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domingo, 2 de setembro de 2012

Deixem-me falar-vos de Jesus Cristo - por João César das Neves

In João César das Neves, Deixem-me falar-vos do impossível, (Principia, 2008)


Eminências[1]
Senhores padres
Irmãs e irmãos

Deixem-me falar-vos de Jesus Cristo !

Eu sei que este não é o momento. Neste Congresso eu devia analisar convosco a dimensão eclesial e sacramental da evangelização. Mas deixem-me falar-vos de Jesus Cristo.

Eu sei que não sou a pessoa. Há tanta gente que O conhece muito melhor do que eu. E Ele mesmo, ouve tudo o que nós dizemos. Mas deixem-me, apesar de tudo, falar-vos de Jesus Cristo.

1- A vida de Cristo

 

Porque Ele é o único assunto. Ele é o único tema que existe. De que podemos falar, senão d’Ele? Depois dos profetas nos anunciarem que Ele viria, de que podemos falar, senão d’Ele? Depois dos Apóstolos nos terem dito que Ele já tinha vindo, de que podemos falar? Quando os sucessores dos Apóstolos nos dizem, aqui e agora, que Ele veio, de que podemos falar senão d’Ele? Quando os santos no-Lo mostram presente, aqui e agora, de que podemos falar senão d’Ele? «A quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna!» (Jo 6, 68).

Cristo é o único tema de que podemos falar. Charles Péguy, que rezou aqui, nesta catedral de Notre Dame de Paris, disse-nos que:


Os passos das legiões tinham marchado por Ele.
As velas dos barcos por ele se tinham inchado.
Por Ele os sóis de Outono tinham luzido.
As velas dos barcos por Ele se tinham dobrado.
(...)
Os passos de Dario tinham marchado por Ele.
Era Ele que se esperava no fim do fundo da Pérsia.
Era Ele que se esperava numa alma dispersa.
Ele era o Senhor de ontem e de hoje.
(...)
As regras de Aristóteles tinham marchado por ele.
Do cavalo de Alexandre às regras escolásticas.
E por Ele o ascetismo e a regra tinham luzido.
Das regras de Epicuro às regras monásticas
[2]


Todo o mundo nos fala de Cristo. Todo o mundo marcha por Cristo. Tudo existe por Cristo. Este deve ser o primeiro elemento da evangelização. Ele mesmo o disse. «Foi-me dado todo o poder no Céu e na Terra.Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.» (Mt 28, 18). A pré-condição da evangelização é que todo o poder foi recebido por Cristo. Pela sua ressurreição gloriosa, o mundo pertence a Cristo. Então a evangelização pode começar.

Se todo o poder é de Cristo, isso quer dizer que todas as coisas estão sob o seu poder. Isso quer dizer que cada momento da nossa vida está sob o seu poder. Nós sabemo-lo muito bem. Mesmo as coisas que parecem não estar sob o seu poder, elas o estão misteriosamente. O Catecismo da Igreja Católica explica-o muito bem.

«É unânime, a este respeito, o testemunho da Escritura: a solicitude da divina Providência é concreta e imediata, cuida de tudo, desde os mais insignificantes pormenores até aos grandes acontecimentos do mundo e da história. Os livros santos afirmam, com veemência, a soberania absoluta de Deus no decurso dos acontecimentos: “Tudo quanto Lhe aprouve, o nosso Deus o fez, no céu e na terra” (Sl 115, 3); e de Cristo se diz: “que abre e ninguém fecha, e fecha e ninguém abre” (Ap 3, 7); “há muitos projectos no coração do homem, mas é a vontade do Senhor que prevalece” (Pr 19, 21) (...) O testemunho dos santos não cessa de confirmar esta verdade: Assim, Santa Catarina de Sena diz aos “que se escandalizam e se revoltam contra o que lhes acontece”: “Tudo procede do amor, tudo está ordenado para a salvação do homem, e não com nenhum outro fim” [3]. E S. Tomás Moro, pouco antes do seu martírio, consola a filha com estas palavras: “Nada pode acontecer-me que Deus não queira. E tudo o que Ele quer, por muito mau que nos pareça, é, na verdade, muito bom”[4]»[5].

O Catecismo é claro. Nós conhecemos muito bem esta doutrina. Mas acreditamos verdadeiramente nela todos os dias? Será que acreditamos que Jesus Cristo é o Senhor dos mercados e dos engarrafamentos? Sabemos que Cristo é o «Senhor dos exércitos» (Sl 84 (83), 2; Is 1, 9), o «Senhor dos séculos» (Tb 13, 15), sabemos que Ele é o «Senhor dos nossos pais» (Jdt 7, 28). Mas será que acreditamos que Ele é também o Senhor dos satélites e dos sindicatos? Dos jogos de computador e dos cinemas? Será que sabemos que Ele é o Senhor da televisão e dos autocarros, o Senhor das fábricas e dos telemóveis? Ele é o Senhor de ontem e de hoje.

É Ele o Verbo de Deus, que nos fala a cada momento da nossa vida. É Ele o Verbo de Deus , que está presente em cada presença que encontramos no nosso quotidiano. De que podemos falar, senão d’Ele? É isso a evangelização: falar de Jesus Cristo nos mercados, nos autocarros, nos sindicatos, nos cinemas.

O mundo, todo o mundo, é a manifestação de Cristo. O mundo, todo o mundo, quer o saiba ou não, é a presença de Cristo. Por Ele marcharam as legiões, mesmo se elas não O conheciam. Por Ele marcham as cotações da Bolsa e as decisões dos ministros, mesmo se elas não o sabem. Por Ele andam os passos dos operários e os preços do petróleo. Ele é o Senhor de ontem e de hoje.

«Sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam Deus, daqueles que são chamados de acordo o seu desígnio» (Rm 8, 28). É por isso que, no meio de todas as coisas da nossa vida, de quem podemos falar, senão d’Ele?

A vida do mundo é o primeiro sacramento da evangelização. O mundo e tudo na nossa vida nos fala de Cristo. Cristo evangeliza através do mundo. Cristo evangeliza-nos através do mundo. Os acontecimentos da história são o primeiro sacramento da evangelização. O mundo, a nossa vida, a história não nos falam senão de Cristo. A vida do mundo é o primeiro sacramento da evangelização. O primeiro sacramento da evangelização é o Baptismo.

2- A felicidade de Cristo

 

Mas que significa falar de Jesus Cristo? Qual é a significação da evangelização?

Falar de Jesus Cristo é falar de felicidade, é falar de alegria, é falar de paz. É esse o sinal de Cristo. A verdadeira felicidade é o sinal, é o sacramento da presença de Cristo no mundo. A felicidade é a presença de Cristo em nós.

S. Agostinho disse : «Quando vos procuro, ó meu Deus, procuro uma vida feliz. Que eu vos procure, para que a minha alma viva. Pois o meu corpo vive da minha alma e a minha alma vive de vós (...) Longe de mim, Senhor, longe do coração do vosso servo, que se confessa a vós, longe de mim considerar-me feliz, com qualquer alegria com que me alegre. Há uma alegria que não é concedida aos ímpios, mas àqueles que desinteressadamente vos servem, cuja alegria sois vós mesmo. E a vida feliz consiste em sentir alegria junto de vós, vinda de vós, graças a vós: esta é a vida feliz e não há outra. Aqueles, porém, que julgam que há uma outra vida feliz, perseguem outra alegria que não a verdadeira. Contudo, a sua vontade não se afasta de uma certa imagem de alegria.»[6]

S. Agostinho diz-nos que a felicidade é alegrar-se junto de Cristo, através de Cristo, graças a Cristo. É isso a felicidade. Não se pode falar de Cristo, não se pode falar de evangelização sem levar em si a felicidade e a alegria de Cristo. «Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como Eu, que tenho guardado os mandamentos do meu Pai, também permaneço no seu amor. Manifestei-vos estas coisas, para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa.» (Jo 15, 10-11). A alegria é o sinal do apóstolo.

Deus, quando nos quis mandar os Mandamentos, enviou-os por portador. Mas quando veio pessoalmente, trouxe-nos as Bem-aventuranças. A felicidade, a bem-aventurança, a alegria, a paz são as novidades da Nova Aliança. Elas devem ser também as novidades da Nova Evangelização. Falar de Jesus Cristo é falar de felicidade. É Cristo quem nos fará ver a felicidade[7].

É só por causa disso que «Ai de mim, se eu não evangelizar!» (1Co 9, 16). Não é um castigo. É apenas um esquecimento. Se não anuncio o Evangelho, se me esqueço de falar de Jesus Cristo, a felicidade não está em mim. Se eu não falo de Jesus Cristo, a felicidade não está em mim. Se não falo de Jesus Cristo sou infeliz. Ai de mim se não anuncio Jesus Cristo.

Quando esqueço as Bem-aventuranças sou infeliz. A felicidade, a verdadeira felicidade, a única felicidade, é falar de Jesus Cristo, é falar com Jesus Cristo. É alegrar-se falando de Cristo, através de Cristo, graças a Cristo. Falar de Jesus Cristo nos mercados e nos engarrafamentos. Falar de Cristo pelos satélites e pelos sindicatos. Falar de Cristo é ser feliz. Falar de Cristo é ser verdadeiramente feliz. É ser feliz nos passos dos operários e nas fábricas, nos cinemas e na Bolsa. Falar de Cristo é ser feliz no meio das decisões dos ministros e dos jogos de computador.

Mas a paz vem de Cristo, não do mundo. Sabemos muito bem que a paz que as fábricas nos dão, a paz dos cinemas, dos computadores, dos ministros não é a verdadeira paz. Sabemos que não é na televisão e nos autocarros que podemos encontrar a verdadeira alegria. Há aí uma imagem da verdadeira alegria, como diz S. Agostinho. Mas aqueles que julgam que há outra fora de Cristo, agarram-se a uma alegria que não é a verdadeira. Como diz S. Agostinho.

Os computadores e os sindicatos, os mercados e os engarrafamentos não nos podem, por si mesmos, dar a alegria. Os satélites e as fábricas não nos podem dar senão uma imagem da verdadeira felicidade. Sabemos que a alegria do mundo não é uma verdadeira alegria, a sua paz não é uma verdadeira paz. O mundo e a história não têm a paz, não têm a alegria. Não no-la podem dar. Vistos os sofrimentos da nossa vida, sabemos muito bem que não podemos encontrar a verdadeira felicidade no mundo e na história. Senão por Cristo.

Nós, pobres pecadores, nós sabemos muito bem quantas vezes caímos em falsas alegrias. Vemos por todo o lado pessoas que colocaram a sua esperança nas fábricas e nos políticos, nos mercados e nos jogos. E estão perdidos. Encontramos pessoas, quer o saibam ou não, que não encontraram no mundo a felicidade que aí procuravam.

A verdadeira felicidade está na presença de Cristo. E o mundo, todo o mundo, quer o saiba ou não, contém a presença de Cristo. Mas esta presença não pode ser revelada senão pela evangelização. É pela evangelização que encontramos o que nos dá a alegria nos mercados e nas ruas, porque é pela evangelização que aí encontramos Cristo. É pela evangelização que o mundo encontra a verdadeira alegria, a verdadeira felicidade, que ele já tem em imagem como diz S. Agostinho, mas que não conhece.

Qual é a fonte pela qual Jesus Cristo nos traz a alegria? Onde é que, mais que em qualquer outro lado, podemos encontrar Cristo presente no mundo?

Quando o mundo vê Cristo, o que o espanta mais é a misericórdia. «Quem é este que até perdoa os pecados?» (Lc 7, 49). É isto que espanta os fariseus. É isto que atrai os discípulos. Para nós, pobres pecadores, a única fonte de felicidade é a misericórdia. Para nós, que tantas vezes caímos nas falsas alegrias, o único caminho para a paz é a misericórdia. Para nós, esmagados pelos pecados, a única fonte de alegria é a misericórdia.

Os nossos pecados condenaram-nos. Cada um de nós sabe muito bem que os nossos pecados nos condenaram. E quando vemos as fábricas e os autocarros, os ministros e os mercados, sabemos muito bem que eles não podem ter paz, por causa dos seus terríveis pecados. Aquilo que precisamos, aquilo que eles precisam é da misericórdia. Só a misericórdia liberta dos pecados. Só a misericórdia redime os pecados. Só a misericórdia abre as portas da paz e da alegria. O anúncio da evangelização deve ser o anúncio da misericórdia. Só assim a evangelização pode anunciar a felicidade, a alegria e a paz.

São Tomás de Aquino, que rezou aqui, nesta Catedral de Notre Dame de Paris, ensinou-nos que os efeitos interiores da caridade são três: a alegria, a paz e a misericórdia[8]. A caridade que Cristo nos trouxe, dá-nos a alegria e a paz. Ela no-la dá através da misericórdia, que é também um efeito da caridade. «Os seus muitos pecados lhe foram perdoados porque ela muito amou» (Lc 7, 47).

A alegria é o segundo sacramento da evangelização. Para fazer a evangelização devemos ter a alegria dos salvos, devemos ter a paz de Cristo. A alegria de ser perdoado dos pecados é a o segundo sacramento da evangelização. O segundo sacramento da evangelização é a Penitência.

3- O corpo de Cristo

 

O mundo não gosta da evangelização. O mundo não gosta que lhe falemos de Cristo. É verdade que o mundo não conhece Cristo. Mas, mesmo sem o conhecer, o mundo não gosta que lhe falemos d’Ele. O mundo não conhece Cristo porque não ouve a evangelização, não compreende a evangelização. E não a ouve porque não gosta da evangelização.

O mundo procura por todo o lado a felicidade, a alegria, a paz. Mas não conhece Cristo. Só Cristo lhe poderia dar o que ele procura. E o mundo não gosta d’Aquele que não conhece. É esta a principal dificuldade da evangelização.

Tocamos aqui no mistério central da evangelização. Estamos no drama essencial da evangelização. «A Luz brilhou nas trevas, mas as trevas não a receberam. (...) Veio para o que era seu, e os seus não a receberam.» (Jo 1, 5 e 11). Eis o terrível obstáculo da evangelização.

O mundo, que tem em si a presença de Cristo, o mundo que busca a felicidade, a alegria e a paz, que ele só pode ter em Cristo, não gosta da evangelização. Nós só podemos falar de Cristo. Mas o mundo não gosta que lhe falemos de Cristo. Se O tivesse conhecido, o mundo não podia senão gostar d’Ele. Mas o mundo, não conhecendo Cristo, não gosta que lhe falemos de Cristo. O mundo não gosta da evangelização.

Não é do Verbo de Deus que o mundo não gosta. O mundo, em geral, não tem problemas com o panteísmo, com os misticismos e os espiritualismos. O mundo, nos seus mercados e fábricas, nas decisões dos ministros e nos preços do petróleo, não tem problemas com as superstições esotéricas. Deus, se ficar no Céu e se limitar a ser Deus longínquo, não traz problemas ao mundo, não cria dificuldades aos mercados e aos ministros.

Não é também da Cabeça de Cristo que o mundo não gosta. Todos, mesmo os que atacam a fé, tem normalmente respeito pela Cabeça de Cristo, pela pessoa de Jesus. Mesmo os grandes inimigos da Igreja afirmam admirar a vida, a doutrina, a pessoa de Jesus. Lemos nos livros dos ímpios palavras muito belas sobre Jesus, a sua história, as suas parábolas, os seus ensinamentos, o seu sacrifício admirável. Se Ele não é Deus, se Ele não ressuscita, o mundo tem grande admiração por Jesus.

O respeito que o mundo diz ter por Jesus supõe que Ele nunca diga que é Deus. Gostam muito dos seus ensinamentos, mas apenas se Ele não disser «Eu e o Pai somos um» (Jo 10, 30). Esta pequena parte dos seus ensinamentos não é tolerável. Mas, desde que Ele não diga que «antes de Abraão ser eu sou» (Jo 8, 58), o mundo é muito respeitoso para com a Cabeça de Cristo.

Não é do Verbo de Deus nem da Cabeça de Cristo que o mundo não gosta. Aquilo de que ele não gosta é do Corpo de Cristo. O que o mundo condena é o Corpo que Cristo escolheu para si. O corpo de carne e de sangue que Cristo escolheu para Si, é disso que o mundo não gosta. Se Cristo tivesse ficado no Céu, se o Verbo não tivesse escolhido encarnar num corpo, o mundo respeitá-lO-ia sempre.

Mas Ele veio cá abaixo, à lama e à poeira. Ele veio aqui, aos mercados e às fábricas. Se Deus vem aos mercados e às fábricas, se Ele interfere nas decisões dos ministros e dos sindicatos, isso o mundo não gosta mesmo nada. O que mundo não gosta em Deus é que Ele tenha decidido entrar no mercado e na carpintaria. O Verbo de Deus decidiu trabalhar durante uma data de anos numa manufactura, e alguns desses anos em trabalho infantil. É isso que o mundo não gosta: que Ele tenha escolhido um Corpo. O que o mundo não gosta é da Incarnação.

O mundo não gosta do corpo que Cristo escolheu para Si em Nazaré. E, sobretudo, o mundo não gosta do corpo que Ele escolhe para Si no Cenáculo. O corpo que Ele escolheu para Si em Nazaré e que se chama Jesus mas, sobretudo, o corpo que Ele escolhe para Si no Cenáculo, e que se chama Igreja. É disso que o mundo não gosta.

Lemos nos livros dos ateus palavras muito belas sobre Jesus. Mas lemos aí também as mais terríveis acusações contra a Igreja. O que o mundo não gosta de todo é da comunidade dos discípulos que Cristo escolheu para Si como seu Corpo. Este Corpo que se reúne aqui, nesta catedral, é disso que o mundo não gosta de todo. Mas ao atacar a Igreja, o mundo não sabe que está a atacar Cristo, que ele admira tanto.

Joana d’Arc, que desejou tão ardentemente rezar aqui nesta Catedral de Notre Dame de Paris, apresentou-nos este mistério de uma forma radical. No seu processo é dito: «É meu aviso que são tudo um, de Nossa Senhor e da Igreja, e que não se deve fazer dificuldade que seja tudo um.» [9]

A Cabeça de Cristo não pode ser separada do Corpo de Cristo. Nosso Senhor e a Igreja são tudo um. São Paulo diz «Vós sois o corpo de Cristo e cada um, pela sua parte, é um membro.» (1Co 12, 27), «é Ele a cabeça do Corpo, que é a Igreja.» (Cl 1, 18). O Cristo total, a Eucaristia na Igreja, é isso que o mundo condena, que ele não gosta. A evangelização, que revela a presença de Jesus Cristo no mundo, não pode mostrar outra coisa senão o Cristo total, a Igreja que guarda a Eucaristia. E é a Eucaristia que empurra a Igreja para a evangelização.

O papa João Paulo II, que rezou aqui nesta Catedral de Notre Dame de Paris, explicou-o muito bem na sua encíclica «Ecclesia de Eucharistia» : «Unindo-se a Cristo, o povo da nova aliança não se fecha em si mesmo; pelo contrário, torna-se “sacramento” para a humanidade, sinal e instrumento da salvação realizada por Cristo, luz do mundo e sal da terra (cf. Mt 5, 13-16) para a redenção de todos. A missão da Igreja está em continuidade com a de Cristo: “Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós” (Jo 20, 21). Por isso, a Igreja tira a força espiritual de que necessita para levar a cabo a sua missão da perpetuação do sacrifício da cruz na Eucaristia e da comunhão do corpo e sangue de Cristo. Deste modo, a Eucaristia apresenta-se como fonte e simultaneamente vértice de toda a evangelização, porque o seu fim é a comunhão dos homens com Cristo e, n'Ele, com o Pai e com o Espírito Santo.» [10]

A comunidade é o terceiro sacramento da evangelização. O Corpo de Cristo, presente visivelmente no mundo pela Igreja que leva a Eucaristia, é o terceiro sacramento da evangelização. O terceiro sacramento da evangelização é a Eucaristia.

4- O jugo de Cristo

 

Mas de que é que o mundo não gosta na Igreja? O ódio do mundo pela Igreja é o principal obstáculos à evangelização. Mas de onde vem esse obstáculo? Porque é que o mundo não gosta da Igreja?

A primeira razão porque o mundo condena a Igreja são os pecados da Igreja. Sobre isso estamos totalmente de acordo com o mundo. A vida da Igreja, quer dizer a evangelização, é um esforço constante para evitar esses pecados, minorar esses pecados, chorar esses pecados, pedir perdão por esses pecados. A santa Igreja Católica é quem mais sofre por causa dos seus próprios pecados. O Catecismo explicou muito bem a origem desse paradoxo:

«“Enquanto que Cristo, santo e inocente, sem mancha, não conheceu o pecado, mas veio somente expiar os pecados do povo, a Igreja, que no seu próprio seio encerra pecadores, é simultaneamente santa e chamada a purificar-se, prosseguindo constantemente no seu esforço de penitência e renovação”[11]. Todos os membros da Igreja, inclusive os seus ministros, devem reconhecer-se pecadores (cf. 1 Jo 1, 8-10). Em todos eles, o joio do pecado encontra-se ainda misturado com a boa semente do Evangelho até ao fim dos tempos (cf. Mt 13, 24-30). A Igreja reúne, pois, em si, pecadores abrangidos pela salvação de Cristo, mas ainda a caminho da santificação:

«A Igreja “é santa, não obstante compreender no seu seio pecadores, porque ela não possui em si outra vida senão a da graça: é vivendo da sua vida que os seus membros se santificam; e é subtraindo-se à sua vida que eles caem em pecado e nas desordens que impedem a irradiação da sua santidade. É por isso que ela sofre e faz penitência por estas faltas, tendo o poder de curar delas os seus filhos, pelo Sangue de Cristo e pelo dom do Espírito Santo[12].”»[13]

A segunda razão pela qual o mundo condena a Igreja é que ele não gosta da hierarquia. O mundo tem muitas hierarquias. Hierarquias nacionais, supranacionais, regionais, comunitárias, mundiais. Mas o mundo não gosta da hierarquia da Igreja. Não gosta que se tenha um Papa, mesmo quando gosta do Papa. O mundo não gosta que se tenha cardeais e bispos, cónegos e padres. O mundo não gosta do Vaticano e, sobretudo, não gosta da Cúria Romana.

Isto na evangelização não é um detalhe. Tivemos duzentos anos de guerras na Europa para saber se se deve obedecer ou não ao Papa, se se deve ter ou não uma hierarquia. Pode mesmo dizer-se que, em todos os esforços para o ecumenismo e para a unidade dos cristãos, este é o problema central, estando as questões de doutrina resolvidas há muito tempo. E sobre isto devemos dizer que estamos parcialmente de acordo com o mundo. Mesmo na Igreja ouvem-se muitas vezes queixas sobre o clericalismo. Quase sempre de clérigos.

A raiz de tudo isto é simples : se há coisas que o mundo odeia mais que todas as outras, é a obediência, a humildade, a mansidão. O mundo não vê relação possível entre a felicidade e a obediência. O mundo não consegue encontrar conexão compreensível entre a alegria e a humildade, entre a paz e a mansidão.

«Tomai o meu jugo sobre vós e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito. Pois o meu jugo é suave e a minha carga é leve» (Mt 11, 29-30). Eis uma frase que, se existir uma que o faça, simboliza o centro da evangelização. Tomar o jugo de Cristo sobre nós! É isso evangelizar. Mas como o podemos fazer, se o mundo não gosta da obediência, mesmo sob um jugo suave e uma carga leve? Se o mundo ignora a humildade e repudia a mansidão? É por causa disto, mais do que qualquer outra coisa, que o mundo não gosta da evangelização.

Há uma terceira razão para condenar a Igreja: a injustiça. O mundo utiliza, para julgar a Igreja, critérios que não usa para mais ninguém. Se alguém condenasse um povo por coisas que ele fez há trezentos ou seiscentos anos, seria chauvinista, xenófobo, racista. Mas é muito corrente atacar a acção presente da Igreja invocando a Inquisição e as Cruzadas. A esses pretextos anacrónicos, que para mais ignoram a verdadeira realidade desses séculos passados e usam generalizações deformadas, juntam-se muitos outros. O mundo pensa ter terríveis acusações contra a Igreja, pelas quais pretende tantas vezes justificar as agressões contra a obra social, educativa, cultural e caritativa única da Igreja no nosso tempo, como em todos os séculos. Esta injustiça chegou mesmo a justificar que «no final do segundo milénio, a Igreja tornou-se novamente Igreja de mártires.»[14], como notou o Papa em 1994. 

É por isso que o Corpo de Cristo é, no nosso tempo mais uma vez, condenado ao tribunal. O Corpo de Cristo encontra-se, mais uma vez, flagelado e coroado de espinhos. A mesma coroa de espinhos que S. Luís recebeu e que é venerada nesta Catedral de Notre Dame de Paris encontra-se, uma vez mais, hoje sobre o Corpo de Cristo. Carregam-no, ainda uma vez, com a Cruz e Ele tem de, mais uma vez, percorrer a Via Sacra. É assim que se repetem e que se completam as tribulações de Cristo (cf. Cl 1, 24).

Mas isto não uma ocasião de lamento, de rancor, de sofrimento. É uma causa de alegria, de paz, de felicidade. «Agora, alegro-me nos sofrimentos que suporto por vós e completo na minha carne o que falta às tribulações de Cristo, pelo seu Corpo, que é a Igreja.» (Cl 1, 24).

Esta alegria é uma parte essencial da evangelização, porque não se pode fazer a evangelização senão na Cruz. Não se pode encontrar a verdadeira alegria e a verdadeira paz senão na Cruz. «Felizes sereis, quando vos insultarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o género de calúnias contra vós, por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque grande será a vossa recompensa no Céu; pois também assim perseguiram os profetas que vos precederam» (Mt 5, 11-12). «Quanto a mim, porém, de nada me quero gloriar, a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo.» (Gl 6, 14)

A Cruz é o quarto sacramento da evangelização. A Cruz, que é o cume sublime da obediência, da humildade e da mansidão, é o quarto sacramento da evangelização. Neste mundo que não ama a Igreja, que não suporta a obediência, a Cruz é o sinal mais visível da evangelização. A Cruz é o quarto sacramento da evangelização. A glória da Cruz palpável no esplendor da Ordem. A glória da Cruz visível no brilho do Matrimónio.

5- A vida da evangelização

 

Como fazer a evangelização ? Que devemos dizer a este mundo que não gosta da evangelização? Quais são os meios que devemos utilizar?

«Deixem-me falar-vos de Jesus Cristo!» É isto que devemos dizer ao mundo. «Deixem-me falar-vos de Jesus Cristo!» Não há outro assunto de evangelização, não há outra coisa a dizer. «Por favor, deixem-nos falar-vos de Jesus Cristo. Não temos mais nada a dizer-vos. De que vos podemos falar, senão d’Ele?»

O resto, é uma questão de terrenos. As únicas parábolas que foram explicadas nos Evangelhos ocupam-se precisamente dos terrenos da evangelização. «Um semeador saiu para semear...» mas só «aquele que recebeu a semente em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende: esse dá fruto e produz ora cem, ora sessenta, ora trinta.» (Mt 13, 4 e 23). «Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem; o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do Reino; o joio são os filhos do maligno; o inimigo que a semeou é o diabo; a ceifa é o fim do mundo e os ceifeiros são os anjos.» (Mt 13, 37-39). Eis a escatologia da evangelização. Mas eis também a metodologia da evangelização.

O mundo é o terreno, o único terreno de evangelização. As nossas ruas, os nossos sindicatos e cinemas, eis os terrenos de evangelização. São os problemas do quotidiano que ocupam a evangelização. Os dramas do mundo contemporâneo são os terrenos da evangelização.

A vida é o primeiro sacramento da evangelização. E hoje, é a defesa da vida humana, desde a sua concepção até à morte natural, que constitui um dos temas capitais da evangelização. O Papa João Paulo II apresentou-o de uma forma cristalina na sua encíclica «Evangelium Vitae».

«As raízes da contradição que se verifica entre a solene afirmação dos direitos do homem e a sua trágica negação na prática, residem numa concepção da liberdade que exalta o indivíduo de modo absoluto e não o predispõe para a solidariedade, o pleno acolhimento e serviço do outro. Se é certo que, por vezes, a supressão da vida nascente ou terminal aparece também matizada com um sentido equivocado de altruísmo e de compaixão humana, não se pode negar que tal cultura de morte, no seu todo, manifesta uma concepção da liberdade totalmente individualista que acaba por ser a liberdade dos “mais fortes” contra os débeis, destinados a sucumbir.»[15]

Devemos dizer, com o Papa, que a evangelização tem hoje o dever solene de confrontar a nossa «cultura de morte».
A alegria é o segundo sacramento da evangelização. No mundo de hoje a defesa da alegria está directamente ligada à defesa da paz e à defesa da família. A família vivendo na paz é a condição necessária à alegria da humanidade. O Papa confiou essas graves intenções ao Rosário da Virgem Maria: «À eficácia desta oração, confio de bom grado hoje – como acenei ao princípio – a causa da paz no mundo e a causa da família (...) Oração pela paz, o Rosário foi desde sempre também oração da família e pela família.»[16] A guerra e os ataques à família, que estão estreitamente ligados, representam os mais graves atentados actuais contra a alegria. A evangelização deve confrontá-los.

A comunidade é o terceiro sacramento da evangelização. A Igreja, comunidade dos santos, encontra-se ameaçada na nossa sociedade, tal como as outras religiões, pelo laicismo, que se erige em crença totalitária do mundo contemporâneo. O laicismo, aparentemente, diz defender os direitos do homem, Mas, como explicou o Papa, «fonte e síntese destes direitos é, em certo sentido, a liberdade religiosa, entendida como direito a viver na verdade da própria fé e em conformidade com a dignidade transcendente da pessoa»[17]. Esta dignidade encontra-se também posta em causa pelos abusos contra a liberdade de educação e da economia, elas também alvos habituais do centralismo do Estado- A Igreja vê-se, tantas vezes, quase só a confrontar o poder da sociedade democrática na defesa dos direitos fundamentais. Essas liberdades são consequentemente um terreno essencial para a evangelização.

A Cruz é o quarto sacramento da evangelização. Nesta Europa que é o continente da confusão cultural, nesta Europa que é a única região que renegou as suas raízes de civilização, a evangelização deve ocupar-se da própria identidade intelectual. A presença da Cruz de Cristo na Europa não é apenas uma questão de fé., é também uma questão de personalidade. A Constituição da Europa e o sucessor Tratado de Lisboa mostram-no claramente. Mostram-no como o sepulcro vazio, pela ausência.

Mas, como disse o Santo Padre João Paulo II na Exortação Apostólica «Ecclesia in Europa» : «Olhando para a Europa como comunidade civil, não faltam sinais indicadores de esperança: neles, mesmo entre as contradições da história, podemos com um olhar de fé individuar a presença do Espírito de Deus que renova a face da terra.»[18]

São estes os terrenos da evangelização. Os terrenos que encontramos nos mercados e nos autocarros, mas também nas paróquias e nos conventos, nos seminários e nos capítulos, nos episcopados e nos sínodos.

São estes os terrenos. Mas quais são os métodos? Como podemos fazer a evangelização nas nossas ruas e nos nossos mercados? Nos cinemas e na televisão? Nas cotações da Bolsa e nas decisões dos ministros?

Se o perguntarmos isto a S. Tomás de Aquino, teremos uma surpresa. Porque na «Suma Teológica», S. Tomás nunca fala de «missão» ou «missionário» no sentido que hoje damos a estas palavras. Ele fala muito de missão, mas não dessa missão de que nós falamos. A missão de que ele fala é a missão das pessoas divinas.

S. Tomás fala de uma tripla missão das pessoas divinas: Primeiro, a missão de Cristo, enviado a este mundo para o salvar. Em seguida da missão do Espírito Santo, que veio à «sala de cima» (cf. Act 1, 13), onde recebemos o espírito missionário nas «línguas à maneira de fogo» (Act 2, 3). Finalmente a missão que é a presença de Deus em nós pela graça santificante.

Ele explica: «Dizemos que uma Pessoa divina é “enviada” na medida em que ela existe em alguém de uma forma nova; e ela é “dada”, na medida em que é possuída por alguém. Ora nem uma coisa nem outra têm lugar senão por causa da graça santificante. Há, com efeito, uma maneira comum de Deus existir em todas as coisas pela sua essência, a sua potência e a sua presença. Ele está assim nelas como a causa nos efeitos que participam da sua bondade. Mas, para lá deste modo comum, existe um modo especial, que é próprio da criatura racional: dizemos que Deus existe nesta como o conhecido no conhecedor e o amado no amante. E porque, ao conhecê-lo e amá-lo, a criatura racional atinge pela sua operação o próprio Deus, dizemos que, por esse modo especial, não apenas Deus está na criatura racional, mas mais, que habita nela como no seu templo. Assim, portanto, fora da graça santificante não existe outro efeito que possa ser a razão de um novo modo de presença da Pessoa divina na criatura racional. E é apenas pela graça santificante que ela tem a missão e a processão temporal da Pessoa divina»[19]. «Pela graça santificante é toda a Trindade que habita a alma, como está escrito em S. João (14,23) “Nós viremos a  ele e faremos nele a nossa morada”»[20].

A evangelização é sempre e só a missão de Deus. Ele quer ter necessidade de nós, mas é Ele que nos faz o anúncio. É Ele que está presente no mundo, em todas as coisas pela sua essência, o seu potência e a sua presença, como a causa nos seus efeitos, que participam da sua bondade. Mas pela evangelização, Ele habita em nós como no seu templo.

Deus é o assunto, é o sujeito, o único sujeito da evangelização. É Deus que está presente na vida do mundo. A única descrição de todas as ocasiões de evangelização é muito simples “Jesus percorria cidades e aldeias, ensinando e caminhando para Jerusalém” (Lc 13, 22). Em todos os casos é isto que se passa: Jesus percorre as nossas ruas e fábricas, os nossos mercados e os nossos satélites, ensinando e caminhando para Jerusalém.

Deus é o sujeito, o único sujeito da evangelização. Mas o mundo só nos vê a nós. Eis o drama da evangelização. O mundo não sabe que nós somos o Corpo de Cristo. Mas sobretudo, o mundo não sabe que é sempre a Cabeça de Cristo que faz mover o seu Corpo. A evangelização é sempre Cristo que fala ao mundo por nosso intermédio.

Isto não é uma coisa que possamos fazer. É uma coisa que só podemos pedir. A evangelização é sempre uma coisa que pedimos. Devemos pedi-la. Devemos pedi-la a Nossa Senhora.

Maria é o começo, a fonte, a origem da evangelização. Ela é a aurora da Redenção. Ela é também o sacramento inicial, primitivo, original da evangelização. Nossa Senhora é, ela mesma, o quinto e último sacramento da evangelização.

É por isso que toda a evangelização deve começar e acabar pela oração. Rezar a Notre Dame de Paris. Rezar a Nossa Senhora de Fátima. Rezar a Nossa Senhora de todo o lado. «Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amen»




[1] O original francês deste texto, “Les Sacrements de l’Évangélisation”, foi apresentado na Catedral de Notre Dame em Paris, a 28 de Outubro de 2004, durante a sessão francesa do Congresso Internacional para a Nova Evangelização- Paris 2004, e publicado no livro Lustiger, et al (2004) Vous serez mes témoins – Paris Toussaint 2004, Paris.
[2] Péguy, Charles (1913) “Les Tapisseries d’Eve” in Oeuvres poétiques complètes, Bibliothèque de la Pléiade, Gallimard, Paris, 1957, p. 1080, 1085-1086
[3] Dial. 4, 138.
[4] Margarita Roper, Epistula ad Aliciam Alington (mense augusti 1534).
[5] Catecismo da Igreja Católica nº303, 313.
[6] S. Agostinho Confissões, liv. X cap. xx, xxii)
[7] O lema do Congresso Paris Toussaint 2004 era : «Qui nous fera voir le bonheur?»
[8] São Tomás de Aquino Suma Teológica, II-II, 28.
[9] : «Il m’est avis que c’est tout un de Notre-Seigneur et de l’Église et qu’on ne doit point faire de difficulté que ce ne soit tout un.» in Georges et Andrée Duby (2000) Les procès de Jeanne d’Arc, Gallimard, p. 115.
[10] João Paulo II (2003) Encíclica Ecclesia de Eucharistia, nº 22.
[11] Vaticano II, Constituição dogmática. Lumen Gentium, 8.
[12] Paulo VI, Sollemnis Professio fidei, 19.
[13] Catecismo da  Igreja Católica nº 827.
[14] João Paulo II (1994) Carta Apostólica Tertio Millennio Adveniente, nº 37.
[15] João Paulo II (1995) Encíclica Evangelium Vitae, nº 19.
[16] João Paulo II (2002) Carta Apostólica Virginis Mariae, nº 39 e 41.
[17] João Paulo II (2002) Encíclica Centesimus Annus, nº 47.
[18] João Paulo II (2003) Exortação Apostólica Ecclesia in Europa, nº 12
[19] São Tomás de Aquino Suma Teológica I 43, 3.
[20] São Tomás de Aquino Suma Teológica I 43, 5

Laissez moi vous parler de Jésus-Christ - par João César das Neves

In Lustiger, et al (2004) «Vous serez mes témoins – Paris Toussaint 2004»,
Paris

Congrès « Paris – Toussaint 2004 »


«Les Sacrements de l’Évangélisation».

João César das Neves

Éminences
Mes pères
Sœurs et frères

Laissez moi vous parler de Jésus-Christ !

Je sais que ce n’est pas le moment. Pendant ce Congrès je devrais analyser avec vous la dimension ecclésiale et sacramentelle de l’évangélisation. Mais laissez moi vous parler de Jésus-Christ.

Je sais que je ne suis pas la personne. Il y a des tas de gens qui Le connaissent beaucoup mieux que moi. Et Lui-même, Il entend tout ce que nous disons. Mais laissez moi, quand même, vous parler de Jésus-Christ.

1- La vie du Christ

Parce qu’Il est le seul sujet. Il est le seul thème qui existe. De quoi peut-on parler, sinon de Lui ? Après que les prophètes nous ont annoncé qu’Il viendrait, de quoi peut-on parler, sinon de Lui ? Après que les apôtres nous ont dit qu’Il était déjà venu, de quoi peut-on parler ? Quand les successeurs des apôtres nous disent, ici et maintenant, qu’Il est venu, de quoi peut-on parler sinon de Lui? Quand les saints nous Le montrent présent, ici maintenant, de quoi peut-on parler, sinon de Lui ? «Seigneur, à qui irions-nous? Tu as les paroles de la vie éternelle.» (Jn 6, 68).

Le Christ est le seul thème sur quoi parler. Charles Péguy, qui pria ici dans cette Cathédrale de Notre Dame de Paris, nous a dit que :

Les pas des légions avaient marché pour lui.
Les voiles des bateaux pour lui s’étaient gonflées.
Pour lui les soleils d’automnes avaient lui.
Les voiles des bateaux pour lui s’étaient pliées
(...)
Les pas de Darius avaient marché pour lui.
C’est lui qu’on attendait au fin fond de la Perse.
C’est lui qu’on attendait dans une âme disperse.
Il était le seigneur d‘hier et d’aujourd’hui.
(...)
Les règles d’Aristote avaient marché pour lui
Du cheval d’Alexandre aux règles scholastiques.
Et pour lui l’ascétisme et la règle avaient lui
Des règles d’Épicure aux règles monastiques.[1]

Tout dans le monde nous parle du Christ. Tout dans le monde marche pour le Christ. Tout existe pour le Christ. Ceci doit être le premier élément de l’évangélisation. Il l’a dit, Lui-même : «J'ai reçu tout pouvoir dans le ciel et sur la terre : allez donc dans le monde entier, faites des disciples parmi tous les peuples, baptisez-les au nom du Père, du Fils et du Saint-Esprit» (Mt 28, 18). La condition préalable de l’évangélisation est que tout le pouvoir a été reçu par le Christ. Par sa résurrection glorieuse, le monde appartient au Christ. Alors, l’évangélisation peut commencer.

Si tout le pouvoir est au Christ, ça veut dire que toutes les choses sont sous sa puissance. Ça veut dire que chaque moment de notre vie est sous son pouvoir. Nous le savons très bien. Même les choses qui semblent ne pas être sous son pouvoir, elles le sont mystérieusement. Le Catéchisme de L’Église Catholique l’explique très bien :

«Le témoignage de l’Écriture est unanime : la sollicitude de la divine providence est concrète et immédiate, elle prend soin de tout, des moindres petites choses jusqu’aux grands événements du monde et de l’histoire. Avec force, les livres saints affirment la souveraineté absolue de Dieu dans le cours des événements : " Notre Dieu, au ciel et sur la terre, tout ce qui lui plaît, Il le fait " (Ps 115, 3) ; et du Christ il est dit : " S’Il ouvre, nul ne fermera, et s’Il ferme, nul n’ouvrira " (Ap 3, 7) ; " Il y a beaucoup de pensées dans le cœur de l’homme, seul le dessein de Dieu se réalisera " (Pr 19, 21). (…) Le témoignage des saints ne cesse de confirmer cette vérité : Ainsi, S. Catherine de Sienne dit à " ceux qui se scandalisent et se révoltent de ce qui leur arrive " : " Tout procède de l’amour, tout est ordonné au salut de l’homme, Dieu ne fait rien que dans ce but "[2]. Et S. Thomas More, peu avant son martyre, console sa fille : " Rien ne peut arriver que Dieu ne l’ait voulu. Or, tout ce qu’il veut, si mauvais que cela puisse nous paraître, est cependant ce qu’il y a de meilleur pour nous "[3]»[4].

Le Catéchisme est clair. Nous connaissons très bien cette doctrine. Mais est-ce que nous le croyons vraiment touts les jours ? Est-ce que nous croyons que Jésus-Christ est le Seigneur des marchés et des embouteillages ? Nous savons que le Christ est le «Seigneur des armées» (Ps 84 (83), 2; Is 1, 9), le «Seigneur des siècles» (Tb 13, 15), nous savons qu’Il est le «Seigneur de nos pères» (Jdt 7, 28). Mais est-ce que nous croyons qu’Il est aussi le Seigneur des satellites et des syndicats ? Des jeux d’ordinateur et des cinémas ? Est-ce que nous savons qu’Il est le Seigneur de la télévision et des autobus, le Seigneur des usines et des portables ? Il est le Seigneur d‘hier et d’aujourd’hui.

C’est Lui, le Verbe de Dieu, qui nous parle dans chaque moment de notre vie. C’est Lui, le Verbe de Dieu, qui est présent dans chaque présence qu’on rencontre dans notre quotidien. De quoi peut-on parler, sinon de Lui ? C’est ça l’évangélisation : parler de Jésus-Christ dans les marchés, les autobus, les syndicats, les cinémas.

Le monde, tout le monde, est la manifestation du Christ. Le monde, tout le monde, qu’il le sache ou pas, est la présence du Christ. Pour Lui avaient marché les légions, même si elles ne Le connaissaient pas. Pour lui marchent les cotations de la bourse et les décisions des ministres, même s’ils ne le savent pas. Pour lui marchent les pas des ouvriers et les prix du pétrole. Il est le Seigneur d‘hier et d’aujourd’hui.

«Nous savons, du reste, que toutes choses concourent au bien de ceux qui aiment Dieu, de ceux qui sont appelés selon son dessein.» (Rm 8, 28). C’est pour ça que, parmi toutes les choses de notre vie, de quoi peut-on parler, sinon de Lui ?

La vie du monde est le premier sacrement de l’évangélisation. Le monde et tout dans notre vie nous parlent du Christ. Le Christ évangélise à travers le monde. Le Christ nous évangélise par le monde. Les évènements de l’Histoire sont le premier sacrement de l’évangélisation. Le monde, notre vie, l’Histoire ne nous parlent que de Jésus-Christ. La vie du monde est le premier sacrement de l’évangélisation. Le premier sacrement de l’évangélisation est le Baptême.

2- Le bonheur du Christ

Mais que signifie parler de Jésus-Christ ? Quelle est la signification de l’évangélisation ?

Parler de Jésus-Christ c’est parler de bonheur, c’est parler de joie, c’est parler de paix. C’est ça le signe du Christ. Le vrai bonheur est le signe, c’est le sacrement de la présence du Christ dans le monde. Le bonheur est le signe de la présence du Christ en nous :

S. Augustin a dit : «Lorsque je vous cherche, vous, mon Dieu, c'est le bonheur que je cherche. Je vous chercherai pour que vive mon âme. Car mon corps vit de mon âme, et mon âme vit de vous (...) Loin de mon cœur, loin du cœur de votre serviteur qui se confesse à vous, Seigneur, la pensée de trouver le bonheur dans n'importe quelle joie! Car il est une joie qui n'est pas donnée aux impies; mais à ceux qui vous servent d'une façon désintéressée: c'est vous même qui êtes cette joie. C'est cela le bonheur! Se réjouir de vous, pour vous, à cause de vous; c'est cela et il n'y en a point d'autre. Ceux qui se figurent qu'il y en a une autre s'attachent a une joie qui n'est pas la vraie. Pourtant il y a toujours une image de la joie dont leur volonté ne se détourne pas.»[5]

S. Augustin nous dit que le bonheur c’est se réjouir du Christ, pour le Christ, à cause du Christ. C’est ça le bonheur. On ne peut pas parler du Christ, on ne peut pas faire l’évangélisation sans porter avec soi le bonheur et la joie du Christ. «Si vous gardez mes commandements, vous demeurerez en mon amour, comme moi j'ai gardé les commandements de mon Père et je demeure en son amour. Je vous dis cela pour que ma joie soit en vous et que votre joie soit complète.» (Jn 15, 10-11). La joie c’est le signe de l’apôtre.

Dieu, quand Il a voulu nous envoyer les commandements, Il l’a fait par porteur. Mais quand Il est venu Lui-même, Il nous a apporté les Béatitudes. Le bonheur, la béatitude, la joie, la paix sont les nouveautés de la Nouvelle Alliance. Elles doivent être aussi les nouveautés de la Nouvelle Évangélisation. Parler de Jésus-Christ c’est parler de bonheur. C’est le Christ qui nous fera voir le bonheur.

C’est seulement à cause de ça que « Malheur à moi si je n’annonce pas l’Évangile » (1 Co 9, 16). Ce n’est pas un châtiment. C’est seulement un oubli. Si je n’annonce pas l’Évangile, si j’oublie de parler de Jésus-Christ, la joie n’est pas en moi. Si je ne parle pas de Jésus-Christ, le bonheur n’est pas en moi. Si je ne parle pas de Jésus-Christ je suis malheureux. Malheur à moi si je n’annonce pas Jésus-Christ.

Quand j’oublie les Béatitudes, je suis malheureux. Le bonheur, le vrai bonheur, le seul bonheur, c’est de parler de Jésus-Christ, c’est de parler avec Jésus-Christ. C’est se réjouir en parlant du Christ, pour le Christ, à cause du Christ. Parler de Jésus-Christ dans les marchés et dans les embouteillages. Parler du Christ par les satellites et les syndicats. Parler du Christ c’est être heureux. Parler du Christ c’est être vraiment heureux. C’est être heureux dans les pas des ouvriers et dans les usines, dans les cinémas et la bourse. Parler du Christ c’est être heureux parmi les décisions des ministres et les jeux d’ordinateur.

Mais la paix vient du Christ, non du monde. On sait très bien que la paix que les usines nous donnent, la paix des cinémas, des ordinateurs, des ministres n’est pas la vraie paix. On sait que ce n’est pas dans la télévision et les autobus qu’ont peut trouver la véritable joie. Il y a là une image de la vraie joie, comme dit S. Augustin. Mais ceux qui se figurent qu'il y a une autre en dehors du Christ, s'attachent a une joie qui n'est pas la vraie. Comme dit S. Augustin.

Les ordinateurs et les syndicats, les marchés et les embouteillages ne peuvent pas, par eux-mêmes, nous donner la joie. Les satellites et les usines ne peuvent nous donner qu’une image du vrai bonheur. On sait que la joie du monde n’est pas une vraie joie, sa paix n’est pas une vraie paix. Le monde et l’Histoire n’ont pas la paix, n’ont pas la joie. Ils ne peuvent pas nous la donner. Vues les souffrances de notre vie, nous savons très bien que nous ne pouvons pas trouver le vrai bonheur dans le monde et l’Histoire. Sinon par le Christ.

Nous, pauvres pécheurs, nous savons très bien combien de fois nous sommes tombés dans ces fausses joies. On trouve partout des gens qui ont mis leur espoir dans les usines et les politiques, dans les marchés et les jeux. Et ils se trouvent perdus. On trouve des gens, qu’ils le sachent ou pas, qui n’ont pas trouvé dans le monde le bonheur qu’ils y cherchaient.

Le vrai bonheur est dans la présence du Christ. Et le monde, tout le monde, qu’il le sache ou pas, contient la présence du Christ. Mais cette présence ne peut être révélée que par l’évangélisation. C’est par l’évangélisation qu’on trouve ce qui donne la joie dans les marchés et les rues, parce que c’est par l’évangélisation qu’on y trouve le Christ. C’est par l’évangélisation que le monde trouve la vraie joie, le vrai bonheur qu’il a déjà dans l’image, comme dit S. Augustin, mais qu’il ne connaît pas.

Quelle est la source par laquelle Jésus-Christ nous apporte la joie ? Où est-ce que, plus que dans tout le reste, on peut trouver le Christ présent dans le monde ?

Quand le monde voit le Christ, ce qui l’étonne le plus c’est la miséricorde. «Qui est celui-ci, qui pardonne même les péchés?» (Lc 7, 49). C’est ça qui a étonné les pharisiens. C’est ça qui a attiré les disciples. Pour nous, pauvres pécheurs, la seule source de bonheur est la miséricorde. Pour nous, qui tant de fois sommes tombés dans les fausses joies, le seul chemin pour la paix est la miséricorde. Pour nous, écrasés de péchés, la seule source de joie est la miséricorde.

Nos péchés nous ont condamnés. Chacun de nous sait très bien que nos péchés nous ont condamnés. Et quand ont regarde les usines et les autobus, les ministres et les marchés, ont sait très bien qu’ils ne peuvent pas avoir de paix, à cause des leurs terribles péchés. Ce dont nous avons besoin, ce dont ils ont besoin c’est de la miséricorde. Seule la miséricorde libère des péchés. Seule la miséricorde remit les pécheurs. Seule la miséricorde ouvre les portes de la paix et de la joie. L’annonce de l’évangélisation doit être l’annonce de la miséricorde. Ce n’est que comme ça que l’évangélisation peut être l’annonce du bonheur, de la joie et de la paix.

Saint Thomas d’Aquin, qui pria ici dans cette Cathédrale de Notre Dame de Paris, nous a appris que les effets intérieurs de la charité sont trois : la joie, la paix et la miséricorde[6]. La charité, que le Christ nous a apportée, nous donne la joie et la paix. Elle nous les donne à travers la miséricorde, qui est aussi un effet de la charité. «Ses nombreux péchés ont été pardonnés: car elle a beaucoup aimé.» (Lc 7, 47).

La joie est le deuxième sacrement de l’évangélisation. Pour faire l’évangélisation ont doit avoir la joie des sauvés, ont doit avoir la paix du Christ. Le bonheur d’être pardonné des péchés est le deuxième sacrement de l’évangélisation. Le deuxième sacrement de l’évangélisation est la Pénitence.

3- Le Corps du Christ

Le monde n’aime pas l’évangélisation. Le monde n’aime pas qu’on lui parle du Christ. C’est vrai que le monde ne connaît pas le Christ. Mais, même ne Le connaissant pas, le monde n’aime pas qu’on lui parle de Lui. Le monde ne connaît pas le Christ parce qu’il n’entend pas l’évangélisation, il ne comprend pas l’évangélisation. Et il ne l’entend pas parce qu’il n’aime pas l’évangélisation.

Le monde cherche partout le bonheur, la joie, la paix. Mais il ne connaît pas le Christ. Seulement le Christ pourrait lui donner ce qu’il cherche. Et le monde n’aime pas Celui qu’il ne connaît pas. C’est ça la difficulté principale de l’évangélisation.

On touche, maintenant, au mystère central de l’évangélisation. On est dans le drame essentiel de l’évangélisation : «La lumière luit dans les ténèbres, et les ténèbres ne l'ont point reçue. (…) Elle est venue chez les siens, et les siens ne l'ont point reçue.» (Jn 1, 5 11). Voilà le terrible obstacle de l’évangélisation.

Le monde, qui a en soit la présence du Christ, le monde qui cherche le bonheur, la joie et la paix, qu’il ne peut avoir que dans le Christ, n’aime pas l’évangélisation. Nous, on ne peut parler que du Christ. Mais le monde n’aime pas qu’on lui parle du Christ. S’il L’avait connu, le monde ne pourrait que l’aimer. Mais le monde, en ne connaissant pas le Christ, n’aime pas qu’on lui parle du Christ. Le monde n’aime pas l’évangélisation.

Ce n’est pas le Verbe de Dieu que le monde n’aime pas. Le monde, en général, n’a pas de problèmes avec les panthéismes, avec les mysticismes et les spiritualismes. Le monde, dans ses marchés et usines, dans les décisions des ministres et les prix du pétrole, n’a pas de problèmes avec les superstitions ésotériques. Dieu, s’Il reste dans le Ciel et se limite à être Dieu lointain, ne fait pas de problèmes au monde, Il ne crée pas de difficultés aux marchés et aux ministres.

Ce n’est pas non plus la Tête du Christ que le monde n’aime pas. Tous, même ceux qui attaquent la foi, on normalement du respect pour la Tête du Christ, pour la personne de Jésus. Même les plus grands ennemis de l’Église affirment admirer la vie, la doctrine, la personne de Jésus. On lit dans les livres des impies de très belles paroles sur Jésus, sur son histoire, sur ses paraboles, sur ses enseignements, sur son admirable sacrifice. S’Il n’est pas Dieu, s’Il ne ressuscite pas, le monde a beaucoup d’admiration pour Jésus.

Le respect que le monde dit avoir pour Jésus suppose qu’Il ne dise jamais qu’Il est Dieu. On aime beaucoup ses enseignements, mais seulement s’Il ne dit pas que «moi et le Père, nous ne sommes qu'un.» (Jn 10, 30). Cette petite partie de ses enseignements n’est pas tolérable. Mais pourvu qu’Il ne dise pas que «avant qu'Abraham fût, je suis.» (Jn 10, 30), le monde est très respectueux envers la Tête du Christ.

Ce n’est pas le Verbe de Dieu ni la Tête du Christ que le monde n’aime pas. Ce qu’il n’aime pas c’est le Corps du Christ. Ce que le monde condamne c’est le Corps que le Christ s’est choisi. Ce corps de chair et de sang que le Christ a choisi pour Soi, c’est ça que le monde n’aime pas. Si le Christ était resté au Ciel, si le Verbe n’avait pas choisi d’incarner dans un corps, le monde le respecterait toujours.

Mais Il est venu ici-bas, dans la boue et la poussière. Il est venu ici, dans les marchés et les usines. Si Dieu vient dans les marchés et les usines, s’Il interfère dans les décisions des ministres et les syndicats, ça le monde n’aime pas du tout. Ce que le monde n’aime pas en Dieu c’est qu’Il ait décidé d’entrer dans le marché de la charpenterie. Le Verbe de Dieu a décidé de travailler pendant des tas d’années dans une manufacture, et quelques-unes de ces années au tant que travail d’enfant. C’est ça que le monde n’aime pas : qu’Il se soit choisi un Corps. Ce que le monde n’aime pas c’est l’Incarnation.

Le monde n’aime pas le corps que le Christ s’est choisi à Nazareth. Et, surtout, le monde n’aime pas le corps qu’Il s’est choisi au Cénacle. Le corps qu’Il s’est choisi à Nazareth et qui s’appelle Jésus mais, surtout, le corps qu’Il S’est choisi au Cénacle, et qui s’appelle Église. C’est ça que le monde n’aime pas.

On lit dans les livres des athées de très belles paroles sur Jésus. Mais on y lit aussi les plus terribles accusations contre l’Église. Ce que le monde n’aime pas du tout c’est la communauté des disciples que le Christ S’est choisie comme son Corps. Ce Corps qui se réuni ici, dans cette cathédrale, c’est ça que le monde n’aime pas du tout. Mais en attaquant l’Église, le monde ne sait pas qu’il est en train d’attaquer le Christ, qu’il admire tant.

Jeanne d’Arc, qui a désirée si ardemment prier ici dans cette Cathédrale de Notre Dame de Paris, nous a présenté ce mystère d’une forme radical. Dans son procès est dit : «Il m’est avis que c’est tout un de Notre-Seigneur et de l’Église et qu’on ne doit point faire de difficulté que ce ne soit tout un.»[7]

La Tête du Christ ne peut pas être séparée du Corps du Christ. Notre-Seigneur et l’Église c’est tout un. S. Paul dit : «Vous êtes le corps de Christ, et vous êtes ses membres, chacun pour sa part.» (1Co 12, 27), «Il est la tête du corps de l'Église» (Col 1, 18) Le Christ total, l’Eucharistie dans l’Église, c’est ça que le monde condamne, ce qu’il n’aime pas. L’évangélisation, qui révèle la présence de Jésus-Christ dans le monde, ne peut montrer autre chose que ce Christ total, l’Église qui garde l’Eucharistie. Et c’est l’Eucharistie qui pousse l’Église vers l’évangélisation.

Le pape Jean Paul II, qui pria ici dans cette Cathédrale de Notre Dame de Paris, l’a expliqué très bien dans son encyclique «Ecclesia de Eucharistia» : «En s'unissant au Christ, le peuple de la nouvelle Alliance, loin de se refermer sur lui-même, devient «sacrement» pour l'humanité, signe et instrument du salut opéré par le Christ, lumière du monde et sel de la terre (cf. Mt 5, 13-16) pour la rédemption de tous. La mission de l'Église est en continuité avec celle du Christ: «De même que le Père m'a envoyé, moi aussi, je vous envoie» (Jn 20, 21). C'est pourquoi, de la perpétuation du sacrifice du Christ dans l'Eucharistie et de la communion à son corps et à son sang, l'Église reçoit les forces spirituelles nécessaires à l'accomplissement de sa mission. Ainsi, l'Eucharistie apparaît en même temps comme la source et le sommet de toute l'évangélisation, puisque son but est la communion de tous les hommes avec le Christ et en lui avec le Père et l'Esprit Saint.»[8]

La communauté est le troisième sacrement de l’évangélisation. Le Corps du Christ, présent visiblement dans le monde par l’Église qui porte l’Eucharistie, est le troisième sacrement de l’évangélisation. Le troisième sacrement de l’évangélisation est l’Eucharistie.

4- Le joug du Christ

Mais qu’est-ce que le monde n’aime pas dans l’Église ? La haine du monde pour l’Église est le principal obstacle à l’évangélisation. Mais d’où vient cet obstacle ? Pourquoi le monde n’aime pas l’Église ?

La première raison pour laquelle le monde condamne l’Église c’est les péchés de l’Église. Sur ça on est totalement d’accord avec le monde. La vie de l’Église, ça veut dire l’évangélisation, est un effort constant pour éviter ces péchés, minorer ces péchés, pleurer ces péchés, demander pardon à cause de ces péchés. La sainte Église catholique est celle qui souffre le plus à cause de ses propres péchés. Le Catéchisme explique très bien l’origine de ce paradoxe :

«"Tandis que le Christ saint, innocent, sans tache, venu uniquement pour expier les péchés du peuple, n’a pas connu le péché, l’Église, elle, qui renferme des pécheurs dans son propre sein, est donc à la fois sainte et appelée à se purifier, et poursuit constamment son effort de pénitence et de renouvellement ". Tous les membres de l’Église, ses ministres y compris, doivent se reconnaître pécheurs (cf. 1 Jn 1, 8-10). En tous, l’ivraie du péché se trouve encore mêlée au bon grain de l’Évangile jusqu’à la fin des temps (cf. Mt 13, 24-30). L’Église rassemble donc des pécheurs saisis par le salut du Christ mais toujours en voie de sanctification :

L’Église est sainte tout en comprenant en son sein des pécheurs, parce qu’elle n’a elle-même d’autre vie que celle de la grâce : c’est en vivant de sa vie que ses membres se sanctifient ; c’est en se soustrayant à sa vie qu’ils tombent dans les péchés et les désordres qui empêchent le rayonnement de sa sainteté. C’est pourquoi elle souffre et fait pénitence pour ces fautes, dont elle a le pouvoir de guérir ses enfants par le sang du Christ et le don de l’Esprit Saint ».[9]

La deuxième raison pour laquelle le monde condamne l’Église est qu’il n’aime pas la hiérarchie. Le monde a des tas de hiérarchies. Des hiérarchies nationales, supranationales, régionales, communautaires, mondiales. Mais le monde n’aime pas la hiérarchie de l’Église. Il n’aime pas qu’on aie un pape, même quand il aime le pape. Le monde n’aime pas qu’on aie des cardinaux et des évêques, des chanoines et des prêtres. Le monde n’aime pas le Vatican et surtout, il n’aime pas la Curie Romaine.

Ceci dans l’évangélisation n’est pas un détail. On a subi deux cents ans de guerres en Europe pour savoir si on devait obéir ou non au pape, si on devait avoir ou non une hiérarchie. On peut même dire que dans les efforts pour l’œcuménisme et pour l’unité des chrétiens ceci est le problème central, les questions de doctrine étant résolues il y longtemps. Et sur ça on doit dire qu’on est partiellement d’accord avec le monde. Même dans l’Église on entend plusieurs fois des plaintes sur le cléricalisme. Presque toujours par des clercs.

La racine de tout ça est très simple : s’il y a des choses que le monde haït plus que toutes autres, c’est l’obéissance, l’humilité, la mansuétude. Le monde ne voit pas de relation possible entre le bonheur et l’obéissance. Le monde ne peut pas trouver de connexion envisageable entre la joie et l’humilité, entre la paix et la mansuétude.

«Prenez mon joug sur vous et mettez-vous à mon école, car je suis doux et humble de cœur, et vous trouverez le repos pour vous-mêmes. Oui, mon joug est facile à porter et la charge que je vous impose est légère.» (Mt 11, 29-30). Voilà une phrase qui, s’il y en a une, symbolise le centre de l’évangélisation. Prendre le joug du Christ sur nous ! C’est ça être évangélisé. Mais comment peut-on faire, si le monde n’aime pas l’obéissance, même sous un joug facile et avec une charge légère ? Si le monde ignore l’humilité et répudie la mansuétude ? C’est à cause de ça, plus que d’autre chose, que le monde n’aime pas l’évangélisation.

Il y a une troisième raison pour condamner l’Église : l’injustice. Le monde utilise, pour juger l’Église, des critères qu’il n’use pour aucun d’autre. Si quelqu’un condamnait un peuple pour des choses qu’il aurait fait il y a trois cents ou six cents ans, il serait un chauvin, un xénophobe, un raciste. Mais c’est très courant d’attaquer l’action présente de l’Église en invoquant l’Inquisition ou les Croisades. À ces prétextes anachroniques, qui en plus ignorent ces siècles passés et usent des généralisations déformées, s’ajoutent beaucoup d’autres. Le monde pense avoir de terribles accusations contre l’Église, par lesquelles il prétend tant de fois justifier les agressions contre l’œuvre sociale, éducative, culturelle, caritative unique de l’Église dans notre temps, comme dans tous les siècles. Cette injustice a même justifiée que «au terme du deuxième millénaire, l'Église est devenue à nouveau une Église de martyrs»[10], comme l’a noté le pape il y a déjà dix ans.

C’est pour ça que le Corps du Christ est, en notre temps une fois de plus, condamné au tribunal. Le Corps du Christ se trouve, une fois de plus, flagellé et couronné d’épines. Cette même couronne d’épines que S. Louis a reçu et qui est vénérée dans cette Cathédrale de Notre Dame de Paris se trouve, une fois de plus, aujourd'hui sur le Corps du Christ. On le charge, encore une fois, de la Croix et il doit, une fois de plus, parcourir le Chemin de Croix. C’est ainsi qu’on répète et que l’on complète les épreuves du Christ. (cf. Col 1, 24)

Mais ceci n’est pas une occasion de regret, de rancune, de peine. C’est une cause de joie, de paix, de bonheur. «En ce moment je trouve ma joie dans les souffrances que j’endure pour vous et je complète en ma chair ce qui manque aux épreuves du Christ pour son Corps, qui est l’Eglise» (Col 1, 24).

Cette joie est une partie essentielle de l’évangélisation, parce qu’on ne peut pas faire l’évangélisation que sur la Croix. On ne peut pas trouver la vraie joie et la vraie paix sinon sur la Croix. «Heureux serez-vous quand les hommes vous insulteront et vous persécuteront, lorsqu'ils répandront toutes sortes de calomnies sur votre compte à cause de moi. Oui, réjouissez-vous alors et soyez heureux, car une magnifique récompense vous attend dans les cieux. Car vous serez ainsi comme les prophètes d'autrefois: eux aussi ont été persécutés avant vous de la même manière.» (Mt 5, 11-12). «Pour ce qui me concerne, loin de moi la pensée de me glorifier d'autre chose que de la Croix de notre Seigneur Jésus Christ, par qui le monde est crucifié pour moi, comme je le suis pour le monde!» (Ga 6, 14)

La Croix est le quatrième sacrement de l’évangélisation. La Croix, qui est le sommet sublime de l’obéissance, de l’humilité et de la mansuétude, est le quatrième sacrement de l’évangélisation. Dans ce monde qui n’aime pas l’Église, qui ne supporte pas l’obéissance, la Croix est le signe le plus visible de l’évangélisation. La Croix est le quatrième sacrement de l’évangélisation. La gloire de la Croix palpable dans la splendeur de l’Ordre. La gloire de la Croix visible dans l’éclat du Mariage.

5- La vie de l’évangélisation

Comment faire l’évangélisation ? Que doit-on dire à ce monde qui n’aime pas l’évangélisation ? Quels sont les moyens qu’on doit utiliser ?

«Laissez moi vous parler de Jésus-Christ !» C’est ça qu’on doit dire au monde. «Laissez moi vous parler de Jésus-Christ !» Il n’y a pas d’autre sujet d’évangélisation, il n’y a pas d’autre chose à dire. «S’il vous plait, laissez nous vous parler de Jésus-Christ. Nous n’avons plus rien à vous dire. De quoi peut-on vous parler, sinon de Lui?»

Le reste, c’est une question de terrains. Les seules paraboles qui ont été expliquées dans les Évangiles s’occupent précisément des terrains de l’évangélisation. «Un semeur sortit pour semer...» mais seulement «celui qui a reçu la semence dans la bonne terre, c'est celui qui entend la parole et la comprend; il porte du fruit, et un grain en donne cent, un autre soixante, un autre trente.» (Mt 13, 4 et 23). «Celui qui sème la bonne semence, c'est le Fils de l'homme; le champ, c'est le monde; la bonne semence, ce sont les fils du royaume; l'ivraie, ce sont les fils du malin; l'ennemi qui l'a semée, c'est le diable; la moisson, c'est la fin du monde; les moissonneurs, ce sont les anges.» (Mt 13, 37-39). Voilà l’eschatologie de l’évangélisation. Mais voilà aussi la méthodologie de l’évangélisation.

Le monde est le terrain, le seul terrain de l’évangélisation. Nos rues, nos usines, nos syndicats et cinémas, voilà les terrains de l’évangélisation. Ce sont les problèmes du quotidien qui occupent l’évangélisation. Les drames du monde contemporain sont les terrains de l’évangélisation.

La vie est le premier sacrement de l’évangélisation. Et aujourd’hui, c’est la défense de la vie humaine, dés sa conception jusqu’à la mort naturelle, qui constitue un des thèmes capitaux de l’évangélisation. Le pape Jean Paul II l’a présenté d’une forme cristalline dans son encyclique Evangelium Vitae :

«Les racines de la contradiction qui apparaît entre l'affirmation solennelle des droits de l'homme et leur négation tragique dans la pratique se trouvent dans une conception de la liberté qui exalte de manière absolue l'individu et ne le prépare pas à la solidarité, à l'accueil sans réserve ni au service du prochain. S'il est vrai que, parfois, la suppression de la vie naissante ou de la vie à son terme est aussi tributaire d'un sens mal compris de l'altruisme ou de la pitié, on ne peut nier que cette culture de mort, dans son ensemble, révèle une conception de la liberté totalement individualiste qui finit par être la liberté des « plus forts » s'exerçant contre les faibles près de succomber.»[11]. On doit dire avec le pape que l’évangélisation aujourd’hui a le devoir solennel de confronter notre «culture de mort».

La joie est le deuxième sacrement de l’évangélisation. Dans le monde d’aujourd’hui la défense de la joie est directement liée à la défense de la paix et à la défense de la famille. La famille vivant dans la paix est la condition nécessaire à la joie de l’humanité. Le pape a confié ces graves intentions au Rosaire de la Vierge Marie : «Je recommande volontiers à l'efficacité de cette prière la cause de la paix dans le monde et celle de la famille. (...) Prière pour la paix, le Rosaire est aussi, depuis toujours, la prière de la famille et pour la famille.» [12]. La guerre et les attaques à la famille, qui sont étroitement liés, représentent les plus graves attentats actuels contre la joie. L’évangélisation doit les confronter.

La communauté est le troisième sacrement de l’évangélisation. L’Église, communauté des saints, se trouve menacée dans notre société, tout comme dans les autres religions, par le laïcisme, qui s’érige en croyance totalitaire du monde contemporain. Le laïcisme, apparemment, dit défendre les droit de l’homme. Mais, comme l’a expliqué le pape : «En un sens, la source et la synthèse de ces droits, c'est la liberté religieuse, entendue comme le droit de vivre dans la vérité de sa foi et conformément à la dignité transcendante de sa personne.»[13]. Cette dignité se trouve aussi en cause par les abus contre la liberté d’éducation, elle aussi une proie habituelle du centralisme de l’État. L’Église se voit, tant de fois, presque seule à confronter le pouvoir de la société démocratique dans la défense des droits fondamentaux. Ces libertés sont en conséquence un terrain essentiel pour l’évangélisation.

La Croix est le quatrième sacrement de l’évangélisation. Dans cette Europe qui est le continent de la confusion culturelle, dans cette Europe qui est la seule région qui à reniée ses racines de civilisation, l’évangélisation doit s’occuper de l’identité intellectuelle elle-même. La présence de la Croix du Christ en l’Europe n’est pas seulement une question de foi, c’est aussi une question de personnalité. La Constitution de l‘Europe le montre clairement. Elle le montre, comme le sépulcre vide, par l’absence.

Mais, comme l’a dit le Saint-père dans l’Exhortation Apostolique «Ecclesia in Europa» : «En considérant l'Europe en tant que communauté de citoyens, on ne manque pas de signes qui ouvrent à l'espérance; malgré les contradictions de l'histoire, nous pouvons, avec un regard de foi, voir en eux la présence de l'Esprit de Dieu qui renouvelle la face de la terre.»[14]

Ce sont ceux-ci les terrains de l’évangélisation. Les terrains qu’on trouve dans les marchés et les autobus, mais aussi dans les paroisses et les couvents, dans les séminaires et les chapitres, dans évêchés et les synodes.

Ceux-ci sont les terrains. Mais quelles sont les méthodes ? Comment peut-on faire l’évangélisation dans nos rues et nos marchés ? Dans les cinémas et la télévision ? Dans les cotations de la bourse et les décisions des ministres ?

Si on demande ça à S. Thomas d’Aquin, on aura une surprise. Parce que dans la Somme Théologique, S. Thomas ne parle jamais de «mission» ou «missionnaire» dans le sens qu’on donne aujourd’hui à ces mots. Il parle beaucoup de mission, mais pas de cette mission dont nous parlons. La mission de laquelle il parle c’est la mission des personnes divines.

Saint Thomas parle d’une triple mission des personnes divines : Premièrement, de la mission du Christ, envoyé dans ce monde pour le sauver. Ensuite de la mission de l’Esprit Saint, qui est venu dans la «chambre haute» (Ac 1, 13), où nous avons reçu l’esprit missionnaire dans les «langues qu’on eût dites de feu» (Ac 1, 13). Finalement de la mission qui est la présence de Dieu en nous par la grâce sanctifiante.

Il explique : «On dit qu’une Personne divine est «envoyée», en tant qu’elle existe en quelqu’un d’une manière nouvelle; elle est «donnée», en tant qu’elle est possédée par quelqu’un. Or ni l’un ni l’autre n’a lieu sinon en raison de la grâce sanctifiante. Il y a en effect pour Dieu une manière commune d’exister en toutes choses par son essence, sa puissance et sa présence; il y est ainsi comme la cause dans les effects qui participent de sa bonté. Mais, au-dessus de ce mode commun, il y a un mode spécial qui est propre à la créature raisonnable : on dit que Dieu existe en celle-ci comme le connu dans le connaissaint et l’aimé dans l’aimant. Et parce qu’en le connaissant et aimant, la créature raisonnable atteint par son opération jusqu’à Dieu lui-même, on dit que, par ce mode spécial, non seulement Dieu est dans la créature raisonnable, mais encore qu’il habite en elle comme dans son temple. Ainsi donc, en dehors de la grâce sanctifiante, il n’y a pas d’autre effect qui puisse être la raison d’un nouveau mode de présence de la Personne divine dans la créature raisonnable. Et c’est seulement en raison de la grâce sanctifiante qu’il y a mission et procession temporelle de la Personne divine.» (Somme Théologique I 43, 3). «Par la grâce sanctifiante, c’est toute la Trinité qui habite l’âme, selon qui est écrit en S. Jean (14, 23) “Nous viendrons à lui et nous ferons en lui notre demeure”» (Somme Théologique I 43, 5)

L’évangélisation est toujours et seulement la mission de Dieu. Il veut avoir besoin de nous, mais c’est Lui qui nous fait l’annonce. C’est Lui qui est présent dans le monde, en toutes choses par son essence, sa puissance et sa présence, comme la cause dans ses effets, qui participent de sa bonté. Mais pas l’évangélisation, Il habite en nous comme dans son temple.

Dieu est le sujet, le seul sujet de l’évangélisation. C’est Dieu qui est présent dans la vie du monde. La seule description de toutes les occasions d’évangélisation est très simple : «Jésus traversait les villes et les villages, enseignant, et faisant route vers Jérusalem.» (Lc 13, 22). Dans tous les cas c’est toujours ceci qui se passe : Jésus traverse nos rues et nos usines, nos marchés et nos satellites, enseignant, et faisant route vers Jérusalem.

Dieu est le sujet, le seul sujet de l’évangélisation. Mais le monde ne voit que nous. Voilà le drame de l’évangélisation. Le monde ne sait pas que nous sommes le Corps du Christ. Mais, surtout, le monde ne sait pas que c’est toujours la Tête du Christ qui fait mouvoir son Corps. L’évangélisation c’est toujours le Christ qui parle au monde par notre moyen.

Ceci n’est pas une chose qu’on peut faire. C’est une chose qu’on ne peut que demander. L’évangélisation est toujours quelque chose qu’on demande. On doit la demander. On doit la demander à Notre Dame.

Marie est le commencement, la source, l’origine de l’évangélisation. Elle est l’aurore de la Rédemption. Elle est aussi le sacrement initial, primitif, originel de l’évangélisation. Notre Dame est, en elle-même, le cinquième et final sacrement de l’évangélisation.

C’est pour cela que toute évangélisation doit commencer et finir par la prière. Prier à Notre Dame de Paris. Prier à Notre Dame de Fatima. Prier à Notre Dame de partout : «Sainte Marie, Mère de Dieu, priez pour nous pauvre pêcheurs, maintenant et à l'heure de notre mort. Amen.»



[1] Péguy, Charles (1913) “Les Tapisseries d’Eve” in Oeuvres poétiques complètes, Bibliothèque de la Pléiade, Gallimard, Paris, 1957, p. 1080, 1085-1086
[2] Dial. 4, 138.
[3] Margarita Roper, Epistula ad Aliciam Alington (mense augusti 1534).
[4] Catéchisme de L’Église Catholique nº 303, 313.
[5] S. Augustin Les Confessions, liv. X chap. xx, xxii)
[6] S. Thomas d’Aquin Somme Théologique, II-II, 28.
[7] Georges et Andrée Duby (2000) Les procès de Jeanne d’Arc, Gallimard, p. 115.
[8] Jean-Paul II (2003) Encyclique Ecclesia de Eucharistia, nº 22.
[9] Catéchisme de L’Église Catholique nº 827.
[10] Jean-Paul II (1994) Lettre Apostolique Tertio Millennio Adveniente, nº 37.
[11] Jean-Paul II (1995) Encyclique Evangelium Vitae, nº 19.
[12] Jean-Paul II (2002) Lettre Apostolique Rosarium Virginis Mariae, nº 39 et 41.
[13] Jean-Paul II (2002) Encyclique Centesimus Annus, nº 47.
[14] Jean-Paul II (2003) Exhortation Apostolique Ecclesia in Europa, nº 39 et 41