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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Ano da Fé - por João César das Neves

In DN
 
Não há felicidade maior do que saber que Deus, o Deus supremo, sublime, transcendente, que fez o céu e a terra, se entregou à morte para me salvar. A mim pessoalmente. Nas nossas cidades e aldeias, nas casas e capelas de Portugal, em especial neste Ano da Fé que agora termina, tudo lembra este facto radical. Apesar disso, ele é esquecido a cada passo. Por isso as nossas vidas não são felizes. Ele está pendurado por minha causa. Nas paredes das salas, nas frontarias das igrejas, nos quadros dos museus, até no meu peito, em todo o lado a imagem da cruz lembra que Aquele ali, coberto de sangue, foi condenado à morte por minha causa. Eu vivo a minha vida, em cada momento, sob o olhar do que está num patíbulo em vez de mim.

As razões da condenação acumulo-as a cada momento. Pequenas e grandes traições, mentiras e violências, egoísmo e mesquinhez; sobretudo a terrível tibieza e mediocridade em que mergulham os meus dias. De fora não se vê a podridão que tenho dentro. Nem os meus inimigos, que têm tanta razão nos insultos, nem eles sabem do mal a metade. Sou todos os dias muito justamente condenado à morte.

Todos estamos condenados à morte e um dia, cedo ou tarde, a sentença será executada. Aliás, a morte não é só um justo castigo dos nossos males, mas também um alívio terapêutico dos mesmos males. Que seria viver para sempre em tanta maldade? "Deus não institui a morte ao princípio, mas deu-a como remédio. Condenada pelo pecado a um trabalho contínuo e a lamentações insuportáveis, a vida dos homens começou a ser miserável. Deus teve de pôr fim a estes males, para que a morte restituísse o que a vida tinha perdido. Com efeito, a imortalidade seria mais penosa que benéfica, se não fosse promovida pela graça" (S. Ambrósio Na Morte do Irmão Sátiro, II, 47).

Isto posso compreendê-lo bem olhando com honestidade para a minha vida. Se tirar a máscara de respeitabilidade e elegância, se esquecer as justificações retóricas e os enganos convenientes, se for ao fundo das minhas razões, vejo com clareza que um juiz justo e imparcial teria de me condenar. Exalto o pouco bem que vou fazendo, mas essa ilusão de óptica não impede a sentença inevitável.

Mas não sou eu que estou ali pendurado. É Ele. Ele, a única pessoa a poder dizer com verdade não merecer a morte, é Ele que está ali. "Jesus estará em agonia até ao fim do mundo" (Pascal , 1670, Pensées, ed. Brunschvicg n.º 553, ed.Lafuma n.º 919). Ele está em agonia, e a culpa é minha. E graças à morte d"Ele a minha tem remédio. A morte, em si mesma, é definitiva. Quem morre fica morto. Mas porque Ele quis morrer por mim, a minha morte tem saída. A minha morte pode ir para a vida. Se me agarrar a Ele, o único que voltou da morte.

Porque essa morte, que Ele sofreu por minha causa, durou apenas três dias. Porque Ele, o único a poder dizer que não merece a morte, destruiu a morte com a morte que sofreu por minha causa. Assim não há mais morte, não há mais culpa. Tudo foi levado na enxurrada da ressurreição de Cristo.

Eu, no medíocre quotidiano, continuo a mesma mesquinha criatura que sempre fui. Os meus pecados não desapareceram por Ele ter morrido e ressuscitado. Aliás, todos os meus pecados foram já cometidos depois de Ele ter morrido e ressuscitado por mim. Mas, porque Ele morreu e ressuscitou, eu sei que existe algo que cobre a multidão dos meus erros, misérias, podridões. Existe a Sua eterna misericórdia. E essa, por ser infinita, ganha ao meu mal. Se eu a procurar.

Agora posso viver a minha vida debaixo do olhar que Ele me lança da cruz. Daquela cruz que vejo a cada passo nas cidades e aldeias. Daquela cruz onde Ele está pendurado por minha causa. E isso muda a minha vida. Até muda a desgraça, a tacanhez, a maldade da minha vida. Assim, até ela fica quase boa. Por me lembrar do facto de Ele estar ali pendurado por minha causa. E não se ir embora, por grandes que sejam os meus crimes. Por ficar ali pendurado, esperando sempre que eu O veja. Que caia em mim. Que volta para Ele. Que tenha fé. E isso é a vida eterna.

quinta-feira, 14 de março de 2013

O programa do Papa Francisco: Cristo Crucificado - por Nuno Serras Pereira

14. 03. 2013



Afinal, como o revelaram vários Cardeais, o Papa Francisco escolheu esse nome por causa do Santo de Assis e não do padroeiro das missões, como precipitadamente eu tinha aventado. Temos pois um Papa jesuíta que é franciscano. E como excelente franciscano que sempre se tem mostrado, escolheu e apresentou na primeira e breve homilia do seu Papado, dirigida ao colégio dos Cardeais, o programa para o seu Pontificado: Jesus Cristo Crucificado. 


De facto, entre outras coisas, sua Santidade disse essencialmente o seguinte: “quando caminhamos sem a Cruz, quando edificamos sem a Cruz e quando confessamos um Cristo sem Cruz, não somos discípulos do Senhor, somos mundanos: somos Bispos, Sacerdotes, Cardeais, Papas, mas não discípulos do Senhor”.


“Quisera que todos, após estes dias de Graça, tenhamos a coragem de caminhar na presença do Senhor, com a Cruz do Senhor, de edificar a Igreja sobre o Sangue do Senhor, que está sobre a Cruz, e de confessar a única glória, Cristo Crucificado. … (O) Espírito Santo, a intercessão da Virgem, nossa Mãe, nos conceda esta Graça: caminhar, edificar, confessar Jesus Cristo Crucificado. Assim seja” (traslado de ACI). 


Estas breves palavras que acabamos de citar são uma síntese admirável da vida e pregação de S. Francisco de Assis. E uma inesperada confirmação do estandarte de Cristo Crucificado para o Ano da Fé. Até parece que esta iniciativa foi uma profecia.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Amar o Amor que muito nos Ama - por Nuno Serras Pereira



Neste texto direi, ao final, da razão, inesperada, que me leva a retirar-me da organização e distribuição dos pendões ou estandartes de Cristo. Mas para inteira inteligência desse motivo importará ler tudo desde o princípio, sem saltar precipitadamente para o fim.

06. 03. 2013
Atravessava os densos bosques de carvalhais seculares que então se estendiam por aquela larga planície, agora desflorestada, circundando a Igrejinha de Nossa Senhora dos Anjos, a caminho de Assis, quando ouviu grandes lamentos, fundos suspiros, vozes magoadas, um enorme pranto soluçando quantiosos sofrimentos. Aflito, deixou-se guiar pelos clamores até deparar com o pobrezinho, da cidade para onde se dirigia, prostrado por terra, numa agonia de penas Pelo que, estimulado pela caridade, logo lhe perguntou no intento de o socorrer, se estava ferido ou enfermo. Então, com o rosto inundado de copiosas lágrimas, S. Francisco, entre singultos, retorquiu a custo: O Amor não é amado! Eu devia ir pelo mundo chorando assim a Paixão do meu Senhor! O Amor não é Amado!


Mais tarde S. Francisco deixará aos seus discípulos a recomendação de muito amarem o Amor que muito os Amou. Esse Amor a que se refere é Jesus Cristo, é Deus. E a grande prova do Seu Amor, podemos dizer o selo que O autentica, é a Sua entrega, a morte de Cruz. Como aliás Ele próprio o diz, referindo-Se à proximidade da Sua Paixão, não há maior Amor do que dar a vida (na Cruz) pelos Seus amigos e ainda mais pelos inimigos, pois como diz outro passo das Escrituras, Ele deu a vida por nós quando ainda éramos Seus inimigos. Por isso, não há dúvida de que o Crucifixo é o grande sinal do Amor que muito nos Ama. Mais, é a maior figuração da eternidade de Deus e da Sua Ressurreição de entre os mortos, uma vez que como Ele próprio afirma, Eu dou a vida para retomá-la de novo. De facto, se tivéssemos que sintetizar o Cristianismo numa palavra ou numa imagem, assim o creio, seria Crucifixo. Tudo ali está resumido, tudo ali está anunciado. 


Ninguém pense que os cristãos são uma cambada de gente sinistra que pinta ou modela lúgubres cadáveres suspensos de cruzes venerando-os macabramente nas Igrejas, e trazendo-os tetricamente dependurados ao peito. Se assim fora seríamos os mais desgraçados de entre os homens. Mas Aquele morto que ali é representado está ali Vivo. O Catecismo da Igreja Católica (nº 626) declara-o muito bem: 

“Uma vez que o «Príncipe da Vida», a quem deram a morte (518), é precisamente o mesmo «Vivente que ressuscitou» (519), é forçoso que a pessoa divina do Filho de Deus tenha continuado a assumir a alma e o corpo, separados um do outro pela morte:


«Embora Cristo, enquanto homem tenha sofrido a morte e a sua santa alma tenha sido separada do seu corpo imaculado, nem por isso a divindade se separou, de nenhum modo, nem da alma nem do corpo: e nem por isso a Pessoa única foi dividida em duas. Tanto o corpo como a alma tiveram existência simultânea, desde o início, na Pessoa do Verbo; e, apesar de na morte terem sido separados, nenhum dos dois deixou de subsistir na Pessoa única do Verbo» ”.
 
E a indicação mística disso mesmo, é que Ele apareceu Crucificado a vários Santos que O adoravam e, como nos casos de S. Francisco de Assis e de S. Bernardo de Claravale, desprendeu um dos braços do madeiro para com eles se abraçar. E a S. Francisco apareceu Crucificado, num velocíssimo voo de Amor, imprimindo nos seus membros os Seus estigmas. É por isso que quem rejeita o Crucifixo repulsa o Ressuscitado. 


Não sei se haverá alguém no nosso tempo que Ame tão intensamente o Amor que muito nos Amou, como S. Francisco. É bem possível. Mas sei que há muitos que o Amam e procuram intensificar ainda mais esse mesmo Amor com a devoção (entrega verdadeira de si mesmos a Cristo Crucificado para com Ele se conformarem) ao Crucifixo que os conduz à doação Caritativa a todos os outros, em particular aos que mais precisam. 


Um, entre muitos, dos sinais desse zelo fervoroso de Amor ao Amor que muito nos Ama tem sido a quantidade de pessoas, para mim surpreendente, embora bem aquém do que seria desejável, que têm aderido ao estandarte de Cristo Crucificado, para o Ano da Fé.


Tendo recebido inúmeros pedidos, de pessoas espalhadas por Portugal, para enviar por correio os estandartes, e vendo-me na impossibilidade de o fazer veio em auxílio dessas gentes a Providência Divina que me enviou dois apóstolos muito competentes e disponíveis os quais se dispuseram com muita Caridade a tratar de tudo. Surpreendido, primeiro fiquei hesitante mas logo percebi que tudo devia ser colocar em suas mãos. De facto, sempre pensei simplesmente em dar, passe a expressão, o pontapé de saída.

Resta-me agradecer ao João Sotomayor o seu trabalho notável de designer e a extraordinária ajuda que me prestou, sem a qual, verdade seja dita, eu não teria conseguido nada.


Assim, exceptuados os casos de alguém que tenha algo pendente comigo, todos os pedidos ou encomendas deverão ser feitas a Joaquim Castro Pernas a Nuno Galvão Amado; email: estandartedecristo@gmail.com; Telm: 96 801 67 84, ou 911 788 811, ou 96 448 52 35


À Honra e Glória de Cristo. Ámen.

domingo, 3 de março de 2013

O escândalo insano de uma loucura colossal - por Nuno Serras Pereira

03. 03. 2013

Previno, desde já, o leitor incauto de que o tropeço presente de que vou tratar é da maior gravidade e que, além disso, não encontra paralelo na história da humanidade. Sendo de tão grande cópia os textos em que tenho abordado temas tão criticáveis, dolorosos e oprobriosos é natural, e não sei se mesmo recomendável, que arreceados do que vão encontrar, os leitores, se porventura os há, se quedem por aqui. No caso de haver algum mais destemido, talvez seja de maior rigor escrever temerário ou mesmo desvairado, que, não obstante, o grande temor e tremor, se arrisque, com perigo de perder a própria vida, a prosseguir, de novo o advirto que pense, reflexione e pondere se quer e está mesmo decidido a fazê-lo. Creio, embora hesitante e duvidoso, que postos todos estes alertas e recomendações posso agora abordar, embora relutantemente, o assunto para o qual o título deste artigo aponta. Antes, no entanto, para não entrar de chofre abalando violentamente os corações mais intrépidos que bravamente se aventuram nesta leitura, procurarei prepará-los introduzindo-os com amenidades edificantes no que ao depois direi. 


Saberá quem até aqui se atreveu que uma médica de um grande hospital garantiu-me ter sido testemunha ocular do seguinte episódio. Um ministro da saúde de um governo que não este, há poucos anos, recusou-se a entrar num hospital enquanto não retiraram um Crucificado (= Crucifixo) do espaço de entrada do mesmo. Este político, antes de ser alçado como garante da saúde dos portugueses, era comentador residente de uma estação emissora de rádio, que se afirma, quotidianamente, católica, nela advogou a liberalização do aborto, isto é, da matança sistemática perpetrada pelos serviços que chefiava. É-me árduo compreender como é que esta emissora e os demais órgãos de comunicação social, que acompanhavam esta visita oficial omitiram esta atitude tão exemplarmente construtiva e democrática, de uma personalidade de tão alta grandeza.


Este insigne personagem pertence a uma ilustríssima loja maçónica, como aliás o são todas, na qual, como de resto nas demais, se exige os espezinhamento do Crucifixo (= Crucificado) nos ritos de iniciação a determinado grau, como revela, entre variadíssimos outros autores, o Sacerdote Católico e Professor Catedrático Manuel Guerra, no seu livro A Trama Maçónica. Percebe-se pois que o governo para que foi convidado se tenha fortemente empenhado na nobilíssima tarefa de expulsar o Crucificado (Crucifixo) das escolas públicas, de legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, de liberalizar o divórcio expresso e sem culpa, de liberalizar e financiar o aborto, patrocinando o subsídio de maternidade para as mães grávidas que propositadamente eliminassem, a pedido, a seus filhos, através dos serviços de saúde do estado ou com ele convencionados. Desaparecida, do espaço público, a presença e influência maligna do Crucifixo (Crucificado), que perverte as pessoas ensinando-as e fortificando-as na dávida de si mesmas, no sacrifício em prole daqueles que amam, e mesmo dos que as odeiam, finalmente se podia celebrar o benigno triunfo narcisista do “eu”, do seu salutar egocentrismo, do seu benfazejo utilitarismo, do seu benéfico hedonismo, do seu, enfim, admirável relativismo. Felizmente, deixamos agora esta introdução suave e aprazível e começamos a adentrarmo-nos, ainda que não de supetão, na soturnidade tenebrosa do sórdido horror, a proposta fanática de um frade demente foi prontamente repelida por católicos esclarecidos e conceituados, em vários órgãos de comunicação social, e muito ajuizadamente ignorada por prelados iluminados que, importa reconhecê-lo com gratidão, já tinham deixado cair em desuso nas suas escolas, colégios e outros espaços a presença dessa maldição ignominiosa do Crucificado (Crucifixo).


Chegamos agora, advirto-vos instantemente que não avancem na leitura, à mais execrável abjecção, ao ressurgir da malignidade asquerosa do mais infame fundamentalismo. Graças ao grande arquitecto, que o infame não tem praticamente encontrado ressonância nem apoios à sua repugnante iniciativa. Afortunadamente que os católicos de hoje, tão bem formados pelos nossos ilustrados pedagogos, entendem muito bem a insensatez cretina e se abstêm de contribuir ou cumpliciarem-se no empestamento das mentalidades e das consciências, dando-se às coisas verdadeiramente essenciais, repulsando o absurdo inominável de que a redenção ou salvação possam vir pela tortura e pela morte de um homem. Têm mais que fazer do que dar crédito a tamanhas patranhas de péssimo gosto. Se ainda fosse um ressuscitado, uma fábula detestável, é certo, mas que pelo menos pode ter uma interpretação alegórica sem que nos alembremos da petalhada de um morto que voltou à vida!!! Alguns, escravos ainda da abominável superstição, mantêm o Crucifixo (Crucificado) paredes dentro, estes têm pelo menos o bom senso de não nos agredir expondo-o publicamente. De qualquer modo, teremos de velar pela saúde e integridade das crianças sujeitas crudelissimamente a essa brutal violência doméstica por parte de seus pais, os maiores inimigos dos filhos, tornando crime público essa injusta exposição, será esse um próximo passo, que estamos preparando.


Mas importa ir mais longe, extirpar a raiz daninha e peçonhenta que está na origem de tudo. Este intolerante contumaz foi formatado por uma organização fundada por um alucinado delirante de quem é discípulo – Francisco de Assis. Esse adoidejado embezerrou-se tão maniacamente no Crucifixo (Crucificado) que na sua delusão exaltada julgou ter visto vindo dos ares o Cristo fixado na cruz, cheio de asas, imprimindo-o, com lampejos de fogo disparados de suas chagas, com os seus estigmas, feitos cravos em seus pés e mãos, da cor do ferro escuro com as cabeças de um lado, e do outro, as pontas dobradas e rebatidas, e mais uma ferida que no peito que derramava sangue. O facto de não haver testemunhas que desmintam estes sucessos narrados pelos biógrafos, pelo contrário mesmo as cépticas, entre as quias se encontravam médicos e cardeais, as comprovaram depois da sua morte, não significa que não seja, como é, um caso de histerismos extremo ou de uma emergência espontânea nanotecnolgiconatural antecipada, que se nos dias de hoje a ciência ainda não consegue explicar certamente o fará, se não dentro de algumas décadas ou séculos, seguramente daqui a alguns milhões ou então biliões de anos ou quando os multiversos se compenetrarem formidavelmente em fusões puramente casuais, inesperadas e deslumbrantes. 


O pancão de Assis foi produto de um húmus empapado das mais alucinogénias e virais toxinas de sempre, cujas origens remontam ao destrambelho palonço do maldito dependurado na cruz, primeiro perseguido e depois propagandeado pelo tresloucado Paulo de Tarso. Os frenesis obstinados e febris desta mente desvairado são patentes nos dislates dos seus escritos:


“A linguagem da cruz é certamente loucura para os que se perdem mas, para os que se salvam, para nós, é força de Deus.” (1 Cor 1, 18)


“Quanto a mim, porém, de nada me quero gloriar, a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo.” (Gal 6, 14)


“(Cristo) anulou a lei, que contém os mandamentos em forma de prescrições, para, a partir do judeu e do pagão, criar em si próprio um só homem novo, fazendo a paz, e para os reconciliar com Deus, num só Corpo, por meio da cruz, matando assim a inimizade.” (Ef 2, 15-16)


“(Cristo) rebaixou-se a si mesmo, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.” (Filp 2, 8)


“É que muitos … são … inimigos da cruz de Cristo” (Filp 3, 18)


“Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. E a vida que agora tenho na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus que me amou e a si mesmo se entregou (deixando-se crucificar) por mim.” (Gal 2, 20)


“ … nós pregamos um Messias (Cristo) crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios.” (1 Cor 1, 23)



Claro que todo este desatino foi bebido do amaldiçoado pregado no madeiro:


“Quem não tomar a sua cruz para me seguir, não é digno de mim.” (Mt 10, 38)


“Jesus disse, então, aos discípulos: «Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.” (Mt16, 24)


“Jesus, levando a cruz às costas, saiu para o chamado Lugar da Caveira, que em hebraico se diz Gólgota” (Jo 19, 17)


“Junto à cruz de Jesus estavam, de pé, sua mãe e a irmã da sua mãe, Maria, a mulher de Clopas, e Maria Madalena.” (Jo 19, 25)


Está assim explicado o desacerto mental e a patologia religiosa do intolerante fanático que nos quer impingir os estandartes de Cristo para o Ano da Fé. Felizmente, que actualmente os Católicos são esclarecidos, e dotados de uma saudável capacidade de escândalo perante a insanidade do Crucificado; e ainda de uma profunda lucidez laicista que os leva a reconhecer a loucura colossal do Crucifixo.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O pendão da Páscoa - João César das Neves



«Estes mandamentos que hoje te imponho estarão no teu coração. … Escrevê-los-ás sobre as ombreiras da tua casa e nas tuas portas» (Dt 6, 6 e 9).

O Deus invisível, transcendente, sublime fez-se carne e habitou entre nós. Este facto inaudito é a base da nossa fé. Isto significa que Deus assumiu um corpo, um rosto, uma posição social, uma cultura, uma terra. O Deus que fez o mundo, amou-o de tal modo que quis viver nele e abandonou a sua sublimidade para ter uma presença corporal.

Isto significa que a nossa fé é a mais concreta, palpável, encarnada de todas as religiões. Nada na nossa fé está desligado da realidade física e concreta. Tudo é patente e visível. Desde o princípio os cristãos são um povo constituído por pessoas particulares, que se reuniam num local específico: «Reuniam-se todos no Pórtico de Salomão e, dos restantes, ninguém se atrevia a juntar-se a eles, mas o povo não cessava de os enaltecer» (Act 5, 12-13). A religião cristão, apesar de toda a sua elevação espiritual, filosófica e conceptual, nunca desdenhou o povo simples e os marcos terrenos. Campanários e procissões, cruzeiros, catedrais, conventos e mosteiros, hábitos e pendões, nomes de ruas e de hospitais fazem a nossa fé presente na arquitectura e toponímia das nossas cidades, na vida corrente das nossas sociedades. Simplesmente porque «o Verbo se fez carne e habitou entre nós» (Jo 1, 14).

A Encarnação é a presença de Deus no mundo. Precisamente por isso nenhum facto cristão se tornou mais universal e mais visível que o Natal. Todo o mundo o celebra, mesmo que não seja crente, e por todo o lado nessa época se multiplicam os símbolos alusivos. Este excesso de sucesso levou alguns a notar que, presente em todo o lado, o nascimento de Cristo acabava por estar realmente ausente. Assim nasceu o estandarte com o Menino Jesus, que desde há uns anos tem decorado muitas das janelas e fachadas das casas portuguesas.

Trata-se de uma excelente iniciativa, que tem desempenhado um papel muito relevante. No meio de toda a simbólica natalícia, cada uma daquelas singelas bandeiras mostra ao mundo que alguém sente o significado profundo dessa celebração. Ao ver o pendão, instintivamente sentimos um laço profundo com as pessoas que vivem atrás daquela janela. Mais importante, aquela imagem conduz-nos, no meio da vida afogueda, a uma fugaz meditação sobre o sentido da quadra, sobre a profundidade do que estamos a viver.

Agora, por iniciativa de um sacerdote franciscano do Patriarcado, surge o estandarte da Páscoa. Se possível, este ainda é mais necessário que o do Natal. Primeiro porque o Mistério Pascal é o verdadeiro centro da nossa fé, a finalidade última da Encarnação. Por Ele fomos salvos, n’Ele encontramos a vida. Segundo porque esta quadra é socialmente muito menos visível que o Natal, e marcá-la é mais urgente e influente. Terceiro porque o longo período de Quarta-feira de Cinzas ao Pentecostes torna a dispersão mais perigosa e frequente, exigindo ainda mais um símbolo que repetidamente nos recentre no essencial.

Na primeira Páscoa da história, nas sombrias ruas egípcias sob as pragas, as portas estiveram envolvidas. «Tomareis depois um ramo de hissopo, mergulhá-lo-eis no sangue que estiver na bacia, e marcareis o dintel e as duas ombreiras da porta com o sangue que estiver na bacia» (Ex 12, 22). Hoje as portas do templo dedicado a Cristo são os lábios dos fiéis onde brilha o Sangue verdadeiro, como diz S-João Crisóstomo (cf. Catequese 3, 13, ver Ofício das Leituras de Sexta-feira santa). Mas porque não envolver as nossas portas e janelas na proclamação social do mistério que nos dá a vida?

As razões para não pendurar o estandarte são muitas e razoáveis. Tantas quantos os obstáculos da Via Sacra. Só há mesmo um motivo para o colocar. E esse está ligada à razão porque o Condenado seguiu a Via Sacra até ao fim.

Estandarte de Cristo para o Ano da Fé




Largo da Luz, 11
Lisboa  1600-498




domingo, 3 de fevereiro de 2013

Apostei tudo no estandarte do Crucificado - por Nuno Serras Pereira


É possível invocar milhentos motivos (estou escrevendo isto antes de conhecer as ressonâncias que pedi aos amigos) para não embarcar com o Crucifixo (= Crucificado) nesta aventura aparentemente temerária de O pôr à vista de todos na praça pública, nas ruas da cidade, dependurado de varandas e demais locais altos, entre o céu e a terra. Mas a verdade é que me parece que todo esse enorme amontoado se desfaz e pulveriza com um grãozinho de Fé, eminentemente razoável.

De facto, podemos interrogar-nos se a morte e morte de Cruz, contrariamente ao fascínio exercido pelo nascimento do Menino Jesus, não repugnará à sensibilidade e não amedrontará as pessoas. Mas o mesmo Cristo respondeu a esta dúvida ao afirmar, referindo-Se profeticamente à Sua crucifixão, “quando for elevado da terra atrairei todos a Mim”. E assim sucedeu. E continua a acontecer ao longo dos séculos.


Outra questão, é a de se não será “obsceno” mostrar um homem cruelmente morto à multidão. Importará, creio eu, recordar que todos os dias somos bombardeados com imagens mais ou menos semelhantes nas televisões, sem que alguém proteste. Convirá ainda adiantar que aqui não se trata de um homem qualquer mas do Homem, o Novo e definitivo Adão, que ao entregar-Se livremente por Amor (Caridade) para nos libertar mostra, pelo menos duas coisas relevantíssimas: em primeiro lugar, onde pode chegar a selvajaria e perversidade humana capaz de assim se assanhar, encarniçar, maltratar, torturar e assassinar o próprio Deus que Se humanou para nos redimir do pecado e da morte; em segundo, revela o Amor (Caridade) infinito de Deus, que se dispôs a padecer tanto para salvar aqueles mesmos que O crucificaram, isto é, não só aqueles que imediatamente, naquele tempo, o supliciaram mas cada um de nós, por mor dos nossos pecados.


Mas numa altura de profunda crise económica não seria melhor entregar os custos dessa campanha a uma instituição de solidariedade social para acorrer aos mais desfavorecidos? Esta é a objecção que Judas colocou aquando do derrame do rico unguento sobre Jesus, antes da Sua Paixão. A ela já o próprio Cristo tinha respondido quando no deserto derrotou o demónio dizendo-lhe que “nem só de pão vive o homem, mas sim de toda a palavra que são da boca de Deus”. Ora, Jesus Cristo é a Palavra eterna, completa e definitiva de Deus. O então Cardeal Ratzinger explica, numa das suas meditações, que a resposta que Jesus dá ao demónio é que nos esclarece sobre o conteúdo da tentação: o demónio insinuava que o pão, o alimento, o bem-estar material seriam suficientes para salvar o homem. Jesus com a Sua réplica afirma a prioridade da Verdade, de Deus. Só na Verdade que é o próprio Cristo é que encontraremos a iluminação, a vontade e a capacidade de resolver não só os problemas pessoais mas também os sociais. Na esplêndida mensagem do Papa Bento XVI para esta Quaresma ele ensina que a mais eminente forma de Caridade é a comunicação da Fé, a Evangelização, proporcionando o encontro, a relação e a amizade com Jesus.
 

E que consolo não poderão tirar os pobres, os desempregados, os doentes, os reformados ao olharem para Aquele que conhece e experimentou as suas mortificações e penas, e os acompanha, amparando-os, nas suas vias-sacras? E sabendo que o crucificado Ressuscitou, vencendo definitivamente o sofrimento e a morte, não será isso uma admirável nutrição para a Esperança? E quantas orações silenciosas e sentidas não poderão brotar daqueles peitos amargurados implorando o socorro Divino? E quem calculará o número dos que, ao contemplarem o Crucificado, serão impelidos por uma comoção verdadeira a reparar nos desprovidos e a dedicar-se aos indigentes e necessitados?


Mas, objectar-se-á, a Quaresma passa num instante, e depois não faz sentido manter o estandarte durante o tempo Pascal, no qual se celebra a Ressurreição. A esta dificuldade responde-se de vários modos: A Páscoa, passagem da morte à vida, celebra-se solenissimamente na Missa da Vigília Pascal e solenemente nas Eucaristias do Domingo de Páscoa e sua oitava. A Missa ou Eucaristia não é simplesmente uma recordação ou lembrança do que aconteceu no Calvário mas é o tornar realmente presente, de um modo incruento, o único e definitivo Sacrifício de Cristo na Cruz. Nesse Santíssimo Sacrifício em que a Igreja participa, associando-se, se torna verdadeira, real e substancialmente Jesus Cristo Ressuscitado nas aparências de pão e de vinho cujas substâncias foram transmutadas n’ Ele próprio, permanecendo os acidentes. Sabereis que a enumeração dos 40 dias da Quaresma prescinde da contagem dos Domingos, por ser este o dia do Senhor, isto é da Sua Ressurreição. E, no entanto, na celebração Eucarística dos Domingos o Crucifixo (o Crucificado) está sempre visível, ou em cima do altar ou a seu lado. A auréola dourada que rodeia a cabeça do Crucificado, no estandarte, significa a Sua Ressurreição Gloriosa, pelo que nos está dizendo que o Crucificado e o Ressuscitado são uma e a mesma Pessoa. Mas será apropriado um fundo vermelho para o estandarte do Crucificado? Afinal o encarnado é uma cor viva, que transmite de algum modo alegria. Assim é, e precisamente por isso parece muito apropositado. Primeiro, porque é da cor do Sangue que o Senhor derramou para nos salvar. O sangue nas Sagradas Escrituras simboliza a vida, e o sangue livremente derramado indica a vida entregue por Amor, dada por Amizade. As mesmas também referem que o vinho é o sangue das uvas e, noutro passo, que aquele “alegra o coração dos homens”. Quer isto dizer que a alegria brota de uma vida entregue, doada, concretizada em serviço dos outros, em amor operante. O preciosíssimo Sangue derramado por Cristo é a causa de toda a nossa alegria. Se com Ele comungamos, aceitando e acolhendo a “transfusão” espiritual/vital seremos também causa de alegria para muitos. Tudo isto constitui um catecumenato visual que nos ensina (de um modo implícito, intuitivo), entre muitas outras coisas, que a felicidade não estar no ter, no acumular, na cobiça, mas, pelo contrário, no ser com e como Jesus, no partilhar, na entrega inteira a Deus, no dom sincero e verdadeiro de si mesmo aos outros, a todos os outros, sem excepção.


Muitas mais coisas haveria a escrever, mas uma vez que o texto já vai muito longo deter-me-ei, ainda que brevissimamente, numa outra dúvida: poderá um “trapo” pintado influir tanto nas almas, nos entendimentos, nas vontades? Respondo que “trapo pintado”, embora de modo sobrenatural, é a Virgem Nossa Senhora de Guadalupe e as profundas e imensas conversões que tem operado e os portentosos milagres realizados ao longo dos séculos não acabam de nos espantar e maravilhar. 


Jesus Cristo figurado no estandarte não é um mero pedaço de tecido imprimido mas é um sinal que remete para a própria Pessoa, um instrumento que o Senhor na Sua infinita bondade e humildade usa para Se comunicar e encontrar com muitos. É verdade que, como quando Ele viveu na Terra Santa, muitos o ignorarão ou até o odiarão, afinal Ele é e sempre será Sinal de Contradição, mas muitos outros O acolherão nas suas vidas e se calhar a única oportunidade de O “verem” será esta.


Finalmente gostava de recordar que tanto o Papa João Paulo II como o Papa Bento XVI repetidamente insistiram na presença pública do Crucificado (Crucifixo).


Falta somente explicar o título do texto que parecerá misterioso. Desde que decidimos avançar com este projecto do Crucificado mostrado aos olhos de todos para a todos abençoar, as dificuldades, contrariedades e incompreensões não deixaram de surgir, e, quando tudo parecia estar pronto e decidido tudo se desmoronou. Foi então, quando parecia impossível avançar, que decidimos fazê-lo sozinhos, sem garantias algumas de sucesso, somente confiados no seguinte: Estamos a trabalhar com recta intenção por Amor a Jesus Cristo e aos nossos concidadãos, por isso Deus não nos faltará com a Sua Providência. 


A obra não está perfeita mas procuraremos melhorar, se Deus quiser, para o ano.


À honra de Cristo. Ámen.

03. 02. 2013

domingo, 8 de abril de 2012

El primado católico en Inglaterra (cardenal Keith O´Brien) pide a los cristianos que «lleven con orgullo la cruz»


El primado de la Iglesia católica en el Reino Unido, el cardenal Keith O’Brien, pedirá hoy a los cristianos que «lleven con orgullo un símbolo de la cruz de Cristo» durante sus actividades cotidianas, como modo de contrarrestar los esfuerzos de los grupos laicistas por «marginalizar la religión».

O’Brien hará hoy esa sugerencia en su sermón pascual del Domingo de Resurrección. La filtración de su contenido en la edición digital de la BBC produjo ayer un aluvión de comentarios y se convirtió en «trending topic» de las redes sociales.

La propuesta del prelado católico de Escocia cae en terreno abonado. Dentro de unos días comenzará en el Tribunal Europeo de Derechos Humanos, en Estrasburgo, la vista para considerar si los cristianos tienen o no derecho a portar un crucifijo en sus lugares de trabajo.

Despedidas por llevar crucifijo
Sobre la mesa estará el recurso presentado por dos británicas, la enfermera Shirley Chaplin y la azafata de British Airways Nadia Eweida, que en 2010 fueron despedidas por negarse a prescindir del pequeño crucifijo que colgaba de su cuello. Ambas perdieron a continuación los casos presentados por presunta discriminación en los tribunales británicos.

Cameron contra el derecho a llevar la cruz
Contra todo pronóstico, el gobierno del conservador David Cameron anunció hace días que pedirá a sus abogados en el Tribunal de Estrasburgo que se opongan al derecho de los cristianos a portar un crucifijo en el ámbito laboral. El gobierno británico esgrimirá el argumento de que, puesto que el crucifijo es un símbolo «opcional y no obligatorio», los empleadores pueden despedir a los trabajadores que se nieguen a ocultarlo.

Libertad religiosa
Para el cardenal O’Brien, lo que está en juego es en cambio la libertad religiosa. En su sermón de hoy citará unas palabras de Benedicto XVI, que durante su visita a Inglaterra hace 18 meses pidió «libertad para que los cristianos puedan actuar de acuerdo con sus propios principios».

El cardenal confía en que un número creciente de cristianos en el Reino Unido -católicos y no católicos- adoptarán la ancestral costumbre de llevar un crucifijo «de un modo sencillo y discreto» como símbolo de sus creencias.

«Un sencillo "pin" de solapa cuesta una libra esterlina -menos que un huevo de Pascua- y puede ser un excelente regalo», dirá en su sermón de hoy.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O Crucifixo nas Escolas


1. Desde há muito que para mim era evidente o propósito de substituir o crucifixo nas escolas pelo preservativo, e o capelão, director espiritual ou professor de religião e moral pelo pervertedor sexual, isto é, pela APF e seus comparsas. Por isso, a notícia da directiva ou decisão do Ministério da Educação, não me surpreendeu absolutamente nada. A partir do momento em que o Estado assume tiranicamente o papel de doutrinador materialista e naturalista só se pode esperar que seja coerente com essa lógica intrinsecamente perversa explicitando desaustinadamente o confessionalismo aberrante, implícito nas penetrações obscenas da inocência, violada pela imunda “educação” sexual e outras ignomínias lambodas. Neste sentido, não teria sido, porventura, prudente que fosse a própria Igreja a antecipar-se exigindo a retirada dos crucifixos em nome do pudor, para que, ao menos, as desvergonhas descaradas não se cometessem diante das imagens do seu Senhor? Quem sabe se isso não teria despertado a consciência dos fiéis e das famílias para as malvadezes que a cainçalha ignobilmente perpetra contra os seus filhos? Não poderia esse choque provocar um tumulto, uma rebeldia, contra a matula totalitária?

2. Argumentar com a separação entre a Igreja e o Estado é uma insânia, um desvairamento. De facto, essa separação que se aplica a outras tantas realidades, não suscita qualquer escrúpulo a esse respeito. Pois não há ruas com nomes de maçónicos e estátuas com as suas figuras? Não estão as escolas invadidas pela ideologia técnica que nelas se ensina e pratica? Não autoriza o Estado que as vias públicas sejam infestadas de capital privado através de publicidade, frequentemente indecorosa e não raro utilizando símbolos religiosos para transmitir, tantas vezes sacrilegamente, mensagens opostas ao que eles significam? Não veiculam a RTP e a RDP, ideologias, visões agnósticas, ateias, etc.?

Depois, o Estado não é mais do que a sociedade que se constitui em parte (o Estado está para a sociedade como a parte para o todo) organizando-se politicamente com o objectivo de servir o bem comum, isto é, o bem de todos e de cada um. Donde o Estado existe para cuidar subsidiariamente da pessoa e da sociedade que o precedem e não para as controlar, dominar e oprimir. Uma vez que Portugal é um país que desde a sua origem é católico e que a maioria do povo português se reconhece nesta confissão, o propósito de sanear Jesus Cristo das escolas só poderá ser entendido como uma violenta agressão à nossa cultura, à nossa história e, principalmente, à liberdade religiosa, direito fundamental que merece o máximo respeito.

3. Recebi, creio que ontem, umas mensagens de correio electrónico propondo uma manifestação contra a retirada dos crucifixos, suponho que depois de amanhã, diante do Ministério da Educação. Salvo melhor opinião e sem intenção alguma de desmobilizar seja quem for, não me parece boa ideia. Pelo contrário, considero bem mais interessante a sugestão do sítio Pensabem.net (nota: o site algum tempo depois de escrito este texto foi desactivado) disponibilizando uma propositura de mensagem para ser enviada a algumas autoridades do país – Ministra da Educação, Primeiro-ministro e Presidente da Assembleia da República. No entanto, creio que se poderia ir, ainda, mais longe. É certo que os nossos bispos se irão pronunciar, através do Conselho Permanente da Conferência Episcopal, e que importa estar disponíveis e prontos para acolher e seguir as orientações que creiam por bem dar-nos. Não obstante, há coisas, e esta é seguramente uma delas, que clamam pela responsabilidade imediata e directa dos fiéis leigos, os quais não só podem como devem ter iniciativas concordes com o juízo prudencial que realizem. Neste sentido, a minha proposta é a de que as famílias e os jovens considerem a hipótese de levarem ao pescoço, por fora da roupa, crucifixos bem visíveis e que arranjem outros suficientemente grandes para fixarem nas paredes exteriores ou varandas de suas casas, de modo a serem perceptíveis da rua. Se o futebol foi capaz de encher Portugal de bandeiras, esperemos que o nosso amor a Deus e ao próximo seja capaz de inundá-lo de crucifixos.

4. Como evitar, porém, a transformação, durante as aulas, das obscenidades em blasfémias, devido à circunstância de serem realizadas na presença da imagem de Deus Redentor?, preocupação que manifestei no início deste texto. De facto, se os alunos vão para as escolas com crucifixos fora da roupa, bem expostos, não se vê como será possível evitar esses desacatos. Creio que importará aqui considerar outros factores que poderão obviar a que isso venha a suceder. O facto de se tratar de uma acção deliberadamente feita em conjunto, dotada de um propósito consciente de amor a Cristo, para o bem de todos, teria a meu ver, pelo menos, duas consequências: i) tornaria os alunos mais conscientes dos padecimentos do Crucificado, que carregou com todo o nosso enxurdeiro, suscitando um asco a tudo o que é espurco, abjecto e sórdido; ii) provocaria um avivamento da sua fé exorcizando os cães-tinhosos e porcos-sujos, que por lá defecam e vomitam suas infâmias.


Nuno Serras Pereira

28. 11. 2005