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sábado, 21 de dezembro de 2013

O Mistério d’ Aquele Olhar - por Nuno Serras Pereira



20. 12. 2013

Casado há 35 anos tinha uma ranchada de filhos que eram o seu orgulho, o seu tesouro. Sentia-se profundamente reconhecido à sua mulher a quem amava mais do que a si mesmo, tal como Cristo que deu a vida pela Sua esposa, a Igreja. Ela era o seu fascínio, aquela que o fazia sair de si mesmo, que o centrifugava e o arrojava para as ignotas e aventurosas periferias, a que nunca se aventuraria por si mesmo e onde se prodigalizava derramando-se em generosidades que pensaria não só improváveis mas mesmo impossíveis. Era um milagre! Já há muitos anos, quando ainda era noivo, um Padre a quem tinha feito uma confissão geral, num santuário internacional, lhe dissera exactamente isso: “Tu, és um milagre!!”.  

Tempos houve na sua juventude em que tinha renegado a Fé na qual tinha sido baptizado, educado e crescido, tanto em família como na Paróquia e nos colégios que frequentara. Esta abjuração fora precedida, acompanhada e seguida de influências emburrecidas, abestalhadas, mesmo malignas, quer por companhias quer por leituras a que então não poucos prestavam uma veneração imbecil; e, pior ainda, pelos pecados multiplicados, não só correspondentes como excedentes das bestiagas que acenderam o rastilho daquela explosão bronca e demoníaca. “Desprogramou-se” então a si mesmo de modo a desmanchar sofregamente a sua identidade como pessoa, que tinha recebido do Criador ao ser gerado (a Moral Natural, segundo a razão), e a expulsar as Graças que lhe tinham sido comunicadas, ao longo dos anos, principalissimamente, pelos Sacramentos, mas também pelo ambiente familiar e colegial.

Esse frenesim vertiginoso a que se entregara era pois uma inversão inteira – a generosidade transformou-se em latrocínio; a castidade em promiscuidade, a luxúria mulheril em verriondez com machos quase tão lúbricos como ele; a sobriedade mutou-se em embriaguez quotidiana; o amor familiar em ódio entranhado; a Fé em esoterismos e ocultismos diabólicos; a modéstia numa soberba desmedida; a adoração a Deus em idolatria de si mesmo, ávida de sequazes fanáticos que lhe prestassem latria, não se coibindo de recorrer ao hipnotismo para subjugar as mentes e vontades alheias, subjugando-as aos seus propósitos luciferinos.

Um viripotente mulherico, por ele totalmente dominado, satisfazia-lhe, quando mais ninguém estava disponível, várias vezes ao dia, a sua volúpia libidinosa e desenfreada. Ora, os pais dessa vítima corrompida, tinham em casa, onde às suas ocultas sucediam estas orgias asquerosas, um quadro a cores do Sagrado Coração de Jesus. Era uma daquelas cópias de uma pintura ou desenho que se encontram às centenas senão mesmo aos milhares espalhados pelos lares cristãos das gentes pobres deste país. Enfim, uma possidoneira intolerável para quem tinha sido educado segundo os padrões estéticos próprios dos mais sofisticados museus e Catedrais. E, no entanto, tinha dificuldade em evitar aquela doçura mansa e humilde que se lhe apresentava à vista quando distraidamente calhava pousar o olhar naquela gravura. Incomodado com aquele esguardo, cravava então num desafio rebelde, insubmisso, os seus olhos naqueles olhos, provocatoriamente desfiando mentalmente afrontas, impropérios, mesmo blasfémias. Para seu enorme espanto e desconcerto aqueles olhos que pareciam verdadeiramente vivos conservavam, ou melhor, como que intensificavam o Seu amor por ele. E isto permaneceu ao longo de muitos meses, pelo menos de um par de anos. Supunha então que aquele quadro aparentemente reprodução de tantos outros manifestamente pirosos tinha sido dotado, por algum artista matreiro e gerigoto, de subtilezas magnéticas destinadas a endrominar as almas simples e incautas.

Sucedeu, entretanto, que uma cascata de acontecimentos galopantes totalmente imprevisíveis, como se se tratara de um Misterioso desígnio, ou “conspiração”, sobrenatural, o reconduzira a Deus, a Jesus Cristo, à Virgem Maria, à Igreja. Sentiu-se e soube-se completamente renovado e restaurado pelos Sacramentos da Confissão e da Eucaristia – matara o “homem velho” e renascera o “homem novo”. Quase sem se dar conta foi transformado num ardente apóstolo (enviado) arrebatando, para sua grande confusão, uma multidão de almas ao demónio e ganhando-as para Jesus Cristo. Foi transfigurado numa brasa, num engatatão fascinante, num sedutor, não como antes, que o fora primeiro de moças e depois de mancebos, mas de almas para Cristo.

Por engano, confundindo-a com a recente namorada, que mal conhecia, de um amigo, acolheu exuberantemente uma jovem vinda em camioneta de um retiro. Esse equívoco passageiro foi porém suficiente para se deixar encantar por aquela fádica imprevista que correspondeu efusivamente ao seu acolhimento festivo. Depois veio uma amizade que prestes se tornou namoro, mais tarde em noivado e veio a dar em casamento. Este foi abençoado com uma fecundidade abundante patente não só nos oito filhos gerados mas também na influência benigna exercida sobre os amigos deles, e na repartição generosa de bens espirituais e materiais por todos aqueles necessitados que podiam socorrer.

Tinham passado dez anos das bodas de prata, celebradas pelo Padre que tinha presidido ao seu matrimónio, quando alguns dias antes do Natal foi convidado com os seus para um jantar em casa daquela família que tinha numa das divisões o quadro, acima referido, representando o Sagrado Coração de Jesus. Os pais do seu antigo amigo e vítima, felizmente também ele recuperado em Cristo para a sua verdadeira humanidade, já tinham sido chamados à presença do Senhor. Os cinco irmãos com as famílias respectivas estavam todos. A anfitriã era a irmã mais nova, a única que quis ficar com a casa. Ficou contente ao ver um grande e maravilhoso presépio musgoso que dava o tom ao tempo que se celebrava. O Menino Jesus, desproporcionadamente grande em relação a todas as outras figuras, olhava-os de braços abertos, como que a pedir colo. Durante os aperitivos pretextando uma lavagem das mãos dirigiu-se em direcção à casa de banho que ficava perto do quarto onde estava dependurada a imagem. Acendeu a luz, olhou-a, nela atentou, remirou-a de ângulos e perspectivas diferentes, observou-a novamente. Não havia dúvida, não passava de uma reprodução igualzinha a milhares de outras disseminadas pelos casarios deste pequeno país. O olhar não tinha nada de especial, não havia doçura ou amor particular nem tinham a vida que neles topara tão repetidamente tantos anos antes - aquela Vida que, apesar da sua recusa obstinada em aceitá-la, teimou em derramar o Seu Amor sobre ele…

Regressado à sala, a mulher espantada do seu ar absorto e macambúzio dá-lhe uma ligeira cotovelada e dispara: que tens tu para estares assim tão demudado? Ainda agora estavas tão alegre e extrovertido… 

- Não é nada, filha, adiantou ele forçando um sorriso. Só que me dói um pouco a cabeça, deve ser deste ar pesado. Isto já passa.

No seu alheamento, chegada a hora da refeição, deixou-se ficar para trás contemplando o presépio. No peito do Menino surgiu num repente um coração abrasado em fogo vivo, palpitando de amor, e os Seus olhos faiscaram uma enorme benignidade. Estremecendo de alegria pensou é o Senhor! Foi também Ele então para me preparar para o Seu renascimento, o Seu Natal em mim.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Hacia la Natividad del Señor en compañía de San Francisco de Asís» – por Raniero Cantalamessa, OFMcap

FRANCISCO DE ASÍS Y LA REFORMA DE LA IGLESIA POR LA VÍA DE LA SANTIDAD

La intención de estas tres meditaciones de Adviento es prepararnos para la Navidad en compañía de Francisco de Asís. De él, en esta primera predicación, quisiera destacar la naturaleza de su vuelta al Evangelio. El teólogo Yves Congar, en su estudio sobre la «Verdadera y falsa reforma en la Iglesia» ve en Francisco el ejemplo más claro de reforma de la Iglesia por medio de la santidad[1]. Nos gustaría entender en qué ha consistido su reforma por medio de la santidad y qué comporta su ejemplo en cada época de la Iglesia, incluida la nuestra.

1. La conversión de Francesco

Para entender algo de la aventura de Francisco es necesario entender su conversión. De tal evento existen, en las fuentes, distintas descripciones con notables diferencias entre ellas. Por suerte tenemos una fuente fiable que nos permite prescindir de tener que elegir entre las distintas versiones. Tenemos el testimonio del mismo Francisco en su testamento, suipsissima vox, como se dice de las palabras que seguramente fueron pronunciadas por Jesús en el Evangelio. Dice:

«El Señor me dio de esta manera, a mí el hermano Francisco, el comenzar a hacer penitencia; en efecto, como estaba en pecados, me parecía muy amargo ver leprosos. Y el Señor mismo me condujo en medio de ellos, y practiqué con ellos la misericordia. Y, al separarme de los mismos, aquello que me parecía amargo, se me tornó en dulzura de alma y de cuerpo; y, después de esto, permanecí un poco de tiempo y salí del siglo»

Y sobre este texto justamente se basan los historiadores, pero con un límite para ellos intransitable. Los históricos, aun los que tienen las mejores intenciones y los más respetuosos con la peculiaridad de la historia de Francisco, como ha sido, entre los italianos Raoul Manselli, no consiguen entender por qué último de su cambio radical. Se quedan - y justamente por respeto a su método - en el umbral, hablando de un «secreto de Francisco», destinado a quedar así para siempre.

Lo que se consigue constatar históricamente es la decisión de Francisco de cambiar su estado social. De pertenecer a la clase alta, que contaba en la ciudad para la nobleza o riqueza, él eligió colocarse en el extremo opuesto, compartiendo la vida de los últimos, que no contaban nada, los llamados «menores», afligidos por cualquier tipo de pobreza.

Los historiadores insisten justamente sobre el hecho que Francisco, al inicio, no ha elegido la pobreza y menos aún el pauperismo; ¡ha elegido a los pobres! El cambio está motivado más por el mandamiento; «Ama a tu prójimo como a ti mismo!, que no por el consejo: «Si quieres ser perfecto, ve, vende todo lo que tienes y dáselo a los pobres, luego ven y sígueme». Era la compasión por la gente pobre, más que la búsqueda de la propia perfección la que lo movía, la caridad más que la pobreza.

Todo esto es verdad, pero no toca todavía el fondo del problema. Es el efecto del cambio, no la causa. La elección verdadera es mucho más radical: no se trató de elegir entre riqueza y pobreza, ni entre ricos y pobres, entre la pertenencia a una clase en vez de a otra, sino de elegir entre sí mismo y Dios, entre salvar la propia vida o perderla por el Evangelio.

Ha habido algunos (por ejemplo, en tiempos cercanos a nosotros, Simone Weil) que han llegado a Cristo partiendo del amor por los pobres y ha habido otros que han llegado a los pobres partiendo del amor por Cristo. Francisco pertenece a estos segundos. El motivo profundo de su conversión no es de naturaleza social, sino evangélica. Jesús había formulado la ley una vez por todas con una de las frases más solemnes y seguramente más auténticas del Evangelio: «Si alguno quiere venir en pos de mí, niéguese a sí mismo, tome su cruz y sígame. Porque quien quiera salvar su vida, la perderá, pero quien pierda su vida por mí, la encontrará» (Mt 16, 24-25)

Francisco, besando al leproso, ha renegado de sí mismo en lo que era más «amargo» y repugnante para su naturaleza. Se ha hecho violencia a sí mismo. El detalle no se le ha escapado a su primer biógrafo que describe así el episodio: «Un día se paró delante de él un leproso: se hizo violencia a sí mismo, se acercó y le besó. Desde ese momento decidió despreciarse cada vez más, hasta que por la misericordia del Redentor obtuvo plena victoria»[2].

Francisco no se fue por voluntad propia hacia los leprosos, movido por una compasión humana y religiosa. «El Señor, escribe, me condujo entre ellos». Y sobre este pequeño detalle que los historiadores no saben -ni podrían- dar un juicio, sin embargo, está al origen de todo. Jesús había preparado su corazón de forma que su libertad, en el momento justo, respondiera a la gracia. Para esto sirvieron el sueño de Spoleto y la pregunta sobre si prefería servir al siervo o al patrón, la enfermedad, el encarcelamiento en Perugia y esa inquietud extraña que ya no le permitía encontrar alegría en las diversiones y le hacía buscar lugares solitarios.

Aún sin pensar que se tratara de Jesús en persona bajo la apariencia de un leproso (como harán otros más tarde, influenciados por el caso análogo que se lee en la vida de san Martín de Tours[3]), en ese momento el leproso para Francisco representaba a todos los efectos a Jesús. ¿No había dicho él: «A mí me lo hicisteis? En ese momento ha elegido entre sí y Jesús. La conversión de Francisco es de la misma naturaleza que la de Pablo. Para Pablo, a un cierto punto, lo que primero había sido una «ganancia» cambió de signo y se convirtió en una «pérdida», «a causa de Cristo» (Fil 3, 5 ss); para Francisco lo que había sido amargo se convirtió en dulzura, también aquí «a causa de Cristo». Después de este momento, ambos pueden decir: «Ya no soy yo quien vive, sino que es Cristo quien vive en mí».

Todo esto nos obliga a corregir una cierta imagen de Francisco hecha popular por la literatura posterior y acogida por Dante en la Divina Comedia. La famosa metáfora de las bodas de Francisco con la señora Pobreza que ha dejado huellas profundas en el arte y en la poesía franciscanas puede ser engañosa. No se enamora de una virtud, aunque sea la pobreza; se enamora de una persona. Las bodas de Francisco han sido, como las de otros místicos, un desposorio con Cristo.

A los compañeros que le preguntaban si pensaba casarse, viéndolo una tarde extrañamente ausente y luminoso, el joven Francisco respondió: «Tomaré la esposa más noble y bella que hayáis visto». Esta respuesta normalmente es mal interpretada. Por el contexto parece claro que la esposa no es la pobreza, sino el tesoro escondido y la perla preciosa, es decir Cristo. «Esposa, comenta el Celano que habla del episodio, es la verdadera religión que él abrazó; y el reino de los cielos es el tesoro escondido que él buscó»[4].

Francisco no se casó con la pobreza ni con los pobres; se casó con Cristo y fue por su amor que se casó, por así decir «en segundas nupcias», con la señora Pobreza. Así será siempre en la santidad cristiana. A la base del amor por la pobreza y por los pobres, o hay amor por Cristo, o lo pobres serán en un modo u otro instrumentalizados y la pobreza se convertirá fácilmente en un hecho polémico contra la Iglesia o una ostentación de mayor perfección respecto a otros en la Iglesia, como sucedió, lamentablemente, también a algunos seguidores del Pobrecillo. En uno y otro caso, se hace de la pobreza la peor forma de riqueza, la de la propia justicia.

2. Francisco y la reforma de la Iglesia

¿Cómo ocurrió que de un acontecimiento tan íntimo y personal como fue la conversión del joven Francisco, comience un movimiento que cambió en su tiempo el rostro de la Iglesia y ha influido tan fuertemente en la historia, hasta nuestros días?

Es necesario mirar la situación de aquel tiempo. En la época de Francisco la reforma de la Iglesia era una exigencia advertida más o menos conscientemente por todos. El cuerpo de la Iglesia vivía tensiones y laceraciones profundas. Por una parte estaba la Iglesia institucional - papa, obispos, alto clero - desgastada por sus continuos conflictos y por sus demasiado estrechas alianzas con el imperio. Una Iglesia percibida como lejana, comprometida en asuntos demasiado más allá de los intereses de la gente. Estaban además las grandes órdenes religiosas, a menudo prósperas por cultura y espiritualidad después de las varias reformas del siglo XI, entre estas la Cisterciense, pero inevitablemente identificadas con grandes propietarios de terrenos, los feudales del tiempo, cercanos y al mismo tiempo lejanos, por problemas y niveles de vida, del pueblo común.

Había también fuertes tensiones que cada uno buscaba aprovechar para sus propias ventajas. La jerarquía buscaba responder a estas tensiones mejorando la propia organización y reprimiendo los abusos, tanto en su interior (lucha contra la simonía y el concubinato de los sacerdotes) como en el exterior, en la sociedad. Los grupos hostiles intentaban sin embargo hacer explotar las tensiones, radicalizando el contraste con la jerarquía dando origen a movimientos más o menos cismáticos. Todos izaban contra la Iglesia el ideal de la pobreza y sencillez evangélica haciendo de esto un arma polémica, más que un ideal espiritual para vivir en la humildad, llegando a poner en discusión también el ministerio ordenado de la Iglesia, el sacerdocio y el papado.

Nosotros estamos acostumbrados a ver a Francisco como el hombre providencial que capta estas demandas populares de renovación, las libera de cualquier carga polémica y las pone en práctica en la Iglesia en profunda comunión y sometida a esta. Francisco por tanto como una especie de mediador entre los heréticos rebeldes y la Iglesia institucional. En un conocido manual de historia de la Iglesia así se presenta su misión:

«Dado que la riqueza y el poder de la Iglesia aparecían con frecuencia como una fuente de males graves y los herejes de la época aprovechaban este argumento como una de las principales acusaciones contra ella, en algunas almas piadosas se despertó el noble deseo de restaurar la vida pobre de Jesús y de la Iglesia primitiva, para poder así influir de manera más efectiva en el pueblo con la palabra y con el ejemplo» [5].

Entre estas almas es colocada naturalmente en primer lugar, junto con santo Domingo, Francisco de Asís. El historiador protestante Paul Sabatier, si bien tan meritorio sobre los estudios franciscanos, ha vuelto casi canónica entre los historiadores y no solamente entre aquellos laicos y protestantes, la tesis según la cual el cardenal Ugolino (el futuro Gregorio IX) habría querido capturar a Francisco para la Curia, neutralizando la carga crítica y revolucionaria de su movimiento. En práctica, el intento de hacer de Francisco un precursor de Lutero, o sea un reformador por la vía de la crítica y no por la vía de la santidad.

No se si esta intención se pueda atribuir a alguien de los grandes protectores y amigos de Francisco. Me parece difícil atribuirla al cardenal Ugolino y aún menos a Inocencio III, del que es conocida la acción reformadora y el apoyo dado a las diversas formas nuevas de vida espiritual que nacieron en su tiempo, incluidos los frailes menores, los dominicos, los humillados milaneses. Una cosa de todos modos es absolutamente segura: aquella intención nunca había rozado la mente de Francisco. Él no pensó nunca de haber sido llamado a reformar la Iglesia

Hay que tener cuidado de no sacar conclusiones equivocadas de las famosas palabras del Crucifico de San Damián. «Ve Francisco y repara mi Iglesia, que como ves se está cayendo a pedazos». Las fuentes mismas nos aseguran que él entendía estas palabras en el sentido modesto de tener que reparar materialmente la iglesita de San Damián. Fueron los discípulos y biógrafos que interpretaron -y es necesario decirlo, de manera correcta- estas palabras como referidas a la Iglesia institución y no sólo a la iglesia edificio. Él se quedó siempre en la interpretación literaria y de hecho siguió reparando otras iglesitas de los alrededores de Asís que estaban en ruinas.

También el sueño en el cual Inocencio III habría visto al Pobrecillo sostener con su hombro la iglesia tambaleante del Laterano no agrega nada nuevo. Suponiendo que el hecho sea histórico (un episodio análogo se narra también sobre santo Domingo), el sueño fue del papa y no de Francisco. Él nunca se vio como lo vemos nosotros hoy en el fresco del Giotto. Esto significa ser reformador por la vía de la santidad, serlo sin saberlo.

3. Francisco y el retorno al evangelio

¿Si no quiso ser un reformador entonces qué quiso ser Francisco? También sobre esto contamos con la suerte de tener un testimonio directo del Santo en su Testamento:

«Y después que el Señor me dio hermanos, nadie me mostraba qué debía hacer, sino que el Altísimo mismo me reveló que debía vivir según la forma del santo Evangelio. Y yo lo hice escribir en pocas palabras y sencillamente y el señor papa me lo confirmó».

Alude al momento en el cual, durante una misa, escuchó la frase del Evangelio donde Jesús envía a sus discípulos: «Les mando anunciar el reino de Dios y a curar a los enfermos. Y le dijo: «No lleves nada para el viaje: ni bastón, ni bolsa, ni pan, ni dinero, y no tengáis una túnica de recambio». (Lc 9, 2-3)[6].

Fue una revelación fulgurante de esas que orienta toda una vida. Desde aquel día fue clara su misión: un regreso simple y radical al evangelio real, el que vivió y predicó Jesús. Recuperar en el mundo la forma y estilo de vida de Jesús y de los apóstoles descrito en los evangelios. Escribiendo la regla para sus hermanos iniciará así:

«La regla y la vida de los frailes menores es esta, o sea observar el santo Evangelio del Señor nuestro Jesucristo». Francisco teorizó este descubrimiento suyo, haciendo el programa para la reforma de la iglesia. Él realizó en sí la reforma y con ello indicó tácitamente a la iglesia la única vía para salir de la crisis: acercarse nuevamente al evangelio y a los hombres, en particular, a los pobres y humildes.

Este retorno al evangelio se refleja sobre todo en la predicación de Francisco. Es sorprendente pero todos lo han notado: el Pobrecillo habla casi siempre de «hacer penitencia». A partir de entonces, narra el Celano, con gran fervor y exultación comenzó a predicar la penitencia, edificando a todos con la simplicidad de su palabra y la magnificencia de su corazón. Adonde iba Francisco decía, recomendaba, suplicaba que hicieran penitencia.

¿Qué quería decir Francisco con esta palabra que amaba tanto? Sobre esto hemos caído (al menos yo he caído por mucho tiempo) en un error. Hemos reducido el mensaje de Francisco a una simple exhortación moral, a un golpearse el pecho, a afligirse y mortificarse para expiar los pecados, mientras esto es mucho mas profundo y tiene toda la novedad del Evangelio de Cristo. Francisco no exhortaba a hacer «penitencias», sino a hacer «penitencia» (¡en singular!) que, como veremos, es otra cosa.

El Pobrecillo, salvo los pocos casos que conocemos, escribía en latín. Y qué encontramos en el texto latino de su Testamento, cuando escribe: «El Señor me dio, de esta manera, a mí el hermano Francisco, el comenzar a hacer penitencia». Encontramos la expresión «poenitentiam agere». A él se sabe, le gustaba expresarse con las mismas palabras de Jesús. Y aquella palabra -hacer penitencia- es la palabra con la cual Jesús inició a predicar y que repetía en cada ciudad y pueblo al que iba.

«Después que Juan fue puesto en la prisión Jesús fue a Galilea, predicando el evangelio de Dios y diciendo: El tiempo se ha cumplido y el reino de Dios está cerca , convertíos y creed en el evangelio» (Mc 1,15).

La palabra que hoy se traduce por «convertíos» o «arrepentíos», en el texto de la Vulgata usado por el Pobrecillo, sonaba «poenitemini» y en Hechos 2, 37 aún más literalmente «poenitentiam agite», hagan penitencia. Francisco no hizo otra cosa que relanzar la gran llamada a la conversión con la cual se abre la predicación de Jesús en el Evangelio y la de los apóstoles en el día de Pentecostés. Lo que él quería decir con «conversión» no necesitaba que se lo explique: su vida entera lo mostraba.

Francisco hizo en su momento aquello que en la época del concilio Vaticano II se entendía con la frase «abatir los bastiones»: Romper el aislamiento de la iglesia, llevarla nuevamente al contacto con la gente. Uno de los factores de oscurecimiento del Evangelio era la transformación de la autoridad entendida como servicio y la autoridad entendida como poder, lo que había producido infinitos conflictos dentro y fuera de la Iglesia. Francisco por su parte resuelve el problema en sentido evangélico. En su orden los superiores se llamarán ministros o sea siervos, y todos los otros frailes, o sea hermanos.

Otro muro de separación entre la Iglesia y el pueblo era la ciencia y la cultura de la cual el clero y los monjes tenían en práctica el monopolio. Francisco lo sabe y por lo tanto toma la drástica posición que sabemos sobre este punto. El no es contra la ciencia-conocimiento, sino contra la ciencia-poder, aquella que privilegia a quien sabe leer sobre quien no sabe leer y le permite mandar con alteridad al hermano: «¡Traedme el breviario!». Durante el famoso capítulo de las esteras, en el cual algunos de sus hermanos querían empujarlo a adecuarse a la actitud de las órdenes cultas del tiempo, responde con palabras de fuego que dejan a los frailes llenos de temor:

«Hermanos, hermanos míos, Dios me ha llamado a caminar en la vía de la simplicidad y me la ha mostrado. No quiero por lo tanto que me nombren otras reglas, ni la de San Agustín, ni la de San Bernardo o de San Benedicto. El señor me ha revelado cuál es su querer, que sea un loco en el mundo: esta es la ciencia a la cual Dios quiere que nos dediquemos. Él les confundirá por medio de vuestra misma ciencia».[7]

Siempre la misma actitud coherente. Él quiere para sí y para sus hermanos la pobreza más rígida, pero en la Regla escribe: «Amonesto y exhorto a todos ellos a que no desprecien ni juzguen a quienes ven que se visten de prendas muelles y de colores y que toman manjares y bebidas exquisitos; al contrario, cada uno júzguese y despréciese a sí mismo».[8]
Elige ser un iletrado, pero no condena la ciencia. Una vez que se ha asegurado de que la ciencia no extingue «el espíritu de la santa oración y devoción», será él mismo el que permita a Fray Antonio (el futuro santo Antonio de Padua) que se dedique a la enseñanza de la teología y san Buenaventura no creerá que traiciona el espíritu del fundador, abriendo la orden a los estudios en las grandes universidades.

Yves Congar ve en esto una de las condiciones esenciales para la «verdadera reforma» en la Iglesia, la reforma, es decir, que se mantiene como tal y no se transforma en cisma: a saber la capacidad de no absolutizar la propia intuición, sino permanecer solidariamente con el todo que es la Iglesia.[9] La convicción, dice el papa Francisco, en su reciente exhortación apostólica Evangelii gaudium, que «el todo es superior a la parte».

4. Cómo imitar a Francisco

¿Qué nos dice hoy la experiencia de Francisco? ¿Qué podemos imitar, de él, todos y enseguida? Sea aquellos a quien Dios llama a reformar la iglesia por la vía de la santidad, sea a aquellos que se sienten llamados a renovarla por la vía de la crítica, sea a aquellos que él mismo llama a reformarla por la vía del encargo que cubren. Lo mismo de donde ha comenzado la aventura espiritual de Francisco: su conversión a Dios, la renuncia a sí mismo. Es así que nacen los verdaderos reformadores, aquellos que cambian verdaderamente algo en la Iglesia. Los que mueren a sí mismo, o mejor aquellos que deciden seriamente de morir a sí mismos, porque se trata de una empresa que dura toda la vida y va aún más allá ella si, como decía bromeando Santa Teresa de Ávila, nuestro amor propio muere veinte minutos después que nosotros.

Decía un santo monje ortodoxo, Silvano del Monte Athos: «Para ser verdaderamente libre, es necesario comenzar a atarse a sí mismos». Hombres como estos son libres de la libertad del Espíritu; nada los detiene y nada les asusta. Se vuelven reformadores por la vía de la santidad y no solamente debido a su cargo.

¿Pero qué significa la propuesta de Jesús de negarse a sí mismo, ésta se puede aún proponer a un mundo que habla solamente de autorrealización y autoafirmación? La negación no es un fin en sí mismo, ni un ideal en sí mismo. La cosa más importante es la positiva: «Si alguno quiere venir en pos de mí»; es seguir a Cristo, tener a Cristo. Decir no a sí mismo es el medio, decir sí a Cristo es el fin. Pablo lo presenta como una especie de ley del espíritu: «Si por el Espíritu hacéis morir las obras de la carne, viviréis» (Rom 8,13). Esto, como se puede ver, es un morir para vivir, es lo opuesto a la visión filosófica según la cual la vida humana es «un vivir para morir» (Heidegger).

Se trata de saber qué fundamento queremos dar a nuestra existencia: si nuestro «yo» o «Cristo»; en el lenguaje de Pablo, si queremos vivir «para nosotros mismos» o «para el Señor» (cf. 2 Cor 5,15; Rom 14, 7-8). Vivir «para uno mismo» significa vivir para la propia comodidad, la propia gloria, el propio progreso; vivir «para el Señor» significa colocar siempre en el primer lugar, en nuestras intenciones, la gloria de Cristo, los intereses del Reino y de la Iglesia. Cada «no», pequeño o grande, dicho a uno mismo por amor, es un sí dicho a Cristo.

Sólo hay que evitar hacerse ilusiones. No se trata de saber todo sobre la negación cristiana, su belleza y necesidad; se trata de pasar a la acción, de practicarla. Un gran maestro de espiritualidad de la antigüedad decía: «Es posible quebrar diez veces la propia voluntad en un tiempo brevísimo; y os digo cómo. Uno está paseando y ve algo; su pensamiento le dice: «Mira allí», pero el responde a su pensamiento: «No, no miro», y así quiebra su propia voluntad. Después se encuentra con otros que están hablando (lee, hablando mal de alguien) y su pensamiento le dice: «Di tú también lo que sabes», y quiebra su voluntad callando»[10].

Este antiguo Padre, como puede apreciarse, toma todos sus ejemplos de la vida monástica. Pero estos se pueden actualizar y adaptar fácilmente a la vida de cada uno, clérigos y laicos. Encuentras, si no a un leproso como Francisco, a un pobre que sabes que te pedirá algo; tu hombre viejo te empuja a cambiar de acera, y sin embargo tú te violentas y vas a su encuentro, quizás regalándole sólo un saludo y una sonrisa, si no puedes nada más. Tienes la oportunidad de una ganancia ilícita: dices que no y te has negado a ti mismo. Has sido contradicho en una idea tuya; picado en el orgullo, quisieras argumentar enérgicamente, callas y esperas: has quebrado tu yo. Crees haber recibido un agravio, un trato, o un destino inadecuado a tus méritos: quisieras hacerlo saber a todos, encerrándote en un silencio lleno de reproche. Dices que no, rompes el silencio, sonríes y retomas el diálogo. Te has negado a ti mismo y has salvado la caridad. Y así sucesivamente.

Un signo de que se está en un buen punto en la lucha contra el propio yo, es la capacidad o al menos el esfuerzo de alegrarse por el bien hecho o la promoción recibida por otro, como si se tratara de uno mismo: «Dichoso aquel siervo –escribe Francisco en una de sus Admoniciones- que no se enaltece más por el bien que el Señor dice y obra por su medio, que por el que dice y obra por medio de otro».

Una meta difícil (desde luego, ¡no hablo como alguien que lo ha logrado!), pero la vida de Francisco, nos ha mostrado lo que puede nacer de una negación de uno mismo hecha como respuesta a la gracia. La meta final es poder decir con Pablo y con él: «Ya no soy yo quien vive, sino que es Cristo quien vive en mí». Y será la alegría y la paz plenas, ya en esta tierra. San Francisco con su «perfecta alegría», es un testimonio vivo de la «alegría que viene del Evangelio» (Evangelii Gaudium) de que nos ha hablado el Papa Francisco.

Raniero Cantalamessa, ofmcap.


[1] Y.Congar, Vera e falsa riforma nella Chiesa, Milano Jaka Book, 1972, p. 194.
[2] Celano, Vita Prima, VII, 17 (FF 348).
[3] Cf. Celano, Vita Seconda, V, 9 (FF 592).
[4] Cf. Celano, Vita prima, III, 7 (FF, 331).
[5] Bihhmeyer – Tuckle, II, p. 239.
[6] Leyenda de los tres compañeros, VIII.
[7] Leyenda Perusina 114.
[8] Segunda Regla, cap. II.
[9] Congar, op. cit. pp. 177 ss.
[10] Doroteo de Gaza, Obras espirituales, I,20 (SCh 92, p.177)

sábado, 29 de dezembro de 2012

Nuevos Herodes quieren imponer su ideología de muerte, denuncia Arzobispo Eguren

PIURA, 28 Dic. 12 / 07:00 pm (ACI/EWTN Noticias).- El Arzobispo de Piura y Tumbes (Perú) y presidente de la Comisión para la Familia y la Defensa de la Vida de la Conferencia Episcopal Peruana (CEP), Mons. José Antonio Eguren, denunció que “los poderosos de hoy”, a manera de “nuevos Herodes, quieren imponernos su ideología de muerte que es totalmente ajena al sentir de la inmensa mayoría de nuestros pueblos, amantes de la vida”.

En su homilía por la Fiesta de los Santos Mártires Inocentes, que dedicó a los niños y niñas víctimas del aborto que fallecieron en Piura y Tumbes en 2012, Mons. Eguren señaló que “con dolor constatamos hoy en día que la sombra de muerte del aborto pretende envolvernos en el Perú y en nuestro continente latinoamericano”.

El Arzobispo exhortó a los fieles a no permitir “que unos cuantos políticos y juristas oportunistas, en alianza con organizaciones abortistas que poseen mucho poder económico, cambien las leyes de nuestra Patria y legalicen el aborto en el Perú”.

“Hoy en día, hay que decirlo una y otra vez: un ser humano por nacer es tan digno de vivir y de ser amado, de ser protegido y defendido, como lo es un recién nacido”, subrayó.

Mons. Eguren reiteró en su homilía que “el aborto no puede ser nunca un derecho humano. Es exactamente lo opuesto”.

El Arzobispo de Piura y Tumbes señaló que, al mirar a la Virgen, “que lleva a Jesús en su seno, vemos que allí donde hubiera podido cometerse un homicidio, se hubiera podido consumar un deicidio. ¿Qué mayor prueba que ésta, de que la vida humana es un don sagrado que siempre debe ser respetada y acogida desde la concepción hasta su fin natural?”.

“En el misterio de Dios encarnado comprendemos mejor la sacralidad de la vida humana: si bien ella ha sido originada por nosotros, no proviene sólo de nosotros, sino de Dios. Que la Navidad sea ocasión para reafirmar un Sí a la Vida por Nacer y un No rotundo al crimen del aborto”, dijo.

Mons. Eguren también recordó que el Papa Benedicto XVI, en su Mensaje para la Jornada Mundial de la Paz 2013, “nos advierte contra el gran mal que significa la liberalización del aborto y se opone firmemente a reglamentar este falso derecho o libertad que amenaza el derecho fundamental a la vida, mediante leyes, sentencias judiciales, convenciones internacionales, planes nacionales, o decretos supremos inicuos, basados en una visión reductiva y relativista del ser humano”.

El presidente de la Comisión para la Familia de la CEP dijo a los fieles que “hay que afirmar con claridad que el derecho inviolable de todo ser inocente a la vida desde su concepción, no es una verdad de fe, y por tanto un asunto simplemente confesional, aunque reciba de la fe una nueva luz y confirmación”.

“Este derecho está inscrito en la misma naturaleza humana, y por tanto se puede conocer por la razón y es común a toda la humanidad”, aseguró.

Mons. Eguren indicó que “cuando afirmamos que la vida humana debe ser respetada y protegida de manera absoluta desde el momento de la concepción, desde el primer momento de la existencia, estamos hablando de un asunto de humanidad”.

“Si la Iglesia hace suya la causa de los niños por nacer, si Ella se hace la voz de los que no tienen voz pero sí el derecho intocable a la vida, es porque ‘el hombre es el camino primero y fundamental de la Iglesia’ y porque nada de lo humano le es ajeno al Evangelio que Ella anuncia por mandato de su Señor”, dijo.

“La Iglesia no puede abandonar jamás a la persona humana, señaló.
Mons. Eguren expresó que “además de orar por los niños y niñas abortados en el año 2012, queremos pedir al Señor por la conversión de todos aquellos que directa o indirectamente han procurado un aborto”.

El Arzobispo también pidió “por la conversión de aquellos que traman una y otra vez con insidia e intriga la despenalización y la legalización del aborto en el Perú”. “Recemos también esta noche para que el aborto nunca sea aprobado en nuestra Patria”, dijo.

Mons. Eguren también hizo un llamado a los políticos peruanos, recordándoles que “la apertura y defensa de la vida está en el centro del verdadero desarrollo. Incluyamos en nuestros planes políticos, sociales, culturales y económicos al niño por nacer y junto con él a la familia, célula primera y vital de la sociedad, patrimonio de la humanidad”.

“Ninguna otra institución puede sustituir a la familia. Sólo así la inclusión social de la que hoy tanto se habla, será verdadera y podremos darle a nuestro futuro un rostro verdaderamente humano”, señaló.

El Prelado exhortó a los jóvenes con vocación al matrimonio a buscar “siempre las exigencias del amor hermoso; que tengan relaciones afectivas sinceras y puras; que se preparen al matrimonio en la castidad y pureza. Jóvenes: no caigan en la tentación de reducir el amor a un mero placer egoísta y genital”.

“A los padres de familia les pido que acojan con amor a cada hijo con el que sean bendecidos. Acójanlo desde el primer momento en que se enteran que ya esta viviendo en el vientre de su madre; denle todo su amor y protección ya que como ustedes, tiene el derecho sagrado e inviolable a vivir y a nacer”, indicó.

El Arzobispo recordó a los padres que “sin la gracia del sacramento matrimonio y de la Eucaristía dominical, les será muy difícil amarse como esposos, crecer en el amor fiel, educar a sus hijos en la fe y formar un hogar que sea cenáculo de amor y santuario de la vida”.

Mons. Eguren concluyó pidiéndole a aquellas mujeres embarazadas que atraviesan situaciones difíciles o de confusión, que “no caigas en la tentación de abortarlo. Nada justifica matar a tu hijo”.

“No añadas al sufrimiento de matarlo el sufrimiento que vivirás después, porque relativamente fácil puede ser sacar a un hijo del vientre, pero muy difícil será sacarlo después de tu mente y corazón”, señaló.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Extremistas musulmanes matan 6 personas e incendian iglesia en Nigeria en Nochebuena

LAGOS, 26 Dic. 12 / 08:03 am (ACI/Europa Press).- Un grupo armado atacó durante la Nochebuena una iglesia del norte de Nigeria y mató a seis personas antes de prender fuego al templo, según fuentes policiales citadas por la cadena de televisión estadounidense CNN.

Entre las víctimas figura un religioso, han explicado estas fuentes, que no han aclarado el lugar exacto del ataque.

Las fiestas de Navidad suelen ser días potencialmente peligrosos para los fieles cristianos que acuden a las iglesias de Nigeria, como quedó de manifiesto tanto el año pasado como en 2010. En la Navidad de ambos años se produjeron una serie de ataques que se saldaron con decenas de muertos.

Las autoridades culpan a la secta islamista Boko Haram, que trata de imponer la 'sharia' en el país africano, de estar detrás de los ataques contra cristianos. En Nigeria viven alrededor de 160 millones de personas que se reparten a partes prácticamente iguales entre musulmanes y cristianos.

Al menos 2.800 personas han muerto desde que Boko Haram se alzó en armas contra el Gobierno en 2009, según un balance de la ONG Human Rights Watch.

Sin embargo, esta secta no es el único grupo radical activo en la parte septentrional del país, donde también actúa Ansaru. Esta milicia se ha atribuido el asalto contra unas instalaciones de la policía en Abuya que permitió el mes pasado la liberación de cientos de presos y el secuestro, la semana pasada, de un ciudadano francés en la localidad de Rimi.

Natal - por João César das Neves

In Destak

O mundo está de luto, mas vestiu-se de festa. O tempo perdeu a esperança, mas ainda celebra. Não se vê saída, mas é Natal. Anúncios, iluminações, prendas, jantar, votos são iguais. Nós é que estamos diferentes. Apetece-nos queixar, protestar, revoltar-nos, pedir, chorar. Não queremos festa, não podemos celebrar, mas é Natal. 

Assim não devia haver Natal. Não há dinheiro para anúncios e iluminações. Não podemos pagar prendas, jantar e votos. Não há condições para haver Natal. Apesar disso há Natal. Outra vez Natal. Porque o Natal não depende de nós. O Natal não acontece quando dá jeito, quando estamos preparados, quando é conveniente. 

O Natal não é quando um homem quiser. Aparece simplesmente, inesperadamente, inconvenientemente. Foi assim da primeira vez. É assim todos os anos. No primeiro Natal «não havia lugar para eles na hospedaria» (Lc. 2, 7). Este ano não há disposição para festas. Ao fim de tantos anos continua a não haver lugar. 

No entanto, volta a ser Natal. O Natal insiste em acontecer, mesmo que não dê jeito. O Natal compreende que não tenha lugar. Não se queixa, não protesta, não se revolta, não pede ou chora. Limita-se a passar adiante e a acontecer na mesma. 
Porque o Natal não depende de nós. Depende do Céu. Só o Céu pode fazer o inesperado, o inacreditável, o impossível. Só o Céu pode fazer o Natal. Vindo o Natal de fora do mundo, é compreensível que não dê jeito, que seja inoportuno, inconveniente. 

Mas quando acontece o impossível, que interessa o resto? Qualquer que seja a situação e a conjuntura, só o Natal conta.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Homilia da noite de Natal do Papa Bento XVI

Amados irmãos e irmãs!

A beleza deste Evangelho não cessa de tocar o nosso coração: uma beleza que é esplendor da verdade. Não cessa de nos comover o facto de Deus Se ter feito menino, para que nós pudéssemos amá-Lo, para que ousássemos amá-Lo, e, como menino, Se coloca confiadamente nas nossas mãos. Como se dissesse: Sei que o meu esplendor te assusta, que à vista da minha grandeza procuras impor-te a ti mesmo. Por isso venho a ti como menino, para que Me possas acolher e amar.

Sempre de novo me toca também a palavra do evangelista, dita quase de fugida, segundo a qual não havia lugar para eles na hospedaria. Inevitavelmente se põe a questão de saber como reagiria eu, se Maria e José batessem à minha porta. Haveria lugar para eles? E recordamos então que esta notícia, aparentemente casual, da falta de lugar na hospedaria que obriga a Sagrada Família a ir para o estábulo, foi aprofundada e referida na sua essência pelo evangelista João nestes termos: «Veio para o que era Seu, e os Seus não O acolheram» (Jo 1, 11). Deste modo, a grande questão moral sobre o modo como nos comportamos com os prófugos, os refugiados, os imigrantes ganha um sentido ainda mais fundamental: Temos verdadeiramente lugar para Deus, quando Ele tenta entrar em nós? Temos tempo e espaço para Ele? Porventura não é ao próprio Deus que rejeitamos? Isto começa pelo facto de não termos tempo para Deus. Quanto mais rapidamente nos podemos mover, quanto mais eficazes se tornam os meios que nos fazem poupar tempo, tanto menos tempo temos disponível. E Deus? O que diz respeito a Ele nunca parece uma questão urgente. O nosso tempo já está completamente preenchido. Mas vejamos o caso ainda mais em profundidade. Deus tem verdadeiramente um lugar no nosso pensamento? A metodologia do nosso pensamento está configurada de modo que, no fundo, Ele não deva existir. Mesmo quando parece bater à porta do nosso pensamento, temos de arranjar qualquer raciocínio para O afastar; o pensamento, para ser considerado «sério», deve ser configurado de modo que a «hipótese Deus» se torne supérflua. E também nos nossos sentimentos e vontade não há espaço para Ele. Queremo-nos a nós mesmos, queremos as coisas que se conseguem tocar, a felicidade que se pode experimentar, o sucesso dos nossos projectos pessoais e das nossas intenções. Estamos completamente «cheios» de nós mesmos, de tal modo que não resta qualquer espaço para Deus. E por isso não há espaço sequer para os outros, para as crianças, para os pobres, para os estrangeiros. A partir duma frase simples como esta sobre o lugar inexistente na hospedaria, podemos dar-nos conta da grande necessidade que há desta exortação de São Paulo: «Transformai-vos pela renovação da vossa mente» (Rm 12, 2). Paulo fala da renovação, da abertura do nosso intelecto (nous); fala, em geral, do modo como vemos o mundo e a nós mesmos. A conversão, de que temos necessidade, deve chegar verdadeiramente até às profundezas da nossa relação com a realidade. Peçamos ao Senhor para que nos tornemos vigilantes quanto à sua presença, para que ouçamos como Ele bate, de modo suave mas insistente, à porta do nosso ser e da nossa vontade. Peçamos para que se crie, no nosso íntimo, um espaço para Ele e possamos, deste modo, reconhecê-Lo também naqueles sob cujas vestes vem ter connosco: nas crianças, nos doentes e abandonados, nos marginalizados e pobres deste mundo.

Na narração do Natal, há ainda outro ponto que gostava de reflectir juntamente convosco: o hino de louvor que os anjos entoam depois de anunciar o Salvador recém-nascido: «Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens do seu agrado». Deus é glorioso. Deus é pura luz, esplendor da verdade e do amor. Ele é bom. É o verdadeiro bem, o bem por excelência. Os anjos que O rodeiam transmitem, primeiro, a pura e simples alegria pela percepção da glória de Deus. O seu canto é uma irradiação da alegria que os inunda. Nas suas palavras, sentimos, por assim dizer, algo dos sons melodiosos do céu. No canto, não está subjacente qualquer pergunta sobre a finalidade; há simplesmente o facto de transbordarem da felicidade que deriva da percepção do puro esplendor da verdade e do amor de Deus. Queremos deixar-nos tocar por esta alegria: existe a verdade; existe a pura bondade; existe a luz pura. Deus é bom; Ele é o poder supremo que está acima de todos os poderes. Nesta noite, deveremos simplesmente alegrar-nos por este facto, juntamente com os anjos e os pastores.

E, com a glória de Deus nas alturas, está relacionada a paz na terra entre os homens. Onde não se dá glória a Deus, onde Ele é esquecido ou até mesmo negado, também não há paz. Hoje, porém, há correntes generalizadas de pensamento que afirmam o contrário: as religiões, mormente o monoteísmo, seriam a causa da violência e das guerras no mundo; primeiro seria preciso libertar a humanidade das religiões, para se criar então a paz; o monoteísmo, a fé no único Deus, seria prepotência, causa de intolerância, porque pretenderia, fundamentado na sua própria natureza, impor-se a todos com a pretensão da verdade única. É verdade que, na história, o monoteísmo serviu de pretexto para a intolerância e a violência. É verdade que uma religião pode adoecer e chegar a contrapor-se à sua natureza mais profunda, quando o homem pensa que deve ele mesmo deitar mão à causa de Deus, fazendo assim de Deus uma sua propriedade privada. Contra estas deturpações do sagrado, devemos estar vigilantes. Se é incontestável algum mau uso da religião na história, não é verdade que o «não» a Deus restabeleceria a paz. Se a luz de Deus se apaga, apaga-se também a dignidade divina do homem. Então, este deixa de ser a imagem de Deus, que devemos honrar em todos e cada um, no fraco, no estrangeiro, no pobre. Então deixamos de ser, todos, irmãos e irmãs, filhos do único Pai que, a partir do Pai, se encontram interligados uns aos outros. Os tipos de violência arrogante que aparecem então com o homem a desprezar e a esmagar o homem, vimo-los, em toda a sua crueldade, no século passado. Só quando a luz de Deus brilha sobre o homem e no homem, só quando cada homem é querido, conhecido e amado por Deus, só então, por mais miserável que seja a sua situação, a sua dignidade é inviolável. Na Noite Santa, o próprio Deus Se fez homem, como anunciara o profeta Isaías: o menino nascido aqui é «Emmanuel – Deus-connosco» (cf. Is 7, 14). E verdadeiramente, no decurso de todos estes séculos, não houve apenas casos de mau uso da religião; mas, da fé no Deus que Se fez homem, nunca cessou de brotar forças de reconciliação e magnanimidade. Na escuridão do pecado e da violência, esta fé fez entrar um raio luminoso de paz e bondade que continua a brilhar.

Assim, Cristo é a nossa paz e anunciou a paz àqueles que estavam longe e àqueles que estavam perto (cf. Ef 2, 14.17). Quanto não deveremos nós suplicar-Lhe nesta hora! Sim, Senhor, anunciai a paz também hoje a nós, tanto aos que estão longe como aos que estão perto. Fazei que também hoje das espadas se forjem foices (cf. Is 2, 4), que, em vez dos armamentos para a guerra, apareçam ajudas para os enfermos. Iluminai a quantos acreditam que devem praticar violência em vosso nome, para que aprendam a compreender o absurdo da violência e a reconhecer o vosso verdadeiro rosto. Ajudai a tornarmo-nos homens «do vosso agrado»: homens segundo a vossa imagem e, por conseguinte, homens de paz.

Logo que os anjos se afastaram, os pastores disseram uns para os outros: Coragem! Vamos até lá, a Belém, e vejamos esta palavra que nos foi mandada (cf. Lc 2, 15). Os pastores puseram-se apressadamente a caminho para Belém – diz-nos o evangelista (cf. 2, 16). Uma curiosidade santa os impelia, desejosos de verem numa manjedoura este menino, de quem o anjo tinha dito que era o Salvador, o Messias, o Senhor. A grande alegria, de que o anjo falara, apoderara-se dos seus corações e dava-lhes asas.

Vamos até lá, a Belém: diz-nos hoje a liturgia da Igreja. Trans-eamus – lê-se na Bíblia latina – «atravessar», ir até lá, ousar o passo que vai mais além, que faz a «travessia», saindo dos nossos hábitos de pensamento e de vida e ultrapassando o mundo meramente material para chegarmos ao essencial, ao além, rumo àquele Deus que, por sua vez, viera ao lado de cá, para nós. Queremos pedir ao Senhor que nos dê a capacidade de ultrapassar os nossos limites, o nosso mundo; que nos ajude a encontrá-Lo, sobretudo no momento em que Ele mesmo, na Santa Eucaristia, Se coloca nas nossas mãos e no nosso coração.

Vamos até lá, a Belém! Ao dizermos estas palavras uns aos outros, como fizeram os pastores, não devemos pensar apenas na grande travessia até junto do Deus vivo, mas também na cidade concreta de Belém, em todos os lugares onde o Senhor viveu, trabalhou e sofreu. Rezemos nesta hora pelas pessoas que actualmente vivem e sofrem lá. Rezemos para que lá haja paz. Rezemos para que Israelitas e Palestinianos possam conduzir a sua vida na paz do único Deus e na liberdade. Peçamos também pelos países vizinhos – o Líbano, a Síria, o Iraque, etc. – para que lá se consolide a paz. Que os cristãos possam conservar a sua casa naqueles países onde teve origem a nossa fé; que cristãos e muçulmanos construam, juntos, os seus países na paz de Deus.

Os pastores apressaram-se… Uma curiosidade santa e uma santa alegria os impelia. No nosso caso, talvez aconteça muito raramente que nos apressemos pelas coisas de Deus. Hoje, Deus não faz parte das realidades urgentes. As coisas de Deus – assim o pensamos e dizemos – podem esperar. E todavia Ele é a realidade mais importante, o Único que, em última análise, é verdadeiramente importante. Por que motivo não deveríamos também nós ser tomados pela curiosidade de ver mais de perto e conhecer o que Deus nos disse? Supliquemos-Lhe para que a curiosidade santa e a santa alegria dos pastores nos toquem nesta hora também a nós e assim vamos com alegria até lá, a Belém, para o Senhor que hoje vem de novo para nós. Amen.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Conto de Natal - por João César das Neves

In DN

Não sei bem o que aconteceu. Foi uma espécie de ataque, que me atirou paralisado para esta cama de hospital. Ouvi há pouco o médico dizer à minha mulher que há hipóteses de eu sobreviver.

Ainda de manhã me levantei cheio de vigor e dinamismo, pleno de ocupações e projectos. Agora estou aqui, prostrado, inútil, vegetativo. Não sei o que foi, mas sei que não consigo falar nem mexer o lado direito. Tenho dores não sei bem onde. A minha tentativa de sorrir deu um esgar que assustou a enfermeira. Acabou tudo, mesmo que haja hipóteses de sobreviver. A minha vida, se ainda lhe posso chamar assim, mudou para sempre. Ou melhor, a vida que eu tinha acabou.
Foi então que me lembrei da pergunta que decidira fazer sempre: "Senhor, o que é que Tu queres disto?" Foi há anos que, perante novidades e acasos que me sucedem, quis ver tudo a partir de Deus. Qual a atitude que Ele quer que eu tome agora? Esta pergunta salvou-me de muitas situações difíceis, onde a minha mesquinhez me ia meter em sarilhos. As coisas vistas de cima ficam muito diferentes. S.Paulo disse que "tudo concorre para o bem dos que amam a Deus" (Rm 8, 28). Do ponto de vista de Deus as coisas são sempre boas, belas, grandes. O Senhor do universo tem sempre uma saída, uma solução, um projecto grandioso ligado a tudo o que faz. O que é que o Senhor quer disto?

Aqui, mais até que nos problemas do emprego ou perplexidades de família, a pergunta parece fazer todo o sentido. Esta cama de hospital é tão inesperada e surpreendente que tem de ter uma razão. O Senhor podia ter-me levado, mas não levou. Não me quis levar. A minha vida acabou mas eu continuo aqui. Porquê? Devo ser preciso para algo. Ou isto tem lógica, ou então nada tem.

Mas que pode o Senhor querer de um paralítico? Qual a tarefa que me compete? O que pretende o Senhor disto? Ser testemunha d'Ele aqui, claro. O Senhor precisa agora de alguém neste sítio e mandou-me a mim. A resposta é a mesma que eu tinha ouvido tantas vezes: "Nada temas, continua a falar e não te cales, porque Eu estou contigo e ninguém porá as mãos em ti para te fazer mal, pois tenho um povo numeroso nesta cidade" (Act 18, 9-10). Ser sua testemunha aqui, paralítico na cama. É isso mesmo. Ainda me falta mais isso, antes de o Senhor me levar.

O meu sofrimento, paciência, alegria na adversidade testemunharão uma presença diferente. "Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, dia após dia, e siga-me. Pois, quem quiser salvar a sua vida há-de perdê-la; mas, quem perder a sua vida por minha causa há-de salvá-la" (Lc 9, 23-24). A minha cruz agora é a paralisia, as dores. Já foi o desemprego, a falência, o insulto, agora é a cama de hospital. Ligada à Mangedoura e Calvário é testemunha e presença salvadora, de mim e outros, neste sítio.

Mas como? Não consigo falar e mal me posso mexer. As visitas, doentes e pessoal do hospital não entendem o que penso, não ouvem o que digo, não percebem o que sinto. Não pode ser isso. Uma testemunha precisa de meios para testemunhar. Mesmo cheio de boas intenções e propósitos elevados, ninguém dará por eles. Quando ninguém ouve, como se pode ser apóstolo?

Então percebi. Um consegue ouvir-me. Para Ele falo. S. Inácio disse: "O homem é criado para louvar, reverenciar e servir a Deus Nosso Senhor, e mediante isto salvar a sua alma" (Exercícios Espirituais, 23). Nesta cama não tenho préstimo como servidor, nada posso dizer ou testemunhar, mas posso louvar e reverenciar o Senhor. Neste Natal devia haver falta de quem glorificasse a Deus neste canto do mundo, e por isso Ele me mandou vir. Para a harmonia do universo é preciso que alguém louve a divindade aqui, agora. É isso que o Senhor quer. Essa é a minha tarefa. A última tarefa da minha vida.

Louvar a Deus, paralítico mudo numa cama de hospital no tempo de Natal. Aquilo que os Anjos e os Santos fazem no Céu, que os coros fazem nas igrejas, que em todo o mundo se ouve nesta noite, eu tenho de o fazer aqui. Isso fará deste Natal o mais feliz da minha vida. O último.