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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Misericórdia - por Nuno Serras Pereira



27. 09. 2013

Algum tempo depois de, como filho pródigo, ter regressado à Igreja, isto é a Jesus Cristo total, Cabeça e corpo, para usar uma expressão de Santo Agostinho, comecei a ler o jornal L’ Osservatore Romano na sua totalidade – Pontificava então o Papa Paulo VI. Este hábito de ler tudo o que promanava dos Santos Padres tem-se mantido até os dias de hoje. Provavelmente aqueles que não estão a par das coisas eclesiais não saberão que isto significa que li e meditei muitos milhares, mas mesmo muitos, de páginas. Já não tenho grande memória de Paulo VI, mas no que diz respeito a João Paulo II e a Bento XVI posso testemunhar que os seus pontificados foram marcados essencialmente pelo Amor/Misericórdia. Não me refiro somente à Encíclica de João Paulo II sobre Deus rico em Misericórdia (tema que está presente em todos os seus documentos e talvez de um modo mais marcante na Veritatis Splendor, na Evangelium Vitae e na Redemptoris Missio) ou às de Bento XVI sobre a Caridade /Amor/Misericórdia. Mas esses luminosos Pontificados foram marcados por uma proximidade, um abeiramento samaratiano de cada pessoa humana, desde o seu início até ao seu termo. Se há verdade que o mundo e a Igreja têm escutado até à saturação, que ninguém desconheça dentro e fora da Igreja, a não ser os recém-nascidos, é que Deus é Misericórdia. Não há homilia que o omita, nem catequese que só disso fale, nem artigo de opinião ou entrevista radiofónica ou televisiva a católicos, Cardeais, Bispos, sacerdotes ou leigos que nisso não insista. Isso é muito claro, por exemplo, quando conversando com pessoas que se dirigem a uma “clínica” ou “maternidade” ou hospital para abortarem dizem que não faz mal nenhum matarem a seus filhos, porque Deus é misericordioso e perdoa: “não faz mal”, asseguram com um sorriso. É mesmo em nome da Misericórdia que catequistas ensinam as suas crianças sobre a bondade do aborto, da contracepção, da homossexualidade e do “casamento” entre pessoas do mesmo sexo; e também sacerdotes, até no confessionário, aconselham essas coisas, tudo em nome da Misericórdia. Um ministro da Comunhão, só para dar um exemplo, obrigou a sua filha abortar e, apesar de isto ser público e notório, tanto o pároco como o Bispo acharam, em nome da misericórdia, por bem que ele continuasse a distribuir a Sagrada Comunhão. A mesma misericórdia serve ainda de justificação aos políticos que se intitulam católicos, votarem favoravelmente a eutanásia, o aborto, o casamento “gay”; e de pretexto a Bispos e Cardeais de lhes darem entusiasticamente a Sagrada Comunhão e de os convidarem, como exemplos, para palestrarem ao povo de Deus. Essa pastoral, da “misericórdia” e do “amor” vazios de conteúdo, conhecemo-la aqui na Europa há muitos anos e os seus resultados estão à vista – não podiam ser mais devastadores. 


Evidentemente que nem S. João Paulo II nem Bento XVI são responsáveis por estes abusos, pelo contrário. Mas não me venham dizer que somente agora é que a Igreja anunciará a Misericórdia de Deus e o amor de Jesus como Salvador como contexto para tudo o mais. Porque afirmar isso é uma falsidade infame. Se há ícone da Misericórdia que ficará como eminente na história da Igreja esse será sem margem para dúvida o Papa João Paulo II. Já nos esquecemos dos milhões de pessoas que ele converteu ou aproximou da Igreja e de Deus, das multidões inumeráveis que se abeiraram da confissão sacramental, etc., etc.? Mas este mesmo Papa que estendeu a devoção da Divina Misericórdia (Santa Faustina) e proclamou o Domingo depois do da Páscoa como Domingo da Misericórdia (e Deus veio buscá-lo nessa solenidade para o levar para junto de si) percebeu muito bem que não se podia somente insistir nessa tecla mas que era preciso dar-lhe um conteúdo substancial e aí tinha, nos dias de hoje, uma proeminência vital o aborto e eutanásia (Evangelium vitae - defesa da vida nos seus momentos mais vulneráveis), os ataques à família (Familiaris consortio; carta às famílias; direitos da família) e a contracepção (Teologia do corpo – como comentário à Humanae vitae). As vítimas, os feridos, mutilados, desfeitos, estilhaçados por essas violências brutais – nos dias de hoje perante a avalanche imensa de estudos e dados empíricos, é impossível ignorá-los – são infinitamente maiores do que as vítimas das guerras horrorosas, a que todos nos opomos. E, no entanto, ninguém, nem mesmo eu!, na Igreja quer ou pede que se insista somente nesses assuntos - de onde terá surgido ideia tão insólita e abstrusa? O que espanta nos dias de hoje é o silêncio sepulcral sobre eles ou raridade (se tivermos em conta os documentos da Santa Sé e dos Episcopados o aborto, o “casamento” gay e a contracepção muito provavelmente não representarão sequer 0, 1 por cento dos assuntos tratados) com que são abordados e a insistência em outros pontos que também são morais e também “vêm depois”: a guerra e a paz, a pobreza, os refugiados, os imigrantes, os doentes, etc. (assuntos aliás de que todo o mundo fala com consenso universal).


Todos os anos se celebra o dia mundial da Paz acompanhado de oração em todas as Igrejas do mundo, com homilias, palestras, conferências; há sempre uma longa mensagem dos Santos Padres amplamente difundida não só pelos órgãos da Igreja mas também pelos grandes média e pela internet – blogues, redes sociais, etc. O tema costuma reaparecer diversas vezes ao longo do ano quer no Angelus do Santo Padre, quer nas suas Catequeses, quer nas Dioceses, quer nas orações universais das Missas de Domingo, quer no terço diário rezado nos grandes Santuários Marianos. E de vez em quando os Papas convocam vigílias de oração não só em Roma como por todo o mundo, congregando centenas de milhares de pessoas, só na praça de S. Pedro, e ali estão 3 ou 4 horas em oração. Todos os anos há o dia das migrações e a respectiva mensagem e as peregrinações e se for preciso um Papa deitando uma coroa de flores aos mares por causa das centenas de vítimas de traficantes sem escrúpulos. E há ainda o dia dos doentes, também com uma mensagem papal e com preces nas Igrejas por todo o orbe (que aliás acontecem praticamente todos os dias nas Missas e na Liturgia das Horas e nos Terços desfiados nos Santuários Marianos). Nas audiências os enfermos são abençoados, acariciados, abraçados; em todas as viagens apostólicas os Papas sempre se querem encontrar com eles e dirigir-lhes uma palavra, confortá-los. E podíamos continuar dando mais exemplos da solicitude materna da Igreja pela grande maioria dos já nascidos. 


Creio que não passará pela cabeça de ninguém (talvez tenha ocorrido a Nietzsche, mas não se trata de uma cabeça propriamente recomendável) dizer que se trata de uma obsessão e que a Igreja não pode estar sempre a insistir no mesmo. Ora a verdade, como é patente a todos, é que as pessoas na sua etapa embrionária e nascitura não têm, repito, não têm um ínfimo da atenção, solicitude e diligência por parte da Igreja que todos estes outros. O Santo Padre num Angelus referiu, e muitíssimo bem, que tinha ficado com o coração ferido ao ver na tv os mil e tal mortos, entre os quais muitas crianças, num ataque na Síria. Mas não lhe sangra, e se sangra não poderá dizê-lo também?, os mais de mil mortos num só dia trucidados em Itália e em França? Porque não depositar uma coroa de flores e celebrar Missa à porta de um Hospital ou de uma clínica onde se dizimam bebés – é impopular, não é? Mas estou em que é de toda a justiça. Porque não convocar um dia de jejum e oração universal pelos 50 milhões de pessoas abortadas anualmente (falo só dos cirúrgicos)? Por que não receber sobreviventes de abortos falhados e falar disso? e mulheres que abortaram e que publicamente dizem do seu arrependimento? e matadores em série de embriões e nascituros que foram convertidos pelos obcecados fanáticos? e os predadores homossexuais que foram curados? e os casais desfeitos por causa da contracepção que em virtude da aprendizagem dos “métodos” naturais reencontraram o amor e o equilíbrio? e os estilhaçados por “tratamentos artificiais” que para conseguirem ter filhos mataram uma data deles e não tiveram sucesso vindo depois a encontra-lo na Napro technology? Os cristãos que se têm empenhado nesta missão evangélica são misericordiosos, tomam a seu cargo as pessoas, acompanhando-as como o bom samaritano que lava, limpa, unge, levanta o seu próximo com pureza evangélica sabendo que Deus é maior que qualquer pecado. Pela Graça de Deus são capazes aquecer os corações das pessoas, de caminhar na noite com elas, de dialogar de descer às suas noites, nas suas trevas, sem perder-se. Não se limitam a acolher e receber as pessoas mas procuram novos caminhos saindo de si mesmos e indo ao encontro de quem abandonou a Igreja, ou nunca a frequentou ou lhe é indiferente ou mesmo hostil E fazem-no com grande audácia e coragem.


Porque é que se pode falar, como uma insistência desusada em tantos outras questões morais tais como mundanidade, carreirismo, maledicência, cobiça, etc., e não nas outras? Qual o contexto?


Os Papas João Paulo II e Bento XVI que celebraram com grandes festejos, incendiando os corações no amor a Jesus Cristo, os encontros mundiais da juventude sempre consideraram que havia o contexto adequado para falar do aborto, da defesa da vida. Hoje, pelos vistos, nega-se, apesar dos pedidos dos jovens e casais, o que parecia adquirido e vem-se a público lamentar a discordância e acoimá-la de obsessão. Isto sim, é uma novidade. Que se anuncie primeiro Cristo e o Seu Amor não o é, sempre foi assim, e se alguém nos quiser persuadir do contrário teremos de lhe dizer com toda a reverência que anda muito enganado. E lembrar-lhe que muitos, muitíssimos por o fazerem são presos, escorraçados, vilipendiados, agredidos e presos.


Para terminar, convirá atender a que importa muito ter em conta as circunstâncias. Quando Hitler se propunha a invadir a Inglaterra seria totalmente absurdo que os cristãos aliados desembarcassem na Normandia de sorriso rasgado e olhar afectuoso conclamando amigos e irmãos, Cristo ama-vos muito e é o vosso Salvador. Se assim tivesse sido o mundo hoje seria nazi.


Também quando Portugal esteve preste a ser dominado inteiramente pelo comunismo, depois do 25 de Abril, o que nos valeu foi um Cardeal, chamado Karol Woityla (futuro João Paulo II), que em Roma teve uma conversa longa, com o então Bispo de Aveiro e ciente do perigo terrível em que estávamos convenceu o prelado português de que só nos poderíamos salvar se a Igreja saísse à rua liderando o povo. Essas manifestações encabeçadas em quase todas as dioceses por Bispos não saíram propriamente com um rosto amável proclamando animadamente Jesus ama vos. O verdadeiro amor misericordioso exigiu carrancas e urros que contivessem os portadores da ideologia intrinsecamente perversa. À honra e glória de Cristo. Ámen.


S. João Paulo II, rogai por nós.


quarta-feira, 5 de junho de 2013

A Reflection on the Passion of Anger and the “Miserable Truce” of the Modern Age - by Msgr. Charles Pope

In AW 

We live in a culture that tends to treat anger as a taboo. One common tactic to unsettle an opponent is to accuse them of being angry. It is amazing how easily humiliated and defensive one can make an opponent by using this tactic. Yes, it is amazing how quickly the one accused of “anger” will be thrown off his game and feel the need to resort to denials or euphemisms such as:

1. I am NOT angry! (which is usually said angrily and is usually a lie).
2. I am not angry, I am just frustrated! (But frustration is a euphemism for anger, yet, as a euphemism it somehow feels less humiliating).
3. I am not angry…You’re the one who is angry! (and thus the terrible charge of anger must be denied and shoved back, instead of owned and appreciated as an energy or passion for what matters).
4. Of course I’m angry, but who would not be angry when talking with an idiot! (And thus the charge is only tacitly or partially accepted since its cause is purely extraneous).

Rare indeed in the American setting is someone who will respond in a way that both admits anger and owns it as something positive and important, perhaps by saying: “I am angry. And I am angry because I really care about this matter. I am not merely a neutral observer. I fully admit I have an agenda, an agenda I passionately believe in, and I experience grief and anger when what I value is dis-valued. Yes, I am angry, and I care about this.”

Of itself anger is just a passion, an energy that is stirred forth when we sense that something is wrong. Sensing what is wrong or threatening, our anger is stirred, energizing us for action, whether mental, physical or both. The body is actually involved as adrenaline is released.

The Bible does condemn vengeful anger but also teaches of anger that is not sinful: Be angry, but sin not (Eph 4:26). The sinless Jesus also exhibits a lot of anger (e.g. Luke 11; Mark 10; Matthew 17:17; Matthew 21:15; Matthew 26:8; Mark 10:14; Mark 14:4 John 2, John 8, inter al) and indignation modelling that anger is sometimes the appropriate response.

Yet somehow we are stymied and easily felled by the charge that we are angry. We tend to live in egotistically soft, thin-skinned times. The pervasive relativism seems to require that if we are going to believe in something we ought not hold it too strongly, because then we might have an “agenda” and actually let slip that we think there is a truth to be upheld and insisted upon. And, according to modern “rules” having an “agenda” i.e. thinking certain things are surely true, is Wrong, with a capital “W.” Perhaps too there is the over-appropriation of tolerance, an necessary component in a pluralistic setting, but not an absolute virtue.

Whatever the causes, anger, an ordinary and necessary human passion, is humiliating to most modern westerners. And to be accused of being angry is something most try quickly to squirm out of.

And yet I will say plainly, we need more of it. I do not speak of a mere fisticuffs rooted in violent outburst or of the simple ugliness and persoanl disrespect evident on blogs and issued from the anonymous safety behind the computer screen. But rather, I speak of an anger rooted in love and a deep commitment to the truth, an anger that emerges because we see the harm caused by lies, deception, error, sin and injustice.

Lovers fight, lovers get angry, and well they should, for when love is in the mix, things matter, truth matters, error and harm matter. Lovers want what is best, not merely expedient or convenient.

Author Dale Ahlquist, says a lot of this better than I can. Writing in his recent book, The Complete Thinker where he synthesizes the thought of G.K. Chesterton Ahlquist says:

Chesterton illustrates the point about “the twin elements of loving and fighting”…..Modern philosophies have tried to do away with this paradox…But fighting and loving actually go together. You cannot love a thing without wanting to fight for it….To love a thing without wishing to fight for it is not love at all…
The connection between two such apparent opposites points to the idea that truth is always an amazing balancing act….If we lean too far in one direction or the other, we lose our balance. Thus, both militarism and pacificism represent a loss of balance.
Militarism is simply bullyism, the strong having their own way. Pacifism is a lack of loyalty, a promise not to defend the innocent, the helpless, the defenseless.
The Church has always had to maintain the precarious balance of truth, whether in war or in anything else….
Sometimes the only way to stop the fighting is to fight. Sometimes the only way to end a war is to win it—but only as an act of defense, not as an act of aggression…..
The sword is an important symbol of Christianity. It is not only in the shape of a cross; it is the scriptural symbol of truth, which cuts both ways—because error comes from opposite sides.
Chesterton also says he likes swords because “they come to a point”, unlike most modern art and philosophy.

Yes, lovers fight, lovers get angry. And the anger of the Greatest Lover of them all, God, is evident in the downward thrust of the cross into the soil of this world and its manifold lies and half truths. The cross is the downward thrust, like a sword, of God’s non placet to the rebellion and error this world holds so arrogantly.

And yet, that downward thrust is also open in love as seen in the outward arms of cross, the outstretched arms of Christ. At the very center of the cross where anger and love unite is the heart of Christ.

Yes, love and anger are closer than we moderns will often admit or fathom. Love says there are certain things worth fighting for and being angry about. But its anger is not egocentric, it is other-centric, focused on God, the truth and the dignity of those who are meant to walk in truth. Ahlquist says, in loving our enemies, we want to convert them so they are not our enemies anymore. Ultimately, we want to get our enemies to join our side.

And thus, some things are worth fighting for and about. Ahlquist continues:

No sane man has ever held, that war is a good thing….But the… occasion may arise when it is better for a man to fight than to surrender….War is not the direst calamity that can befall a people. There is one worse state, at least: the state of slavery.
While a good peace is better than a good war, even a good war is better than a bad peace.
[And thus the] Church on earth is called the Church Militant. War is a metaphor, and it would not work as a metaphor if it were not a reality, a reality that we have to live with.
This life of ours is a very enjoyable fight, but a very miserable truce.”

And that last line is a very telling description of the modern age: a miserable truce. Everyone is walking on eggs, afraid to offend and suppressing the truth on account of this fear. And thus our anger gets suppressed, renamed, and turned inward. Some has said that the definition of depression is “anger turned inward.” Not a bad diagnosis of a time like this when vast percentages of us are on anti-depressants and other psychotropic medicines to manage the “miserable truce” that is the false peace of these times; a peace rooted not in truth, but in the compelled silence of PC, euphemisms and thinly veiled politeness.

Perhaps too that is why such ugliness erupts from time to time, especially in more anonymous settings like blog com-boxes where we, who have forgotten how to have a good argument in person, or how to manage and appreciate our anger in normal ways, act so ugly and engage in sometimes savage and unkind personal attacks.

This sort or anger, often evident in political settings as well, is not about truth or love, it is about scoring, it is about winning with little regard to truth or love. But the Church militant without love is not the Church.

At the end of the day, though, anger has its place in the context of love, and decent fights are necessary for those who love. Without a proper appreciation for these, we end up with the gray fog of a “miserable truce” that is the modern West.


quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Viva o Bispo do Porto!! Viva!!




Excertos da Homilia no Dia Mundial da Paz

“... Intitulada “Bem-aventurados os obreiros da paz”, a Mensagem do Papa Bento XVI para este dia oferece-nos um resumido mas substancial compêndio da Doutrina Social da Igreja, para quanto respeite à justiça e à paz. Com óbvio relevo para a defesa e a promoção da vida, dizendo assim: «Caminho para a consecução do bem comum e da paz é, antes de mais nada, o respeito pela vida humana, considerada na multiplicidade dos seus aspetos, a começar pela conceção, passando pelo seu desenvolvimento até ao fim natural. Assim, os verdadeiros obreiros da paz são aqueles que amam, defendem e promovem a vida humana em todas as suas dimensões: pessoal, comunitária e transcendente. A vida em plenitude é o ápice da paz. Quem deseja a paz não pode tolerar atentados e crimes contra a vida» (Mensagem, nº 4).

- Que oportunidade, irmãos, que responsabilidade tamanha, se verdadeiramente procuramos a paz! Estando Deus aí mesmo, na vida em gestação, dentro ou já fora do ventre materno, como se torna prioritária a promoção e salvaguarda de cada vida humana, no arco total da sua existência terrena!

A fragilidade da vida uterina ou a fraqueza e enfermidade que a atinjam depois, são outros tantos apelos a que acorramos céleres – como os pastores do Evangelho – ao seu cuidado preciso, solidário e eficaz. Qualquer hesitação neste ponto, qualquer amolecimento cultural ou legal em relação a ele, é absolutamente um atentado à paz. À paz das consciências, que, quanto a isto, nunca adormecerão tranquilas, antes somarão pesadelos; e à paz das famílias e de sociedades inteiras, se contemporizarem com qualquer tipo de antinatalismo ou reducionismo existencial.

A tão mencionada “qualidade de vida”, deve significar, antes de mais, o reconhecimento da qualidade que ela essencialmente tem e sempre conserva, mesmo quando física ou mentalmente atingida. A paz – enquanto harmonia íntima e global de tudo quanto representa a verdade das coisas, começando pela verdade das pessoas – é obra e fruto da justiça, que nos manda dar a cada um o que lhe é devido e pertence. E a vida é a primeiríssima pertença de cada ser humano. ... ”


Caso queira felicitar o Senhor D. Manuel Clemente

Terreiro da Sé - 4050-573 PORTO
Tel.: 223 392 330 - Fax: 223 392 331
E-mail: manuelclemente@sapo.pt

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Campagna d'odio contro il Papa - di Riccardo Cascioli

In La nuova Bussola Quotidiana 

Qualche giorno fa l’avevamo detto: c’è in atto uno scontro durissimo in Europa tra governi che stanno accelerando sul riconoscimento delle unioni gay e la Chiesa, che difende la dignità dell’uomo e la legge naturale. Gli eventi degli ultimi giorni non solo confermano questo giudizio ma ne svelano chiaramente i contenuti.

Le reazioni scomposte e le accuse al Papa dopo la pubblicazione del Messaggio per la Giornata Mondiale della Pace, solo per aver ricordato che aborto ed eutanasia sono la più grave minaccia alla pace e che il riconoscimento delle unioni gay sarebbe una ferita contro la giustizia, lasciano intendere come Benedetto XVI abbia toccato dei punti decisivi. Del resto la distanza tra Chiesa ed elite dominanti non poteva apparire più ampia in questi giorni: poche ore prima che il Papa rendesse noto il Messaggio per la Giornata della Pace l’Europarlamento ha approvato una risoluzione proposta dalla socialista Monika Benova pro aborto e nozze gay.

In tale risoluzione si manifesta "preoccupazione per le recenti restrizioni all'accesso ai servizi di salute sessuale e riproduttiva in alcuni Stati membri, con particolare riferimento all'aborto sicuro e legale e all'educazione sessuale e per i tagli ai finanziamenti per le politiche familiari”. Si esprime invece soddisfazione per “il fatto che sempre più stati membri abbiano introdotto e/o adeguato le loro norme sulla coabitazione, sulle unioni civili e sul matrimonio per combattere le discriminazioni basate sull’orientamento sessuale subite dalle coppie di persone dello stesso sesso e dai loro figli e invita gli altri stati membri a introdurre norme analoghe”.

Questa è l’Europa oggi, e ironia del destino proprio questa settimana l’Unione Europea ha ricevuto il Premio Nobel per la Pace, un premio che al massimo possiamo considerare alla memoria, visto che la UE - insieme all’amministrazione Obama – è la più forte sostenitrice della diffusione dell’aborto nel mondo. E’ un’Europa che nell’aver trasformato i desideri in diritti si scopre sempre più intollerante, contro i cattolici anzitutto. E usa volentieri l’arma della menzogna, come dimostra l’altro episodio di questi giorni con l’accusa al Papa di avere benedetto la parlamentare ugandese a favore della pena di morte per gli omosessuali.

In realtà, Rebecca Kadaga, speaker del Parlamento di Kampala, faceva parte di una delegazione di parlamentari ugandesi a Roma per partecipare alla Settima assemblea dei parlamentari per la Corte Penale internazionale e per lo stato di diritto. La delegazione ugandese ha partecipato all’udienza e ha poi potuto salutare il Papa, come molti altri pellegrini: un breve incontro di qualche secondo e nessuna benedizione, ma i maestri della menzogna ne hanno approfittato per rovesciare sul Papa un mare di insulti e l’accusa più infamante che si possa fare in Europa in questo periodo: istigare all’omofobia.

Tutt’altro. Quanto all’Uganda la Chiesa si è pronunciata da subito con forza contro quella proposta di legge e per quel che riguarda il Messaggio per la Giornata della Pace non c’è alcuna volontà di discriminazione, perché la questione di cosa sia il matrimonio non ha a che vedere con i diritti della persona, che sono già regolati dalla Costituzione.

Eppure, proprio tutto questo odio rovesciato su Benedetto XVI dovrebbe far capire a tutti i cattolici la posta in gioco; politici inclusi, visto che il Messaggio per la Giornata della Pace è un richiamo forte ai princìpi non negoziabili come pre-condizione per ogni autentico impegno per il bene comune.

Invece, ieri silenzio assoluto dei politici e posizioni imbarazzate dei media cattolici, che hanno cercato di smorzare le polemiche sforzandosi di spiegare che in realtà nel Messaggio il Papa ha parlato molto di economia e lavoro. Non è un bel segnale.

P.S.: A proposito, viste le centinaia di insulti arrivate direttamente al Papa su twitter, siamo sicuri che sia stata proprio una bella idea fare i moderni esponendo Benedetto XVI a questo genere di gogna?

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Mensagem do Papa Bento XVI para a celebração do Dia Mundial da Paz - 01-01-2013

Mensagem de Bento XVI para a celebração do
46.º Dia Mundial da Paz
1 de janeiro de 2013

Bem-aventurados os obreiros da paz

1. Cada ano novo traz consigo a expectativa de um mundo melhor. Nesta perspetiva, peço a Deus, Pai da humanidade, que nos conceda a concórdia e a paz a fim de que possam tornar-se realidade, para todos, as aspirações duma vida feliz e próspera.

À distância de 50 anos do início do Concílio Vaticano II, que permitiu dar mais força à missão da Igreja no mundo, anima constatar como os cristãos, Povo de Deus em comunhão com Ele e caminhando entre os homens, se comprometem na história compartilhando alegrias e esperanças, tristezas e angústias,[1] anunciando a salvação de Cristo e promovendo a paz para todos.

Na realidade o nosso tempo, caracterizado pela globalização, com seus aspetos positivos e negativos, e também por sangrentos conflitos ainda em curso e por ameaças de guerra, requer um renovado e concorde empenho na busca do bem comum, do desenvolvimento de todo o homem e do homem todo.

Causam apreensão os focos de tensão e conflito causados por crescentes desigualdades entre ricos e pobres, pelo predomínio duma mentalidade egoísta e individualista que se exprime inclusivamente por um capitalismo financeiro desregrado. Além de variadas formas de terrorismo e criminalidade internacional, põem em perigo a paz aqueles fundamentalismos e fanatismos que distorcem a verdadeira natureza da religião, chamada a favorecer a comunhão e a reconciliação entre os homens.

E no entanto as inúmeras obras de paz, de que é rico o mundo, testemunham a vocação natural da humanidade à paz. Em cada pessoa, o desejo de paz é uma aspiração essencial e coincide, de certo modo, com o anelo por uma vida humana plena, feliz e bem sucedida. Por outras palavras, o desejo de paz corresponde a um princípio moral fundamental, ou seja, ao dever-direito de um desenvolvimento integral, social, comunitário, e isto faz parte dos desígnios que Deus tem para o homem. Na verdade, o homem é feito para a paz, que é dom de Deus.

Tudo isso me sugeriu buscar inspiração, para esta Mensagem, às palavras de Jesus Cristo: «Bem-aventurados os obreiros da paz, porque serão chamados filhos de Deus» (Mt 5, 9).

A bem-aventurança evangélica

2. As bem-aventuranças proclamadas por Jesus (cf. Mt 5, 3-12; Lc 6, 20-23) são promessas. Com efeito, na tradição bíblica, a bem-aventurança é um género literário que traz sempre consigo uma boa nova, ou seja um evangelho, que culmina numa promessa. Assim, as bem-aventuranças não são meras recomendações morais, cuja observância prevê no tempo devido – um tempo localizado geralmente na outra vida – uma recompensa, ou seja, uma situação de felicidade futura; mas consistem sobretudo no cumprimento duma promessa feita a quantos se deixam guiar pelas exigências da verdade, da justiça e do amor. Frequentemente, aos olhos do mundo, aqueles que confiam em Deus e nas suas promessas aparecem como ingénuos ou fora da realidade; ao passo que Jesus lhes declara que já nesta vida – e não só na outra – se darão conta de serem filhos de Deus e que, desde o início e para sempre, Deus está totalmente solidário com eles. Compreenderão que não se encontram sozinhos, porque Deus está do lado daqueles que se comprometem com a verdade, a justiça e o amor. Jesus, revelação do amor do Pai, não hesita em oferecer-Se a Si mesmo em sacrifício. Quando se acolhe Jesus Cristo, Homem-Deus, vive-se a jubilosa experiência de um dom imenso: a participação na própria vida de Deus, isto é, a vida da graça, penhor duma vida plenamente feliz. De modo particular, Jesus Cristo dá-nos a paz verdadeira, que nasce do encontro confiante do homem com Deus.

A bem-aventurança de Jesus diz que a paz é, simultaneamente, dom messiânico e obra humana. Na verdade, a paz pressupõe um humanismo aberto à transcendência; é fruto do dom recíproco, de um mútuo enriquecimento, graças ao dom que provém de Deus e nos permite viver com os outros e para os outros. A ética da paz é uma ética de comunhão e partilha. Por isso, é indispensável que as várias culturas de hoje superem antropologias e éticas fundadas sobre motivos teorico-práticos meramente subjetivistas e pragmáticos, em virtude dos quais as relações da convivência se inspiram em critérios de poder ou de lucro, os meios tornam-se fins, e vice-versa, a cultura e a educação concentram-se apenas nos instrumentos, na técnica e na eficiência. Condição preliminar para a paz é o desmantelamento da ditadura do relativismo e da apologia duma moral totalmente autónoma, que impede o reconhecimento de quão imprescindível seja a lei moral natural inscrita por Deus na consciência de cada homem. A paz é construção em termos racionais e morais da convivência, fundando-a sobre um alicerce cuja medida não é criada pelo homem, mas por Deus. Como lembra o Salmo 29, « o Senhor dá força ao seu povo; o Senhor abençoará o seu povo com a paz » (v. 11).

A paz: dom de Deus e obra do homem

3. A paz envolve o ser humano na sua integridade e supõe o empenhamento da pessoa inteira: é paz com Deus, vivendo conforme à sua vontade; é paz interior consigo mesmo, e paz exterior com o próximo e com toda a criação. Como escreveu o Beato João XXIII na Encíclica Pacem in terris– cujo cinquentenário terá lugar dentro de poucos meses –, a paz implica principalmente a construção duma convivência humana baseada na verdade, na liberdade, no amor e na justiça.[2]A negação daquilo que constitui a verdadeira natureza do ser humano, nas suas dimensões essenciais, na sua capacidade intrínseca de conhecer a verdade e o bem e, em última análise, o próprio Deus, põe em perigo a construção da paz. Sem a verdade sobre o homem, inscrita pelo Criador no seu coração, a liberdade e o amor depreciam-se, a justiça perde a base para o seu exercício.

Para nos tornarmos autênticos obreiros da paz, são fundamentais a atenção à dimensão transcendente e o diálogo constante com Deus, Pai misericordioso, pelo qual se implora a redenção que nos foi conquistada pelo seu Filho Unigénito. Assim o homem pode vencer aquele germe de obscurecimento e negação da paz que é o pecado em todas as suas formas: egoísmo e violência, avidez e desejo de poder e domínio, intolerância, ódio e estruturas injustas.

A realização da paz depende sobretudo do reconhecimento de que somos, em Deus, uma única família humana. Esta, como ensina a Encíclica Pacem in terris, está estruturada mediante relações interpessoais e instituições sustentadas e anima¬das por um «nós» comunitário, que implica uma ordem moral, interna e externa, na qual se reconheçam sinceramente, com verdade e justiça, os próprios direitos e os próprios deveres para com os demais. A paz é uma ordem de tal modo vivificada e integrada pelo amor, que se sentem como próprias as necessidades e exigências alheias, que se fazem os outros comparticipantes dos próprios bens e que se estende sempre mais no mundo a comunhão dos valores espirituais. É uma ordem realizada na liberdade, isto é, segundo o modo que corresponde à dignidade de pessoas que, por sua própria natureza racional, assumem a responsabilidade do próprio agir.[3]

A paz não é um sonho, nem uma utopia; a paz é possível. Os nossos olhos devem ver em profundidade, sob a superfície das aparências e dos fenómenos, para vislumbrar uma realidade positiva que existe nos corações, pois cada homem é criado à imagem de Deus e chamado a crescer contribuindo para a edificação dum mundo novo. Na realidade, através da encarnação do Filho e da redenção por Ele operada, o próprio Deus entrou na história e fez surgir uma nova criação e uma nova aliança entre Deus e o homem (cf. Jr 31, 31-34), oferecendo-nos a possibilidade de ter « um coração novo e um espírito novo » (cf. Ez 36, 26).

Por isso mesmo, a Igreja está convencida de que urge um novo anúncio de Jesus Cristo, primeiro e principal fator do desenvolvimento integral dos povos e também da paz. Na realidade, Jesus é a nossa paz, a nossa justiça, a nossa reconciliação (cf. Ef 2, 14; 2 Cor 5, 18). O obreiro da paz, segundo a bem-aventurança de Jesus, é aquele que procura o bem do outro, o bem pleno da alma e do corpo, no tempo presente e na eternidade.

A partir deste ensinamento, pode-se deduzir que cada pessoa e cada comunidade – religiosa, civil, educativa e cultural – é chamada a trabalhar pela paz. Esta consiste, principalmente, na realização do bem comum das várias sociedades, primárias e intermédias, nacionais, internacionais e a mundial. Por isso mesmo, pode-se supor que os caminhos para a implementação do bem comum sejam também os caminhos que temos de seguir para se obter a paz.

Obreiros da paz são aqueles que amam, defendem e promovem a vida na sua integridade

4. Caminho para a consecução do bem comum e da paz é, antes de mais nada, o respeito pela vida humana, considerada na multiplicidade dos seus aspetos, a começar da conceção, passando pelo seu desenvolvimento até ao fim natural. Assim, os verdadeiros obreiros da paz são aqueles que amam, defendem e promovem a vida humana em todas as suas dimensões: pessoal, comunitária e transcendente. A vida em plenitude é o ápice da paz. Quem deseja a paz não pode tolerar atentados e crimes contra a vida.

Aqueles que não apreciam suficientemente o valor da vida humana, chegando a defender, por exemplo, a liberalização do aborto, talvez não se deem conta de que assim estão a propor a prossecução duma paz ilusória. A fuga das responsabilidades, que deprecia a pessoa humana, e mais ainda o assassinato de um ser humano indefeso e inocente nunca poderão gerar felicidade nem a paz. Na verdade, como se pode pensar em realizar a paz, o desenvolvimento integral dos povos ou a própria salvaguarda do ambiente, sem estar tutelado o direito à vida dos mais frágeis, a começar pelos nascituros? Qualquer lesão à vida, de modo especial na sua origem, provoca inevitavelmente danos irreparáveis ao desenvolvimento, à paz, ao ambiente. Tão-pouco é justo codificar ardilosamente falsos direitos ou opções que, baseados numa visão redutiva e relativista do ser humano e com o hábil recurso a expressões ambíguas tendentes a favorecer um suposto direito ao aborto e à eutanásia, ameaçam o direito fundamental à vida.

Também a estrutura natural do matrimónio, como união entre um homem e uma mulher, deve ser reconhecida e promovida contra as tentativas de a tornar, juridicamente, equivalente a formas radicalmente diversas de união que, na realidade, a prejudicam e contribuem para a sua desestabilização, obscurecendo o seu caráter peculiar e a sua insubstituível função social.

Estes princípios não são verdades de fé, nem uma mera derivação do direito à liberdade religiosa; mas estão inscritos na própria natureza humana – sendo reconhecíveis pela razão – e consequentemente comuns a toda a humanidade. Por conseguinte, a ação da Igreja para os promover não tem caráter confessional, mas dirige-se a todas as pessoas, independentemente da sua filiação religiosa. Tal ação é ainda mais necessária quando estes princípios são negados ou mal entendidos, porque isso constitui uma ofensa contra a verdade da pessoa humana, uma ferida grave infligida à justiça e à paz.

Por isso, uma importante colaboração para a paz é dada também pelos ordenamentos jurídicos e a administração da justiça quando reconhecem o direito ao uso do princípio da objeção de consciência face a leis e medidas governamentais que atentem contra a dignidade humana, como o aborto e a eutanásia.

Entre os direitos humanos basilares mesmo para a vida pacífica dos povos, conta-se o direito dos indivíduos e comunidades à liberdade religiosa. Neste momento histórico, torna-se cada vez mais importante que este direito seja promovido não só negativamente, como liberdade de – por exemplo, de obrigações e coações quanto à liberdade de escolher a própria religião –, mas também positivamente, nas suas várias articulações, como liberdade para: por exemplo, para testemunhar a própria religião, anunciar e comunicar a sua doutrina; para realizar atividades educativas, de beneficência e de assistência que permitem aplicar os preceitos religiosos; para existir e atuar como organismos sociais, estruturados de acordo com os princípios doutrinais e as finalidades institucionais que lhe são próprias. Infelizmente vão-se multiplicando, mesmo em países de antiga tradição cristã, os episódios de intolerância religiosa, especialmente contra o cristianismo e aqueles que se limitam a usar os sinais identificadores da própria religião.

O obreiro da paz deve ter presente também que as ideologias do liberalismo radical e da tecnocracia insinuam, numa percentagem cada vez maior da opinião pública, a convicção de que o crescimento económico se deve conseguir mesmo à custa da erosão da função social do Estado e das redes de solidariedade da sociedade civil, bem como dos direitos e deveres sociais. Ora, há que considerar que estes direitos e deveres são fundamentais para a plena realização de outros, a começar pelos direitos civis e políticos.

E, entre os direitos e deveres sociais atualmente mais ameaçados, conta-se o direito ao trabalho. Isto é devido ao facto, que se verifica cada vez mais, de o trabalho e o justo reconhecimento do estatuto jurídico dos trabalhadores não serem adequadamente valorizados, porque o crescimento económico dependeria sobretudo da liberdade total dos mercados. Assim o trabalho é considerado uma variável dependente dos mecanismos económicos e financeiros. A propósito disto, volto a afirmar que não só a dignidade do homem mas também razões económicas, sociais e políticas exigem que se continue « a perseguir como prioritário o objetivo do acesso ao trabalho para todos, ou da sua manutenção ».[4] Para se realizar este ambicioso objetivo, é condição preliminar uma renovada apreciação do trabalho, fundada em princípios éticos e valores espirituais, que revigore a sua conceção como bem fundamental para a pessoa, a família, a sociedade. A um tal bem corresponde um dever e um direito, que exigem novas e ousadas políticas de trabalho para todos.

Construir o bem da paz através de um novo modelo de desenvolvimento e de economia

5. De vários lados se reconhece que, hoje, é necessário um novo modelo de desenvolvimento e também uma nova visão da economia. Quer um desenvolvimento integral, solidário e sustentável, quer o bem comum exigem uma justa escala de bens-valores, que é possível estruturar tendo Deus como referência suprema. Não basta ter à nossa disposição muitos meios e muitas oportunidades de escolha, mesmo apreciáveis; é que tanto os inúmeros bens em função do desenvolvimento como as oportunidades de escolha devem ser empregues de acordo com a perspetiva duma vida boa, duma conduta reta, que reconheça o primado da dimensão espiritual e o apelo à realização do bem comum. Caso contrário, perdem a sua justa valência, acabando por erguer novos ídolos.

Para sair da crise financeira e económica atual, que provoca um aumento das desigualdades, são necessárias pessoas, grupos, instituições que promovam a vida, favorecendo a criatividade humana para fazer da própria crise uma ocasião de discernimento e de um novo modelo económico. O modelo que prevaleceu nas últimas décadas apostava na busca da maximização do lucro e do consumo, numa ótica individualista e egoísta que pretendia avaliar as pessoas apenas pela sua capacidade de dar resposta às exigências da competitividade. Olhando de outra perspetiva, porém, o sucesso verdadeiro e duradouro pode ser obtido com a dádiva de si mesmo, dos seus dotes intelectuais, da própria capacidade de iniciativa, já que o desenvolvimento económico suportável, isto é, autenticamente humano tem necessidade do princípio da gratuidade como expressão de fraternidade e da lógica do dom. [5] Concretamente na atividade económica, o obreiro da paz aparece como aquele que cria relações de lealdade e reciprocidade com os colaboradores e os colegas, com os clientes e os usuários. Ele exerce a atividade económica para o bem comum, vive o seu compromisso como algo que ultrapassa o interesse próprio, beneficiando as gerações presentes e futuras. Deste modo sente-se a trabalhar não só para si mesmo, mas também para dar aos outros um futuro e um trabalho dignos.

No âmbito económico, são necessárias – especialmente por parte dos Estados – políticas de desenvolvimento industrial e agrícola que tenham a peito o progresso social e a universalização de um Estado de direito e democrático. Fundamental e imprescindível é também a estruturação ética dos mercados monetário, financeiro e comercial; devem ser estabilizados e melhor coordenados e controlados, de modo que não causem dano aos mais pobres. A solicitude dos diversos obreiros da paz deve ainda concentrar-se – com mais determinação do que tem sido feito até agora – na consideração da crise alimentar, muito mais grave do que a financeira. O tema da segurança das provisões alimentares voltou a ser central na agenda política internacional, por causa de crises relacionadas, para além do mais, com as bruscas oscilações do preço das matérias-primas agrícolas, com comportamentos irresponsáveis por parte de certos agentes económicos e com um controle insuficiente por parte dos Governos e da comunidade internacional. Para enfrentar semelhante crise, os obreiros da paz são chamados a trabalhar juntos em espírito de solidariedade, desde o nível local até ao internacional, com o objetivo de colocar os agricultores, especialmente nas pequenas realidades rurais, em condições de poderem realizar a sua atividade de modo digno e sustentável dos pontos de vista social, ambiental e económico.

Educação para uma cultura da paz: o papel da família e das instituições

6. Desejo veementemente reafirmar que os diversos obreiros da paz são chamados a cultivar a paixão pelo bem comum da família e pela justiça social, bem como o empenho por uma válida educação social.

Ninguém pode ignorar ou subestimar o papel decisivo da família, célula básica da sociedade, dos pontos de vista demográfico, ético, pedagógico, económico e político. Ela possui uma vocação natural para promover a vida: acompanha as pessoas no seu crescimento e estimula-as a enriquecerem-se entre si através do cuidado recíproco. De modo especial, a família cristã guarda em si o primordial projeto da educação das pessoas segundo a medida do amor divino. A família é um dos sujeitos sociais indispensáveis para a realização duma cultura da paz. É preciso tutelar o direito dos pais e o seu papel primário na educação dos filhos, nomeadamente nos âmbitos moral e religioso. Na família, nascem e crescem os obreiros da paz, os futuros promotores duma cultura da vida e do amor. [6]

Nesta tarefa imensa de educar para a paz, estão envolvidas de modo particular as comunidades dos crentes. A Igreja toma parte nesta grande responsabilidade através da nova evangelização, que tem como pontos de apoio a conversão à verdade e ao amor de Cristo e, consequentemente, o renascimento espiritual e moral das pessoas e das sociedades. O encontro com Jesus Cristo plasma os obreiros da paz, comprometendo-os na comunhão e na superação da injustiça.

Uma missão especial em prol da paz é desempenhada pelas instituições culturais, escolásticas e universitárias. Delas se requer uma notável contribuição não só para a formação de novas gerações de líderes, mas também para a renovação das instituições públicas, nacionais e internacionais. Podem também contribuir para uma reflexão científica que radique as atividades económicas e financeiras numa sólida base antropológica e ética. O mundo atual, particularmente o mundo da política, necessita do apoio dum novo pensamento, duma nova síntese cultural, para superar tecnicismos e harmonizar as várias tendências políticas em ordem ao bem comum. Este, visto como conjunto de relações interpessoais e instituições positivas ao serviço do crescimento integral dos indivíduos e dos grupos, está na base de toda a verdadeira educação para a paz.

Uma pedagogia do obreiro da paz

7. Concluindo, há necessidade de propor e promover uma pedagogia da paz. Esta requer uma vida interior rica, referências morais claras e válidas, atitudes e estilos de vida adequados. Com efeito, as obras de paz concorrem para realizar o bem co¬mum e criam o interesse pela paz, educando para ela. Pensamentos, palavras e gestos de paz criam uma mentalidade e uma cultura da paz, uma atmos¬fera de respeito, honestidade e cordialidade. Por isso, é necessário ensinar os homens a amarem-se e educarem-se para a paz, a viverem mais de benevolência que de mera tolerância. Incentivo fundamental será « dizer não à vingança, reconhecer os próprios erros, aceitar as desculpas sem as buscar e, finalmente, perdoar »,[7] de modo que os erros e as ofensas possam ser verdadeiramente reconhecidos a fim de caminhar juntos para a reconciliação. Isto requer a difusão duma pedagogia do perdão. Na realidade, o mal vence-se com o bem, e a justiça deve ser procurada imitando a Deus Pai que ama todos os seus filhos (cf. Mt 5, 21-48). É um trabalho lento, porque supõe uma evolução espiritual, uma educação para os valores mais altos, uma visão nova da história humana. É preciso renunciar à paz falsa, que prometem os ídolos deste mundo, e aos perigos que a acompanham; refiro-me à paz que torna as consciências cada vez mais insensíveis, que leva a fechar-se em si mesmo, a uma existência atrofiada vivida na indiferença. Ao contrário, a pedagogia da paz implica serviço, compaixão, solidariedade, coragem e perseverança.

Jesus encarna o conjunto destas atitudes na sua vida até ao dom total de Si mesmo, até «perder a vida» (cf. Mt 10, 39; Lc 17, 33; Jo 12, 25). E promete aos seus discípulos que chegarão, mais cedo ou mais tarde, a fazer a descoberta extraordinária de que falamos no início: no mundo, está presente Deus, o Deus de Jesus Cristo, plenamente solidário com os homens. Neste contexto, apraz-me lembrar a oração com que se pede a Deus para fazer de nós instrumentos da sua paz, a fim de levar o seu amor onde há ódio, o seu perdão onde há ofensa, a verdadeira fé onde há dúvida. Por nossa vez pedimos a Deus, juntamente com o Beato João XXIII, que ilumine os responsáveis dos povos para que, junto com a solicitude pelo justo bem-estar dos próprios concidadãos, garantam e defendam o dom precioso da paz; inflame a vontade de todos para superarem as barreiras que dividem, reforçarem os vínculos da caridade mútua, compreenderem os outros e perdoarem aos que lhes tiverem feito injúrias, de tal modo que, em virtude da sua ação, todos os povos da terra se tornem irmãos e floresça neles e reine para sempre a tão suspirada paz.[8]

Com esta invocação, faço votos de que todos possam ser autênticos obreiros e construtores da paz, para que a cidade do homem cresça em concórdia fraterna, na prosperidade e na paz.

Vaticano, 8 de dezembro de 2012.
BENEDICTUS PP XVI

Notas

[1] Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. sobre a Igreja no mundo contemporâneo Gaudium et spes, 1.4
[2] Cf. Carta enc. Pacem in terris (11 de abril de 1963): AAS 55 (1963), 265-266.7
[3] Cf. ibidem: o. c., 266.9
[4] Bento XVI, Carta enc. Caritas in veritate (29 de junho de 2009), 32: AAS 101 (2009), 666-667.13
[5] Cf. ibid., 34.36: o. c., 668-670.671-672.15
[6] Cf. João Paulo II, Mensagem para o Dia Mundial da paz de 1994 (8 de dezembro de 1993): AAS 86 (1994), 156-162.17
[7] Bento XVI, Discurso por ocasião do Encontro com os membros do Governo, das instituições da República, com o Corpo Diplomático, os líderes religiosos e representantes do mundo da cultura (Baabda-Líbano, 15 de setembro de 2012): L’Osservatore Romano (ed. port. de 23/IX/ 2012), 7.18
[8] Cf. Carta enc. Pacem in terris (11 de abril de 1963): AAS 55 (1963), 304.19

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A Mãe de Deus, a Igreja e a Paz - Bento XVI

Queridos irmãos e irmãs!

No primeiro dia do ano, a liturgia faz ressoar em toda a Igreja estendida pelo mundo inteiro a antiga bênção sacerdotal, que ouvimos na primeira Leitura: «o Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face, e se compadeça de ti! O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz!» (Nm 6, 24-26). Esta bênção foi dada por Deus através de Moisés, a Aarão e aos seus filhos, ou seja, aos sacerdotes do povo de Israel. É um tríplice voto cheio de luz que brota da repetição do nome de Deus, o Senhor, e da imagem de seu rosto. Na verdade, para ser abençoado é necessário estar na presença de Deus, receber sobre si o Nome d'Ele e permanecer no feixe de luz que parte do seu rosto, no espaço iluminado pelo seu olhar, que difunde a graça e a paz.

Esta é também a experiência que fizeram os pastores de Belém, que aparecem de novo no Evangelho de hoje. Eles fizeram a experiência de estarem na presença de Deus, da sua bênção, não em um salão de um Palácio majestoso, na presença de um grande soberano, mas em um estábulo, diante de um "recém-nascido deitado na manjedoura" (Lc 2.16). É justamente desse menino que se irradia uma nova luz que brilha na escuridão da noite, como podemos ver em muitas pinturas que representam o Nascimento de Cristo. Agora, é d'Ele que nos vem a bênção: do seu nome – Jesus, que significa "Deus salva" – e do seu rosto humano, no qual Deus, o Todo-poderoso, Senhor do céu e da terra, quis se encarnar, ocultando a sua glória sob o véu da nossa carne, para nos revelar plenamente a sua bondade (cf. Tt 3,4).

Maria, a Virgem, esposa de José, a quem Deus escolheu desde o primeiro momento da sua existência para ser a mãe do seu Filho feito homem foi a primeira a ser preenchida por esta bênção. Ela, como a saúda Santa Isabel, é a "bendita entre as mulheres" (Lc 1,42). Toda a sua vida está na luz do Senhor, no âmbito do nome e do rosto de Deus encarnado em Jesus, o «fruto bendito do seu ventre». O Evangelho de Lucas nos apresenta Maria deste modo: totalmente dedicada a conservar e meditar no seu coração tudo o que diz respeito ao seu filho Jesus (cf. Lc 2, 19.51). O mistério da sua maternidade divina, que hoje celebramos, possui de modo superabundante aquele dom da graça que toda maternidade humana traz consigo: de fato, a fecundidade do ventre sempre foi associada com a bênção de Deus. A Mãe de Deus é a primeira abençoada e é aquela que traz a bênção; Ela é a mulher que acolheu Jesus em si e o deu à luz para toda a família humana. Como reza a Liturgia: «permanecendo virgem, deu ao mundo a luz eterna, Jesus Cristo Senhor nosso» (Prefácio da Virgem Maria, I).

Maria é mãe e modelo da Igreja, que acolhe na fé a Palavra divina e se oferece a Deus como " terra fecunda" onde Ele pode continuar a cumprir o seu mistério de salvação. A Igreja, através da pregação, que espalha pelo mundo a semente do Evangelho, e através dos sacramentos, que transmitem aos homens graça e vida divina, também participa do mistério da maternidade divina. A Igreja vive esta maternidade, de modo particular, no Sacramento do Batismo, ao gerar os filhos de Deus da água e do Espírito Santo, que em cada um deles exclama: "Abba! Pai"! (Gal 4.6). Como Maria, a Igreja é mediadora da bênção de Deus para o mundo: acolhendo Jesus recebe a bênção e a transmite levando Jesus aos demais. Ele é a misericórdia e a paz que o mundo não pode dar para si mesmo e que o mundo precisa sempre, tanto e mais do que pão.

Queridos amigos, a paz, em seu sentido mais amplo e elevado, é a soma e a síntese de todas as bênçãos. Por isso, quando dois amigos se encontram cumprimentam-se desejando mutuamente a paz. A Igreja, no primeiro dia do ano, também invoca de maneira especial este sumo bem e o faz, como a Virgem Maria, mostrando a todos Jesus, porque, como afirma o Apóstolo Paulo: "Ele é a nossa paz" (Ef 2,14) e, ao mesmo tempo, é o "caminho" através do qual homens e povos podem alcançar esta meta que todos aspiramos. Assim, trazendo no coração este desejo profundo, tenho o prazer de dar boas-vindas e cumprimentar todos vós, que vos reunistes na Basílica de São Pedro neste XLV Dia Mundial da Paz: Senhores Cardeais; Embaixadores de tantos países amigos que, mais do que nunca, nesta feliz ocasião, compartilham comigo e com a Santa Sé a vontade de renovar o compromisso pela promoção da paz no mundo; o Presidente do Pontifício Conselho «Justiça e Paz», que junto com o Secretário e os colaboradores trabalham de maneira especial para este fim; os demais Bispos e Autoridades presentes; representantes de Associações e Movimentos eclesiais e todos vós, irmãos e irmãs, especialmente aqueles que trabalham no campo da educação da juventude. Na verdade - como já sabeis – escolhi o tratar do tema da educação na minha Mensagem deste ano.

"Educar os jovens para a justiça e a paz" é a tarefa que diz respeito a todas as gerações, e, graças a Deus, a família humana, após as tragédias das duas grandes guerras mundiais, tem demonstrado ser cada vez mais consciente disso, como evidencia, por um lado, declarações e iniciativas internacionais e, por outro, a consolidação entre os jovens, nas últimas décadas, de muitas e diferentes formas de compromisso social neste campo. Para a Comunidade eclesial educar para a paz é parte da missão recebida de Cristo; é parte integrante da evangelização, porque o Evangelho de Cristo é também o Evangelho da justiça e da paz. Mas, ultimamente, a Igreja tem se tornado intérprete de uma exigência que abarca todas as consciências mais sensíveis e responsáveis pelo destino da humanidade: a necessidade de responder a um desafio decisivo que é precisamente o da educação. Por que "desafio"? Pelo menos por duas razões: em primeiro lugar, porque na era atual, fortemente caracterizada pela mentalidade tecnológica a vontade de educar e não só instruir não é um dado óbvio, mas é uma escolha; em segundo lugar, porque a cultura relativista apresenta uma questão radical: ainda tem sentido educar? E, educar para que?

É claro que não podemos abordar agora estas questões básicas, as quais já tratei de responder em outras ocasiões. Por outro lado, gostaria de salientar que, confrontados com as sombras que hoje obscurecem o horizonte do mundo, assumir a responsabilidade de educar os jovens para o conhecimento da verdade, para os valores e virtudes fundamentais, significa olhar para o futuro com esperança. E esse compromisso com uma educação integral significa também saber formar para a justiça e a paz. Hoje, os jovens estão crescendo em um mundo que se tornou, por assim dizer, menor, onde os contatos entre diferentes culturas e tradições, embora nem sempre diretos, são constantes. Para eles, agora mais do que nunca, é essencial aprender o valor e a forma da convivência pacífica, do respeito mútuo, do diálogo e da compreensão. Os jovens são por natureza abertos a estas atitudes, mas justamente a realidade social em que crescem pode levá-los a pensar e agir de forma oposta, até mesmo intolerante e violenta. Somente uma sólida educação das suas consciências pode protegê-los contra esses riscos e tornar-lhes capazes de sempre lutar contando somente com a força da verdade e do bem. Esta educação parte da família e se desenvolve na escola e demais experiências educacionais. Basicamente, trata-se de ajudar as crianças, os jovens e os adolescentes a desenvolverem uma personalidade que combine um profundo senso de justiça com o respeito pelo outro, com a capacidade de lidar com os conflitos sem arrogância, com a força interior para dar testemunho do bem, mesmo quando isso custa sacrifício, com o perdão e a reconciliação. Dessa forma, poderão tornar-se homens e mulheres realmente pacíficos e construtores da paz.

Nesta obra educativa das novas gerações, as comunidades religiosas também têm uma responsabilidade especial. Toda de formação religiosa genuína deve acompanhar a pessoa, desde a primeira infância, para ajudá-la conhecer a Deus, amá-Lo e fazer a sua vontade. Deus é amor, é justo e pacífico, e aqueles que querem honrá-Lo devem, em primeiro lugar, comportar-se como um filho que segue o exemplo de seu pai. Há um Salmo que afirma: «o Senhor realiza obras de justiça / e garante o direito aos oprimidos; … O Senhor é indulgente e favorável, / é paciente, é bondoso e compassivo» (Sal 103, 6.8). Em Deus justiça e misericórdia convivem perfeitamente, como Jesus nos mostrou com o testemunho de sua vida. Em Jesus «amor e verdade» se encontraram, «justiça e paz» se abraçaram (cf. Sal 85.11). Nestes dias a Igreja celebra o grande mistério da Encarnação: a fidelidade de Deus brotou da terra e justiça olhou dos altos céus, a terra deu sua colheita (cf. Sal 85, 12.13). Deus nos falou no seu filho Jesus. Escutemos o que Deus diz: "Ele anuncia a paz" (Sal 85.9). Jesus é o caminho que podemos seguir, aberto para todos. É o caminho da paz. Hoje, a Virgem Mãe, nos indica, nos mostra o caminho: sigamo-la! E Vós, Santa Mãe de Deus, acompanha-nos com a vossa proteção. Amém.