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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

(Sobre as eleições) Quem te avisa… - por Randall Smith

In Actualidade Religiosa

Os debates de 1858 entre Lincoln e Douglas prepararam os americanos para uma eleição que Abraham Lincoln acabaria por perder e cobriram uma série de assuntos políticos daquele tempo, mas houve um que dominou: a escravatura. Na verdade, hoje ninguém quer saber quais eram as posições de Stephen A. Douglas sobre, digamos, a economia, o que pensava sobre meios de pagamento ou impostos. A única coisa que nos interessa agora é que ele votou a favor da escravatura.
 
Em abono da verdade, devemos esclarecer que Douglas repetiu insistentemente que não era a favor da escravatura, mas foi também um dos arquitectos da noção de “soberania popular”, isto é, deixar que os Estados decidam a questão por si.

Assim, Douglas declarou que:

Acredito que a humanidade e o Cristianismo ambos requerem que o negro deva ter, e possa beneficiar de, todos os privilégios e todas as imunidades consistentes com a segurança da sociedade na qual vive. Sobre isso, presumo, não pode haver diversidade de opinião. Somos obrigados a estender aos seres dependentes e inferiores todo o direito, todo o privilégio, toda a facilidades e imunidade que sejam consistentes com o bem público.
 
A questão que surge é, então, que direitos e privilégios são consistentes com o bem público? Esta é uma questão que cada Estado e cada Território deve decidir por si. O Estado de Illinois já decidiu. Decidimos que o negro não deve ser escravo e também que não deve ser um cidadão, mas protegêmo-lo nos seus direitos cívicos, na sua vida, na sua pessoa e propriedade, negando-lhe apenas todos os direitos políticos e recusando colocá-lo num nível de igualdade com o homem branco. A política do Illinois é satisfatória para o Partido Democrático e para mim, e se assim fosse para os republicanos então não haveria nada a discutir; mas os republicanos dizem que ele deve ser um cidadão e quando isso acontece ele torna-se nosso igual, com todos os nossos direitos e privilégios. Eles dizem que a decisão Dred Scott é monstruosa porque nega ao negro o direito à cidadania à luz da Constituição. Ora, eu considero que o Illinois tinha o direito de abolir e proibir a escravatura, como fez, e considero que o Kentucky tinha o mesmo direito de manter e proteger a escravatura que o Illinois tinha de a abolir.
 
Por outras palavras, Douglas era o típico candidato pró-escolha: Defendia a liberdade de escolha para todos – excepto para os americanos negros que não eram inteiramente pessoas à luz da lei de então. Quanto à sua garantia de que os negros deviam poder gozar de “todos os direitos, todos os privilégios” consistentes com o bem público, trata-se de um caso típico de “duplicidade”: aquilo que oferece tão generosamente com uma mão, tira de forma brutal com a outra.

E não pensem que Douglas não tentou classificar Lincoln como um “extremista”, “desalinhado”, próximo dos abolicionistas “fanáiticos”. Disse-o diversas vezes. Mas o próprio Lincoln também não tinha um registo imaculado no que diz respeito à escravatura, optando por compromissos pragmáticos que, sem dúvida, levaram alguns abolicionistas a optar por um candidato mais “puro”. Assim, é natural que muitos grupos tenham votado contra Lincoln: os que discordavam da sua posição sobre a escravatura; os que estavam convencidos de que ele não era suficientemente contra e aqueles que pensavam que a escravatura era apenas uma de entre várias questões e que, pensando bem, preferiam o Douglas.

Seria errado colocar todos os assuntos a par da escravatura em termos de importância, mas seria igualmente errado esquecer que há momentos na história em que as injustiças que surgem tornam tudo o resto insignificante, pese embora a seriedade da situação não seja clara para todos na altura.

Não existiam Nazis na Alemanha depois da Segunda Guerra Mundial, porém o partido tinha sido eleito por largas maiorias em todas as eleições até que a guerra começou a correr mal em 1942. Hoje ninguém olha para trás e diz: “Sim, o candidato Nazi era a favor da deportação de judeus, mas se calhar tinha boas políticas económicas.” As políticas económicas não interessam a ninguém.

A expressão “mas eles puseram os comboios a correr a horas!”, outrora usada para justificar o apelo dos Nazis, é hoje recebida com particular desprezo porque sabemos qual era a carga humana desses comboios. Nem temos grande pachorra para aqueles que argumentariam que era melhor votar num candidato Nazi porque, se a economia melhorasse, poderia diminuir a pressão para deportar judeus. As consequências não intencionais não podem ser controladas, mas o que as pessoas escolhem favorecer ou restringir pode. Os candidatos que se opõem à defesa da vida minam o mais básico princípio fundador da nação.

À medida que nos aproximamos da eleição presidencial de Novembro faríamos bem em recordar esta história. Daqui a 200 anos, quando a visão moral for mais clara, alguem quererá saber das questiúnculas políticas que agora nos dominam? Ou perguntarão simplesmente (como nós fazemos em relação aos nossos antepassados): quem votou contra o aborto e quem não o fez?

O ensinamento da Igreja sobre este assunto tem sido repetida várias vezes; nalguns aspectos é até mais clara do que era em relação à escravatura ou ao tratamento dos judeus. Muitas vezes perguntam-me porque é que os bispos alemães não excomungaram os católicos que votavam nos Nazis. Não sei. Mas também tendo a interessar-me menos pelos pecados do passado e mais em evitar a minha própria cegueira moral. O juizo é uma faca de dois gumes.

A Igreja não pode obrigar, como fazem os governos. Ela pode apenas apelar à consciência dos homens e mulheres de boa vontade. Um católico com consciência bem formada não pode votar a favor de um candidato que defende o aborto por oposição a um candidato que defende a restrição do aborto, da mesma maneira que nenhum católico de consciência bem formada poderia ter votado a favor de um candidato pró-escravatura ou pró-Nazi. Alguém hoje defenderia que era justificável votar em Douglas em vez de Lincoln?

Não se engane a si mesmo. Aqueles que têm ouvidos, que ouçam.

Randall Smith é professor de teologia na Universidade de St. Thomas, Houston.

domingo, 17 de junho de 2012

Rescatan dos textos procatólicos de Lincoln para la inminente campaña por la libertad religiosa


"Algunas leyes injustas imponen tales injusticias sobre individuos u organizaciones, que desobedecer las leyes puede estar justificado. Deben hacerse todos los esfuerzos posibles para rechazarlas. Cuando bienes humanos fundamentales, como el derecho de conciencia, están en juego, hemos de ser testigos de la verdad resistiendo a la ley e incurriendo en la sanción correspondiente".

Este texto, contundente como pocos, expresa la voluntad decidida de los católicos norteamericanos de resistir al plan de Barack Obama de imponer a las instituciones de la Iglesia que los seguros sociales de sus empleados incluyan anticonceptivos y abortivos. Lo han redactado los obispos de Estados Unidos y será incluido en todos los boletines parroquiales y leído en todas las iglesias durante la Quincena por la Libertad que han convocado del 21 de junio al 4 de julio.

La fecha en que termina no es casual. El 4 de julio celebran los estadounidenses la declaración de independencia de su país y es el día patriótico por excelencia, un patriotismo que incluye allí el orgullo de haber constituido una nación sobre la base de la libertad religiosa, a punto de ser conculcada como en ningún país occidental.

Lincoln defendió a los católicos
En el contexto de esta batalla ideológica y legal, grupos católicos han rescatado dos textos de Abraham Lincoln donde defendía explícitamente a los católicos de los ataques que, a pesar de las afirmaciones legales, también sufrieron en otras épocas de la historia del país.

Entre los días 6 y 8 de mayo de 1844 tuvieron lugar violentos disturbios contra los católicos en Filadelfia. El 12 de junio, Lincoln convocó un mítin en Springfield(Illinois), que incluyó una declaración expresa de apoyo a los católicos ante esa persecución: "La garantía de los derechos de conciencia, en cuanto fundada en nuestra Constitución, es sagrada e inviolable, y corresponde a los católicos no menos que a los protestantes. Y cualquiera que viole esos derechos, sea católico o protestante, lo haga directa o indirectamente, cuenta con nuestra desaprobación decidida y nuestra más eficaz oposición. Reprobamos y condenados todos y cada uno de los incidentes de Filadelfia y las causas que los provocaron, vengan de donde vengan".

Del mismo modo, en 1855, en pleno auge del movimiento Know Nothing, que se oponía al creciente papel de las minorías alemana e irlandesa en la sociedad estadounidense, Lincoln desautorizó cualquier intento de vincularle a ese grupo: "No soy un Know-Nothing. ¿Cómo podría serlo? ¿Cómo puede alguien que se opone a la opresión de los negros estar a favor de la opresión contra personas blancas? Creo que nuestro camino de degeneración está siendo muy rápido. Como nación, comenzamos declarando que todos los hombres fueron creados iguales. Ahora prácticamente lo interpretamos como que todos los hombres fueron creados iguales, menos los negros. Cuando los Know Nothing tomen el control, se leerá que todos los hombres fueron creados iguales, menos los negros, los extranjeros y los católicos. Cuando eso suceda preferiría emigrar a un país que no presuma de amar la libertad: a Rusia, por ejemplo, donde el despotismo es puro, sin aleación alguna de hipocresía".

Apropiación indebida
La utilización de textos de Abraham Lincoln contra Obama es especialmente apropiada para alguien como el actual presidente, que ha intentado apropiarse la figura de su predecesor asesinado en 1865, remedando incluso en 2008 el viaje en tren que hizo aquél hasta Washington para instalarse en la Casa Blanca.

Recientemente, una biografía sobre Lincoln (Ahora y para siempre, libres, de Martín Alonso, en la editorial Gota a Gota) denunciaba este intento de apropiación de aquel presidente por grupos progresistas. Mientras que Obama es un relativista, Alonso sitúa a Lincoln en esa tradición aristotélico-cristiana que cree en unos derechos naturales del individuo independientes de cualquier mayoría democrática. Razón por la cual se opuso a la esclavitud y se opondría hoy, afirma el autor, al aborto. En su opinión, los sudistas -como los relativistas hoy- entroncaban más bien con la tradición que nace en Kant y cuaja en el despotismo rousseauniano de la voluntad general y de un historicismo que no cree en verdades objetivas e inmutables.

La lucha por la libertad religiosa en Estados Unidos, que habría parecido algo impensable en aquel país hace sólo un año, se ha convertido en uno de los temas estrella de la campaña presidencial. Está en juego la supervivencia de prácticamente todas las instituciones católicas de acción social en el país, sobre todo escuelas y hospitales. La Iglesia cuenta con el apoyo de las demás confesiones religiosas, y ha dejado bien claro que no va a aceptar la ley, esto es, que cerrará todos los centros a los que se les obligue a garantizar a sus empleados métodos contrarios a la ley de Dios.