terça-feira, 14 de agosto de 2012

La laicista Francia registra un fenómeno creciente de vuelta a la fe en el mundo cultural - Escritores e intelectuales redescubren la trascendencia


Sopla un viento nuevo de fe en la laicísima Francia. Las letras francesas siguen las huellas de Claudel, Péguy, o Mauriac, los grandes conversos de la tradición literaria, y cada vez son más las novelas, guiones y ensayos en los que la fe cristiana vuelve a ser protagonista.

Hace tiempo que escritores de la talla de Michel Tournier o Dider Decoin demostraron que la fe aumentaba su talento y, siguiendo su misma senda, está surgiendo una nueva generación de autores creyentes, nuevas figuras de la escena literaria y filosófica cuyas obras buscan la consonancia con el mensaje evangélico. El periodista Daniele Zappalá explica en el diario "Avvenire" que, en el caso de la escritora Sylvie Germain ha sido su búsqueda sobre la mística cristiana y la frecuente costumbre de acudir la Biblia lo que le ha llevado a la conversión. La aclamada autora de la novela "Magnus" ha visto cómo su obra está empezando a seducir no sólo en Francia sino más allá de sus fronteras.

En las páginas del diario francés "Le Figaro", otro talentoso y pluripremiado escritor de la nueva literatura francesa, François Tallandier, ha intentado esbozar y enumerar las razones de su silenciosa conversión al catolicismo, después de años de profundo escepticismo: "Quizás por el esplendor de Bourges, que le daba a Stendhal alas para ser cristiano. Quizás por la modesta dulzura de la iglesia románica de Ennezat. Quizás porque un día, escuchando pronunciar la palabra "católico" con el desprecio de quien cree que no necesita más razones, me he cansado y he dicho abiertamente: "Soy católico"", explica.

También Jean Claude Gillebaud está volviendo a la fe, después de unos años de éxito como periodista. Golpeado por la obra de filósofos como René Girard y la atmósfera de recogimiento del mundo monástico, ha publicado diversos ensayos sobre la importancia de creer. "Cómo he vuelto a ser cristiano" es el título del más significativo.

Católicos sin complejos
El recorrido creativo de Fabrice Hadjadj es también un punto de referencia en la cultura francesa. Escritor e intelectual de cultura judía y nombre árabe, se convirtió al catolicismo "tras una fase de nihilismo". Un ensayo suyo analiza con pasión e ironía su indiferencia hacia la muerte de las sociedades occidentales a la vez que lanza una llamada a la alegría fundada sobre las razones de la fe.

Pero quizá la figura más controvertida es la del escritor Maurice Dantec, que dice inscribirse en el ámbito "futurista". Este intelectual excéntrico, admirado por la crítica, se ha atrevido a gritar en público que "no hay futuro para la humanidad fuera de Cristo".

Junto a todos ellos, más allá de las fronteras francesas, se sitúa el dramaturgo belga Eric-Emmanuel Schmitt, o filósofos como Bernard Sichére y Jean Louis Chrétien, que han llegado al catolicismo tras un largo camino a través del escepticismo.

En definitiva, son cada vez más los escritores e intelectuales que han redescubierto la trascendencia, que han experimentado la conversión y "vuelven" a la fe tras un largo exilio en el desierto del nihilismo. Hoy, sin temor alguno, se declaran católicos sin ningún complejo.

Algumas dicas sobre a Fé - por Nuno Serras Pereira

A Fé que acontece na Igreja e através da Igreja é sempre um encontro vital entre Jesus Cristo, Deus Filho feito homem, e cada pessoa concreta. Este dom ou Graça de Deus antecipa-se à nossa liberdade, suscita-a, acompanha-a, purifica-a e eleva-a tornando-a capaz de um assentimento e de uma adesão incondicionais e absolutos à Palavra de Deus, o Verbo feito carne, em virtude da Sua autoridade Divina, a qual por sê-La, não Se pode enganar nem nos pode enganar. Evidentemente que a Fé no Logos, no Verbo, na Palavra, na Razão eterna, incriada e Criadora, é dirigida somente a seres que Dela participam – pessoas humanas racionais criadas à Sua imagem e semelhança que verificam uma compatibilidade entre os dados da razão e a Fé que a vem purificar, aperfeiçoar e completar.

Viver a Fé será então consentir que o eu de cada um, por virtude do Espírito Santo, seja enxertado no Eu de Jesus Cristo entrando em Comunhão, com a Santíssima Trindade e com todos os eus que o Senhor chamou e acolheu em Si, de tal modo que possamos, com S. Paulo, dizer “já não sou eu que vivo mas é Cristo que vive em mim”. Este Eu de Jesus Cristo alargado a todos aqueles que em Si incorporou plenamente chama-se Corpo Místico de Cristo, isto é a Igreja.
Esta amizade com o único Deus Pai, Filho e Espírito Santo uma vez que é um dom tem de ser incessantemente implorada e alimentada. Esta nutrição e trato de amor incremental vêm até nós através dos Sacramentos - que são acções, por sinais, de Cristo Ressuscitado na Sua Igreja e através dela que contêm e efectuam aquilo que significam -, em especial o da penitência (confissão ou reconciliação) e o da Eucaristia; e também pela oração que sendo um colóquio ou conversa com Deus nos ensina a estar na Sua presença, a escutá-Lo e a pedir-lhe tudo aquilo que é para nosso bem, em particular o mesmo Bem que é o próprio Deus, que nos é dado no Espírito Santo. Mendicantes de Deus suplicamos-Lhe como o pai do Evangelho que queria a cura de seu filho “Senhor, eu tenho Fé mas aumenta a minha Fé”.
Como nos ensina S. Tiago, em plena concordância com S. Paulo, a “Fé sem obras é morta”, de facto, como ele adianta, fé sem obras também os demónios a têm e de nada lhes adianta. Como nós, embora furiosos, sabem de cor e salteado o Credo. Por isso S. Paulo advertia que a Fé opera (isto é, obra) pela Caridade, pelo Amor. Daqui que para fortalecer, solidificar e revigorar a Fé importe muito a dedicação, a entrega de si mesmo, a doação, daquilo que temos e daquilo que somos, aos outros. Esta dádiva, cujo nome é amor, deve, nas palavras da Bem-aventurada Teresa de Calcutá, outorgar-se até doer e assim continuar até deixar de magoar – é no abraço à Cruz de Cristo, ou se quisermos, a Cristo Crucificado que encontramos nos mais vulneráveis, pobres e desfavorecidos, que encontramos a Ressurreição. O voluntariado da Caridade não consiste, no entanto, num mero bem-fazer filantrópico mas sim num tornar “capilarmente” o próprio Cristo manso e humilde de Coração, o Coração Sagrado do Amor que Se deixou trespassar pela cruel lançada para jorrar sobre nós a Sua Misericórdia infinita.

Creio que nos dias de hoje importará recordar que, não obstante, a enorme importância das obras de misericórdia corporais há uma justa hierarquia que dá precedência ontológica às Espirituais (com E maiúsculo), enquanto sobrenaturais, as quais aliás, bem vistas as coisas são a fonte das primeiras. Não há duvidar que o menor dos dons sobrenaturais supera imensamente o maior dos dons temporais ou naturais, como lembra S. Tomás.

Embora, como ensina S. Boaventura, Jesus Cristo seja o Livro pelo qual devemos estudar, no qual tudo se aprende, pois Ele é a própria Sabedoria, isso não exclui, antes, pede uma boa formação intelectual ou, se quisermos, catecumenato doutrinal. Não é possível que uma catequese indicada para crianças ou adolescentes seja suficiente para dar resposta às questões e interrogações de gente madura, com novas responsabilidades familiares e profissionais, com formação superior, dotadas de uma alta cultura. Por isso, é necessário recorrer a bons livros, a retiros, a sessões de formação, a um experimentado assistente espiritual para que possamos conhecer “as razões da nossa Esperança”.

Que a Imaculada Virgem Maria Mãe de Deus feito homem no seu seio, Sede e Mãe da Sabedoria, Ela, a Esposa do Espírito Santo o qual é a Imaculada Conceição Incriada, que Se quis espelhar na Imaculada Conceição Criada, feita, por Deus Medianeira de todas as Graças, nos alcance uma Fé viva e firme, uma Esperança certa, uma Caridade perfeita e a Graça da perseverança final.

14. 08. 2012

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Bernardes - por Nuno Serras Pereira

Nos dias de hoje lê-se de tudo. Basta entrar numa livraria para nos depararmos com um número infindável de títulos que interminavelmente se vão renovando a uma velocidade vertiginosa. Ele são best-sellers, ele são prémios nobel, eles são escritores de há muito consagrados, eles são inovadores no estilo, nos temas, nas sensibilidades… A literatura como um maremoto implacável submerge-nos numa ansiedade que freneticamente bulímica quer estar a par de tudo, não descurando nada, pelo menos, daqueles inumeráveis autores que nos são solene e indiscutivelmente apontados como os melhores e os mais autorizados.

E, no entanto, é imensa a palha e as bolotas que nos apresentam como nutrimento intelectual e que por jejum rigoroso de excelência, deliberadamente desdenhada e oculta, nos sabem como delícias do chefe José Avillez.

Já me referi num outro texto ao conselho avisado do excelente escritor P. João Maia, SJ, sobre os livros e autores a ler e a reler: Homero, Dante, Cervantes, Shakespeare, Dostoievski e poucos mais. Hoje porém desejaria indicar alguns autores dotados de uma excelência singularíssima na arte de escrever, tanto na forma como no conteúdo, e que, estranhamente, muitos deles não são tidos em conta na generalidade das apreciações. De facto, como é possível ignorar a correspondência de S. Jerónimo, as obras de S. Cipriano de Cartago, de Tertuliano, de Lactâncio; e que dizer das Confissões ou da Cidade de Deus de Sto. Agostinho? Dos sermões de S. João Crisóstomo? Das Homilias de S. Pedro Crisólogo? Da Moralia in Job de S. Gregório Magno? Das cartas de S. Pedro Damião? Do comentário ao Cântico dos cânticos e aos escritos sobre a Virgem Maria de S. Bernardo de Claravalle? Das poesias e dos comentários aos Evangelhos de S. Tomás d’ Aquino? Da biografia de S. Francisco de Assis por S. Boaventura, do seu Itinerário da Mente em Deus? Do Cântico das criaturas do mesmo S. Francisco? Como é possível fazer tábua rasa das obras de S. João da Cruz? De Santa dos Diálogos de Santa Catarina de Sena? Das obras de Santa Teresa de Jesus? De Frei Luiz de Granada? De Frei Luiz de Leão? Do nosso Frei Luís de Souza? Do P. Manuel Bernardes? Dos Manuscritos Autobiográficos de Santa Teresa do Menino Jesus? Estes, e os mais que podíamos indicar, são desprezados pela intelligentzia contemporânea e mesmo eclesial e no entanto são os alicerces, os fundamentos do que somos como cultura. Felizmente, embora não aparecem nas estatísticas oficiais, muitas destas obras têm tido incomparavelmente mais leitores do que os best-sellers; infelizmente muitos os desconhecem cada vez mais tendo cada vez menos acesso a eles.

As obras do P. Manuel Bernardes, por exemplo, que foram durante muito tempo alimento literário e espiritual de gerações encontram-se esgotadas e não são reeditadas. A Lello que tinha o mérito de as ter editado (apesar dos erros e gralhas), com a grafia actual, em cinco volumes de papel bíblia, de há muito que as não reedita. Hoje, mesmo em alfarrabistas, é extremamente difícil topá-las. Provavelmente, a crítica ferozmente iníqua que Jorge de Sena e outros lhe dirigiram terá contribuído para isso. Castilho, injustamente votado ao esquecimento, provavelmente por causa da “questão coimbrã”, numa página em que só peca por ser demasiado severo para o P. António Vieira, compara Bernardes e Vieira: 

“É Vieira sem contradição mestre guapíssimo de nossa língua, e o mesmo Bernardes assim o conceituava; que, porém, a si o propusesse como exemplar, nem o indica, nem consta, nem se pode com indução plausível suspeitar; eram ambos engenhosos no discorrer, puros e esmerados no exprimir; — eis aí a sua única semelhança; — no demais pareciam-se como entre si se podem parecer duas árvores de espécies diversíssimas.

Lendo-os com atenção, sente-se que Vieira, ainda falando do céu, tinha os olhos nos seus ouvintes; Bernardes, ainda falando das criaturas, estava absorto no Criador. Vieira vivia para fora, para a cidade, para a corte, para o mundo, e Bernardes para a cela, para si, para o seu coração. Vieira estudava graças a louçainhas de estilo; achava-as, é verdade, tinha boa mão no afeiçoá-las e uma graça no vesti-las como poucos; Bernardes era como estas formosas de seu natural que se não cansam com alindamentos, a quem tudo fica bem; que brilham mais com uma flor apanhada ao acaso, do que outras com pedrarias de grande custo. Vieira fazia a eloquência; a poesia procurava a Bernardes. Em Vieira morava o génio; em Bernardes o amor, que, em sendo verdadeiro, é também génio. Vieira sacrificava tudo à sua necessidade suprema, ao empenho de ser original e único; sacrificava-lhe a verdade, sacrificava-lhe a verossemelhança; sacrificava-lhe até a possibilidade; não hesitava em propor o princípio mais absurdo, como fosse ou parecesse novo, e como para lá não achava caminho pela lógica, fabricava-o com pontes sobre pontes, através de um oceano de sofismas, de argúcias, de puerilidades, de indecências, de quase heresias, e, contente de lá chegar por entre os aplausos, não se detinha a reflectir se não tinha sido aquilo um grandíssimo abuso da grande alma que Deus lhe dera, uma dúplice vaidade aos olhos da religião e da filosofia, um exemplo ruim, mais perigoso pelo agigantado de quem o dava. Bernardes não tomava tese que da consciência lhe não brotasse, e a desenvolvê-la aplicava todas as suas faculdades intelectuais, que eram muitas, e todas as faculdades morais que eram mais, tresdobradamente. Vieira zomba frequentes vezes da nossa credulidade, podemos desconfiar da convicção de Vieira, ainda quando nos fala certo; Bernardes é um amigo cândido e liso, que, ainda quando nos ilude, não nos mente.
Por tudo isso se admira Vieira: a Bernardes admira-se e ama-se.

Também Camilo Castelo-Branco, de resto admirador incondicional de Castilho, nutria um carinho muito especial por Bernardes preferindo-o a Vieira.

Acresce que a suculenta e saborosa doutrina ascético-mística, presente nas obras de Bernardes, no seu essencial (tendo embora em conta a mudança dos tempos), é de muitíssimo proveito para as almas cristãs, em particular para Sacerdotes e Religiosos.

Antero de Quental grande amigo de Eça lamentava a sua pobreza de vocabulário e exortava-o a ler os Clássicos. Mais tarde Eça, em Paris, começará a ler Vieira (aliás o seu conto do enforcado é um desenvolvimento de uma narração de Vieira num dos seus sermões do Rosário) e confidencia-o a António Nobre pedindo-lhe que quando voltasse a Portugal recomendasse a todos a leitura dos seus sermões.

A literatura portuguesa, em grande parte, afastou-se de tal modo das suas raízes que nos dias de hoje um leitor comum deparar-se-á com uma enorme dificuldade em compreender e saborear um texto de Bernardes, de Vieira, de Luís de Souza, de Heitor-Pinto. E como lhe servem quotidianamente repasto de ruim qualidade pode inclusive sentir-se enjoado e mesmo tomar asco aos escritos dos autores referidos. Não se deixe porém vencer desistindo pois se for constante e persistir a recompensa será grande. Então encontrará palavras que lhe enchem a alma, que trazem dentro em si as realidades que significam possibilitando-lhe experiências e vivências de transcendência. Eça, não obstante, todo o mérito literário, faz da religião um ornamento, um mero elemento estético. Mesmo o Suave Milagre e a Vida de Santos, não obstante a sua beleza e o facto de representarem claramente um avanço e uma aproximação ao religioso, carecem de densidade e profundidade (Raúl Brandão nas suas Memórias refere que estando com Eça lhe viu bentinhos, medalhas religiosas, no pescoço). 

Pelo contrário, quem conhece a obra de Camilo não estranhará os Clássicos nem a sua religiosidade pois que a linguagem dos seus textos está toda ela embebida dos escritos clássicos e religiosos, mesmo quando (ele ou o narrador) se atiça contra a Igreja ou mesmo quando blasfema. Será esta a razão do seu saneamento dos estudos de português? É verdade que nalgumas das suas obras ele recorre à linguagem religiosa para através dela incutir o contrário das suas verdades, por exemplo, a justificação do adultério.

Quanto mais aprofundo os textos e a vida do P. Manuel Bernardes mais me persuado da enorme conveniência de que seja mais conhecido e estudado. Desconfio mesmo que seja Santo, um Santo ainda não canonizado que pediu ao Senhor, com receio de perder a Graça da perseverança final, que o pusesse em estado de inocência antes da morte o que lhe foi concedido, salvo erro, dois anos antes de adormecer em Cristo. Como o pai de Santa Teresa de Lisieux, que também padeceu a mesma cruz, já beatificado, esperemos que Manuel Bernardes também o possa vir a ser.


 13. 08. 2012

Lo bueno y lo malo - por Juan Manuel de Prada

La supresión de las categorías morales nunca es inocua, aunque nuestra época proclame ufana lo contrario. Decía Aristóteles que lo que distinguía al hombre de cualquiera de los animales es la capacidad para discernir el bien y mal; y podríamos completar la definición aristotélica diciendo que, cuando el hombre renuncia a esa capacidad que lo distingue, se convierte en el peor de los animales.

La supresión de las categorías morales comienza cuando ley y moral se convierten en departamentos autónomos. Cuando las cosas que son objetivamente inmorales -esto es, malas en su misma naturaleza- se pueden realizar al amparo de la ley, tarde o temprano la inmoralidad se convierte en ley, primero de forma tácita y condescendiente, luego como uso social admitido, más tarde como conducta que reclama el amparo legal para, por último, reclamar también que la moralidad sea arrinconada, primero de forma tácita o condescendiente, luego como un uso social obsoleto o grotesco, más tarde como conducta indeseable. Es un camino de ida y vuelta inevitable, porque el hombre inmoral, una vez que ha logrado que su conducta sea admitida, anhelará que tal conducta no sea percibida socialmente como algo inmoral; lo que, a la larga, exige proscribir la conducta del hombre moral, que se ha tornado odiosa.

Un ejemplo clamoroso de este proceso degenerativo nos lo ofrece el adulterio. Tradicionalmente, la infidelidad matrimonial fue reconocida como lo que es, un acto moralmente reprobable que la ley condenaba: en las legislaciones más duras, mediante la punición del adúltero; en otras más blandas como conducta que, por infligir un grave daño al cónyuge defraudado, obligaba al adúltero a algún tipo de resarcimiento. En ambos casos, la calificación legal del adulterio era acorde a su naturaleza inmoral; pero llegó un tiempo en que se consideró que un acto moralmente reprobable -esto es, malo en su misma naturaleza- no tenía por qué ser calificado legalmente. Aliviado de la condena legal, el adúltero se aprestó a vivir en un mundo en el que su conducta seguía sin embargo siendo reprobada socialmente... aunque por poco tiempo, pues nada como el silencio legal contribuye tanto a la difuminación de las categorías morales. Esta difuminación propició que cada vez más adúlteros vergonzantes se convirtieran en adúlteros sin complejos, incluso orgullosos de serlo; y que su conducta moralmente reprobable pasase a ser socialmente admitida. Llegados a este punto, el adúltero exigió que su inmoralidad dejase de ser considerada como tal: en esta dinámica degenerativa puede encuadrarse, por ejemplo, la floración en Internet de agencias especializadas en facilitar el contacto entre adúlteros que se publicitan como si tal cosa, con anuncios de tono festivo o risueño, y cosechan pingües beneficios. A fin de cuentas, si hemos renunciado a discernir la naturaleza moral del adulterio, ¿por qué habríamos de reducir a la clandestinidad su práctica?

Pero, como las acciones inmorales, por su misma naturaleza, causan un daño cierto (a quienes las realizan y a quienes las sufren), el hombre inmoral necesita justificaciones. Y siempre hay alguien dispuesto a fabricárselas: el otro día, en un programa televisivo infecto, escuchábamos a una sedicente ´terapeuta familiar´ (otra de las notas distintivas de este proceso de deslizamiento que vengo describiendo es la perversión premeditada y sistemática del lenguaje) decir que el adulterio "puede salvar a una pareja y, además, mejora la autoestima". Aquí ya hemos alcanzado ese punto de abyección en el que las categorías morales se invierten, la torsión definitiva en ese camino de ida y vuelta que antes describíamos: lo malo pasa a llamarse bueno; y lo bueno, automáticamente, pasa a llamarse malo, primero de forma piadosamente desdeñosa (y así, el hombre fiel es visto como un pringado, oprimido por compromisos caducos e ideas retardatarias), luego de forma rampante y satisfecha (el hombre fiel se tropieza con todo tipo de escollos para preservar su fidelidad y tentaciones ubicuas para incurrir en el adulterio, lo que ya está sucediendo en nuestros días), más tarde con todas las bendiciones legales necesarias. Tales bendiciones ya imperan tímidamente en nuestra época, que -siquiera por omisión- premia al adúltero que ha destruido un matrimonio, sin imponerle ningún tipo de castigo; pero llegará pronto el día en que lo beneficie sin ambages, por considerar que ha contribuido a la disolución de instituciones tan perniciosas. Y es que la supresión de las categorías morales siempre es inicua, aunque nuestra época proclame ufana lo contrario. 

Voluntarios de Greenpeace: “¡Viva el aborto, somos pro muerte!”

MADRID, 13 Ago. 12 / 06:10 am (ACI/EWTN Noticias).- Tras sufrir amenazas e insultos de voluntarios de la multinacional ecologista Greenpeace, los jóvenes de Crossroads, que peregrinan por España defendiendo el derecho a la vida humana y manifestándose contra el aborto, denunciaron que esas y otras agresiones que han sufrido se producen debido a que son “católicos, pro-vida y jóvenes con principios”.

Los jóvenes de Crossroads denunciaron que el 9 de agosto, tras llegar a la localidad de León, se encontraron con un grupo de ecologistas que los insultaron fuertemente, los amenazaron gestualmente y gritaron “¡viva el aborto! ¡Somos pro muerte!”.

Los voluntarios de Greenpeace insultaron gravemente a los muchachos con palabras muy subidas de tono no reproducimos, pero que pueden verse haciendo click aquí.

En declaraciones a ACI Prensa, Jaime Hernández, portavoz de Crossroads, lamentó que Greenpeace, en comunicación con la prensa local, haya negado la agresión y haya culpado a los jóvenes pro-vida de haberlos atacado cuando ellos trataban de conseguir socios.

“En su comunicado ellos hablan de que 5 de sus miembros que fueron denunciados desmienten todo y que fuimos nosotros los que les provocamos, insultamos, etc. Es decir, que intentan darle la vuelta a la tortilla y hacerse ellos las víctimas”.

Hernández desmintió a Grenpeace y señaló que lo sucedido “ ahí consta gracias a los testigos”.

El portavoz de Crossroads dijo que aún no han interpuesto una denuncia contra Greenpeace, pero que consideran hacerlo si la multinacional ecologista no se desvincula de los jóvenes agresores.

“Lo cierto es que los que están denunciados son los dos miembros de Greenpeace, y los que tuvimos que llamar a la policía por seguridad propia fuimos nosotros”, señaló.

Hernández también dijo que la policía local les reveló “que no era la primera vez que tenia problemas con voluntarios de Greenpeace”.

“Nosotros en ninguna de las ciudades hemos causado problema alguno. Hemos sido siempre atacados por ser católicos, pro-vida y jóvenes con principios”, dijo.

Por su parte, Ignacio Arsuaga, presidente de la plataforma española pro-vida HazteOír, lamentó que “los proabortistas a veces muestran su verdadero rostro intolerante y agresivo”.

“Los voluntarios de Greenpeace no podían tolerar que un grupo de jóvenes repartiera información objetiva sobre el aborto. Por eso recurrieron al insulto y a la agresión física”, señaló.

Arsuaga también expresó su sorpresa porque “Greenpeace ha negado los hechos y por tanto no han pedido perdón”.

“¿Cómo se puede estar a favor del medio ambiente y no condenar la agresión contra personas concretas, contra los jóvenes de Crossroads y contra los seres humanos que todavía no han nacido?”, cuestionó.

Fraude histórica - por João César das Neves

In DN

Os Ensaios da Fundação Francisco Manuel dos Santos marcaram já uma posição de intervenção lúcida na sociedade portuguesa. Poucos títulos, porém, atingem o impacto do mais recente Matemática em Portugal. Uma Questão de Educação, do professor Jorge Buescu.

O livro formula uma questão simples: "Portugal não teve, ao longo da sua história quase milenar, nenhum cientista de topo mundial" (pág. 11). Para entender o facto existe uma "narrativa convencional". Esta versão canónica da evolução científica nacional explica o fiasco através de "elementos autoritários, externos ao ensino e prática das ciências" (pág. 14), que minaram os esforços das nossas mentes iluminadas: "... da expulsão dos judeus à Inquisição (pelo menos em dois momentos), do ensino jesuíta (pelo menos em dois momentos) à decadência naval, do regime filipino à ditadura salazarista ou a perseguições políticas" (pág. 14).

O autor, baseado na investigação historiográfica mais recente, procede então ao desmantelamento total dessas certezas, mostrando à evidência que não passam de mitos, distorções, falsidades. A conclusão fica inescapável: a causa da nossa vacuidade científica deve-se "à permanente mediocridade histórica do ensino das ciências em Portugal em comparação com os países europeus desenvolvidos" (pág. 20). Ou seja, a culpa da secular fragilidade científica não está na tacanhez cultural, boçalidade do povo, obscurantismo religioso, perversidade de ditadores. Todas essas coisas, por influentes que sejam, mostram-se irrelevantes na questão. Os verdadeiros culpados são os catedráticos, o meio académico, as políticas de educação. Foi a sua secular tacanhez, boçalidade e obscurantismo que estiolou a Ciência e Matemática em Portugal. E não é preciso fazer arqueologia para saber do que se trata. Repetidamente (págs. 23, 68, 79, 90), o livro nota a semelhança entre os desastres antigos e os males que hoje se apontam ao ensino: "falta de exigência e de rigor, ... facilitismo,...cultura de mediocridade" (págs. 68 e 69).

Mas a questão não se reduz ao campo educativo, pois os tais lentes que sabotaram a ciência nacional estiveram activos em todas as áreas. A monstruosa falsificação histórica que o livro denuncia não se limitou à Matemática, mas afecta todo o nosso imaginário colectivo. Podemos dizer que fomos todos enganados em alguns traços da interpretação oficial da nossa história.

As elites intelectuais dos séculos XIX e XX construíram uma magna narrativa civilizacional para explicar não apenas para a miséria educativa, mas todo o desenvolvimento nacional. Mas nesse relato os heróis estão trocados com os vilões, as forças progressivas com as retrógradas, as causas com consequências.

A Inquisição, repetidamente acusada de todos os males nacionais, "teve um efeito objectivo nulo sobre o desenvolvimento da Matemática em Portugal" (pág. 53) e um impacto civilizacional muito inferior ao que os seus inimigos oitocentistas lhe quiseram assacar. Quanto aos jesuítas, malditos entre os malditos, "ao longo de todo o século XVII foram eles os únicos a ensinar Matemática e ciências em Portugal" (pág. 54). Pelo contrário, o Marquês de Pombal, supremo herói maçónico, repetidamente celebrado como reformador genial, criou "medida política isolada mais catastrófica alguma vez tomada em Portugal" (pág. 60), precisamente ao expulsar a Companhia de Jesus: "De um dia para o outro Portugal acordou sem escolas, sem professores, sem estabelecimentos de ensino e com 20 000 ex-alunos na rua" (pág. 61).

Portugal é um país espantoso, com um povo capaz de feitos únicos e maravilhosos. Em compensação, o País está há séculos dotado de uma elite pedante, mesquinha e medíocre. Esse grupinho de iluminados tem sempre no bolso a salvação nacional e, atingindo o poder, tudo faz para arruinar o País. Os desastres de 1834, 1890, 1910, 1916, 1926, 1961, 1978, 1983 e 2011 não são azares externos, mas efeito directo das soluções milagrosas da elite, que depois compõe uma magna falsificação histórica para se desculpar e acusar os adversários. Vemos isso hoje, com a crise.

domingo, 12 de agosto de 2012

A philosophical reflection on what's wrong with the concept of same-sex marriage - by Richard Fitzgibbons

In MercatorNet

I have been an active debater on blogs in which the topic of same-sex “marriage” is discussed and contested. Recently I received a comment that might benefit from a reply that is sent far and wide, beyond the one blog. The issue raised is common and the answer clarifies in a philosophical sense why same-sex “marriage” should never be defended. Good-hearted people with no philosophical training are being taken in by the rhetoric that homosexuals have a “right” to marriage. The intent of this essay is to show unambiguously that not only is this untrue but also the granting of that supposed right will logically lead to harm to children and to social chaos.

Here is the comment from the advocate for same-sex “marriage”:

“I’d like to see you be more precise in your language. You use words like essence, purpose, and endpoint as if they meant the same thing. The purpose of marriage is to create a new, separate family that ends loneliness and provides a helpmate. Most of these new families produce children, but marriage doesn’t exist solely to create children.”

Now to my open letter to all who have an interest in the subject of same-sex “marriage”.

The essence of something tells us what it is. A children's ball for play has an essence because of the substance of which it is made, its shape, and its intended purpose. A ball like this is made of a substance that allows it to be bounced. It is round. And the intent of making the ball is play. The ball has an endpoint or purpose, that of enjoyment, play or fun. So, essence (what a thing is) differs from, but is connected to, its purpose or its function. If a person says that a square block of wood is a ball (what it is or it's essence) this just will not do because a square block of wood cannot achieve the purpose for a child that a true ball can. To give a child a square block of wood and then to tell that child it is a ball and to create the expectation that the child should now play with it in a way that he or she does with a true ball is to invite confusion. If we persisted in insisting that the wooden square was a round ball, this will bring frustration and unhappiness to the child.

Now to our discussion of same-sex “marriage”. The essence of marriage (what it is) has always and without exception been this: man and woman in a loving, committed relationship. The endpoint or purpose of marriage has always and without exception been this: mutual loving support of each other and -- and -- the creation and support of children. Just as a particular children's play-ball can have defects in structure, so too can any given marriage. These defects for particular play-balls or marriages do not change the fact of what the ball or the marriage are in their essence. If a particular man and woman choose not to have children, they are not availing themselves of the full purpose of marriage. The parent who puts the ball on a shelf and refuses to let the child play with the ball is not fulfilling for the child the full purpose of the ball. In either of these particular cases, the essence of marriage and the essence of the play-ball are not altered by particular uses or purposes that are idiosyncratic to these particular circumstances. The particular does not alter the universal essence of a thing.

You are asking society to change the essence of marriage, what it is at its core.

So what? you may be asking.

This. As you change the essence of marriage, you invariably change its purpose because essence and purpose are closely connected. You inevitably remove from the purpose of marriage this: the creation and support of children. Note carefully that you have done precisely that in your comment.

You then are left only with this as the purpose of marriage: mutual loving support of those entering into marriage.

How does the new purpose (it is new because part of the traditional purpose of marriage is deliberately eliminated) affect the essence of marriage (what it is at its core)? 

Here is the punchline, so please read very carefully: If the purpose of marriage is only mutual loving support, it follows clearly and unambiguously that the essence of marriage can and must include polygamy, polyandry, and man-boy "love". Why? Because each of these social structures fits within the definition of your purpose for marriage with no contradictions whatsoever. By defining the purpose of marriage as you have, you have changed its essence and allowed for some very strange social structures, such as man-boy "love", of which you probably do not approve, but must logically accept.

What if you then say that you will alter the essence again and restrict the mutual love to only two adult people? You cannot do that logically.

Let us first discuss the issue of “two” and then turn to the issue of “adults”. Once you have reduced the purpose of marriage to the mutual loving support of those entering into marriage, "two" becomes what philosophers call an "accident" of a thing, something not necessary to the essence. It is like insisting that a ball always be red. Redness is an accident of the ball, not part of its essence because a blue or yellow ball still retains all of the essence of what a ball is. Similarly, 19 men and 5 women who come together willingly in mutual loving support completely fulfill your made-up essence and your made-up endpoint: what a marriage is and its purpose.

Now let us turn to the issue of “adults”. If you claim that any adults (man-man or woman-woman) have a right to marriage -- and you must accept any combination of adults by your own definition of marriage as we have seen in the above paragraph -- there is nothing to stop society from extending that “right” to consenting adolescents and children. After all, what right does anyone have to block the “wants” of children and adolescents who choose as their “right”, the “right to marry”? It is arbitrary to block their wants-as-rights if the wants of two men or two women or 19 men and 5 women are not blocked by society. You would be depriving them, based on your own words, of creating “a new, separate family that ends loneliness and provides a helpmate.” A 10-year-old fits this definition of your own making.

You might then say this: Well, the limitation of two persons must be arbitrary for heterosexual marriage also. No, it is not. Recall a vital purpose of marriage: to create and nurture children. Notwithstanding the methods of today’s reproductive technology, ultimately only one man and one woman can create a child. Research shows that the child is nurtured best with the mother and the father. The union of two is part of the essence of true marriage.

You might then say this: Well, the idea of only adults must be arbitrary for heterosexual marriages, too. No, it is not. Recall a vital purpose of marriage: to nurture the children. Only adults can do that because part of the essence of “adult” is maturity -- greater maturity than children or adolescents have. Please recall that if particular adults lack maturity, this defect does not take away from the universal meaning of the word “adult”. Only one man and one woman can both create and nurture children in a reliable way. “Adults and adults alone” is part of the essence of true marriage.

Whoever was confused about the “rights” of two men to marry or two women to marry, I ask: Are you still confused? If you are not, then what is the logical next step to protecting the essence of marriage and the clear purpose of nurturing and protecting children in that context? As you can see, and this is the logic of it, not my opinion only of it, the alternative is to invite social chaos. The alternative is a failure to protect children, as marriage has traditionally had as one of it’s purposes.

Richard Fitzgibbons is the director of Comprehensive Counseling Services in West Conshohocken, PA. He has practiced psychiatry for 34 years with a specialty in the treatment of excessive anger. He co-authored Helping Clients Forgive: An Empirical Guide for Resolving Anger and Restoring Hope, 2000, for American Psychological Association Books.