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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Da ilusão da homossexualidade à verdadeira identidade

A Psicoterapeuta Dra. Madalena Fontoura explica a cadeia de enganos que pode levar uma pessoa a pensar que é homossexual e propõe, para aqueles que o querem, a possibilidade de uma terapia eficaz.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Parabéns Infovitae!, M. João Lage


M. João Lage


O mundo está dividido ao meio.


De um lado, pessoas e circunstâncias que nos mostram o amor de Cristo; do outro, pessoas e circunstâncias que necessitam desse amor. De uma maneira ou de outra, o mundo afirma que “toda a vida pede amor”. Não há volta a dar-lhe.


Levar o amor de Cristo a quem dele precisa tem ocupado o Infovitae nestes 10 anos e a Igreja nos últimos 2009. Desconfio que a tarefa não é fácil nem tem fim à vista.


E, no entanto, basta a experiência humana e banal da maternidade ou da paternidade para que se revele estrondosamente, no filho, a necessidade absoluta de ser amado e, na mãe e no pai, a inesperada capacidade de amar gratuita e incondicionalmente.


Aquela que sempre foi a experiência mais trivial e concreta da filiação divina e do amor de Deus, a quem chamamos Pai, surge agora muitas vezes como uma surpresa tardia no final de um longo caminho de egoísmo, medo, adiamentos, “projectos” e planificações.


Impedir que surja na nossa vida este caminho certeiro para a experiência do verdadeiro amor sempre foi a tarefa dos dragões, das bruxas e dos vilões nos grandes romances e contos de fadas. Hoje faz parte do programa de alguns governos, de muitos partidos políticos e de canais da televisão.


Valham-nos os Cavaleiros que, armados da fé e do necessário software informático, tentam salvar a dama e devolvê-la à família, condição imprescindível para ser feliz para sempre.


Parabéns Infovitae!

sábado, 14 de fevereiro de 2009

À procura do vírus: A raiz da anti-cultura da morte

"A ignorância do verdadeiro Deus, é para um Estado a pior das calamidades" - Platão


Pe. Duarte Sousa Lara

11.02.2009


Neste ano dedicado a S. Paulo, estas linhas surgem como uma forma de manifestar a minha gratidão ao Infovitae – de uma maneira especial ao padre Nuno Serras Pereira – por estes dez anos ao serviço da cultura da vida. É próprio dos corações magnânimos empenhar a própria existência no serviço de causas verdadeiramente nobres, superando com constância os vários obstáculos que vão surgindo. A promoção da cultura da vida é uma de tais causas, que se apresenta como um projecto de grande porte capaz apenas de ser realizado pelos esforços continuados e conjuntos de várias gerações. Nesta grande empresa que é a instauração de uma cultura da vida, não poucas vezes, somos tentados a desistir, seja porque constatamos que os nossos contributos produzem modestos resultados a curto prazo, seja porque, com frequência, esbarramos com a dureza de coração de tantos nossos irmãos. Ocorre não desanimar, mesmo que todo o nosso esforço possa parecer aparentemente estéril. Hoje, Jesus conta connosco para “plantar sobreiros” dos quais as futuras gerações gozarão a sombra e tirarão a cortiça...


Muitas vezes, dou por mim a indagar quais são a raízes da anti-cultura da morte em que vivemos, porque me parece que para estabelecer a cultura da vida a solução passará mais por atacar directamente tais raízes do que em combater apenas as suas múltiplas e sempre novas manifestações. Tal como numa doença interessa-nos mais matar o vírus do que apenas suprimir os maus sintomas que esse provoca. Mas qual é a raiz da actual anti-cultura da morte? Obviamente que não é simples responder a esta questão, mas atrevo-me, com a ajuda de S. Paulo, a dizer que é a rejeição do Criador e a usurpação soberba do seu lugar.


São particularmente actuais e luminosas as reflexões que faz S. Paulo no primeiro capítulo da Epístola aos Romanos (1,18-32). Ele começa por defender que o homem com a luz da razão natural pode conhecer o Criador a partir da criação, e que, recusando-se a fazê-lo comete uma impiedade culpável não dando ao Criador o reconhecimento, a honra e a glória que lhe é devida. Uma tal atitude depravada da parte do homem em relação ao Criador cega a sua mente à verdade e conduz o homem à injustiça e a todo o tipo de vícios e abominações. Merece ser, aqui, bem sublinhado o forte nexo causal que tem para S. Paulo a impiedade em relação ao Criador e a injustiça entre os homens, bem como, os outros vícios a que essa mesma impiedade conduz. Para S. Paulo a raiz da perversão moral está no acto ímpio da rejeição do Criador por parte da sua criatura racional.


É, pois, agora mais claro que, na raiz da anti-cultura da morte encontra-se um problema religioso. O homem mata, rouba, mente, procura a luxúria porque se recusa a reconhecer o Criador, e, de coração endurecido, cego à verdade, usurpa obstinadamente o seu lugar fazendo-se senhor último da criação. Poderíamos agora também perguntar-nos: Como combate S. Paulo a anti-cultura da morte? Sobretudo anunciando Jesus Cristo. A resposta de S. Paulo à anti-cultura da morte é uma resposta religiosa: levar a fé em Jesus. Onde floresce a fé em Jesus floresce a cultura da vida, sobretudo floresce a cultura da vida eterna...


Concluindo, creio que dentro das várias iniciativas válidas e complementares que devem ser postas em prática para promover a instauração da cultura da vida, a prioridade máxima deve ser dada à Nova Evangelização. Só a conversão sincera dos corações a Jesus, pode vencer de maneira definitiva e estável as raízes da anti-cultura da morte. Só em Jesus, morto e ressuscitado, existe para a toda a humanidade vitória sobre o mal em todas as suas formas, em primeiro lugar sobre o pecado (mal moral) que é a raiz de todos os outros males, depois sobre as consequências do pecado (a morte e os outros males físicos) e também sobre aquele que nos incita ao pecado, Satanás, o qual é «homicida desde o princípio» (Jo 8,44). Só a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo é o único antídoto capaz de vencer definitivamente o vírus da anti-cultura da morte presente no coração do homem; e a esse divino remédio, que além do mais é gratuito, acede-se pela fé em Jesus.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O Inestimável valor do Infovitae


Pedro Vassalo


Ao perceber que o INFOVITAE faz 10 anos tive uma sensação de estranheza. Não por qualquer razão complicada mas, tão simplesmente, por perceber que já se foram dez anos de história, de leitura diária, de companhia, de reflexão, de persistência a tentar mostrar e a desmontar ao mundo, como as mentiras que nos impigem, de tão repetidas, passam a ser verdades absolutas.

Já passaram dez anos? Nem dei por eles.


Outra estranheza, bem diferente, nasce da responsabilidade de escrever para um boletim electrónico que nos tem habituado à qualidade: ou seja informação certa e opinião sólida. E seria inconsciente não acusar a dificuldade da tarefa.


Opto por partilhar um assunto a que já tenho aludido em outros encontros, em especial quando se trata de discutir o plano de intervenção da comunicação social (CS) nestes assuntos da “vida”. O que poderá fazer sentido, na medida em que o INFOVITAE é, no fundo, também uma forma de comunicar com o mundo.


Indo ao ponto, a tese é simples: a CS ao dar a todos os intervenientes neste debate o mesmo espaço, igual capacidade opinativa, a mesma presunção de verdade e adoptando uma atitude (mesmo que apenas formal) de imparcialidade está, em substância, a tomar posição por uma das partes, negando afinal aquilo que diz (e eventualmente pretende) defender.


Reconheço as fraquezas deste argumento, em especial em sociedades que se pretendem abertas, democráticas e disponíveis para o diálogo. Mas, só por miopia, e indisfarçável inclinação ideológica, se pode afirmar que bom jornalismo significa tratar todos por igual, como se todas e quaisquer posições, sobre matérias tão importantes quanto esta, fossem qualitativamente do mesmo calibre, tivessem o mesmo peso e merecessem tratamento semelhante. A equidistância nestas matérias significa, na prática, atribuir às partes a mesma presunção de verdade e emprestar igual oportunidade de defesa, o que não é válido.


Porque praticar, neste caso concreto, a equidistância corresponde a afirmar que cada uma das partes em confronto tem o seu quê de verdade, que esta será matéria sujeita à opinião pessoal, e que só o escrutínio individual, uma vez informado (esclarecido?) dos argumentos, a favor e contra, pode decidir.


Não será preciso escavar muito para perceber que em matérias de direitos humanos, provavelmente só a questão do aborto merece tal tratamento, supostamente equidistante, por parte da CS. Vejamos o caso da escravatura. Será que a CS daria o mesmo tratamento jornalístico a quem, por exemplo, defendesse a sua reintrodução? E a quem argumentasse a favor da tese nazista sobre o povo judeu? E sobre o fim do poder sindical? A lista seria imensa como qualquer um perceberá.


O ponto que interessa considerar é que ao publicitarem-se os argumentos contra e a favor de que um feto não é um ser humano, estar-se-á, na prática, a colocar os argumento em pé de igualdade sem dar preferência a nenhum.


A consequência, terrível, é directa e percebe-se facilmente: o direito de um feto continuar a viver (vida de um terceiro), dependerá, afinal, da opinião que cada um dos seis biliões do planeta tem sobre o assunto.


Numa palavra, e na questão do aborto como em tantas outras que radicam nos direitos fundamentais do Homem, não tomar posição significa, na prática, tomar posição!


E isto percebe-se melhor quando a CS não avança, como é seu bom e saudável costume, no aprofundamento do assunto. Exemplo? Pedem-se provas a quem defende a vida desde o seu início (e início é mesmo isso que significa, começar do zero, o que no caso em apreço só pode ser na concepção, porque antes não há nada). Estamos de acordo quanto ao pedido da prova, que até existe e é abundante. Mas, curiosamente, ou talvez não, a quem defende o contrário (a vida começará às X semanas) há uma enorme tolerância quanto ao fornecimento de provas, suporte científico e até filosófico do argumento. Porque, para estes, como não há verdade e evidência científica, deduz-se em consequência que a vida poderá começar quando cada um lhe apetecer, visto ser matéria destinada à consciência de cada um.


Dito isto importa concluir com uma questão prática: como impedir a opinião dos abortistas numa sociedade democrática? Resposta: não há como! Mas a CS poderia, como o faz em tantos outros casos, tomar posição editorial, fazer as perguntas certas (em regra inconvenientes), publicitar exemplos, suscitar dúvidas, citar a evidência científica e, obviamente, evitar divulgar a opinião de quem defende (eventualmente por ignorância) a morte de terceiros por uma mera questão de convicção.


E enquanto isso não acontece, ou só existe em raras excepções, resta insistir na divulgação da verdade, quer seja científica quer cívica (filosófica, ética e humanista). É esse o inestimável valor do INFOVITAE.


E termino com uma nota de esperança: mais de 50 anos depois do fim da II guerra, os médicos alemães patrocinaram um congresso, com um único ponto da ordem de trabalhos: “Como foi possível?”. Traduzindo: como foi possível que tantos e tantos médicos alemães tenham patrocinado a causa (supostamente científica) nazi de considerar todo um povo como sub humano. Presumo que o congresso terá mais edições, daqui a uns anos.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Uma casa portuguesa, com Certeza

Pedro Gil

A Dúvida levantou-se tarde. Arranjou-se à pressa revendo os êxitos da véspera. Não tinha um segundo a perder. Exigia de si mesma ser muito metódica.

Bateu à porta do lado, na casa da Certeza, que compadecida, como sempre, lhe aviou uma buchazinha para mordiscar no caminho.

A Dúvida desceu as escadas a correr, e a Certeza ficou remoendo os seus mixed feelings sobre aquela irrequieta. Tanto talento desperdiçado...

A Dúvida andava naquilo há algum tempo, aí uns 200 anos. Tinha popularizado as perguntas "mas, qual é o mal?" sobre coisas que os milénios consideravam erros, e "mas, será mesmo assim?" sobre coisas que os séculos achavam certas.

Era mestra do questionar, embora com a irritante mania de não se interessar pelas respostas. Cresceu a sua fama de intelectual e dialogante. Especializou-se em comunicação, e era forte em estética. E nunca descuidou o seu jeito subtilmente sedutor.

Depois pensou que era perigoso eliminar a noção do certo e do errado. Então lembrou-se da saúde, do anti-tabagismo, das bandas gástricas e das trocas de seringas. E convenceu todos de que, mesmo que discordássemos sobre o extermínio dos mendigos, concordaríamos em que deveria ser feito em boas condições de higiene.

A Certeza era benevolente com a Dúvida e a sua paciência irritava mesmo alguns amigos. A casa da Certeza era uma algazarra: pobres, famílias, gente da rua, e crianças, muitas crianças. Porque em casa da Certeza havia poucas exigências, as fundamentais, as que tornam possível o riso, a brincadeira, as canções, os jogos, a fantasia, e a festa.

A Dúvida sabia que no dia em que a Certeza morresse, ela seria a primeira a ser chacinada. Mas semeou a ideia de que a Certeza era teimosa, avessa à mudança, triste, tirânica, cega e sem ideias. E que era feia, enrugada, voz áspera e com verruga no nariz. Que passava os dias sentados a pensar nos séculos antigos.

A Certeza sabia disso, mas conversava de bom grado com a Dúvida sempre que esta se dispunha. Como nessa tarde. Saíram ao parque. Disputaram sobre temas importantes. A Certeza conseguiu não se irritar quando a Dúvida - como fazia sempre - rematou: "bem, portanto estamos de acordo" - quando era óbvio que em nada estavam de acordo.

A Dúvida caminhava um pouco à frente, já treinada em tentar chegar antes do que a Certeza, o que lhe dava vantagem. Depois do recinto reservado aos adolescentes bêbados - uma das conquistas da Dúvida através do "mas, qual é o mal?" - apareceram as crianças, que sempre rodeavam a Certeza e fugiam da Dúvida.

Distraída com a algazarra, a passada da Dúvida tropeçou nalguma coisa sólida, impávida, uma autêntica pedra de tropeço, e estatelou-se no chão. Irritou-se muito, e muito especialmente porque há já 10 anos que a cena se repete. A pedra de tropeço é limpa, consistente, firme, e inabalável. E há 10 anos que exibe o seu nome esculpido em caracteres clássicos: INFOVITAE.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Infovitæ: uma lição de persistência, de apostolado, de informação e de formação


João Paulo Malta

Há 12 anos atrás, meses antes do referendo de 98, tendo sabido da celebração, a este propósito, de uma missa na Basílica da Estrela, lá me dirigi. A multidão era grande, fiquei quase à porta.

O sacerdote era jovem, alto, de barba. Não o conhecia; nunca fui ligado a movimentos organizados dentro da Igreja e, embora tivesse estado presente na luta, como estudante de Medicina, logo desde 1982, estava afastado da estrutura do movimento próvida.


E fiquei fascinado; ali estava um homem que dizia, de braços abertos, com voz forte, o que eu achava que se devia dizer: que o aborto era um crime hediondo, um atentado à dignidade do Homem, um pecado mortal! A ideia que retive foi a de um padre sem medo, um padre realmente comprometido com Cristo, pondo a voz e a Verdade da Igreja ao lado dos mais desprotegidos, não hesitando em reafirmar a condenação do aborto, como acto imoral.

Era a Igreja a gritar ao Mundo.

Marcou-me; realmente; não o digo agora, digo-o desde então, porque o sinto.

Mais tarde fui com ele travando conhecimento pessoal. Quando conhecemos melhor alguém, deparamos com aspectos que nos agradam e com características menos apelativas e vamos formando uma apreciação, eventualmente diversa da inicial. Não minto se disser que o Pe. Nuno nunca deu azo a que a minha impressão primeira se desvanecesse. Deu-nos, sempre, a todos, um exemplo de dedicação a Jesus e aos irmãos mais pequenos; de coragem frente à provação; de recusa e horror ao Mal.

E são estas características que o obrigam a proclamar alto, apesar da incompreensão, dos epítetos, dos rótulos.


São elas que o impelem a ser uma referência na cultura da vida que me impressiona de cada vez que discutimos um assunto, seja ele qual for. Recordo, com muita saudade, as reuniões da Direcção Nacional da Associação dos Médicos Católicos Portugueses de que era Assistente Nacional. Os seus imensos conhecimentos foram essenciais, verdadeiramente essenciais, na nossa actuação.


São, ainda, elas, as responsáveis por este veículo de informação de que celebramos o 10º aniversário. O Infovitæ tem sido uma lição de persistência, de apostolado, de informação e de formação.


Só o Pe. Nuno seria capaz de o fazer porque, para organizar tanta matéria, ao longo de tantos anos, sem desfalecer; para compilar tanta notícia; para escrever tantos artigos; são necessárias horas infindas, sonos perdidos e, até, uma solidão acrescida. Na prática, é preciso ter morrido um bocadinho, muitas vezes, por Amor.


Quando me decidi a escrever um artigo a propósito dos 10 anos do Infovitæ, pensei que me sairia do teclado uma análise a este nosso indispensável " jornal ". Saiu-me uma homenagem ao seu autor. É justo que assim seja.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

O Infovitae tem sido sempre uma voz de verdade

Maria José Vilaça

2 de Fevereiro de 2009


Não posso dizer muito mais sobre o Infovitae do que o que tem sido dito por vários amigos, todos mais dotados para a escrita do que eu e todos com uma visão muito mais baseada na realidade da luta pró-vida do que eu.


A bem dizer, a minha área de trabalho tem sido principalmente o outro lado. Isto é, o lado “depois do pecado”, o lado da misericórdia e do perdão. É o lado onde a miséria humana se encontra com a misericórdia de Deus. Digamos que não trabalho tanto na prevenção, mas mais na remissão. E devo dizer que é com imensa alegria que o faço. Não com a alegria de constatar o pecado, mas com a alegria de constatar a redenção! Posso dizer todos os dias, como Santo Agostinho, “Feliz culpa que nos fez merecer tão grande redentor!” Posso dizer todos os dias “Senhor, na minha fraqueza dou graças pela Tua força; perante o meu pecado mendigo a Tua santidade; na minha debilidade revela a Tua glória”. E estou plenamente convencida de que a redenção é o mistério que torna a nossa humanidade mais perto da divindade, mais verdadeira. A humanidade verdadeira é a humanidade redimida. É a humanidade que contemplamos em

Cristo que nos diz o que nós somos chamados a ser.


O Infovitae, essa voz que clama no deserto, esse dedo que nos aponta o destino, esse coração que não nos deixa adormecer, tem sido uma companhia e uma provocação neste caminho. Porque o Infovitae não é um “profeta da desgraça”, nem um grito desesperado dum perigoso fundamentalista… O Infovitae tem sido sempre uma voz de verdade.


Hoje, 2 de Fevereiro, a Igreja celebra a Apresentação de Jesus no Templo, invoca Maria como Nossa Senhora da Luz ou Nossa Senhora da Candelária e dedica o dia aos consagrados. Recordando as palavras do velho Simeão, recordamos que Jesus foi apresentado justamente como sinal de contradição ao mesmo tempo que se anunciava a cruz como caminho de salvação – “eis que uma espada atravessará o teu coração”. Foi por isso que fiz questão de escrever ao Infovitae, precisamente hoje!


Que Deus abençoe o Pe.Nuno e que ele, como consagrado, unido a Cristo, continue a ter a coragem de ser sempre um sinal de contradição no nosso mundo.


Mas foi também o encontro com Jesus que deu a Simeão a serenidade para dizer “Agora, Senhor, segundo a tua palavra, deixarás ir em paz o teu servo, porque meus olhos viram a Salvação” Porque quem conhece a verdade, está na luz e nada teme. "Eu, a luz, vim ao mundo para que aquele que crê em mim não permaneça nas trevas" Jo 12,46.


Por isso convido quem ler estas palavras a associar-se a uma acção de graças pelo Infovitae, para que seja sempre a voz que aponta a luz, a voz que denuncia a queda mas também a voz que anuncia o ressurgimento!


Obrigada Pe.Nuno, pelo dom que faz da sua vida.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

A loucura que nos faz falta


Filipe d' Avillez


Ninguém pede que todos os militares sejam loucos, mas sabemos que alguns devem-no ser, porque precisamos de Comandos, de Rangers e de Paraquedistas para termos forças armadas fortes.


De igual forma, na Igreja nem todos somos chamados ao mesmo serviço. Alguns são missionários, outros são contemplativos, outros são pais e mães de famílias, formando e educando novos cristãos.


E depois temos os loucos. Podem ser incómodos, inconvenientes, embaraçosos por vezes, mas precisamos deles. Alivia-nos saber que existem para fazer o trabalho sujo que sabemos ser necessário, mas que não queremos para nós.


Eu não tenho dúvidas que o Pe. Nuno é louco. Nem tenho medo de o ofender, porque também não duvido que ele próprio o saiba. Não poucas vezes assisti com tristeza a gestos dele que achei incómodos e inconvenientes. Chegou a escrever artigos e cartas abertas a criticar com dureza pessoas que me são muito próximas. Louco... doido varrido.


Mas tenho outra certeza. Precisamos dele. A Igreja precisa dele e o movimento pró-vida, precisa dele, e não sei de ninguém que se disponha a fazer em prole desse movimento aquilo que ele faz e a sofrer como só Deus sabe que ele sofre.


Obrigado Pe. Nuno. Obrigado pelo Infovitae, pelo trabalho que faz atrás do computador e no campo. Obrigado por essa loucura santa que tanta falta nos faz. Obrigado por lutar incansavelmente para que os meus filhos sejam protegidos e respeitados durante toda a sua vida, e para que outros tenham a oportunidade de nascer, crescer e ser como Deus quiser que sejam. E se Ele os quiser loucos como você, louvemo-Lo na sua infinita sabedoria.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

O Infovitae é um deles


Clara Costa Duarte


Nos últimos 10 anos tenho recebido por e-mail o Infovitae, e guardado quase todos numa pasta. Regularmente abro e leio as “gordas” e partes dos artigos, um ou outro leio o artigo todo.

A maioria das vezes incomoda-me, assusta-me mas não me deixa anestesiar. Lembra-me muitas vezes as palavras de Jesus a caminho da cruz: “Não choreis sobre mim mas chorai sobre vós mesmos e sobre os vossos filhos... porque se eles fazem isto ao lenho verde, que acontecerá ao seco” (Lc, 23, 28-31).


Relembro alguns dos temas que iniciaram a rotura com a Vida, e que hoje já não se discutem. Já estão adquiridos como certos em nome da “bondade”. Uma dessas máximas é que “crianças com deficiência são para abortar”, já só alguns marginais contestam, quem no seu perfeito juízo pode pedir isso a uns pais?


Se me tivessem posto esta questão há 33 anos teria certamente dito que concordava, mas hoje sei que estaria totalmente errada e dou sinceramente graças a Deus por não haver ainda análises genéticas nesse tempo. A criança abortada iria directamente para junto de Deus mas eu certamente seria muito mais pobre em todos os aspectos que realizam um ser humano. Com os anos fui percebendo com evidente clareza como Deus quis ser “Bom” para mim quando me pediu para ser mãe, e como nunca me abandonou neste caminho.


E porque será que o que se passou comigo tem sido inúmeras vezes partilhado por outros pais em situações semelhantes? Porque será que a máxima que os descarta é tão contraria á nossa experiência de vida?


É sempre impressionante ver na história da Humanidade como a manipulação de alguns leva, por vezes, à negação colectiva da realidade e da verdade, avança passo a passo até se tornar tão monstruosa que se auto-destrói, mas pelo caminho deixa um rasto de destruição imenso. Agora como sempre só alguns têm coragem de ir contra a corrente e muitas vezes sem grande sucesso aparente. Esses seguindo a Cristo incomodam e assustam, são atacados e marginalizados, mas passam fazendo bem a muitos. O Infovitae é um deles.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Espero que o Infovitae acabe o mais depressa possível

P.e Duarte da Cunha


As pessoas humanas são sempre um Mistério. Não me refiro apenas ao facto de serem imprevisíveis, e capazes de surpreenderem, mas ao facto de cada pessoa participar de modo especialíssimo do Mistério de Deus porque é criada por Deus à Sua imagem e semelhança. E assim cada um tem um valor que é muito superior até às próprias capacidades. No estado de desevolução em que parece que nos encontramos, quando o homo sapiens que se espanta perante o mundo e procura saborear e melhorar a vida, que procura o sentido e faz a experiência do amor, dá lugar ao velho homo faber que só pensa em fazer coisas e consumir, é urgente alguém recordar que o homem tem um valor que nenhuma técnica pode anular. Que não é só por se poderem fazer coisas com os embriões que é lícito matar, produzir ou destruir pessoas que já o são mas ainda não conseguem defender-se.


Podem matar as crianças, os idosos, os criminosos, os vizinhos, podem destribuir drogas, divulgar pornografia, equiparar o casamento a outras uniões de duas pessoas mas nada disso passa a ser bom porque é possível ou sai no Diário da República. Hitler decretou que era possível matar os judeus, Estaline que era possível matar os opositores, os terroristas que é possível matar os inimigos, etc. nem por isso passa a ser legítimo, moralmente falando, matar. Não é porque agora em Portugal é legal matar a criança que uma mulher deixa de sentir a dor do aborto, ou um médico pode passar a achar que é indiferente fazer abortos ou partos.


Por tudo isto, é mesmo uma missão duríssima recordar continuamente o mal do aborto; não permitir que as consciencias adormeçam diante do drama do fim da vida para não se tornar também normal e legal a eutanásia; contrariar o pensamento dominante que não vê mal em equiparar uniões homosexuais a casamentos, ou que se divulguem os contraceptivos como se fossem coisas inofensivas; ou que se conviva confortavelmente com a pornografia e a prostituição sem perceber que se tratam de pessoas que estão a ser vendidas. O Infovitae, ao longo de 10 anos, tem assumido esta missão sem desanimar, mesmo quando parece sozinho. E mesmo quando o faz com expressões que tem que ver com o estilo do director.


As coisas na vida nem sempre são a preto e branco, nem sempre são claras e límpidas, porque no meio de muito mal se mistura muito bem e há sempre muito trigo mesmo onde parece haver mais joio. Infelizmente, porém, as consciências estão muito adormecidas. Custa muito nos nossos dias ficar horrorizado com um aborto. Tudo parece normal, “limpo”, sem efeitos para terceiros. Mas o Infovitae, com muitos outros que em Portugal e no mundo inteiro que não conseguem aceitar este estado de adormecimento, não pára de remar contra a maré. Penso que vai profeticamente à frente nos tempos (porque não acredito que daqui a alguns anos não se envergonhem os que hoje defendem o aborto – é tão estranho matar uma criança que de certeza que haverá um grito que vai acordar a sociedade – depois outros males virão, mas este de certeza que passará e nessa altura os abortistas ficaram envergonhados).


As pessoas são todas diferentes e uns são mais sensíveis a uma boa notícia outros ao horror das más notícias. O que não podemos é ficar a discutir se a luta contra o aborto deve ser desta ou daquela maneira. Uns e outros são necessários e não podemos perder tempo em discussões internas. Podemo-nos corrigir mutuamente, mas não podemos justificar a inactividade por causa de discordarmos com este ou aquele artigo do Infovitae, com esta ou aquela forma de se dizerem as coisas ou de se proporem acções. Isto vale, antes de mais, para mim, mas julgo que vale para muitos outros. Quando o aborto for escandaloso, poderemos dizer que os Papas nunca se calaram, que a Igreja nunca se calou, que o Infovitae tinha razão, mas de muitos cristãos se dirá que ficaram diluídos na massa e se “adaptaram” em vez de mudarem o mundo. Agradeço ao Infovitae porque é “chato” e não deixa que nos esqueçamos do que se está a passar. Mas atrevo-me a sugerir uma secção das boas práticas e das boas notícias. Porque também as há.


Espero sinceramente que o Infovitae acabe o mais depressa possível. Será sinal que já não há perigo para as crianças e para a sociedade.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

10 anos de Infovitae, Isabel Carmo Pedro


Isabel Carmo Pedro


Deveria começar este testemunho, pois é disso que se trata, com um queridíssimo Padre Nuno, obrigada por me ter entre os seus amigos. O Infovitae só existe pela sua dedicação incondicional a esta causa das causas e por isso temos todos uma enorme divida de gratidão para consigo, que jamais poderemos pagar.


Já ando neste combate pela vida há 24 anos e, por isso, já o vivi com a paixão típica da adolescência e juventude, com o seriedade de uma universitária que tem de ir ao fundo da questão e, agora, como mulher casada e mãe que por vontade de Deus também já viu alguns dos seus filhos partirem sem que a família os pudesse ter conhecido. À causa pró-vida devo muito daquilo que tenho e o que sou hoje, a começar pelo meu marido e a maioria dos meus amigos. Apesar de tudo isto, devo confessar que nem sempre é fácil manter o ânimo. São muitas as vezes em que me apetece desistir e deixar que os outros façam por mim, pois parece ser uma luta muito inglória. O Padre Nuno é quem me mantém alerta. Mesmo que não chegue a ler os artigos e que apenas passe os olhos pelos títulos, antes de os guardar, ou mesmo quando nem chego a abrir o Infovitae e o ponha directamente no arquivo, só a sua presença na minha caixa de correio electrónico é uma lembrança permanente que há muito trabalho a fazer e que há muitas vidas para salvar.


Devo também dizer que, se calhar ao contrário de muitos, me identifico com muito com aquilo que é transmitido pois o nosso não é senão um combate feroz pela defesa dos direitos humanos, no seu mais profundo sentido. Aliás, sem a defesa da vida desde a concepção até à morte natural estar profundamente arreigada nos nossos corações, mais nenhuma luta faz sentido. Como tal, não podemos deixar de falar da pena de morte imposta a tantos milhões de inocentes ou de como parar este holocausto, que à semelhança de outros que a História regista, seja o Nazi, o da escravatura, o do genocídio do Ruanda e outros tantos, é uma vergonha colossal. Infelizmente este tem muito poucos sobreviventes e, felizmente para eles, a maioria dos que sobrevivem não chega a saber que foi uma quase vítima. Por isso é preciso manter sempre e sem desvanecer a chama acesa. É isso que o Padre Nuno, através do Infovitae, tem sido para mim. O oxigénio que não deixa que a chama se apague e que me relembra constantemente que quem vê não pode deixar de gritar a quem está cego, pela ignorância (culposa ou não), pelo ódio, pela preguiça, pelo politicamente correcto, pela indiferença ou pela vontade de fazer mal, que estão a cair num precipício muito fundo.


Para si Padre Nuno, queria dizer-lhe que, tenho a certeza, que no céu tem muitos milhares de almas a interceder por si junto do coração do Pai. São todos os seus “filhos”, que têm em si a pessoa que mais os amou neste mundo. Essas crianças estão a cuidar de si continuamente, dando-lhe a força que necessita para persistir neste seu caminho, tantas vezes incompreendido e solitário.


Bem-haja, e como é costume dizer nestas alturas, que conte muitos!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

10 anos de INFOVITAE: "da lei da morte libertando"

Luis Botelho Ribeiro

«E aqueles que por obras /valerosas/
se vão *da lei da morte libertando*
Cantando espalharei por toda a parte
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.»

Camões até podia estar a pensar no (em breve...) São Nuno do séc. XIV. Mas as suas palavras também valem para o nosso são Nuno deste século - verdadeira coluna da Causa pro Vida.

Luís de Camões até podia estar a falar duma Lei da Morte ou do esquecimento humano, em sentido figurado. Mas para nós, que hoje nos confrontamos com uma "Lei da Morte" bem real, plasmada preto no branco em "diário da república", bem pode servir como lema de vida aquele "da lei da morte libertando".

E é também aí que encontro a melhor síntese para estes primeiros 10 anos do Infovitae, essa Graça concedida por Deus ao povo de língua portuguesa através do seu servo e nosso animador Nuno Serras Pereira. Alguns de nós, no início, sem conhecimento pessoal desta "gente pouco recomendável", ainda terão ingenuamente admitido que o Infovitae pudesse ser uma voz oficiosa da Hierarquia. Uma trombeta enviada a tocar uma "música" mais áspera aos ouvidos endurecidos dos leigos... Mas com o tempo, foi-se tornando clara a dura realidade: o Infovitae é "Igreja-perseguida" como bem notou o Prof. César das Neves. É um pequeno punhado de "sal da terra", lançado à terra insípida de muitos cristãos distraídos ou desencorajados: leigos e padres.

Mas ei-los que, feridos por uma realidade que endurece ou finalmente atentos à nocturna voz que os chama pelo nome, despertam. Eis que, de norte a sul, recobram ânimo. Eis que, tresmalhados ontem, voltam a reunir-se à volta do Bom Pastor, do Senhor da Vida! E enquanto uns "com os olhos doces" dizem «vem por aqui» e outros aconselham «não vás por aí», o Infovitae repete-nos sem cessar a ordem apostólica - «Ide». E nós lá vamos... ao encontro das mães, aos hospitais, ao parlamento, ao povo, à internet, a Belém e ao Gólgota!

Eia, pois, pelo 10º aniversário do Infovitae! Informando-nos, chama-nos a prosseguir o combate. Dando-nos voz, também nos investe numa responsabilidade partilhada. Afastando o desânimo daquela invernosa noite de 11 de Fevereiro, aí mesmo aconchegou as sementes da acção (e oração) que hoje desponta em tantos pontos do nosso país. Tantos e tantos textos inspiradores, informativos, mobilizadores, angustiantes, comoventes, animadores, exaltantes... De entre todos, para mim permanece singularmente vivo aquele em que, logo após o desastre de Fevereiro 2007, o Padre Nuno como que transubstanciava a aparente derrota... em momento de Gólgota no caminho para o inevitável triunfo final da Vida. Queda e Reconciliação. Morte e Ressureição.

O caminho mostra-se a cada dia mais claro e vai juntando o povo. Passe ele onde passar - orando nas ruas frente aos abortadouros, colocando deputados pro-Vida no parlamento ou vertebrando uma mentalidade pro-Vida na sociedade - não terá outro horizonte senão a aurora redentora do dia em que, por Cristo, "da lei da morte" libertarmos Portugal.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Estamos de parabéns. Comemoramos o décimo aniversário do Infovitae

Nelson Pereira

Estamos de parabéns. Comemoramos o décimo aniversário do Infovitae, uma obra que durante todos estes anos deu forças à nossa esperança e à nossa fé e nos desafiou a não ignorar a sorte dos mais fracos e indefesos entre os homens - as crianças não-nascidas. Incansável, inabalável, teimoso contra tudo e contra todos, sem nunca baixar braços mesmo confrontado com críticas e ataques, desprezo ou desamparo, o padre Nuno tem sido para os leitores do Infovitae genuíno arauto da Boa Nova, mensageiro da civilização da vida, eco dos apelos de João Paulo II, Madre Teresa de Calcuta ou Bento XVI, discípulo autêntico do Evangelho da Vida.

Ocupados com o formigueiro de assuntos menores e tarefas pessoais, sufocados pelo lixo pseudo-informativo dos chamados meios de comunicação sociais, dispersos com preocupações secundárias ou artificiais da macro-economia ou da crise ecológica planetária, o Infovitae devolve-nos sempre à justa e verdadeira proporção do "mundo real". Tal papel indicador de pH, nos artigos que nos traz restitui a medida certa das alegrias e esperanças, alerta para as autênticas ameaças, recupera em nós a vigilância e a urgência de combate.

Para aqueles que conhecem o boletim e o empenho corajoso do padre Nuno, esta data evoca principalmente um enorme sentimento de gratidão. Estamos gratos a Deus que tem dado força e teimosia ao padre Nuno e o tem guardado da desesperança e da indiferença. Estamos gratos também porque esta pequena obra é uma das pérolas lindas da pequena e frágil Igreja portuguesa, sacudida e atacada, por fora como do interior, por inimigos e falsos amigos.

Para alguns o padre Nuno não passará de um doido varrido, insuportável e obcecado, figura de um catolicismo intragável e desestabilizador da chamada "paz social". Para muitos outros tem sido encorajador sinal de contradição, figura de pastor-que-caminha-à-cabeça-do-rebanho, homem inteiro e adverso a calar verdades incómodas em troca de um suculento prato de lentilhas.

Louco? Creio que sim. E por isso o seu testemunho permanece uma razão de alegria: vive na inquietude que vem do Espírito, o mesmo que animava os iorodivi da tradição cristã oriental,
o mesmo que empurrava à loucura profetas.

O cristianismo, caros senhores, não é um clube de bridge para a nata burguesa da urbe - veio trazer o fogo à terra, gritar a fome de Deus e justiça, desmascarar o complot contra a verdade. Esta incapacidade de aceitar compromissos inevitavelmente exaspera os ânimos daqueles que anseiam pela paz podre. Provocados a defendê-la, vêem-se obrigados a mover calúnias e intrigas, a isolar no ostracismo e solidão. Um pão negro cujo sabor não é desconhecido ao padre Nuno e a todos aqueles que se empenham nesta batalha.

Mas graças a sacerdotes como ele a Igreja não terá que se envergonhar quando o pano cair e a humanidade for confrontada com a bestialidade dos actos que actualmente consente e pratica. Tal como aconteceu com a escravatura e as câmaras de gás dos campos de concentração, chegará a hora da vergonha e ninguém vai poder dizer que não sabia. Graças a obras como o Infovitae.

Por estas e muitas outras razões, quero aproveitar esta ocasião para expressar aqui o meu agradecimento. E apelar a que o Infovitae continue a inspirar a nossa acção e oração, neste nobre combate por aqueles que Bento XVI, no recente discurso ao Corpo Diplomático acreditado junto à Santa Sé, chamou "os mais pobres dentre os seres humanos": as crianças não-nascidas.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Infovitae nos dois dígitos!


Fernando Castro


Muitos parabéns ao Infovitae por ter entrado nos dois dígitos, o que, em “economês”, significa “fazer 10 anos”.

Como é sabido, o “economês”, a par com o “eduquês” e o “politiquês”, é o dialecto praticado pelos “Homos Estratosfericus”, uma condição já atingida por vários indígenas e aspirada por muitos.


Os “Homos Estratosfericus” vivem a muitas dezenas de quilómetros de altitude, em plena ausência de gravidade e de onde a Terra parece toda azul. Tem ainda a vantagem de, a essa altitude, não se verem as pessoas, quanto mais os seus problemas!


Nada de grave aconteceria se não fosse o facto de o "poder" ser por eles gerido.

Volta e meia, um ou outro, por qualquer razão lá vem estampar-se cá em baixo.

Esta condição atravessa toda a sociedade, não sendo exclusiva de qualquer grupo social, assim como nenhum grupo parece estar imune.


Também, sempre ocorreu ao longo dos tempos; como, também ao longo dos tempos, sempre houve alguém a opor-se aos “Homos Estratosfericus” e a procurar chamar à razão os comuns dos mortais, alvos privilegiados da sua acção, dominados através do narcotizante “politicamente correcto”.


Há dois mil anos, esse papel foi desempenhado por João Baptista, na continuidade dos profetas da Antiguidade, a preparar os caminhos do Senhor, depois seguido pelos apóstolos, entre os quais S. Paulo, cuja acção actualmente se celebra.

É nessa mesma linha que o Infovitae se enquadra, com a mesma intolerância pela mentira e meias tintas com que os “Homos Estratosfericus” nos vão embrulhando, porque “parece mal”, “não é oportuno”, “não se pode ser assim”, etc.


Nesta época de combate, em que tantos se encontram cansados, desmotivados ou simplesmente acomodados ou acobardados, o Infovitae atinge os dez anos de vida, já com algumas cicatrizes de que se pode orgulhar.

Oxalá continue com força redobrada e maior experiência, como bandeira da Verdade onde mantermos os olhos.


Uma coisa é certa, e que é reconfortante para o Infovitae: podem atirar-lhe muitas pedras, mas nunca lhe será atada uma mó de moinho ao pescoço e atirado ao fundo do poço, ou vomitado da Sua boca…

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

10 anos de Infovitae = 10 anos de informação sobre a Vida


Sofia C. Guedes


Celebrar uma data é celebrar o tempo, porque cada dia é único e irrepetível. O tempo é sinal de vida, e ao mesmo sinal de um outro que não é Tempo, mas Eternidade.


Quando me pediram para escrever sobre os 10 anos do Infovitae, vieram-me à mente milhares de acontecimentos, lembranças, experiências, tanta coisa que não consegui escolher nenhuma em particular. Mas como o faço na maior parte das vezes, rezei ao Espírito Santo para que fosse Ele o autor das minhas palavras. E aqui vou eu:


Estes 10 anos lembram-me antes de mais o tempo logo após o Referendo ao Aborto em Portugal em 1998, em que o Não ganhou. 10 anos depois, tudo mudou e agora é de lei matar os filhos. Sem vergonha, sem dó nem piedade querem hoje tornar o aborto, um direito do homem, como que nesse pequeno ser humano estivesse o maior inimigo. Estamos perante uma verdadeira catástrofe. Pior do que um genocídio, é um suicídio colectivo. Matar os nossos!?? O Aborto é o acto mais abominável de que o ser humano é capaz. Mas isto dizemo-lo dia após dia, todos os dias. É nosso dever, é nossa Salvação…


Hoje e passado 10 anos prefiro falar de Vida, de Amor. E não posso faze-lo senão falando de Deus, de Jesus. O Deus que se fez homem, e percorreu em tudo a vida de qualquer homem. Deus que fazendo-se Homem, inverteu toda a lógica humana. Deus que para ser de todos se fez pobre, frágil, dependente. Desde o primeiro momento da sua Humanidade, tudo foi escândalo. Tudo foi difícil para Ele e para a Sua Sagrada Família, porque tudo experimentou.


Agora que acabamos de festejar o Natal, se olharmos profundamente o mistério do Seu nascimento, veremos um escândalo. Um Menino envolto em panos (cheio de frio), deitado numa manjedoura cheia porcaria de animais, varrido por correntes de ar, escura, sem água, sem ajuda. Apenas Sua Mãe, seu pai José, um burro e uma vaca. Quando olho e vejo isto, fico paralisada, espantada porque eu não nasci assim!!!??? . E imediatamente lembro os milhões de pessoas que nasceram e nascem nestas horríveis condições por esse Mundo fora, porque não há lugar para elas... e muitas sem a família… Deus quis identificar-se com estas. Sobreviveu e continuou vivendo embalado nos braços de Sua Mãe Maria e da protecção de Seu pai José.


Teve de fugir, para não ser morto por Herodes, que não teve o mínimo de escrúpulos em matar todas as crianças que hipoteticamente podiam ser Jesus. A lei do mais “forte”, sobre o mais “fraco”. Este mistério onde a maldade parece soberana, lembra-me a matança dos inocentes pelo aborto que hoje acontece em quase todos os cantos do Mundo, com a mesma autoridade perversa e maldosa que tinha Herodes naquele tempo. Deus não esquece este sangue dos inocentes. Sobreviveu porque partiu para o Egipto, sempre suportado por sua mãe e pelo seu pai putativo. E em todos os episódios Jesus precisou da Família. Ela foi o garante da sua “sobrevivência”. Ela foi, é e será o garante da nossa sobrevivência.


E é neste “cenário” que quero lembrar estes 10 anos. Também porque este ano será a 10ª edição do Presépio na Cidade, um projecto de leigos católicos que começou para lembrar tudo isto e porque Deus quis que acontecesse ano após ano. Marcar a gravidez de Maria, marcar a importância da Família, marcar aquilo que mais torna os homens semelhantes a Deus: a Sua encarnação, embora gerado e não criado, porque Ele é o Criador, começou sendo um embrião, depois um feto e por aí fora, o palpitar de um coração igual a qualquer um de nós, o paradoxo, do mais poderoso, se tornar o mais fraco; do mais rico se tornar o mais pobre, do mais Tudo se tornar o quase nada, do Eterno se tornar capaz de caber em nós para nos tomar para Ele. Fazer com que a nossa vida, se torne semelhante à d’ Ele, porque todos somos frágeis, dependentes e necessitados dos outros. Experimentar este Amor tão absurdo aos homens que só pela Fé, é possível aceitar, mesmo sem compreender. Foi o que o Presépio na Cidade veio fazer. Irmão do Infovitae!!!


Tal como nasceu o Infovitae, para servir a Deus e aos homens, também para mim é um privilégio trabalhar para Jesus e para os homens. É tudo o que quero! E cada vez tenho mais a certeza que sem Ele, não podemos salvar outras vidas. Não basta ser contra o Aborto, contra a Eutanásia, contra a maldade. Precisamos de Fé, de nos aproximar dia a dia de Deus e dos homens, pois só assim nos perceberemos da sacralidade da vida. Não precisamos de mais argumentos. O Homem sem Deus, perde humanidade e, só quando houver verdadeira conversão no seu coração sobretudo daqueles que têm a responsabilidade de decidir por outros poderemos cantar a vida de todos os homens.


Estes 10 anos, dão-me ainda muita Paz interior. Embora no meio de todas estas tribulações, sinto que estamos no Caminho certo. Que o sangue de todos estes mártires não está a correr em vão. Infelizmente derramado, mas que salvará muitos dos que o provocaram.


Nestes 10 anos passei de quarentona a cinquentona, acrescentei ao meu curriculum de afinidades, a condição de Avó (bi). E sinto-me muito feliz porque sei que um dia também fui salva por Jesus e sei que isso está ao alcance de todos. Acredito que a Humanidade não morre, enquanto houver homens e mulheres capazes de com Jesus, ir semeando a Esperança de um Futuro melhor. E acredito que esta crise, que o Mundo sofre e que não é fácil, vem lavar as almas. Precisamos de estar atentos… Precisamos de semear o sorriso da Esperança. Não esquecer nunca de que Ele já venceu!


Ao Infovitae agradeço tudo o que me tem vindo a ensinar nestes últimos 10 anos e sem o qual já não consigo passar.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Há dez anos, seria impensável eu assinar electronicamente o Infovitae


Bernardo Sanchez da Motta


Há dez anos, seria impensável eu assinar electronicamente o Infovitae, ou ter gosto em ler diariamente as suas notícias e artigos. Então, eu fazia parte de um tipo curioso de católicos, pouco informados e pouco “praticantes” (eu achava que se podia ser católico sem “praticar” o catolicismo). A minha catequese ficara perdida algures a meio da adolescência, interrompida abruptamente logo após o crisma, aos quinze anos de idade. Ainda me recordo bem do primeiro referendo sobre o aborto, altura em que o tema era frequentemente debatido entre amigos, e lembro-me da minha posição juvenil: considerava a maioria dos grupos pró-vida como grupos católicos “conservadores”, “fundamentalistas” ou “radicais”. Eu então achava razoável que se pudesse abortar antes de certo prazo, e achava estranha, artificial e desnecessária a ideia de que, logo após a fecundação, se estaria perante um ser humano completo, pleno de direitos.


Como se vê, eu estava então à mercê dos estereótipos e da linguagem usada pelos media para tentar retratar uma realidade religiosa pouco conhecida da opinião pública através de etiquetas políticas ou sociológicas. A etiqueta “fundamentalista” é especialmente eficaz ainda hoje em dia, uma vez que ninguém bem formado quer ser visto na companhia de “talibãs” católicos.


Eu sentia-me bem nessa posição claramente incoerente. Incoerente, porque eu dizia ser católico enquanto rejeitava, de uma assentada, magotes de noções católicas centrais. A posição era confortável: primeiro, não me dava conta da incoerência; depois, permitia-me insuflar o meu orgulho junto de amigos não católicos, apresentando-me como um “católico progressista”, esse tipo de fantoche brilhante por fora, e atractivo para uma estética modernista, mas oco por dentro. Achava que, mostrando-me como “católico progressista”, iria afastar os fantasmas anticatólicos dos meus amigos sem fé, e assim trazê-los para a Igreja. Dava-me um certo gozo sentir-me numa espécie de “vanguarda católica”, parte integrante daqueles católicos “arejados” que julgam ser a sua opinião mais importante que todo o Magistério com dois mil anos de doutrina e história. Qualquer panfleto do “Nós Somos Igreja” enchia-me de satisfação e de entusiasmo. Qualquer sacerdote que, do seu púlpito, justamente contestasse esse movimento ou outros similares causava-me repulsa e indignação.


Mas talvez o mais confortável dessa minha posição era o aspecto moral: do alto da posição de superioridade em que me colocara, eu sentia-me senhor da minha moral; no fundo, achava-me uma “boa pessoa”, senhor do meu nariz, invocava a “consciência individual” a torto e a direito, sem ter que dar resposta a ninguém do que fazia ou do que não fazia.


No espaço de alguns anos, em virtude de várias circunstâncias, a vida atirou-me desse pedestal abaixo e confrontou-me com a minha incoerência.


E foi assim que, alguns anos mais tarde, dei por mim a gostar de ler o Infovitae e de conversar com católicos que sabem porque o são e que gostam de o ser. Aprendi, com muita ajuda do Infovitae, que um católico é um católico. Assim mesmo, sem etiquetas. Sei que, hoje em dia, as ideias que defendo fazem com que outros mal informados se apressem a colar na minha testa as habituais etiquetas de “conservador”, “fundamentalista”, ou “radical”.


Agora já é tarde demais: tanto me faz a etiqueta. A transformação interior, quando se dá, é quase sempre irreversível. Não falo de perfeição moral: estou no fim da linha nessa matéria. Falo da transformação interior que se sente quando se vê pela primeira vez a luz da Verdade, e se quer logo ir atrás dela. Depois de muitas deambulações por outras doutrinas espirituais, fruto inevitável do meu desinteresse pelo “catolicismo progressista”, regressei finalmente a casa. Foi na Igreja Católica que encontrei finalmente essa luz de Verdade. Essa luz que é Cristo.


O Infovitae jogou um papel muito importante em tudo isto. Através dele, fui recebendo ao longo dos anos os vários reflexos dessa luz, a um ritmo quase diário, o que ajuda à eficácia do processo. Fui limando arestas, deitando fora ideias erradas, descobrindo coisas novas, crescendo em admiração pelo catolicismo, e ganhando forças para as batalhas quotidianas contra o Mal, o mal dentro de mim e o Mal que se quer, desde sempre, apoderar do Mundo e do Homem.


Quando, graças aos abanões fortes do Infovitae, finalmente olho de frente para a porta da Clínica dos Arcos, em Lisboa, antro infecto de crimes infindáveis contra seres humanos indefesos, entendo finalmente porque razão me era tão fácil noutros tempos repudiar os grupos pró-vida. É que ver o aborto como crime iria forçosamente obrigar-me a sentir o peso moral de viver numa sociedade em que se matam seres humanos impunemente. Era claramente mais fácil varrer o problema para debaixo do tapete. Dar-me conta de que o aborto é hoje um crime “legalizado”, praticado na cidade em que vivo, e noutras pelo pais fora, e pago com o dinheiro dos impostos de todos nós, introduziu uma nova e pesada preocupação no meu quotidiano. Mas apesar de tudo, é muito melhor reconhecer que o crime existe, reconhecer a vergonha que ele é, mesmo que eu sinta que quase nada faço para o impedir, do que fazer de conta que não há crime, nem criminosos, nem vítimas.


Finalmente, nesta efeméride dos dez anos do Infovitae, só me resta dizer OBRIGADO A TODOS OS SEUS COLABORADORES! E um obrigado muito especial ao Padre Nuno Serras Pereira, por tudo o que lhe devo.

O Infovitae e a virtude da preserverança


Thereza e Miguel Ameal

É espantoso pensar que o Infovitae já tem 10 anos!

É-nos impossível dizer quantos artigos interessantes aqui encontrámos, quantos textos guardámos para usar mais tarde, quanto aprendemos com este fantástico instrumento ao longo destes anos trabalho, oração e luta pela defesa da dignidade da vida humana desde o momento da concepção até à morte natural.

Mas para nós o Infovitae não foi só um órgão de comunicação e formação pro vida, não foi só um instrumento útil para o trabalho de todos, foi muitas vezes sobretudo um exemplo pessoal que nos deu forças.

Exemplo de amor à Vida e a Deus seu Criador, de trabalho incansável e empenho, de coragem e energia, de fé e esperança inabaláveis mesmo nos momentos mais difíceis.

O Infovitae inspirou-nos, ajudou-nos a também nós não baixarmos os braços perante as dificuldades.

Obrigado a todos os colaboradores, o mundo precisa de mais gente assim: gente que não desiste!