quarta-feira, 10 de junho de 2009

Não Acredito!


1. Hoje no Diário de Notícias online leio o seguinte: «Isilda Pegado considera que “todo o planeamento está a falhar, não há campanhas de prevenção e nos hospitais chega-se a esperar sete meses por uma consulta de planeamento familiar”. … A presidente da Federação Portuguesa pela Vida diz que o que falta é “uma política de contracepção medicamente acompanhada”.». Evidentemente não acredito no que leio porque conheço a Dra. Isilda Pegado. Esta jurista é uma militante de um movimento católico ortodoxo e, como assinala o periódico, presidente da federação portuguesa pela vida.

a) Como católica fiel ao Magistério da Igreja sabe que a verdade, infalível e imutável, que ele ensina sobre a contracepção pertence à Lei Moral Natural, à Lei Divina, sendo por isso a expressão universal das exigências constitutivas da identidade da pessoa humana. Recomendar que o estado zelosamente a promova, através dos serviços de saúde (!), seria transformar-se, como Paulo Rangel, numa “activista radical contra as posições da Igreja”.

b) i - Acresce que a Dra. Isilda Pegado sabe muito bem que os abundantes estudos (desde os anos vinte do século passado até hoje), tanto por parte dos promotores do aborto como dos que a ele se opõem, mostram com uma evidência esmagadora que o recurso generalizado à contracepção em vez de diminuir aumenta o número de abortos cirúrgicos.

ii – Também não ignora, a Dra. Isilda, que a contracepção recomendada e promovida pelos hospitais e centros de saúde é abortiva, isto é, provoca a morte de pessoas humanas nos primeiros dias da sua existência. Outrossim, está ciente de que o número de abortos hormonais, mecânicos e químicos ultrapassa em muitos os cirúrgicos.

iii - Pelo que a ser certo o que o Diário de Notícias traz isso significaria que a presidente da federação portuguesa pela vida seria, de facto, uma abortista camuflada ou infiltrada no coração do movimento pró vida em Portugal. Mas se assim fora seria imediatamente expulsa e corrida pelos movimentos e associações que constituem a federação, o que, como está à vista de todos, não aconteceu. Como se vê o absurdo é total.

Eu não acredito, como é claro, mas pode haver muita gente que acredite. Por isso, torna-se necessário um desmentido formal ao periódico através de carta ao director ou então um comunicado, emitido quanto antes e que conte com a maior divulgação possível.

2. Enquanto almoçava, alguns confrades disseram-me que o P. Dâmaso tinha sido ou ia ser condecorado hoje pelo presidente da república. Primeiro fiquei estarrecido. Depois disse de mim para comigo: é impossível! Só podem estar a mangar comigo.

Não que eu não respeite o órgão presidente da república, como todo o cristão é chamado a fazê-lo. Mas sentir-me-ia arrepiado, mesmo devastado, saber-me objecto de escolha por parte de um presidente que promulgou as “leis” intrinsecamente perversas e gravemente injustas da fecundação artificial, da experimentação letal em pessoas na sua fase embrionária, da clonagem, e da liberalização do homicídio/aborto cirúrgico até às dez semanas de idade da criança nascitura.

Não é possível que um Sacerdote Católico aceite ser honrado, medalhado, por um presidente que é formalmente responsável pela matança violenta e cruel de muitas dezenas de milhares de seres humanos inocentes. Não acredito!

Nuno Serras Pereira

10. 06. 2009

sábado, 6 de junho de 2009

Hetero ou homo?

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sexta-feira, 5 de junho de 2009

Carta a J. Sócrates: Mostrar a verdade - Imagens de aviso, salvam vidas

Comunicado Da Federação Portuguesa pela Vida (FPV)

“Mostrar a verdade - Imagens de aviso, salvam vidas"

A Federação Portuguesa pela Vida comunica que enviou um fax ao Sr. Primeiro-Ministro do seguinte teor.

1. A Organização Mundial de Saúde lançou uma campanha anti-tabagismo com o lema Mostrar a verdade - Imagens de aviso, salvam vidas, para impelir os fumadores a deixarem o vicio.

2. A Confederação Portuguesa de Prevenção do Tabagismo concorda com a colocação de imagens chocantes nos maços para combater o marketing e levar os fumadores a ter vergonha de exibir o seu vício;

3. A Sociedade Portuguesa de Pneumologia afirma que a prevenção do tabagismo está a falhar e que: “o tabaco deveria ser mais caro, deveria haver mais acções de fiscalização e campanhas de sensibilização, assim como o acesso universal a consultas de cessação tabágica e linhas telefónicas de apoio.”

4. Eis 3 instituições unânimes a dizer: para diminuir comportamentos errados é preciso desincentivá-los e fiscalizá-los, em ordem a mudar mentalidades.

5. A FPV recorda que tanto os opositores como os defensores da liberalização do aborto, incluindo o Sr. Primeiro-Ministro, disseram querer diminuir os abortos; e houve defensores do SIM a anunciar que a liberalização do aborto faria diminuir o seu número.

6. As organizações anti-tabagistas propõem um plano completo de combate, adequado a quem quer combater eficazmente uma prática social.

7. Convidamos o Sr. Primeiro-Ministro para, em conjunto, aplicarmos a mesma fórmula e cumprirmos o objectivo comum de acabar com o aborto.

8. Lancemos a campanha “ABORTO: Mostra a verdade- imagens de aviso salvam vidas”

9. O consentimento para o aborto deve ser assinado na ecografia da menina a abortar;

10. Vamos exibir imagens de abortos para combater o marketing e dissuadir os promotores do aborto de divulgarem essa prática;

11. O aborto tem de ser dissuadido por um preço social elevado e deve deixar de, como agora, ser totalmente grátis, e com direito a subsídio e licença de maternidade;

12. Haja consultas obrigatórias que dêem alternativas à mulher empurrada para o aborto, em vez da situação actual em que os médicos que oferecem alternativas são obrigados a assinar um papel que os proíbe de ajudar grávidas em dificuldades.

13. O Governo tem de apoiar as centenas de associações de todo o país de modo a criarem uma rede nacional de apoio a grávidas em dificuldades;

14. Seja criada uma linha paga pelo Governo e a funcionar 24h/dia apenas para aconselhamento que dissuada da prática do aborto, ou que assessore em lidar com as suas consequências físicas, psíquicas e sociais.

15. Lance o Governo uma campanha de sensibilização para os gravíssimos efeitos do aborto, quer para a criança morta, quer para a mãe, quer para o pai, quer para os irmãos, avós, etc.

Lisboa, 3 de Junho de 2009

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Resistência contra o Nacional-sexualismo totalitário - Comunicado

NÃO à IMPOSIÇÃO da inclusão OBRIGATÓRIA da educação sexual nas escolas!

[Projecto-Lei Projecto Lei 660/X (PS)]

Os cidadãos Portugueses, nomeadamente Pais com filhos em idade escolar, que em número significativo e em devido tempo fizeram chegar a sua voz à Assembleia da República colocam as questões abaixo às quais exigem respostas:

a) As escolas já fazem a explicação científica completa da reprodução humana. Mas aos políticos não basta. Agora o que querem é doutrinar os seus valores e a sua visão do homem;

b) Há mais de 300 modelos de educação sexual já testados, muito distintos nos objectivos e resultados. Não percebemos com que direito quer o parlamento português, entre os 300, impor 1 modelo único, uma espécie de “nacional-sexualismo” totalitário.

c) Queremos que nos dêem a prova científica de que “o” modelo “nacional-sexualista” já foi testado noutros países e deu os resultados pretendidos. Onde diminuiu o número de gravidezes adolescentes? Onde diminuiu o número de infecções sexuais?

d) Queremos ver as actas da Comissão parlamentar que debateu esta lei para saber quais foram as provas científicas apresentadas.

e) Exigimos que cada deputado nos responda a estas perguntas: acha que educou bem os seus filhos? Acha que foi tão exemplar que tem o direito de impor as suas convicções aos outros?

f) Queremos saber que “impacto ético” se prevê que este modelo “nacional-sexualista” venha a ter.

g) Há pessoas que querem esse modelo para os seus filhos, e estão no seu direito. Mas têm o direito ao modelo e ainda o direito à prova de que este modelo foi sujeito a um controle de qualidade cientificamente sólido.

h) Há pessoas que não querem este modelo, e também estão no seu direito.

i) Rejeitaremos, até ao limite das nossas energias, a interdisciplinaridade do modelo “nacional-sexualista” pois é a forma de o tornar compulsivo e anti-democrático, e por sexualizar de forma obsessiva todo o tempo escolar.

j) Se nós quiséssemos dar preservativos e contraceptivos aos nossos filhos não faltariam caixas nas nossas casas; sabemos muito bem onde os podemos ir buscar e de graça. Srs deputados: não finjam que não percebem!

k) Esta lei de educação sexual humilha de novo os professores: considera-os uns “pais indignos” de educar sexualmente os próprios filhos; mas uns “professores hiper-habilitados” para educar sexualmente os filhos dos outros;

l) Rejeitamos o ataque cobarde do Governo aos professores: primeiro ata-os de pés e mãos e atira-os à água para avaliar o seu mérito natatório; agora, obriga-os a leccionar matérias que não dominam e que, na maioria, não subscrevem.

m) Os nossos filhos não são da sociedade nem da comunidade escolar. A educação dos filhos é um direito/dever dos pais que é indisponível: nem os pais podem prescindir dele nem o Estado lho pode retirar.

n) Esta lei da educação sexual é uma tirania ilegítima e não científica imposta às crianças;

o) Esta lei da educação sexual é uma intromissão intolerável na esfera de liberdade das famílias;

p) A Plataforma vai lançar nos próximos dias um vasto conjunto de iniciativas para implantar a resistência a nível nacional.

ABAIXO A TIRANIA
PELA LIBERDADE DE EDUCAÇÃO
PELA LIBERDADE DE PENSAMENTO
CONTRA O “NACIONAL-SEXUALISMO”
VIVA A RESISTÊNCIA
VIVA PORTUGAL

Portugal, 3 de Junho de 2009

Pela Plataforma,

Artur Mesquita Guimarães – V. N. Famalicão

Fernanda Neves Mendes – Leiria

Miguel Reis Cunha - Algarve

Tlm. 963 408 216

info@plataforma-rn.com

http://www.plataforma-rn.com

domingo, 31 de maio de 2009

Advertido por Deus


1. Em virtude daquela loucura infinita que só o Amor e a Misericórdia que Deus é podem explicar fui Ordenado sacerdote no dia de Santa Maria Goretti, 6 de Julho de 1986. Não foi por acaso que na pagela que fiz distribuir, segundo um costume antigo, citei o Salmo 115 (116): “Como agradecerei ao Senhor tudo quanto fez por mim? Elevarei o cálice da salvação, invocando o nome do Senhor”. Totalmente incapaz de retribuir em gratidão os milagres que Ele operou em mim só podia incorporar-me naquela acção de graças que é o Sacrifício Eucarístico de modo que agindo na Pessoa do próprio Jesus Cristo fosse Ele mesmo a minha Gratidão, só assim condigna. O Cálice da Salvação é o Sangue de Cristo Ressuscitado e Glorioso, que Se torna presente quando na consagração o sacerdote diz: “Tomai, todos, e bebei: este é o cálice do Meu Sangue …”. Daí quem em grande parte a minha resposta à vocação (ao chamamento) sacerdotal, a que nunca me teria atrevido se não fora por uma atitude de Fé na orientação do meu director espiritual, fosse motivada ou marcada por esta gratidão e pela vontade de proporcionar a todos os que viesse a encontrar e que estivessem longe de Jesus Cristo a mesma experiência de Redenção que me tinha sido concedida, sem mérito nenhum da minha parte.

No seguinte mês de Outubro fui enviado para o nosso convento em Coimbra. A comunidade era constituída pelo P. Mário Branco, famosíssimo pregador, poeta, tio do cantor José Mário Branco, o P. Veiga Araújo, confessor de nomeada, exímio no acompanhamento espiritual, o P. Ilídio de Sousa Ribeiro, Doutor em filosofia e escritor, o P. Carlos Barbosa, Doutor em Teologia Dogmática, antigo reitor do colégio dos órfãos, o Frei Andrade Café, seminarista, notável pelo seu espírito de serviço e o Frei Joaquim, um santo.

O frei Joaquim era um irmão de 80 anos que se destacava por passar despercebido. Dormia, comia, trabalhava muito e rezava imenso. Quando tinha algum tempo livre dedicava-o sempre a visitar os presos e os doentes, levando-lhes palavras de conforto, de consolação, de esperança, ensinando-lhes com simplicidade a confiança em Deus, a devoção à Virgem Santíssima, o amor à Igreja.

A sua mansidão, suavidade e humildade eram verdadeiramente singulares. A consciência que tinha da transcendência do “Altíssimo, Omnipotente e Bom Senhor” era profundíssima e por isso passava longos tempos completamente prostrado diante do Sacrário. E essa distância imensa a que se punha da Divindade, esse nulificar-se, essa percepção de ser mendigo do Ser, ocasionava uma radical proximidade de Jesus Cristo, que derramava na sua alma sobreabundantes tesouros da Sua graça.

Viver com um santo, ao contrário do que se possa pensar, nem sempre é fácil, podendo mesmo ser árduo. E a razão é simples. A sua vida é uma luz que continuamente descobre os nossos erros, defeitos e pecados. Não é que ele no-los aponte, só que na presença da sua luminosidade torna-se patente aquilo que antes não víamos. E a descoberta dos nossos monstros interiores, para usar uma expressão de Jean Vanier, é, pelos menos ao princípio, assustadora. Claro que acaba por ser sempre proveitoso, porque nos “obriga” a uma conversão contínua, a uma humildade crescente. Mesmo o processo de aceitação da perfeição do outro tem as suas etapas dificultosas, uma vez que o nosso pecado para se esconder aos nossos olhos, procura encontrar no outro imperfeições ou defeitos com que se irritar. Mas a singeleza e a inocência terminam por triunfar forçando-nos à rendição.

2. Quando cheguei a Coimbra eu ainda não conhecia este varão de grandes virtudes a não ser de um ou outro encontro ocasional, quando ele nas férias vinha a Lisboa para as passar cuidando de prisioneiros e enfermos e deter-se em adoração diante de Jesus sacramentado. Não fazia pois ideia do que me esperava. Mas foi logo na primeira Missa, em dia de semana, pelas 19h e 30m, que celebrei na nossa Igrejinha na Av. Dias da Silva que Deus humanado me advertiu, através dele.

Chegada a hora da Comunhão, como tivesse consagrado uma única partícula, dirigi-me ao Sacrário e retirei a única Píxide que lá havia para distribuir o Pão da vida à assembleia que participava no Santo Sacrifício, no Banquete Sagrado. Colocada em cima do altar para retirar a tampa, senti uma resistência. Tornei, com mais força, a tentar destampar; em vão. Repeti; nada. Insisti; impossível. As pessoas esgazeadas esperavam silenciosas na fila para a Comunhão. Atrapalhado, envergonhado, corado, divisei entre o povo um senhor espadaúdo e alentado, de idade madura e comportamento devoto. O frei Joaquim, como era seu costume, entoava cânticos do ambão e enlevado como estava de nada se apercebia. Com um olhar implorante fiz um trejeito ao senhor corpulento que logo entendeu o meu pedido. Com passo decidido e firme, embora solene, subiu ao altar e tentou abrir a Píxide Sagrada. Não conseguiu. Esforçou-se mais; falhou. Ajuntei-me a ele para intensificar e revigorar o empenho; intento gorado. Incomodado em extremo pela situação, só me lembrando de Nosso Senhor sofrendo tratos às mãos dos ímpios, ali de novo humilhado, suscitando o acontecimento um enorme embaraço e assombro, agradeci a generosidade e gentileza ao senhor e dirigindo-me a todos pedi perdão e convidei-os a fazerem a Comunhão Espiritual. Enquanto se retiravam para os bancos, peguei no vaso Sagrado para o colocar de novo no Sacrário. O frei Joaquim, que de nada se tinha apercebido, dirigiu-se então para mim, naquele seu passo apressado e hesitante que fazia-me lembrar o E.T., pedindo que não esquecesse de lhe dar o Senhor sacramentado. Comuniquei-lhe, com aquela voz segredada própria destas ocasiões litúrgicas, que a Píxide não abria. Ao que ele logo retorquiu como uma brisa leve mas firme: abre, abre. Eu confesso, que apesar de estar com o Senhor nas mãos e junto ao coração, só pensei: agora só me faltava mesmo a teimosia de um velhote! Mas evidentemente não quis discutir ali o assunto nem fazer de conta que não tinha ouvido. Por isso regressei ao altar e coloquei o recipiente sagrado em cima do corporal, pensando para comigo que ele não teria outro remédio senão render-se à evidência. O frei Joaquim aproximou-se e com dois dedos, o polegar e o indicador, agarrou uma pequena cruz, frágil, inclinada, como que a partir, que encimava a tampa, puxou ao de leva e esta abriu! Ouviu-se uma gargalhada geral na assembleia. Exclamei graças a Deus! O povo sossegou na sua hilaridade e distribui a Sagrada Comunhão.

3. Meditando no acontecimento, pensei para comigo, vens cheio de erudições universitárias, lestes milhares de páginas ao longo do curso e não foste capaz de dar Jesus Cristo aos outros. Chamaste um homem cheio de vigor como se a sua energia resolvesse o assunto. Aprende pois que não é a capacidade nem as forças humanas que são capazes de levar Jesus aos outros. Só a santidade o consegue fazer. É na fraqueza que se revela a força, o poder e a sabedoria de Deus. E a chave para chegar a Jesus é só uma: a Cruz. Deus advertiu-te; toma nota. À honra de Cristo. Ámen.

Nuno Serras Pereira

28. 05. 2009

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Um Grilo Franciscanófilo


1. São Francisco de Assis para além da Regra de vida que elaborou para a generalidade dos frades (frades significa irmãos), escreveu uma outra para aqueles que sendo mais dados à contemplação do que à missão, viviam em eremitérios, isto é, em pequenos conventos situados em lugares desabitados. A inspiração para este teor de vida foi buscá-la aos Santos Evangelhos, concretamente ao de São Lucas, no capítulo 10, versículos 38 a 42. Aí se narra que uma mulher de nome Marta recebeu Jesus em sua casa, e que enquanto ela se afadigava preparando as coisas para tão digno hóspede, sua irmã Maria quedou-se sentada aos pés de Jesus escutando e embevecendo-se nas Suas palavras. Marta cuidando que era uma injustiça que todo o trabalho recaísse sobre ela, interpelou o Senhor perguntando-Lhe porque não mandava que sua irmã a fosse ajudar nos serviços que a sobrecarregavam. Ao que o Senhor respondeu: «Marta, Marta, andas inquieta e perturbada com muitas coisas; mas uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada.». Como quem diz, mais do que Me servirem ou prepararem coisas para Mim, deixem que Eu vos sirva, acolhendo-Me e aquilo que tenho para vos dar: porque Eu não vim para ser servido mas para servir e dar a vida em resgate por todos (Cf Mt 20, 28; Mc 10, 45). Alguns autores, como Santo Agostinho, vêm em Marta a figura do Cristão na vida presente e em Maria a da vida futura, do Céu. Outros, como São Gregório Magno, interpretam Marta como protótipo da vida activa (vida de amor e doação a Ele presente nos outros), enquanto Maria o seria da vida contemplativa (vida de doação e amor a Ele em Si mesmo, em favor dos outros). A Igreja sempre reconheceu esta diversidade de vocações, não sendo por acaso que reconhece as duas irmãs como Santas, isto é, como participantes da Santidade que Deus lhes concedeu, o único verdadeira e absolutamente Santo.

S. Francisco, depois de determinar o número de irmãos que deveria viver em cada ermitério, divide-os em dois manda que metade faça de Martas e a outra metade de Marias. Depois, ao fim de certo tempo, troquem as funções e as Marias passem a Martas e estas a Marias. Fazer de Marta, no pensamento do Santo, é fazer de mãe das Marias. Já nos seus outros escritos S. Francisco adverte que se uma mãe ama com tanto amor a seu filho carnal, nutrindo-o e dele cuidando, com quanto mais amor espiritual se devem amar os irmãos (os frades) entre si. Amor espiritual, no cristianismo, é amor encarnado, materializado, ou seja, realizado concretamente através de gestos e acções. Não é, de modo nenhum um amor lamechas, mas exigente e verdadeiro. Como, o de uma mãe que o sabe ser. As Marias devem-se dar oração contemplativa, ao silêncio, às admirações das realidades Divinas, aos êxtases, às adorações, à escuta da Palavra de Deus, à relação de amizade com Cristo. As Martas, por seu lado devem cozinhar, fazer as limpezas, cuidar que ninguém importune as Marias, criar o ambiente propício ao sossego e tranquilidade das Marias. Depois, passado o tempo devido, trocam uns com os outros os seus papéis e funções, ou melhor os seus serviços.

2. No postulantado, noviciado e durante o tempo de seminário tive sempre um fascínio e um desejo grande de organizar retiros espirituais baseado nessa Regra. A ocasião surgiu quando já Ordenado sacerdote, fui colocado em Coimbra, no convento dos Santos Mártires de Marrocos.

Alguns dos jovens com quem reunia e fazia apostolado conheciam umas famílias que possuíam umas casas restauradas na serra da Lousã. Eram uma obra-prima de arquitectura, construídas em xisto, que acompanhavam o declive íngreme da serra, de modo que de longe não se dava por elas. Conseguimos duas, uma para as Martas e outra para as Marias. Em comum, rezávamos Laudes e Vésperas e celebrávamos a Eucaristia. Depois das Laudes, em que fazia uma pequena meditação para todos, as Martas iam aos seus trabalhos enquanto as Marias escutavam uma outra meditação mais prolongada seguida de tempo de silêncio e de oração pessoal. E assim íamos dividindo o dia, com refeições em comum, até à celebração da Santa Missa. Esta demorava cerca de duas a três horas, pois além das leituras próprias do leccionário, se escutava uma ou outra dos escritos ou da vida de S. Francisco; depois a homilia era larga, sendo seguida habitualmente por orações ou invocações partilhadas; acresce ainda que havia grandes momentos de silêncio e de adoração. De modo que era verdadeiramente o ponto culminante e central do dia. Ao jantar, bem tardio, não havia silêncio, e depois deste fazia-se sempre uma representação sagrada a partir das florinhas de S. Francisco de Assis.

3. Ora numa das celebrações da Sagrada Eucaristia, em capela improvisada na divisão mais ampla e digna de uma das casas, à proclamação da Palavra de Deus, um grilo começou a guizalhar, certamente para entoar gozosos louvores ao Criador e Senhor de todas as coisas. Depois da Palavra proclamada, alguns ainda tentaram discretamente perceber onde estava o grilo, mas não deram com ele.

Como durante a pregação a criaturinha não se calasse mas antes elevasse sonoramente o seu grilar, a concentração dos presentes e mesmo do pregador tornava-se difícil. O sacerdote esforçava a voz alteando-a conforme podia mas a intensidade do guizalhar parecia crescer à proporção. Pelo que lembrando-me eu de que não só era sacerdote, mas era franciscano, dirigi-me ao insecto, mais ou menos nos seguintes termos: Irmão grilo, o Senhor te dê a paz. Nós estamos gratos pelos teus cantares de louvor ao Senhor, teu e nosso Criador, mas agora da parte de Deus te mando, recorrendo à virtude da intercessão de S. Francisco, que faças silêncio e deixes que a pregação que tanto importa à salvação das almas e sua santificação prossiga o seu curso. De imediato, o irmão grilo, seguramente pela sua devoção a S. Francisco, se calou e não mais grilou até ao fim da celebração, sendo que esta demorou pelo menos mais hora e meia.

Quem lá esteve e assistiu testemunha-o e sabem que o seu testemunho é verdadeiro. À honra de Cristo. Ámen.

Nuno Serras Pereira

26. 05. 2009


segunda-feira, 25 de maio de 2009

Dos políticos católicos, livrai-nos Senhor

Como sabemos pela história do Cristianismo, em tempos de grandes calamidades enchiam-se as Igrejas e rezavam-se preces apropriadas à catástrofe. Exemplos tão comprovados pela sua eficácia devem ser seguidos por todos aqueles que olham com olhos de ver os tempos que estamos vivendo, ou sobrevivendo…


Em Portugal a Lei de Deus, a saber, a Lei que Deus inscreveu no coração de todo e qualquer ser humano, quer dizer, a Lei Moral Natural, isto é, a Lei da Natureza Racional da Pessoa, a que podemos chamar princípios irrenunciáveis ou valores inegociáveis tem sido sistematicamente contestada, verbal e praticamente, por muitos dos que se auto-proclamam políticos católicos praticantes. Como o Episcopado, por razões insondáveis, não denuncia as suas infidelidades e continua, como se nada fosse, a conceder-lhes honras eclesiais, a convidá-los para palestrantes em simpósios ou congressos de doutrinação católica, a dar-lhes a Sagrada Comunhão o povo católico só pode concluir que essas gravíssimas iniquidades são não só de todo compatíveis com a Fé, mas devem ser tidas como virtudes a imitar.

O catolicíssimo Guterres quando deputado votou favoravelmente quer a liberalização total do aborto até às 12 semanas quer a “lei” 6/84 que veio a ser aprovada e esteve em vigor até ao último referendo sobre o aborto. Como Primeiro-ministro deixou introduzir a pílula abortiva do dia seguinte e apoiou o alargamento dos prazos, proposto por Strecht Monteiro e que veio a ser aprovado. Cavaco Silva quando teve maioria absoluta recusou-se a derrogar a “lei” abortista 6/84 apesar da insistência de membros da comissão política do seu partido. No dia seguinte a ter promulgado, como Presidente da República, a monstruosa “lei” da fecundação artificial, da experimentação em embriões e clonagem foi publicamente coberto de louvores pelo então Bispo do Porto, numa visita que fez àquela cidade. Poucos dias antes de proclamar a “lei” perversa da liberalização do aborto foi lisonjeado pela actual Bispo da mesma cidade, numa entrevista a um órgão de comunicação social. Maria de Belém, íntima do monsenhor, poderosa nas Misericórdias, engendrou e pariu a tal monstruosidade que Cavaco proclamou, afanou-se e desdobrou-se na campanha referendária a favor do aborto e agora empenha-se em introduzir a eutanásia sob o eufemismo de testamento vital. Nessa campanha tivemos muitos católicos tais como José Manuel Pureza e Pedro Silva Pereira. A contracepção entrou por meio do voto e empenho de católicos do ps e do psd e Albino Aroso aclamado como o herói que fez descer a mortalidade infantil em Portugal é na verdade um dos principais responsáveis pelo seu aumento exponencial através do aborto químico, mecânico, hormonal e cirúrgico. Os católicos destes partidos têm votado favoravelmente as várias “leis” de educação sexual nas escolas que têm comprovadamente aumentado todos os problemas que dizem pretender resolver, com a agravante de escandalizarem e perverterem a inocência das crianças e jovens. Ainda ontem Marcelo Rebelo de Sousa invocava como razões para distribuir preservativos nas escolas as que aconselham exactamente o contrário. E não se desculpe o homem dizendo que ele o ignora, porque se não sabe tem maior culpa, pois tinha a estrita obrigação de o saber. Mas que se pode esperar de um católico que, como também Paulo Portas andou a proclamar aos quatro ventos que a “lei” 6/84 era justa, equilibrada e boa? Paulo Rangel já deu o tiro de partida com o “casamento” entre pessoas do mesmo sexo, que poderá começar por um nome diferente, mas que com a devida engenharia social acabará por ter o mesmo nome e conceder o “direito” à adopção.

Os exemplos podiam continuar, mas os que se deram são suficientes para perceber que nenhum destes graves males poderia entrar em vigor sem a cumplicidade dos políticos católicos que dividiram e desuniram profundamente a Igreja, incutiram a confusão no povo crente, açaimaram os Bispos, semearam o erro, produziram heresias morais, existenciais. Estas, como explica Stanley Jaki[1], são mais danosas e têm mais graves consequências do que as intelectuais[2]. Isto nada tem a ver com moralismo, muito pelo contrário, tem antes a ver com a identidade do Cristianismo, com a verdadeira relação com Jesus Cristo, com a Comunhão com a Igreja, com a Fé que opera pela Justiça e pela Caridade.

Nunca os inimigos de Deus e do género humano teriam conseguido alcançar estes objectivos, em Portugal, sem a traição e infidelidade dos políticos católicos, uma vez que seriam imediatamente reconhecidos como tais, sendo logo combatidos e rebatidos. Fomos infiltrados, enganados e derrotados. Eu não sei se essa malta católica pertence à maçonaria, mas sei que a sua forma de pensar e de actuar é típica dessa associação secreta.

Nós não temos necessidade alguma de políticos católicos, temos é que nos livrar deles, e o mais depressa possível. O que precisamos, isso sim é de Católicos fiéis que sejam políticos, e urgentemente. O Católico não é adjectivo, é substantivo, o político é que adjectiva o católico. O Católico está primeiro, é a base, a substância, o fundamento, a identidade que depois se desdobra coerentemente na política.

Por isso proponho uma ladainha para quem a queira rezar:

Senhor, tende piedade de nós.

Cristo, tende piedade de nós.

Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, ouvi-nos.

Jesus Cristo, atendei-nos.

Pai do Céu que sois Deus, tende piedade de nós.

Filho Redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós.

Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós.

Santíssima Trindade que sois um só Deus, tende piedade de nós.


Dos políticos católicos dissidentes, livrai-nos, Senhor. (repete-se 10 vezes)


Da imoralidade da fecundação artificial, livrai-nos, Senhor.

Da imoralidade da contracepção, livrai-nos, Senhor.

Da injustiça do divórcio, livrai-nos, Senhor.

Do ensino da perversão sexual nas escolas, livrai-nos, Senhor.

Do ensino estatal centralizado e totalitário, livrai-nos, Senhor.

Da abominação do aborto hormonal, livrai-nos, Senhor.

Da abominação do aborto mecânico, livrai-nos, Senhor.

Da abominação do aborto químico, livrai-nos, Senhor.

Da abominação do aborto cirúrgico, livrai-nos, Senhor.

Dos horrores da experimentação em seres humanos embrionários, livrai-nos Senhor.

Dos horrores da clonagem reprodutiva, livrai-nos Senhor.

Dos horrores da clonagem terapêutica, livrai-nos Senhor.

Da execrável eutanásia, livrai-nos Senhor.

Do execrável suicídio assistido, livrai-nos Senhor.

Das depravações sodomitas, livrai-nos Senhor.

Do “casamento” ou emparelhamento entre pessoas do mesmo sexo, livrai-nos Senhor.


Dos políticos católicos dissidentes, livrai-nos Senhor. (repetir 10 vezes)


Católicos fiéis, na política, concedei-nos, Senhor. (repete-se 20 vezes)


Amor e defesa da vida de cada ser humano em todas as fases da sua existência, da concepção até à morte natural, concedei-nos, Senhor. (repete-se 5 vezes)

A união dos casais, um varão e uma mulher, até que a morte os separe, concedei-nos, Senhor.

A união das famílias, concedei-nos, Senhor.

Liberdade de ensino, concedei-nos, Senhor.

Castidade nos pensamentos, palavras e actos, concedei-nos, Senhor.

Amor e defesa da vida de cada ser humano em todas as fases da sua existência, da concepção até à morte natural, concedei-nos, Senhor. (repete-se 5 vezes)


Católicos fiéis, na política, concedei-nos, Senhor. (repete-se 20 vezes)


Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo. Perdoai-nos, Senhor.

Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo. Ouvi-nos, Senhor.

Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo. Tende piedade de nós Senhor.


Oremos: Pai Santo que inscrevestes a Vossa Bondade no coração de cada pessoa humana, fazei que vivamos segundo essa verdade, para que amando-Vos em todos, sem excepção alguma, possamos viver uma vida pacífica e tranquila e terminada a nossa peregrinação alcancemos a felicidade eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo Vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.


Nuno Serras Pereira

25. 05. 2009