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sexta-feira, 2 de abril de 2010

Sexta-feira Santa


Por Joaquim Mexia Alves


Ó que tempo de amor silencioso!

Ó que tempo de paz e tranquilidade!

Ó que tempo de tão humilde serenidade!

Ó que tempo de um esperar tão ditoso!

Repousa agora o Senhor,

E a vida deita-se com Ele!

Tudo se faz silêncio

Pois o Senhor de todas as coisas

Repousa o sono dos justos.

No Céu prepara-se a festa

Que se há-de derramar na terra

Como promessa cumprida

Da esperança já esperada!

Tudo está em silêncio!

Mas não é silêncio de morte,

É um silêncio de vida,

Porque a morte nada pode,

Contra o Senhor da vida.

A Semente desceu à terra,

Morre agora para dar vida.

Sente-se que a esperança cresce,

Toda no amor envolvida.

A terra abriu os braços

Àquele que é o seu Senhor,

Toda ela se faz prenhe

Da vida e do amor.

Agora já nada podem

Aqueles que O querem matar

Porque ao darem morte à Vida,

Fizeram-na renascer,

Agora para não morrer.

Rasguem-se as vestes,

Abram-se os corações,

Choremos as lágrimas todas,

Que os olhos possam conter!

Porque num instante,

Numa eternidade,

A vida irá romper!

Gloriosa, vitoriosa, deslumbrante,

Já nada haverá a temer.

Repousemos também com Ele,

N’Ele deixemo-nos morrer,

Porque no terceiro dia,

O mundo se espantará,

Com a glória do Senhor!

E então quem n’Ele estiver,

Quem n’Ele permanecer,

Será vida para sempre,

No gozo eterno de Deus,

Que por amor aos homens,

Se deixou assim morrer.

Repara na brisa suave

Que passa por toda a terra,

Agita as plantas e árvores,

Passa nos vales e nos montes,

Mergulha nos rios e mares,

Toca todos os animais,

Do ar, da terra e do mar,

E vem direita ao coração

Do homem que quer amar.

Faz-se silêncio na terra,

Tudo se prostra e recolhe.

Já quer explodir a alegria

Que no peito incontida,

Quer gritar ao mundo todo:

«Eu sou a Ressurreição e a Vida»!


Monte Real, 2 de Abril de 2010

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Quem dizes tu que Eu Sou?


Joaquim Mexia Alves


«Quem dizes tu que Eu sou?»,

perguntas-me Tu Senhor,

com os Teus olhos fixos nos meus

com esse Teu jeito de amor.

Eu olho-Te então também

e receoso da resposta,

pouco forte e convicta,

respondo-Te muito baixinho:

«Tu és o Filho de Deus,

o meu Deus e meu Senhor.»

Mas Tu olhas-me outra vez,

e com redobrado amor,

perguntas-me novamente:

«Mas quem foi que to revelou?

Foi Meu Pai que está no Céu,

ou foi o teu coração,

que procura a Verdade?»

E eu pequenino respondo-Te,

a voz como num fio,

não fosses Tu ouvir-me:

«Ó Senhor,

eu sou tão fraco!

Como querias Tu meu Senhor

que eu sozinho pudesse,

saber assim toda a Verdade?

Que Tu és o Filho de Deus,

o Messias enviado,

o meu Deus e meu Senhor

que na Cruz crucificado,

se entregou por mim,

por todos nós,

só por simples e puro amor.»

Abre-se o Teu sorriso,

aliás nunca fechado,

e é um sol,

uma luz resplandecente,

que me atinge em todo o ser.

Aclara-se-me então a voz,

torna-se mais forte a fé,

perco o medo o temor,

e grito mais alto que o mundo,

por cima da criação,

com esta voz que Tu enches:

«Jesus Cristo é o Senhor,

o Filho de Deus vivo,

nascido e feito Homem,

em tudo igual a nós,

excepto no pecado.

Que se entregou por amor,

numa Cruz crucificado,

trespassado o coração,

pela maldade dos homens.

E que tendo sido morto

por fim foi sepultado,

para ressuscitar glorioso,

vencida que foi a morte,

vencido que foi o pecado.

Mas que ficou entre nós,

na humildade do Pão,

para ser alimento e vida,

dos que buscam salvação.»

E nada nem ninguém,

mesmo culto e inteligente,

pode negar e mudar,

esta verdade tão simples,

que nos fala ao coração,

por Ele em todos criado:

«Jesus Cristo é o Senhor,

o Filho de Deus vivo,

Palavra de eternidade

que nos conduz ao amor

e encerra toda a Verdade.»


Monte Real, 19 de Outubro de 2009