quinta-feira, 19 de abril de 2012

Diretrizes referentes ao tratamento dos casos de abuso sexual de menores por parte de membros do clero ou praticados no âmbito da atividade de pessoas jurídicas canónicas - Conferência Episcopal Portuguesa



I. Introdução – Âmbito e objeto das presentes diretrizes

a. Orientações para o procedimento

1. Com as presentes diretrizes pretende-se dar a conhecer um conjunto de orientações ou parâmetros para o procedimento a adotar em caso de conhecimento de factos que indiciem ou evidenciem situações configuráveis como abuso sexual de menores.

2. As orientações agora apresentadas não dispensam em caso algum a observância das demais normas internas da Igreja, nem o escrupuloso cumprimento das normas legais do direito interno português.

3. Como orientações, as presentes diretrizes não esgotam nem podem em caso algum esgotar os comportamentos a adotar em cada caso concreto, de acordo com uma sã e correta consciência, formada nos valores do Evangelho.

4. Cremos com as presentes orientações traduzir uma preocupação e um apelo da Igreja, verbalizado recentemente por Sua Santidade o Papa Bento XVI na sua Viagem Apostólica ao México, quando afirmou: «Quero aqui elevar a minha voz, convidando todos a protegerem e cuidarem das crianças, para que nunca se apague o seu sorriso, podendo viver em paz e olhar o futuro com confiança» (Encontro com as crianças em Guanajuato, 24 de março de 2012).

b. Destinadas aos órgãos dirigentes de cada pessoa jurídica canónica

5. As presentes diretrizes têm como destinatários imediatos o clero e todos os que trabalham ou colaboram de alguma forma na atividade da Igreja, em particular os que exerçam funções de direção, chefia, gestão ou coordenação na atividade própria de cada pessoa jurídica canónica.

6. São estes que exercem essas funções de direção, chefia, gestão, coordenação ou outras que configurem exercício de funções de autoridade a quem compete em primeira linha assegurar a observância dos valores do Evangelho, entre os quais se conta o respeito pela dignidade das crianças, adolescentes e jovens menores.

c. em face do conhecimento de situações integráveis na situação de abuso  de menores

7. Trata-se de saber com exatidão que tipo de procedimentos deverão ser adotados, quando, por qualquer forma, se tome conhecimento de indícios ou evidências integráveis na situação de abuso de menores.

8. O abuso sexual de menores ocorre quando um adulto recorre à sedução, à chantagem, a ameaças e/ou à manipulação psicológica para envolver crianças, adolescentes ou jovens menores em atividades sexuais ou eróticas de qualquer índole, que inclua contacto direto ou indireto, por qualquer forma de comunicação.

9. As normas internas da Igreja pormenorizam casos ou situações configuráveis como de abuso sexual de menores, designadamente, as referidas no Código de Direito Canónico, nas normas do Motu Proprio «Sacramentorum Sanctitatis Tutela» (2001) e no Catecismo da Igreja Católica.

10. A lei canónica considera, entre os delitos mais graves, «o delito contra o sexto mandamento do Decálogo cometido por um clérigo com um menor de dezoito anos», sendo «equiparada ao menor a pessoa que habitualmente tem um uso imperfeito da razão», e ainda «a aquisição ou a detenção ou a divulgação, para fins de libidinagem, de imagens pornográficas de menores com idade inferior aos catorze anos por parte de um clérigo, de qualquer modo e com qualquer instrumento» (v. art. 6.º/§ 1.º e 2.º das Normas sobre os «delicta graviora», na sua versão atualmente em vigor, conforme aprovação pelo Santo Padre Bento XVI, a 21 de maio de 2010).

11. Tenha-se presente que esse delito, em face do direito canónico, só prescreve vinte anos depois da vítima ter completado os dezoito anos de idade.

12. O abuso sexual de menores envolve pela sua natureza atos que são habitualmente praticados em sigilo ou a coberto de relações de autoridade, nem sempre evidentes e muitas vezes difíceis de detetar.

13. Por isso, deve ser dada especial atenção à ocorrência de sinais ou simples indícios de comportamentos desviantes, que possam suportar comportamentos integráveis em abuso sexual de menores.

14. Dada a natureza dos comportamentos em causa e a sua especial gravidade para o desenvolvimento e bem estar dos menores, em face de indícios ou evidências da verificação de abuso sexual, devem os responsáveis da pessoa jurídica canónica, no âmbito da qual se verifiquem tais indícios ou evidências ou onde se desenvolva a atividade ou participem as pessoas envolvidas nos atos de abuso sexual de menores, diligenciar de imediato pela cessação desses atos e pela sua punição pelos procedimentos canónicos e legais estabelecidos.

d. Praticadas por membros do clero ou por outras pessoas

15 Ainda que qualquer ato de abuso sexual de menores seja um ato grave e absolutamente censurável, ele ganha uma gravidade ainda maior se for praticado por membros do clero ou por qualquer outra pessoa no âmbito das atividades promovidas pela Igreja.

16. Deve ter-se presente que a sociedade espera da Igreja e de cada um dos seus membros, em particular do clero, comportamentos irrepreensíveis e exemplos de vida.

e. No exercício de funções que lhe sejam confiadas pela pessoa jurídica canónica em concreto

17. Independentemente do repúdio dos atos de abuso sexual de menores em qualquer lugar ou situação, tenha-se presente que constitui regra estatutária de qualquer pessoa jurídica canónica que a prática de quaisquer atos configuráveis como de abuso sexual de menores é incompatível com os valores do Evangelho e com os fins de cada pessoa jurídica canónica em particular, pelo que aquele que for condenado pela prática de abuso sexual de menores, no âmbito do direito canónico ou no âmbito do direito interno nacional, não poderá invocar em caso algum o exercício da função na pessoa jurídica canónica em concreto, como justificação ou atenuante, seja a que título for.    

18. O exercício de funções por qualquer agente eclesial – clérigo ou leigo - no âmbito da atividade de qualquer pessoa jurídica canónica não compreende em caso algum o contato direto ou indireto com crianças, adolescentes ou jovens menores em atividades sexuais ou eróticas, seja de que forma ou natureza for.

II. Considerações gerais – Valores e princípios

a. A sociedade espera que a Igreja seja um exemplo

19. A sociedade reconhece a ação da igreja ao serviço dos menores e dos mais vulneráveis e reprova veementemente qualquer abuso de menor praticado no âmbito da atividade das pessoas jurídicas canónicas, reivindicando da Igreja, pela veemência com que contesta esses atos de abuso sexual, uma reserva de dignidade e de respeito pelo outro. A frontalidade da resposta das instituições da Igreja, com a aplicação das penas canónicas e remissão ao foro civil dos abusadores, com a autocrítica e pedido de perdão, exprime a rejeição absoluta e abre caminho a semelhante atitude de rejeição por outros grupos.

b. A proteção de crianças, jovens e famílias

20. O menor é uma prioridade para a sociedade e para a Igreja. Desde sempre mereceu a maior atenção. Gerações sem conta se dedicaram à promoção humana e cristã dos mais vulneráveis. Nem faltaram ao longo do tempo ordens que se especializaram nestas tarefas, devolvendo inclusive a dignidade a quem a não tinha encontrado ou já a tinha perdido. Gerações de formadores acolheram, nas instituições e nos demais serviços, menores que ajudaram a crescer em apoio às famílias. Sempre estas lhes confiaram os seus filhos.

21. A forma firme e clara de rejeição de situações de abuso de menores constitui um ato de justiça e a afirmação dos valores do Evangelho em continuação da tradição cristã.

c. A integridade do ministério

22. O abuso de menores por membros do clero:

Þ      atenta gravemente contra os seus compromissos;
Þ      fere gravemente o Senhor que se quis identificar com a criança  acolhida (cf. Mc 9,37);
Þ      distorce completamente o sentido do ministério por agir ao invés de toda a doutrina e normas canónicas e fora das funções desse ministério;
Þ      desonra gravemente a ordem em que está inserido pelo sacramento, ou o instituto a que está vinculado pelos votos;
Þ      perverte a função e causa dano grave na instituição que serve, agindo em contradição com o seu objeto e disciplina;
Þ      prejudica gravemente a justiça.

d. O compromisso com a verdade

23. Cada pessoa jurídica canónica empenhar-se-á vivamente na afirmação e defesa da Verdade que liberta, e enfrenta a realidade dolorosa do abuso sexual de menores, eventualmente praticado por algum dos seus membros, condenando liminarmente tais práticas e envidando todos os esforços para corrigir os erros, prevenir reincidências, sanar as feridas e punir os delinquentes.

24. Cada pessoa jurídica canónica prestará todos os cuidados pastorais aos intervenientes, vítimas, familiares, comunidade e delinquente, cabendo ao Ordinário próprio ou seu delegado zelar para que assim aconteça.

e. A cooperação com a sociedade e as autoridades civis

25. Ao serviço da humanidade, sem procurar servir-se a si mesma, cada pessoa jurídica canónica cooperará com a sociedade e com as respetivas autoridades civis; tomará em atenção todas as indicações que lhe cheguem e responderá com transparência e prontidão às autoridades competentes em qualquer situação relacionada com abuso de menores, na salvaguarda dos direitos das pessoas, incluindo o seu bom nome e o princípio da presunção de inocência.

III. O que se deve entender por abuso sexual de menores

a. No âmbito do direito canónico

26. Vimos já que no âmbito do direito canónico se entende por abuso sexual de menor qualquer comportamento em violação do sexto mandamento – «Guardar castidade nas palavras e nas obras» – cometido com um menor de dezoito anos, sendo «equiparada ao menor a pessoa que habitualmente tem um uso imperfeito da razão», bem como a aquisição ou a detenção ou a divulgação, para fins de libidinagem, de imagens pornográficas de menores com idade inferior aos catorze anos.

b. No âmbito do direito interno de cada país em concreto

27. Em face do direito interno português, a lei define os comportamentos que considera como crime de abuso sexual de crianças, abuso sexual de menores dependentes, atos sexuais com adolescentes, prostituição de menores e lenocínio e pornografia de menores.

28. Deverão os responsáveis pela pessoa jurídica canónica em concreto procurar conselho de técnicos no âmbito do direito interno, de modo a apurar a verificação dos pressupostos da infração criminal correspondente, bem como dos procedimentos legais a respeitar.

29. Os técnicos consultados deverão ser pessoas habilitadas do ponto de vista técnico e moral, para o acompanhamento dos respetivos procedimentos.

30. A prevenção, a ajuda às vítimas e a reabilitação dos culpados para que não continuem a causar danos formam parte da missão das pessoas jurídicas canónicas. Durante um processo judicial, é fundamental procurar a verdade e a justiça.

IV. Procedimentos preliminares em caso de conhecimento de ato qualificável como abuso de menores

a. Avaliação preliminar

31. Em face da notícia de verificação de indícios ou evidências de situações de abuso de menores e uma vez obtido o conselho de técnicos habilitados, deverá ser feita uma avaliação da situação relatada, ouvindo os denunciantes, a eventual vítima e o visado.

32. Uma vez feita essa avaliação preliminar, deverão ser qualificados os factos em face do direito canónico e em face do direito interno português.

33. No caso de confirmação dos indícios ou da credibilidade das evidências da prática do delito deverá proceder-se da seguinte forma:

Þ      instauração imediata do procedimento canónico;
Þ      aconselhamento da vítima ou denunciantes a promover a participação imediata dos factos às autoridades civis competentes;
Þ      avaliação das medidas cautelares a adotar, de modo a reparar o dano e a impedir a verificação de novos casos.

34. No caso de não confirmação dos indícios ou de falta de veracidade das evidências ou da participação ou notícia, deverá ser feita uma avaliação do comportamento dos intervenientes – sempre no respeito pela sua vida privada – reconhecendo-se o direito do visado a defender o bom nome pelos meios legais competentes.

b. Procedimento em face do direito canónico, no caso de confirmação dos indícios ou credibilidade das evidências

35. A Igreja, através do Código de Direito Canónico (Cânone 1395, §2), prevê duras sanções contra um clérigo que abuse sexualmente de menores. Essas sanções podem chegar à suspensão do exercício do ministério sacerdotal e à demissão do estado clerical. O Papa João Paulo II, na Carta apostólica «Sacramentorum Sanctitatis Tutela», de 30 de abril de 2001, reservou e centralizou o processo contra estes sacerdotes na Congregação para a Doutrina da Fé. Estas disposições foram atualizadas e constam do documento intitulado Normas sobre os «delicta graviora», na sua versão atualmente em vigor, conforme aprovação pelo Santo Padre Bento XVI, a 21 de maio de 2010, e devem guiar a atuação dos responsáveis, em particular dos Ordinários próprios.

36. No Anexo a estas diretrizes pode encontrar-se uma súmula dos procedimentos a adotar em conformidade com o direito canónico.

c. Procedimento em face do direito interno português, no caso de confirmação dos indícios ou credibilidade das evidências

37. Os responsáveis por cada pessoa jurídica canónica deverão obter, junto de técnicos habilitados para o efeito, o necessário enquadramento jurídico sobre os procedimentos a adotar em face do direito interno português; 

38. Os responsáveis por cada pessoa jurídica canónica deverão acompanhar o processo instaurado na jurisdição civil e prestar ao visado o apoio que se mostrar necessário, sempre de acordo com o princípio da verdade e caridade cristãs e no respeito pelo princípio da presunção de inocência.

V. Recomendações gerais

a. A vítima

39. No caso em que fique comprovado um abuso sexual de um menor, a pessoa jurídica canónica em concreto, onde desempenhava funções o infrator, fará todo o possível para assegurar que haja apoio pastoral e ajuda terapêutica à vítima e à sua família, quando se mostre necessário e conveniente, usando os meios profissionais e técnicos que se afigurarem úteis.

b. A comunidade alargada

40. Os responsáveis pela pessoa jurídica canónica em concreto, onde ocorreu o abuso sexual, deverão ser sensíveis aos sentimentos suscitados pelo caso e ajudar as pessoas a expressá-los de modo a ultrapassar as suas dificuldades.

41. Se for conveniente e autorizado pela vítima ou seus representantes, a critério do Ordinário próprio, ofereça-se à comunidade, porventura pelos meios de comunicação social, uma nota transparente, objetiva e precisa dos factos ocorridos e das medidas adotadas.

c. A seleção de candidatos ao sacerdócio e a sua formação

42. Devem adotar-se os meios necessários para o conhecimento aprofundado das pessoas que se apresentam como candidatas ao sacerdócio e ter-se um cuidado particular na sua admissão aos seminários, com recurso a meios de diagnóstico e a recolha de informações específicas sobre o caráter e personalidade do candidato.

43. Os responsáveis pelas vocações e os formadores estarão especialmente disponíveis para oferecer o apoio psicológico que for necessário para o saudável amadurecimento psicológico e afetivo dos candidatos e dos seminaristas, tanto no processo de admissão como nas várias etapas de formação.

44. De maneira particular, insistir-se-á com os candidatos e, particularmente, com os seminaristas, na necessidade de ter abertura para falar e trabalhar de maneira sistemática com os seus formadores, sobre a história do próprio desenvolvimento psicossexual.

45. Procurar-se-á obter informações – com respeito pela vida privada dos candidatos – junto de outras instituições formativas, onde o candidato tenha estado, de modo a obter um retrato o mais fiel possível do seu quadro psicológico.

46. A transferência de seminaristas de um seminário ou instituto de formação de vida consagrada para outro deve ser acompanhada de um relatório escrito onde constem as razões da mudança, acompanhado, se possível, de relatório técnico e dos elementos chave do percurso anterior, devidamente assinado pelo responsável da instituição donde procede.

d. Diretrizes de prudência pastoral

47. Deve cuidar-se da formação permanente dos clérigos e ter particular cuidado nos processos de incardinação.

48. Os lugares de acolhimento pastoral, espiritual e sacramental, têm de ser suficientemente discretos e, ao mesmo tempo, capazes de garantir o valor da transparência. É preciso conhecer e aceitar os limites a ter no serviço pastoral, pedindo a ajuda de especialistas quando isso seja necessário.

49. As expressões de afeto far-se-ão com grande prudência; isto é, nada se faça em privado que não se possa realizar em público. As expressões de afeto devem corresponder a uma necessidade da criança ou adolescente e não à de quem presta um serviço pastoral.

50. Espera-se, sempre, que os clérigos e os leigos que trabalham em obras e instituições ao serviço de menores possam:

Þ      tratar todas as crianças e adolescentes com carinho e respeito;
Þ      oferecer um testemunho de maturidade afetiva e sexual;
Þ      ser exemplos de boa conduta;
Þ      velar pela dignidade, o bom-nome e a saúde integral dos menores;
Þ      velar pela própria boa fama e pela reputação da Igreja;
Þ      inspirar nos menores a confiança necessária para que possam expressar os seus sentimentos sobre as atitudes ou comportamentos de que não gostem ou sobre situações em que tenham estado envolvidos;
Þ      recordar que, enquanto clérigos e leigos com funções na pessoa jurídica canónica em concreto, estão sujeitos ao escrutínio e observação dos demais e que as suas atitudes e gestos podem ser mal interpretados, mesmo que se tenham as melhores intenções. Evidentemente, isto não exclui aqueles gestos que são considerados culturalmente aceitáveis para expressar afeto.

51. Em todas as fases do procedimento deverá ser respeitado o justo princípio da presunção de inocência, o direito ao contraditório e o direito à privacidade de todos os intervenientes e ao seu bom nome.

Fátima, 19 de abril de 2012
Conferência Episcopal Portuguesa

Anexo

Procedimentos Canónicos

Seguindo as normas do Código de Direito Canónico de 1983, do Motu Proprio «Sacramentorum Sanctitatis Tutela» de 30 de abril de 2001 e das Normas sobre os «delicta graviora», na sua versão atualmente em vigor, conforme aprovação pelo Santo Padre Bento XVI, a 21 de maio de 2010, indicamos sumariamente os procedimentos aí indicados.

1. Sempre que houver denúncia, ou qualquer suspeita fundada de abusos sexuais por parte de um clérigo em relação a um menor, o Ordinário deve proceder à investigação prévia segundo as normas do cânone 1717.

2. Feita a investigação prévia, se a acusação for considerada digna de crédito, pede-se que o caso seja remetido à Congregação para a Doutrina da Fé (CDF). Uma vez apreciado o caso, a CDF indicará ao Ordinário os ulteriores passos a serem dados.
A investigação preliminar e todo o processo deve desenvolver-se com o devido respeito, a fim de proteger a discrição à volta das pessoas envolvidas, e com a devida atenção à sua reputação. A menos que existam razões graves em contrário, o clérigo acusado deve ser informado da acusação apresentada, a fim de que lhe seja dada a possibilidade de responder à mesma, antes de se transmitir o caso à CDF.

3. Devem cumprir-se as disposições da lei civil no que se refere à colaboração com as autoridades competentes.

4. Na fase preliminar e até à conclusão do caso, compete ao Ordinário prover ao bem comum, impondo medidas preventivas para salvaguarda da comunidade, incluídas as vítimas.

5. A CDF analisa o caso apresentado pelo Ordinário e, onde for necessário, exige informações complementares, ou dá orientações para o conveniente procedimento.

6. Uma vez provada a culpa de um clérigo por abusos sexuais sobre menores, este incorrerá nas penas canónicas previstas, donde não se exclui a demissão do estado clerical.

7. Neste caso, a CDF pode apresentar o caso diretamente ao Santo Padre com o pedido de que o Papa emita um decreto de demissão do estado clerical «ex officio».

8. O clérigo acusado, consciente dos crimes cometidos, pode pedir ao Santo Padre, através da CDF, para ser dispensado das obrigações do sacerdócio e voltar ao estado laical. O Santo Padre pode conceder tal pedido para o bem da Igreja («pro bono Ecclesiae»).

9. Nos casos em que o sacerdote acusado tenha admitido os próprios crimes e tenha aceitado viver uma vida de oração e penitência, mostrando sinais de emenda, a CDF autoriza o Ordinário a emitir um decreto que proíba ou limite o ministério público desse sacerdote.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Is the Natural Law Persuasive? - by R.J. Snell


One can neither deny nor question the natural law’s persuasiveness except by asking questions, conducting inquiries, achieving understandings, reaching judgments, and making choices—all of which are the natural law at work.
In conversation with two prominent public intellectuals, both having significant influence within evangelical Protestant circles (and beyond), I was asked if natural law theory ever persuaded anyone not already on board. Both are sophisticated thinkers, little prone to the knee-jerk hostility against natural law occasionally found in certain evangelical sub-communities, and I took their query to indicate two reasonable concerns. First, the observable fact that debate doesn’t always persuade committed opponents, and second, the natural law’s unfashionable reliance on reason and nature, commitments beating hasty retreat in the face of postmodern suspicion.

Is the natural law persuasive?

The question posed is not whether the natural law works as a theoretically coherent account, but whether it can convince anyone, especially now, in our current cultural climate. Not, “is the natural law true?” but, “will anyone buy this theory?” 

Can natural law persuade?

The first concern is hardly unique to natural law, for any theory suffers its opponents and detractors, and debate is always slow and partial in winning over skeptics. The natural law doesn’t suffer any unique flaw in this respect. But while the concern would seem to apply to any and all ethical theories, natural lawyers ought to embrace the potential objection, allowing it full weight, and for two initial reasons. First, we claim that the natural law is not a theory. Certainly there are various accounts and theoretical articulations about the natural law, but natural law is itself always operative, always forming the way(s) human subjects operate, query, reason, judge, and choose. Hadley Arkes recounts the mistake of those who ask about his theory, forgetting that the grounds of reasoning and judging are the principles of natural law; when people asked about his theory, “they suggested a detached onlooker standing by, watching the theories whizzing past. And somehow they manage to make judgments on just which theories or fragments they find plausible or implausible, true or false.” But persons are able to make judgments of truth or falsity only because the natural law is already operative—it is the light of reason itself. Of course, if that is true, then failure to persuade would be noteworthy. Second, we claim that our principles are self-evident, and so it’s fair to press the failure to persuade.

An adequate grasp of the natural law requires a first-person perspective. Natural law is not an “it” or a “force” or a “theory” existing out-there or in-here or up-there, but rather is the operator of our own subjectivity. As Germain Grisez articulates in an early essay, “law is not a constraint upon actions which originate elsewhere . . . rather, is a source of actions. Law makes human life possible. Animals behave without law, for they live by instinct without thought and without freedom. Man cannot begin to act as man without law.” That is, natural law is the dynamic source of our actions—including the action of reflexive theorizing about the source of our actions—and the source by which we reason or judge. “It” is not distinct from our own subjectivity, which is why Arkes responds incredulously to the query about his theory. Asking about his theory is tantamount to asking if humans have subjectivity. Well, who wants to know, and by what power do they want to know? It’s not a theory, it’s him.

The first-person aspect of natural law explains also the appeals to the self-evident. As John Finnis articulates in Fundamentals of Ethics, “ethics is not deduced or inferred from metaphysics or anthropology,” and principles are self-evident precisely in that they are not deduced from previous principles, but in no way is ethics merely intuited or asserted or mystically known. Rather, by adverting to the object(ive)s of human action—the for-the-sake-of-which rendering action intelligible—we can attend “to precisely those aspects of our experience . . . in which human good(s) became or can now become intelligible to us.” In other words, we can understand human goods rather than deduce human goods, but while understanding is not an inference it nonetheless involves insight into our experience, and without the experience and insight we would not understand. Basic goods are not deduced or derived, for they are self-evident, but there are conditions for our understanding of the goods.

The condition of coming to understand basic human goods, which serve as grounds for reasonable action, is a first-person understanding of our own reasons for acting. That is, we have to understand why we act and what we seek when we act. If an action is intelligible, that action will have some grounds which are understood as worth seeking in themselves, not requiring justification or demonstration on the basis of some other good(s). Understanding this entails self-understanding, adverting to the reasons for acting always operative in our knowing and choosing. Such self-understanding, Finnis explains, is not simply “opening one’s eyes” to take a look at oneself, nor is it an “intuition”; it is an “insight” gained by “reflecting on one’s own wanting, deciding and acting,” which occurs not by “peer[ing] inside oneself” but by noticing and understanding one’s own reasons for acting.

Space does not allow me to flesh out the entire account of natural law, obviously, but the first-personal element responds to both concerns of my two interlocutors. First, natural lawyers needn’t convince or persuade anyone, for in an important way natural law cannot be proven—law is the condition of intelligible action. Instead, our task is to have our interlocutors pay attention, not to us and our arguments, but to themselves. My failure to persuade someone of the natural law happens only if they (a) will not pay attention to themselves, or (b) if they do not understand themselves. Of course, I have neither power nor responsibility over another’s capacity to know themselves, so I’ll politely decline any such obligations for my ethics. In fact, since natural law is pre-theoretical, depending not on a system of concepts but rather on self-understanding, the more I grant that a theory must be able to persuade, the more that alternative theories such as deontology or utility fall while natural law survives, for they actually must provide a proof whereas I make no such claim, asking only for my interlocutor to advert to his performance.

Second, while I cannot prove the natural law—it not being that sort of thing—I can defeat objections to it through the method of retorsion or performative contradiction. The natural law is not a theory but rather the principles constituting our subjectivity, or as Grisez put it, there is no man without the law. The natural law thus constitutes my first-personal subjectivity, and, moreover, I come to understand the law through first-personal reflection on my reasons for acting and judging. While grasping subjectivity qua subjectivity cannot be granted by another, neither can subjectivity be denied without incoherence. Here I mean something more than logical contradiction, for as absurd as the statement “I lack subjectivity” is, the bizarreness occurs when I argue or judge that “I lack subjectivity” or “There is no natural law.” The natural law is both the power by which subjects judge (Arkes) and the understanding of intelligible reasons (Finnis), so the performance of judging or offering intelligible reasons thereby confirms the natural law. As Finnis claims in Natural Law and Natural Rights, “one who makes such an assertion, intending it as a serious contribution to rational discussion, is implicitly committed to the proposition that he believes his assertion is worth making, and worth making qua true.  . . .”

One can neither deny nor question the natural law’s persuasiveness except by asking questions, conducting inquiries, achieving understandings, reaching judgments, and making choices—all of which, if understood as the operations of our own subjectivity, are the natural law at work. And if one denies that one inquires, or understands, or judges, or chooses, one either contradicts what one is doing or one really does not inquire, understand, judge, or choose, in which case persuasion is not available to that sort of creature.

With respect to postmodern suspicion, this articulation of the natural law grounds itself in no big claims about Reason or Nature or Metaphysics. Although every account intertwines itself with big theories, natural law is not grounded in them, for it claims no foundations from which it is derived, pointing only to the easily observable (even by postmodernists) data of their own questions and judgments and the fact that the more someone suspects and argues against my account the more they refute themselves.

The natural law is persuasive because it requires nothing more than a willingness to advert to one’s own self, although, to be sure, even Socrates knew the difficulties in getting people to meet themselves for the first time.

R.J. Snell is associate professor of philosophy at Eastern University and a research director of the Agora Institute for Civic Virtue and the Common Good.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Entrevista - Mons. Reig Pla mantiene lo dicho sobre gays y asegura que críticas lo ayudan a ser humilde

MADRID, 16 Abr. 12 / 08:15 pm (ACI/EWTN Noticias).- El Obispo de Alcalá (España), Mons. Juan Antonio Reig Pla, aseguró que no dejará de anunciar la verdad a los fieles a través de las enseñanzas de la Iglesia, a pesar de las presiones del lobby homosexual que lo puso en el ojo de la tormenta a raíz de su homilía de Viernes Santo.

A continuación la entrevista que concedió a Religión en Libertad. La primera que da a un medio luego de la polémica que suscitaron sus palabras sobre la homosexualidad:

- De su homilía durante los Oficios del Viernes Santo, que bien pudo durar unos 20 minutos, algunos medios destacaron tan sólo un párrafo que incendió una polémica en la opinión pública que muchos consideramos artificial y forzada. Usted decía lo siguiente: "Quisiera decir una palabra a aquellas personas que, llevadas por tantas ideologías, acaban por no orientar bien lo que es la sexualidad humana, piensan ya desde niño que tienen atracción hacia las personas de su mismo sexo y, a veces, para comprobarlo, se corrompen y se prostituyen, o van a clubs de hombres. Os aseguro que encuentran el infierno". ¿Podría explicar qué quiso decir exactamente con esta idea?

- Vayamos por orden. La sexualidad humana posee un sentido y significado inherente que la persona debe aprender a reconocer y descubrir respetando su lógica interna, la llamada "antropología adecuada". Sin embargo, las ideologías a las que me refería son la llamada "ideología de género" y sus sucesivas mutaciones (teoría queer, etc.). 

Muy brevemente indicaré que el principal postulado de la ideología de género es negar la diferencia sexual entre varón y mujer y afirmar que la configuración de la identidad sexual masculina y femenina es un producto de la cultura, una decisión personal construida en función de los deseos y apetencias subjetivas. Realmente, lo que se pretende es "deconstruir" la antropología humana propuesta por la naturaleza de la persona y el pensamiento coherente con la misma. Todo lo demás quedaría justificado por el principio de no discriminación y tolerancia. 

En todo caso he de advertir que la ideología de género se está quedando obsoleta ante otras propuestas más radicales de "deconstrucción de la identidad", como son la teoría queer, el transhumanismo, posthumanismo y la teoría cyborg. Naturalmente, estas teorías que desconocen la naturaleza humana, no orientan bien el verdadero sentido y significado de la sexualidad, propiciando, más bien, la confusión del corazón humano. 

La persona humana es una unidad substancial cuerpo-espíritu y la sexualidad es una dimensión esencial de la persona. El cuerpo no es una prótesis del «yo» sino una visibilización de la persona. El cuerpo modalizado como varón o como mujer es una expresión del ser personal. Su configuración «esponsal» es una llamada al amor y a la complementariedad sexual. Si confundimos el "ser sexuado" con el "deseo de elegir el modo de ser sexuado" estamos equivocando el mensaje.

Nos encontramos, pues, ante un programa de "deconstrucción" calculado y propiciado en todos los ámbitos (en la educación desde la más tierna infancia, en ciertos medios de comunicación, en el trabajo y en el ocio, etc.), que además cuenta con el impulso y protección de una gran cantidad de leyes inicuas y algunos poderosos lobbys que determinan qué es lo políticamente correcto y, por lo tanto, lo socialmente aceptable. 

Desde estos presupuestos, a muchos niños, jóvenes y adultos –cada vez más– se les invita a poner en cuestión su identidad sexual, y con el tiempo se les exhorta a "verificar y comprobar" cuáles son sus "preferencias sexuales"; algunos caen en la trampa. 

Los sacerdotes que conocemos la intimidad de las personas escuchando y ayudando a los feligreses que así lo solicitan, sabemos que las consecuencias de ello para muchas personas, son sufrimiento y destrucción, coloquialmente un "infierno" en sus vidas.

- ¿Hay algún punto de lo que usted dijo en su homilía del Viernes Santo que vaya en contra de lo que dice el Magisterio de la Iglesia Católica?

- Humildemente he de decir que todo lo que expliqué en mi homilía responde al Magisterio de la Iglesia Católica. Quise poner ejemplos actuales, que todo el mundo conoce, con la máxima delicadeza y caridad posible, pero con claridad; San Vicente Ferrer así lo sugiere en sus escritos cuando enseña cómo preparar y desarrollar las homilías. 

Pero volviendo a la cuestión del Magisterio: la Iglesia enseña que hay que distinguir entre las personas que siente inclinación sexual hacia el mismo sexo, la inclinación sexual propiamente dicha y los actos homosexuales.

Respecto a las personas con atracción sexual hacia el mismo sexo (AMS) la Iglesia enseña que "deben ser acogidos con respeto, compasión y delicadeza. Se evitará, respecto a ellos, todo signo de discriminación injusta" (Catecismo de la Iglesia Católica, n. 2358). 

En lo que se refiere a la particular inclinación de la persona con AMS, "aunque en sí no sea pecado, constituye sin embargo una tendencia, más o menos fuerte, hacia un comportamiento intrínsecamente malo desde el punto de vista moral. Por este motivo la inclinación misma debe ser considerada como objetivamente desordenada" (Congregación para la Doctrina de la Fe, Carta sobre la atención pastoral a las personas homosexuales, 1. X. 1986, n. 3); por cierto, esta carta está firmada por el entonces Cardenal Joseph Ratzinger.

Con respecto a los actos sexuales entre personas del mismo sexo la Iglesia afirma que "«son intrínsecamente desordenados». Son contrarios a la ley natural. Cierran el acto sexual al don de la vida. No proceden de una verdadera complementariedad afectiva y sexual. No pueden recibir aprobación en ningún caso" (Catecismo de la Iglesia Católica n. 2357). 

Hay que aclarar que esta es una valoración objetiva de dichos actos; otra cosa es que "la ignorancia involuntaria puede disminuir, y aún excusar, la imputabilidad de una falta grave, pero se supone que nadie ignora los principios de la ley moral que están inscritos en la conciencia de todo hombre. Los impulsos de la sensibilidad, las pasiones pueden igualmente reducir el carácter voluntario y libre de la falta, lo mismo que las presiones exteriores o los trastornos patológicos." (Catecismo de la Iglesia Católica, n. 1860)

- Pero entonces, ¿hay esperanza para quienes sienten atracción sexual por el mismo sexo? ¿Hay esperanza para quienes se han abandonado al así llamado "estilo de vida gay"?

- Por supuesto que sí. El corazón de cada hombre y mujer desea encontrar la verdad sobre el amor humano. "En esperanza fuimos salvados, dice san Pablo a los Romanos y también a nosotros (Rm 8,24). Según la fe cristiana, la «redención», la salvación, no es simplemente un dato de hecho. Se nos ofrece la salvación en el sentido de que se nos ha dado la esperanza, una esperanza fiable, gracias a la cual podemos afrontar nuestro presente: el presente, aunque sea un presente fatigoso, se puede vivir y aceptar si lleva hacia una meta, si podemos estar seguros de esta meta y si esta meta es tan grande que justifique el esfuerzo del camino" (Benedicto XVI, Carta encíclica Spe salvi, n. 1).

Hemos celebrado el Domingo de la Divina Misericordia; Dios es amor y también todopoderoso; lo que es imposible para los hombres es posible para Él. Nadie queda fuera de la universal voluntad salvífica de Dios. Jesús no ha venido a llamar a conversión a justos, sino a pecadores (Cf. Lc 5, 32).
Siempre con la asistencia del Espíritu Santo –que nos precede en todo– es posible iniciar el camino de retorno a la Casa del Padre. La Iglesia pone a disposición de todos los tesoros que Cristo ha depositado en ella: la Palabra de Dios, los sacramentos (en particular los de la Penitencia y la Eucaristía), la oración, etc. Con la ayuda de la gracia de Dios y acompañados por sacerdotes, orientadores y catequistas y ayudados, en su caso, por profesionales, las personas con AMS pueden vivir en castidad (dominio de sí); no sin combate, pero la vida de todo cristiano que quiere vivir según la voluntad de Dios implica batallar contra las propias concupiscencias hasta el mismo día de la muerte.

Pero además, el Pontificio Consejo para la Familia en un documento titulado "Sexualidad Humana: Verdad y Significado" (n.104) afirma que "los padres, por su parte, cuando advierten en sus hijos, en edad infantil o en la adolescencia, alguna manifestación de dicha tendencia o de tales comportamientos, deben buscar la ayuda de personas expertas y calificadas para proporcionarle todo el apoyo posible", y añade: "muchos casos, especialmente si la práctica de actos homosexuales no se ha enraizado, pueden ser resueltos positivamente con una terapia apropiada". 

A este respecto, las experiencias de las que tengo noticias, especialmente en España, Europa, Estados Unidos y Latinoamérica son muy esperanzadoras. Un itinerario que restaure las heridas en el corazón humano debería ser aquel que integre en su actuación todas las dimensiones de la persona (psíquica, somática y espiritual), ya que la sexualidad humana atraviesa todas estas dimensiones. Una ayuda epidérmica que no integre estas tres dimensiones no puede dar una respuesta adecuada. Con la pertinente unión de la ayuda espiritual y profesional, muchas personas, laicos, religiosos y sacerdotes, que voluntariamente lo han solicitado, se están viendo beneficiados por estos nuevos "itinerarios de libertad, caridad, verdad y esperanza" que conducen al dominio de sí y, en su caso, al cambio. Como dato interesante le diré que estos días he recibido muchos correos electrónicos de personas con AMS contando su experiencia de sufrimiento cuando llevaban el llamado estilo de vida gay, y explicando todo el bien que les está haciendo participar de estos "itinerarios de la esperanza"; es posible que, con la pertinente autorización, publiquemos alguna de estas experiencias en nuestra página web.

Para los que deseen conocer algunos de estos "itinerarios de la esperanza" pueden consultar la siguiente página web:
 
- ¿Proponer un itinerario hacia el gobierno de la propia persona y, en su caso, la reorientación de la inclinación sexual, puede ofender a las personas con sentimientos homosexuales? 

- No, porque nosotros sólo proponemos; sin embargo, es cierto que los lobbys parecen usar la estrategia mediática de hacerse los ofendidos si se citan en voz alta algunos textos de la Biblia o del Magisterio de la Iglesia sobre este tema. Si alguien piensa que tiene un problema y pide ayuda, sin duda la Iglesia lo atenderá. No se trata de imponer nada a nadie, sólo ofrecemos el espacio de libertad, verdad y esperanza que otorga la Iglesia para quien libremente desee escapar de la dictadura del silencio. 

Sabemos que hablar de castidad como dominio sobre la propia persona, e incluso de cambio para volver a la orientación sexual varón-mujer, no es políticamente correcto; desde luego los católicos, y yo en particular, bajo ningún concepto queremos ofender a nadie, sin embargo no renunciamos a anunciar la verdad en la caridad. 

Para quienes deseen ampliar conocimientos sobre este tema, hemos preparado en nuestra página web una sección titulada "Homosexualidad y esperanza" con información sobre documentos de la Iglesia, recursos, profesionales especialistas que abordan el tema, etc.: 

 
- ¿Se ha sentido solo ante este acoso mediático que ha tenido que soportar estos días?

- Cuando se cree en Jesucristo y en la maternidad de la Iglesia uno no está nunca solo. He recibido el apoyo de obispos, sacerdotes, religiosos y fieles laicos de España y de muchas partes del mundo, así como de importantísimas instituciones eclesiales y civiles. 

He recibido más de un millar de correos electrónicos, cartas, faxes, telegramas y llamadas telefónicas de personas que han querido mostrarme su cercanía espiritual afirmando su adhesión al Magisterio de la Iglesia y asegurándome sus oraciones por mi persona y ministerio. 

Tengo que agradecer también el apoyo a multitud de medios de comunicación (prensa, radio, televisión e Internet) de España y del extranjero. En particular quiero referirme a un medio local de Alcalá de Henares que ha escrito un editorial con evidente objetividad y buena voluntad: lo agradezco de corazón.

- Desde algunos ámbitos le han acusado de "homofobia" por sus palabras sobre la homosexualidad en la homilía del Viernes Santo, ¿qué tiene que decir al respecto?

- La precisión terminológica es aquí, como en todo, muy importante. El diccionario de la Real Academia Española (RAE) de la Lengua define la homofobia como "aversión obsesiva hacia las personas homosexuales": nada más lejos del Magisterio de la Iglesia y de mi voluntad. Como ya he recordado la Iglesia enseña que las personas con AMS deben ser acogidas "con respeto, compasión y delicadeza. Se evitará, respecto a ellos, todo signo de discriminación injusta". 

Más aún, la Iglesia acoge a todos los que, en esta situación, se acercan solicitando ayuda. Otra cosa bien distinta es la inclinación propiamente dicha (objetivamente desordenada) y los actos homosexuales (intrínsecamente desordenados). Algunos juegan a confundir conceptos, de modo que acusan, ilícita e ilegalmente, de homofobia a quienes afirmamos el desorden de dicha inclinación y de dichos actos; es una cuestión de estrategia: confundir conceptos para confundir a la opinión pública. 

En mi homilía, poniendo ejemplos de pecados concretos, hablé de las infidelidades conyugales, del aborto procurado, de los empresarios y trabajadores que cometen injusticias, de los sacerdotes que se corrompen, de los jóvenes que consumen drogas y de las personas con AMS que, a veces, se corrompen y se prostituyen, o van a clubs de hombres. Deducir de ello que incitaba al odio hacia los matrimonios, las mujeres y los médicos, los sacerdotes, los empresarios y los trabajadores, los jóvenes y las personas con AMS es simplemente, por ser parco, una colosal manipulación; al contrario, anuncié que hay esperanza, que Dios nos ama a todos, que Cristo ha muerto por nuestros pecados llamándonos a conversión, y que nadie queda fuera de su Divina Misericordia.

- Finalmente, don Juan Antonio, ¿qué les diría a quienes han manipulado y tergiversado sus palabras, y a quienes le han amenazado de muerte, le han llamado imbécil o piden que sea encarcelado o expulsado del país?

- Simplemente les diría que les quiero y les perdono. Los insultos y amenazas me ayudan a ser humilde. Como dijo un gran obispo torturado en la cárcel, los hombres para mí se dividen en dos grupos: los que son mis hermanos y los que todavía no saben que lo son.

Si me permite, por último quiero decir que considero que, en España, es muy importante mantener abierto un serio debate sobre estos temas, aportando los argumentos de la teología, de la antropología cristiana y de todas las ciencias humanas que faciliten más y mejor la propuesta del Magisterio de la Iglesia. El corazón humano es nuestro principal aliado y ese corazón espera el anuncio de la verdad y de la esperanza.