos o terceiro país dos 15 da Europa com mais divórcios e o quarto com menos casamentos. Com apenas mais 1.3 casamentos do que divórcios por mil habitantes, o nosso País mostra uma precariedade familiar que é difícil de replicar na história do mundo, e raramente se encontra fora de situações de calamidade nacional. Não podemos ter dúvidas de que estamos a destruir Portugal.

Nos cinco anos desde 2007 já houve mais de 80 mil abortos, cerca de dez vezes os soldados portugueses mortos nos 14 anos de Guerra Colonial. Muitos se queixaram das cicatrizes que esse conflito deixou na geração que a suportou. Mas ninguém ouve sequer a voz da geração que hoje é sacrificada a "razões socioeconómicas" e à "opção da mulher". E o genocídio não demora apenas 14 anos. Sem fim à vista, continua galopante.

Entretanto, muita gente acha Portugal perdido pela concorrência chinesa, reforma do Estado ou participação no euro. O disparate chega para revelar a infantilidade. Quando souberem que pensamos assim, os futuros habitantes desta terra perceberão a mesquinhez da nossa atitude. Os nossos poucos descendentes e todos aqueles que vierem de longe tapar o buraco populacional que deixámos vão entender como foi possível que fizéssemos esta desgraça.

Afinal, a atitude egoísta e interesseira que endividou o País, trazendo-o à crise, é a mesma que hoje motiva as lamúrias e os insultos e que promove o divórcio, despreza a fertilidade e prefere o aborto. Sem filhos não há futuro.





segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Desconfiança radical, Insegurança total - por Nuno Serras Pereira



Não há duvidar que a condição essencial da possibilidade da perfeição, ou plenitude, pessoal, familiar, social, financeira, económica e política é o Amor, a Amizade. É a Verdade daquele e desta que geram o abandono confiante da criança no colo da mãe, da introdução que esta lhe faz ao pai, aos irmãos, aos demais, ao mundo. Confiantes no chamamento e no amparo da mãe se dão os primeiros passos, se aprende a falar, se come sossegadamente os alimentos por ela providenciados; se aprendem limites, regras; se acredita que há um bem a fazer, um mal a evitar; se crê que a sua vida, a da mãe, a do pai, a dos irmãos e a de todos os demais com quem foi ensinado a socializar é sempre um bem. Deus que é Amor, Amor/Amigo, vai assim modelando-nos à Sua semelhança para que toda a nossa vida alicerçada na rocha firme do Amor/Confiança se desenvolva na doação, no acolhimento, na complementaridade recíproca. Tudo isto é essencial para a construção do Bem Comum, isto é, aquele conjunto de condições solidárias e subsidiárias, alicerçadas na igual transcendente dignidade de cada ser humano, que permitem e promovem o bem integral, material e Espiritual, de cada ser humano, coadjuvando-o na prossecução do seu último fim, na possibilidade de gozar do Sumo Bem. 

Em Portugal em virtude da cobiça de multidões, nutrida por bandos de vigaristas totalitários e mafiosos tiranos, alçados aos mais altos cargos do estado, encontramo-nos numa calamitosa situação de rigoroso inverno (ou Inferno?) demográfico, de tragédia familiar por tantos divórcios por dá cá aquela palha, pela queda vertiginosa de matrimónios, por violência doméstica inaudita, por traumatismos inomináveis de filhos que crescem sem pai, ou em ambientes de permanente guerra "familiar", crescimento dramático do desemprego e enorme alastramento da pobreza, tudo tribulações intoleráveis.

A enorme e monstruosa desconfiança incutida no âmago das mentalidades pela contracepção, pelo divórcio expresso/sem culpa e pela legalização do aborto provocado corroeu os fundamentos da confiança e rompeu os vínculos base da sociabilidade, da justiça, da política e da economia. Se esposo e esposa não podem confiar um no outro, se os pais não têm escrúpulos em abandonar seus filhos, se as mães, com ou sem o consentimento do pai da criança, recorrem à violência extrema de matar seus filhos, se o estado se organiza para proteger e promover estes destrambelhos e desconcertos quem pode confiar em quem? Introduzida a desconfiança radical nas relações básicas da pessoa humana é impossível que isso não se repercuta a todos os níveis minando os fundamentos da convivência social, económica e política. A superação desejável, mesmo imperiosa, desta suspeição universal, desta insegurança total, desta duvidança existencial, requer uma mudança urgente, uma conversão incondicional, só possível com o concurso de Deus, nas mentalidades e na acção dos partidos, dos políticos, das instituições, dos agentes da justiça, dos médicos, do estado, e, enfim, da população em geral.

Tenhamos Esperança, sem medo de diagnósticos realistas por mais impiedosos que nos pareçam, pois eles são uma condição indispensável para a cura, exigindo verdade e seriedade. Dêem-nos provas de que podemos confiar neles, de que respeitam, amam e promovem a vida, dignidade e direitos de cada ser humano, de que são verdadeiros, pois, como diz o povo, gato escaldado por água a ferver até da água fria desconfia e tem medo.

28. 01. 2013

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Defender o futuro reduzindo a despesa - por António Pinheiro Torres



In Público - 20/12/2012

Exmo. senhor Ministro das Finanças

Até Janeiro de 2013 dará entrada na Assembleia da República uma petição intitulada Defender o Futuro onde os seus subscritores, com diversas personalidades da nossa vida política, social, cultural e económica, fazendo eco das posições do Presidente da República, propõem ao Parlamento a reavaliação das diversas leis "fracturantes" aprovadas no consulado do Governo de Sócrates.

São essas leis as da Procriação Artificial, do Aborto, do Divórcio, do Casamento entre pessoas do mesmo sexo, da mudança de sexo e do financiamento do ensino particular e cooperativo.

Uma vez reunidas 4000 assinaturas (faltam apenas cerca de 500 para que tal aconteça) a petição será obrigatoriamente apreciada em plenário da Assembleia da República e pode bem vir a originar (espera-se) um ou mais processos de revisão destas leis, ou da respectiva regulamentação. O que terá consequências também a nível redução da despesa do Estado. Assunto sabidamente do interesse de vossa excelência.

Na verdade e actualmente, sem que tal decorra forçosamente do resultado do referendo de 2007 (onde a pergunta formulada respeitava unicamente à despenalização até às 10 semanas de gestação), o aborto em Portugal é completamente gratuito e confere à mulher que aborta o direito a uma licença de parentalidade de 15 a 30 dias e ao pagamento do respectivo subsídio correspondente a 100% do vencimento. Acrescem ainda os custos com as grávidas das ilhas: o pagamento de custos do avião, do alojamento em Lisboa (até duas pessoas), táxi na cidade e acompanhamento de um técnico social. Ou seja, basta que se ponha fim, no todo ou em parte, a esta gratuidade e subsídios injustos para que dezenas de milhões de euros/ano sejam poupados ao Orçamento do Estado (na Saúde e na Segurança Social).

Por outro lado, na sequência das novas regras que regem o divórcio, muitas mulheres tem sido precipitadas, mercê da perda do direito de alimentos, em situações sociais que as empurram para o Rendimento Social de Inserção, sobrecarregando assim o já tão esgotado orçamento da Segurança Social. Se os deputados entenderem (no que irão ao encontro do sentimento da comunidade jurídica) rever toda a nova legislação do divórcio que originou tantas e tantas situações de injustiça, pobreza e abandono, V. Exa. contará, também aqui, com uma significativa redução da despesa na Segurança Social.

Acresce que, mercê da lei da Procriação Artificial, e das regulamentações conexas, aumentam as situações em que os actos médicos implicados (altamente dispendiosos e de eficácia muito reduzida) beneficiam, em termos de custo e processos, de uma situação de vantagem em relação às pessoas em situação de doenças. O que, além de uma injustiça e desigualdade, constitui no orçamento da Saúde uma despesa na qual V. Exa. poderá contar com uma substancial redução de custos. Tudo de acordo com convenções internacionais a que o Estado português se obrigou, para protecção do embrião humano.

Começam hoje a ser reconhecidos os menores custos do ensino particular em comparação com o ensino estatal, pelo que, se os deputados entenderem que o serviço público de educação pode ser prestado por escolas estatais e não-estatais em pé de igualdade, e que às famílias deve ser dada a liberdade de escolha do ensino que pretendem para os seus filhos, da concessão desse serviço e da justiça e concorrência leal que daí resultará, poderá contar-se com uma muito significativa redução da despesa em Educação.

Existem outras consequências desta petição e dos resultados do trabalho de revisão das leis fracturantes a que os deputados serão chamados que não deixarão de ter outras consequências que interessam à missão política de V. Exa. e àqueles que um dia lhe sucederem nesse lugar. Na verdade, se forem seguidas as cautelas e preocupações em tempo manifestadas pelo Presidente da República, da revisão destas leis resultará um país onde a responsabilidade será um valor socialmente reconhecido, a natalidade corresponderá ao desejo das famílias e às necessidades da sustentabilidade do Estado Social, o sistema de Educação poderá ajudar a gerações de portugueses mais preparados e as famílias poderão encontrar um ambiente mais propício ao respectivo desenvolvimento. Tudo isso potenciando o crescimento do produto, a redução da despesa e a diminuição do défice. Isto é assunto de interesse maior de V. Exa. e de todos os portugueses em geral.

Esperando ter assim correspondido ao seu apelo à participação da sociedade civil na tarefa de refundação do Estado, subscrevo-me, com os meus melhores cumprimentos, de V. Exa., muito atentamente.

Petição Defender o Futuro:
http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2012N22192

P.S.: Não é objecto desta petição a Lei de Promoção e Protecção de Crianças e Jovens em Perigo, mas, ao abrigo desta lei, a Segurança Social tem retirado cada vez mais crianças às famílias, estando disposta a suportar custos elevadíssimos no acolhimento destas, quando, por um décimo da despesa, poderia ajudar essas mesmas famílias a criar essas crianças... Também aqui se poderia garantir mais e melhor Estado Social reduzindo os respectivos custos

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O ridículo da geração - João César das Neves

In DN

Nos múltiplos referendos anexos às últimas eleições americanas, três estados votaram a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Na França, a medida foi aprovada há pouco e Nova Zelândia, Inglaterra e Escócia preparam-se para a adoptar. Existe claramente uma onda triunfal, sobretudo entre países ricos, que parece inverter o panorama neste tema. Assim esta geração muda a milenar definição de matrimónio. O mais espantoso nisto é ninguém parecer dar-se conta do ridículo da situação.

Primeiro, esta suposta grande conquista dos direitos humanos não envolve nada de realmente importante. Não estão em causa pessoas mortas, feridas, presas ou sequer incomodadas na sua vida pessoal. É literalmente uma questão de secretaria. Quando a nossa geração pretende emular as lutas dos tempos heróicos contra escravatura, pena de morte ou pelos direitos dos trabalhadores e minorias, o melhor que consegue é isto. A seguir deve ir tratar de maçanetas para canhotos ou semáforos para daltónicos. Não é por falta de assuntos graves, pois, entre muitas outras injustiças clamorosas que passam impunes, temos milhões de embriões chacinados pelo aborto todos os anos. Mas esta geração toma isso como conquista democrática.

O segundo aspecto é que o tema escolhido cai logo na área em que as nossas instituições têm feito ultimamente os maiores disparates. Durante milénios, o Estado não casava ninguém, deixando isso ao costume social ou às entidades religiosas. Em Portugal, o casamento civil só surgiu em 1832, obrigatório a partir de 1911. Na Inglaterra foi apenas em 1837, na Alemanha em 1875; até a França, a mais antiga, teve-o unicamente em 1792. A situação anterior é razoável por ser sumamente aberrante o rei pretender regulamentar o amor. Só um tempo como o nosso, com uma doentia ânsia legislativa, aspira a tal coisa.

O pior é que nestas poucas décadas o Estado conseguiu fazer uma salganhada de uma responsabilidade tão importante. Neste momento, em Portugal, custa mais despedir a criada do que o marido, pois o contrato de casamento é mais frágil do que o de trabalho ou sociedade. Como além disso a lei fez questão de estender aos solteiros os direitos dos casados, através da promoção das uniões de facto, a instituição do casamento civil é hoje quase inepta. Afinal os antigos tinham razão. De fora até pode parecer que o Estado ocupou-se da instituição apenas para a abandalhar.

Não admira que as pessoas ultimamente se tenham deixado disso. Os valores de 2010, último ano disponível, são de 3.8 casamentos por mil habitantes, descendo de mais de sete em 1992 e quase dez em 1973. Parece que hoje em dia os homossexuais são os únicos que querem casar-se. Aliás nem esses, pois, após séculos de repressão, o surto inicial de casamentos civis entre pessoas do mesmo sexo gerado pela Lei 9/2010 de 31 de Maio foi de... 266 em 2010. Uma marcante conquista da civilização, como se vê!

O pior é que este campo, onde tantos activistas se esforçam generosamente por conseguir avanços, é precisamente aquele em que se situam as grandes calamidades desta geração. Só que não é desse lado, mas precisamente do oposto. Os dramas da solidão, traição, traumas infantis, promiscuidade são consequência directa da mesma ideologia antifamília que triunfa nestes supostos avanços. A taxa de divórcio já é 2.6 por mil habitantes. Ou seja, por cada 19 uniões novas desfazem-se 13. A nossa taxa de fertilidade, 1.3 filhos por mulher, das mais baixas do mundo, está ao nível de catástrofe demográfica. Os problemas psicológicos, educacionais, culturais, sociais, económicos e financeiros que isto cria seriam inimagináveis se não os observássemos quotidianamente. É um processo de demolição da sociedade e civilização portuguesa e ocidental sem precedentes.

Será difícil as gerações futuras entenderam como foi possível ignorar problemas tão vastos, graves e influentes, indo perder tempo com questões laterais e menores. Mas seremos pouco castigados, pois a devastação desta geração tornará as seguintes pequenas, esparsas e traumatizadas.




sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Adoption conundrums - by Rick Fitzgibbons

In MercatorNet 

Same-sex parenting deprives children of a mother or father. But isn't the same thing happening with heterosexual adoption?

The science shows that children are best served when raised by their biological mothers and fathers. This is a point that I have made repeatedly in debates over same-sex marriage. But recently I was pulled up by Anne, the mother of an adopted child. She wondered if I regarded heterosexual parents who adopt as being abusive. 
 
The short answer is No; there is a moral difference between adoption by same-sex couples and heterosexual couples. Let me explain why in my open letter to Anne. 

Anne, thank you for raising this issue.

I don’t want to complicate the issue unnecessarily, but we need to distinguish four terms: "primary-intended deprivation," "primary-unintended deprivation," "secondary-intended deprivation," and "secondary-unintended deprivation."

Let’s start with "primary-intended deprivation". This occurs when a child could be raised by the biological mother and father and this deliberately does not happen. This happens with IVF using donor eggs and sperm and a surrogate mother. Some governments think that this is a good, or at least permissible, situation.

Our second term is "primary-unintended deprivation." The most common instance of this is divorce. Divorce deprives a child of a mother or father, but this is not necessarily deliberate. One parent might even oppose separation. The death of one or both parents also causes unintended deprivation. No government welcomes the impact of divorce or death on children.

Now to our third and fourth terms, which are relevant to your situation. "Secondary deprivations" occur after the child already has experienced a primary deprivation.

A "secondary-unintended deprivation" occurs after a child already has been separated from a biological mother or father. Adoption is an example of this. No wholesome reunion with the biological mother and father is possible. What is needed is to pick up the pieces in the child’s life -- which you have done so generously. Yes, the child has been deprived of his or her biological mother and father, but you had no part in it.

With "secondary-intended deprivation", too, a deprivation has already occurred on the primary level, ie relating to the biological parents. But the adopting parents reinforce this pattern of deprivation. In the case of same-sex adoption, a child is deprived of two things: gender complementarity of those who raise the child and – so the research suggests -- a stable adult union.

With our terms defined, let us examine the specific differences among five different family structures: (1) same-sex couples creating children with IVF and surrogacy; (2) same-sex couples raising a biological child after a divorce from a heterosexual partner; (3) adoptive heterosexual couples; (4) adoptive single mothers; and (5) same-sex couples adopting.

(1) When same-sex couples create children with reproductive technologies, they deliberately deprive them of a biological mother or a father or both. When governments allow this, they are permitting the deliberate deprivation of a child of  a major theme of development. I would call this state-sanctioned child abuse.

(2) Same-sex couples raising a biological child after divorce from a heterosexual partner. This "secondary-intended deprivation" is a common scenario among lesbian couples. The child has been deprived of a father figure (or possibly a mother figure). This also deliberately deprives a child of a major theme of development. If the couple breaks up, as often happens, the child is also deprived of his or her need for a stable environment.

(3) Adoptive heterosexual couples. This is an example of "secondary-unintended deprivation." The primary deprivation would not be your fault. You are satisfying the child’s need for gender complementarity in its parents. Hopefully, for the child’s sake, your relationship will be stable. Most are.

(4) Adoptive single mothers. If the mother did not intend to be partnerless, this is a case of "secondary-unintended deprivation". In any case a single woman might marry and give her child an adoptive father as a role-model of manhood. Of course, this scenario is far from ideal, but it is not abusive because it is not a situation which deliberately deprives a child of a major theme of development.

(5) Same-sex couples adopting. This is a case of "secondary-intentional deprivation." It deliberately deprives the child after he or she already has been deprived on the primary level. This is not a healthy situation. The government knows that a child up for adoption has already lost its biological parents. Nonetheless it permits even more deprivation – of gender complementarity and possibly of marital stability.

Once again, I conclude that a government which permits a child to be deprived of a major theme of development is engaging in state-sanctioned child abuse.

Anne, what you are doing is heroic. Are you now willing to take another courageous stand: to say Yes to traditional view of marriage as the union of a man and a woman? For the sake of the next generation, I hope your answer is, “Yes.”


Richard Fitzgibbons is the director of Comprehensive Counseling Services in West Conshohocken, PA. He has practiced psychiatry for 34 years with a specialty in the treatment of excessive anger. He co-authored Helping Clients Forgive: An Empirical Guide for Resolving Anger and Restoring Hope, 2000, for American Psychological Association Books.

domingo, 19 de agosto de 2012

Post-Christian America - By Fr. C. John McCloskey III

In The Catholic Thing


When we reach the 500th anniversary of the Protestant Revolution in 2027, will Protestantism still be a presence in the United States?

America is no longer a Christian country. Deal with it and act accordingly. Denial will get you nowhere. After death, however, there is the possibility of resurrection.

What is the definition of a Christian country? Mine is a country that has a majority of citizens who believe in and publicly profess the Nicene or Apostles Creed, as these creeds have come down to us from the Ancient Church – people who at least attempt to live according to the Ten Commandments. 
Of course, we are all sinners. But the proof that we are even more pagan than formerly Christian Europe – or the Islamic countries for that matter – is the piling up of more than a million abortions per year (killing our own citizens) since 1973.

“Christian” America has already killed enough of its unborn to easily surpass Nazi Germany’s extermination camp total and may soon catch up with the death rolls of the U.S.S.R. and Red China. No true Christian country that has recourse to democratic voting could countenance such massacre without regime change or rebellion.

On top of this, the number of divorces and illegitimate births continues to rise, as fewer “couples” bother to get married and the number of people addicted to pornography skyrockets. In short, the social revolution of the 1960s captured the culture and converted much of the nation. According to a new Pew poll, the number of Americans who profess a belief in no religion at all has tripled since the 1990s, now accounting for one in five of our countrymen.

My purpose here, however, is not to prove that America is no longer a Christian country but to reflect on why and how it happened.

Many of the first settlers came to the Americas to escape religious persecution. With the solitary exception of Maryland (my home state, settled by Catholics), these early settlers were Protestants of various persuasions. They differed from one another in dogma, but generally agreed in professing and attempting to live a moral life based on the Ten Commandments.

Though bestowed by God on Mt. Sinai, the Commandments are also commonly held (even when not lived up to) by non-Judeo-Christians and unbelievers who recognize the natural law written on our hearts.

With the passage of time, homegrown American Protestant sects sprang up so profusely that they now can be counted in the thousands. Despite this variety, almost all shared a biblical moral philosophy not far removed from Catholics. The loosening of divorce laws and the propagation of the birth control pill in the Sixties, however, precipitated further retreat mere decades later by mainstream and traditional Protestant denominations on other moral fronts, including abortion, homosexual activity, and most recently same-sex marriage. 

The primary reason is the lack of dogmatic authority in Protestantism and the reliance on the principle of private judgment. Leaving people to rely on only their opinions or feelings as moral guide is not enough to sustain a country that was once Christian and now is increasingly pagan.

What is the solution? Can American become Christian again? In my judgment, mainstream Protestantism is in an irreversible freefall. Don’t count on any great religious revivals. America needs witness, not enthusiasm. The United States will either become predominantly Catholic in numbers, faith, and morals or perish under the weight of its unbridled hedonism and corruption. As Alexis de Tocqueville, the nineteenth-century French observer who arguably best understood the United States, observed:

At the present time, more than in any preceding age, Roman Catholics are seen to lapse into infidelity, and Protestants to be converted to Roman Catholicism. If you consider Catholicism within its own organization, it seems to be losing; if you consider it from outside, it seems to be gaining. Nor is this difficult to explain. The men of our days are naturally little disposed to believe; but as soon as they have any religion, they immediately find in themselves a latent instinct that urges them unconsciously towards Catholicism. Many of the doctrines and practices of the Roman Catholic Church astonish them, but they feel a secret admiration for its discipline, and its great unity attracts them. If Catholicism could at length withdraw itself from the political animosities to which it has given rise, I have hardly any doubt but that the same spirit of the age which appears to be so opposed to it would become so favorable as to admit of its great and sudden advancement.

One of the most ordinary weaknesses of the human intellect is to seek to reconcile contrary principles and to purchase peace at the expense of logic. Thus there have ever been and will ever be men who, after having submitted some portion of their religious belief to the principle of authority, will seek to exempt several other parts of their faith from it and to keep their minds floating at random between liberty and obedience. But I am inclined to believe that the number of these thinkers will be less in democratic than in other ages, and that our posterity will tend more and more to a division into only two parts, some relinquishing Christianity entirely and others returning to the Church of Rome. 

I hope and believe that readers will live to see that happen in this life – if not the next.


Fr. C. John McCloskey III is a Church Historian and Research Fellow at the Faith and Reason Institute in Washington, DC.