Mostrar mensagens com a etiqueta Conclave. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Conclave. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 11 de março de 2013

Habemus Papam - por Pedro Vaz Patto



Ao analisar o processo de eleição de um novo Papa, deparamo-nos com características que distinguem nitidamente esse processo de um análogo em qualquer outra instituição humana. Essas incomparáveis características reforçam a fé de quem crê na assistência divina prometida por Jesus Cristo à Igreja que fundou.

            Essa assistência certamente não tornou a Igreja Católica imune aos pecados dos seus membros, mesmo ao mais alto nível. A história dos Papas em várias épocas contém inúmeros motivos de escândalo. Mesmo assim a Igreja sobreviveu (como nenhuma outra instituição humana sobreviveria), não deixou de proclamar a integridade da doutrina que muitos dos seus representantes contradiziam com o seu exemplo, e não deixou de gerar no seu seio frutos de santidade, mesmo nas épocas mais escuras. É nisto que reside a assistência divina, não na ausência de pecado dos membros da Igreja. Assim é também hoje, em que também não faltam motivos de escândalo e contra-testemunhos, mas também não faltam frutos de santidade. Entre frutos estão agora as vidas dos últimos Papas, alguns deles já beatificados (João XXII e João Paulo II) e outros a caminho de o serem (Pio XII, Paulo VI e João Paulo I).

            Na eleição de um novo Papa reconhecem-se diferentes sensibilidades, desde logo porque a universalidade da Igreja também não tem paralelo noutras instituições. A comunhão é, porém, mais forte do que essas diferenças. Exige-se a aprovação de dois terços do colégio eleitoral, mas, depois, a adesão acaba por ser unânime e qualquer luta de fações não deixa rastos depois da eleição. Também esta é uma característica inédita, que nem sempre a comunicação social sabe colher, quando aplica aqui os critérios de análise próprios das outras instituições e da política em geral. 

            Outro sinal distintivo da forma como na Igreja se dá a sucessão do seu mais alto responsável é o da perene juventude desta instituição milenária. A alegria e a esperança que acompanham a eleição de um novo Papa (que exprime o grito jubiloso do Habemus Papam e as emoções e aplausos que se lhe seguem) também não têm paralelo noutras instituições.

            As esperanças de mudança e novidade são, com frequência, mal interpretadas. Isso dá-se quando se criam expectativas de ruptura, que depois inevitavelmente se frustram. As novidades que pode trazer um novo Papa nunca poderão afectar o depósito da fé, isto é, aquele tesouro que ela tem por missão  guardar e transmitir aos vindouros. E mesmo aqueles aspetos que podem mudar, porque não fazem parte desse tesouro, nunca o serão pela cedência aos critérios facilitistas da cultura dominante. O critério de mudança há-de ser sempre o da fidelidade ao Evangelho, não o da cedência a essa cultura. De resto, as comunidades cristãs não católicas que têm feito opções nesse sentido não têm mais “sucesso”, antes pelo contrário. A Igreja luterana sueca (que até já aceita o casamento entre pessoas do mesmo sexo), todos os anos vê um número apreciável de fiéis aderir à Igreja Católica ou a comunidades pentecostais que seguem orientações diferentes. Não, a novidade não passa por aí (de resto, nem seria grande a novidade, pois se trataria antes de um seguidismo). 

            Um novo Papa não contradiz o anterior, mas também não o repete e não cessa de nos surpreender. Foi assim com João Paulo II em relação aos que o precederam. E foi assim com Bento XVI, muito diferente da imagem que dele havia sido construída, tão próximo do seu antecessor, mas também tão diferente dele, diferença que se sentiu até no modo como terminou o seu ministério. 

            O Papa é instrumento de um Deus que «faz novas todas as coisas» (Ap. 21, 5), de uma mensagem cuja riqueza não se esgota, um tesouro de onde continuamente saem «coisas velhas e novas» (Mt 13, 52), cuja beleza ainda não descobrimos na sua plenitude. 

            Seja ele europeu ou não, mais ou menos jovem, mais ou menos intelectualmente brilhante, mais ou menos empaticamente comunicativo, será sempre com alegria e esperança que os católicos acolherão o novo Papa. 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Vaticano: Cardeal escocês renuncia à presença no Conclave para evitar «atenção dos media»

In ecclesia 

Lisboa, 25 fev 2013 (Ecclesia) – O cardeal escocês Keith O'Brien anunciou hoje a sua intenção de não participar no próximo Conclave para evitar a “atenção dos media”, após ter sido acusado de "atos impróprios" alegadamente praticados há 33 anos.

“Peço a bênção de Deus para os meus irmãos cardeais que se vão reunir brevemente em Roma para eleger o seu [Bento XVI] sucessor. Não irei juntar-me a eles no Conclave, pessoalmente: não pretendo atrair a atenção dos media em Roma sobre mim”, declarou o prelado, numa declaração publicada no site para a comunicação da Conferência Episcopal Escocesa.

O cardeal, que em março completa 75 anos, pediu a renúncia ao governo da Arquidiocese de Edimburgo por atingir o limite de idade previsto na legislação da Igreja, "há alguns meses", e a sua resignação foi aceite por Bento XVI no último dia 18 em decisão tornada pública esta manhã.

Ainda sem data definida para o início do próximo Conclave, o grupo de 115 cardeais com direito a voto no dia 1 de março fica assim distribuído geograficamente: Europa – 60; América Latina – 19 e América do Norte – 14; África -11; Ásia – 10; Oceânia - 1.

O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, justificou a decisão de Bento XVI, ao aceitar a renúncia de D. Keith O'Brien, com a necessidade de não entrar no período de Sé vacante  - tempo entre a morte ou renúncia do Papa e a eleição do sucessor - “com uma situação não definida”.

OC

El Papa acepta la renuncia del cardenal O'Brien tras ser acusado de «comportamiento inadecuado»

In InfoCatólica

El cardenal Keith O'Brien anunció este lunes su renuncia como arzobispo de St Andrews y Edimburgo tras haber sido acusado de «comportamiento inapropiado» hacia otros religiosos en la década de los 80, según informó la cadena pública BBC. Los cuatro denunciantes habían pedido personalmente la dimisión de O'Brien al nuncio Antonio Mennini, embajador en el Reino Unido del Vaticano. El cardenal no participará en el próximo cónclave alegando que no quiere que la atención de los medios de comunicación gire en torno a su persona.

La renuncia se produce cuando falta un mes para que el cardenal cumpla los 75 años y en vísperas del cónclave que elegirá al próximo Papa, donde no habrá ningún representante británico.

El Vaticano ha anunciado por su parte que Benedicto XVI acepta la renuncia del prelado británico e investigará los hechos. En breve se nombrará un administrador apostólico, que se hará cargo de la archidiócesis hasta el nombramiento de un nuevo arzobispo.

El cardenal ha anunciado además su intención de retirarse de la vida pública una vez tome posesión su sucesor.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

La dura nota de la Secretaría de Estado y las palabras de Lombardi: “calumnias y maledicencias en contra del gobierno de la Iglesia”

In VI

La Secretaría de Estado de la Santa Sede publicó un comunicado en el que se deplora la intención de condicionar a los cardenales, en vista del Cónclave, con la difusión de noticias “a menudo sin verificar, o no verificables, o incluso falsas y con grave daño de personas e instituciones”.

La libertad del Colegio Cardenalicio, que deberá, según las normas del derecho, elegir al Romano Pontífice, dice la nota de la Secretaría de Estado, “siempre ha sido defendida por la Santa Sede, cual garantía de una decisión que se basa en evaluaciones que miran únicamente por el bien de la Iglesia”.

“Duranto los siglos, los Cardenales han tenido que afrontar múltiples formas de presión, ejercidas por electores particulares sobre el mismo Colegio, que tenían como fin el condicionamiento de las decisiones, plegándolas según lógicas de tipo político o mundano”.

Si en el pasado, concluye la nota, “han sido las llamadas potencias, es decir los Estados, las que buscaban hacer valer el propio condicionamiento en la elección del Papa, hoy se trata de poner en juego el peso de la opinión pública, a menudo con base en juicios que no comprenden el aspecto típicamente espiritual del momento que está viviendo la Iglesia”.

La nota del Padre Lombardi para la Radio Vaticana

El camino de la Iglesia en estas últimas semanas del Pontificado del Papa Benedicto, hasta la elección del nuevo Papa a través de la “Sede vacante” y del Cónclave, es muy laborioso, dada la novedad de la situación. No tenemos – y nos alegra – que adolorarnos por la muerte de un Papa amado, pero no nos ha sido ahorrada otra prueba: aquella del multiplicarse de las presiones y de las consideraciones ajenas al espíritu con el que la Iglesia quisiera vivir este tiempo de espera y de preparación.

De hecho no falta quien busca aprovecharse del momento de sorpresa y desorientación de los espíritus débiles para sembrar confusión y echar descrédito a la Iglesia y sobre su gobierno, recurriendo a instrumentos antiguos – como la maledicencia, la desinformación, a veces la misma calumnia – o ejerciendo presiones inaceptables para condicionar el ejercicio del deber de voto por parte de uno u otro miembro del Colegio de cardenales, considerado no agradable por una razón u otra. En la mayor parte de los casos quien se coloca como juez, emitiendo graves juicios morales, no tiene en verdad autoridad alguna para hacerlo. Quien ante todo tiene en mente dinero, sexo y poder, y está acostumbrado a interpretar en estos términos las diversas realidades, no es capaz de ver otra cosa ni siquiera en la Iglesia, porque su mirada no sabe dirigirse hacia lo alto o descender en profundidad para captar las dimensiones y las motivaciones espirituales de la existencia. De todo esto resulta una descripción profundamente injusta de la Iglesia y de tantos de sus hombres.

Pero todo aquello no cambiará la actitud de los creyentes, no mellará la fe y la esperanza con la que miran al Señor que ha prometido acompañar a su Iglesia. Queremos, según cuanto indica la tradición y la ley de la Iglesia, que este sea un tiempo de reflexión sincera sobre las expectativas espirituales del mundo y sobre la fidelidad de la Iglesia al Evangelio, de oración por la asistencia del Espíritu, de cercanía al Colegio de cardenales que se apresta al arduo servicio de discernimiento y de elección que le es pedido y que es principalmente para lo que existe.En esto nos acompaña ante todo el ejemplo y la rectitud espiritual del Papa Benedicto, que ha querido dedicar a la oración del inicio de Cuaresma este último tramo de su Pontificado. Un camino penitencial de conversión hacia el gozo de Pascua. Así lo estamos viviendo y lo viviremos: conversión y esperanza.