terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Não tratemos os Lobos como Ovelhas Perdidas

A doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo está cheia de verdades aparentemente antagónicas que, entretanto, examinadas com atenção, longe de reciprocamente se desmentirem, reciprocamente se completam formando uma harmonia verdadeiramente maravilhosa. É este o caso, por exemplo, da aparente contradição entre a justiça e a bondade divinas. Deus é ao mesmo tempo infinitamente justo e infinitamente misericordioso. Sempre que para compreendermos bem uma destas perfeições fecharmos os olhos a outra, teremos caído em grave erro. Nosso Senhor Jesus Cristo deu, em Sua vida terrena, admiráveis provas de Sua doçura e de Sua severidade. Não pretendamos “corrigir” a personalidade de Nosso Senhor segundo a pequenez de nossas vistas, e fechar os olhos à suavidade para melhor nos edificarmos com a justiça do Salvador; ou pelo contrário fazermos abstracção de Sua justiça para melhor compreendermos Sua infinita compaixão para com os pecadores. Nosso Senhor se mostrou perfeito e adorável tanto quando acolhia com perdão inefavelmente doce Maria Madalena, quanto quando castigava com linguagem violenta os fariseus. Não arranquemos do Santo Evangelho quaisquer destas páginas. Saibamos compreender e adorar as perfeições de Nosso Senhor como elas se revelam em um e outro episódio. E compreendamos enfim que a imitação de Nosso Senhor Jesus Cristo por nós só será perfeita no dia em que soubermos, não apenas perdoar, consolar e afagar, mas ainda no dia em que soubermos flagelar, denunciar e fulminar como Nosso Senhor.

Há muitos católicos que consideram os episódios do Evangelho em que aparece o santo furor do Messias contra a ignomínia e a perfídia dos fariseus como coisas indignas de imitação. É ao menos o que se depreende do modo de que eles consideram o apostolado. Falam sempre em doçura, e procuram sempre imitar essa virtude de Nosso Senhor. Que Deus os abençoe por isto. Mas por que não procuram eles imitar as outras virtudes de Nosso Senhor?

Muito frequentemente, quando se propõe em matéria de apostolado um ato de energia qualquer, a resposta invariável é de que é preciso proceder com muita brandura “a fim de não afastar ainda mais os transviados”. Poder-se-á sustentar que os actos de energia têm sempre o invariável efeito de “afastar ainda mais os transviados”? Poder-se-ia sustentar que Nosso Senhor, quando dirigiu aos fariseus suas invectivas candentes, fê-lo com a intenção de “afastar ainda mais aqueles transviados”? Ou porventura se deveria supor que Nosso Senhor não sabia ou não se preocupava com o efeito “catastrófico” que suas palavras causariam aos fariseus? Quem ousaria admitir tal blasfémia contra a Sabedoria Encarnada, que foi Nosso Senhor?

Deus nos livre de preconizar o uso de energia e dos processos violentos como único remédio para as almas. Deus nos livre também, entretanto, de proscrever estes remédios heróicos de nossos processos de apostolado. Há circunstâncias em que se deve ser suave e circunstâncias em que se deve ser santamente violento. Ser suave quando as circunstâncias exigem violência, ou ser violento quando as circunstâncias exigem suavidade, há nisto sempre um grave mal.

* * *

Toda esta ordem de ideias unilateral que vimos denunciando, decorre de uma consideração também unilateral das Parábolas. Há muita gente que faz da parábola da ovelha perdida a única do Evangelho. Ora, há nisto um erro gravíssimo que não queremos deixar de denunciar.

Nosso Senhor não nos fala somente em ovelhas perdidas que o Pastor vai buscar pacientemente no fundo dos abismos, ensanguentadas pelos espinhos em que lamentavelmente se feriram. Nosso Senhor fala-nos também em lobos rapaces, que circundam constantemente o redil, à espreita de uma ocasião para nele se introduzirem disfarçados com peles de ovelhas. Ora, se é admirável o Pastor que sabe carregar aos ombros com ternura a ovelha perdida, que dizer-se do Pastor que abandona suas ovelhas fiéis para ir buscar ao longe um lobo disfarçado em ovelha, que toma o lobo aos ombros amorosamente, abre ele próprios as portas do redil, e com suas mãos pastorais coloca entre as ovelhas o lobo voraz?

Quanto católico, entretanto, se desse aplicação efectiva aos princípios de apostolado unilateral que professa, agiria exactamente assim!

* * *

Para que se compreenda melhor que a imitação perfeita de Nosso Senhor não consiste apenas na doçura e na suavidade, mas ainda na energia, citaremos alguns episódios ou algumas frases de certos Santos. O Santo é aquele que a Igreja declarou, com autoridade infalível, ser um imitador perfeito de Nosso Senhor. Como imitaram os Santos a Nosso Senhor? Vejamos.

Santo Inácio de Antioquia, mártir do século segundo, escreveu várias cartas a diversas Igrejas, antes de ser martirizado. Nestas cartas, ocorrem sobre os hereges expressões como estas: “bestas ferozes (Eph. 7); lobos rapaces (Phil. 2,2); cães danados que atacam traiçoeiramente (Eph. 7); bestas com rosto de homens (Smyrn. 4,1); ervas do diabo (Eph. 10,1); plantas parasitas que o Pai não plantou (Tral. 11); plantas destinadas ao fogo eterno (Eph. 16,2)”.

Este modo de tratar os hereges, como se vê, seguia de perto os exemplos de São João Batista que aos escribas e fariseus chamava de “raça de víboras”, e de Nosso Senhor Jesus Cristo que aos mesmos apelidava de “hipócritas” e “sepulcros caiados”.

Assim também procederam os Apóstolos. Refere Santo Ireneu, mártir do século segundo e discípulo de São Policarpo, o qual por sua vez fora discípulo de São João Evangelista, que certa vez indo o apóstolo aos banhos, retirou-se sem se lavar pois aí vira Corinto, herege que negava a divindade de Jesus Cristo, com receio, dizia, que o prédio viesse abaixo, pois nele se encontrava Corinto, inimigo da verdade. O mesmo São Policarpo, encontrando-se um dia com Marcião, herege docetista, e perguntando-lhe este se o conhecia, respondeu o santo: “Sem dúvida, és o primogénito de Satanás”.

Aliás, nisto se seguiam o conselho de São Paulo: “Ao herege, depois de uma e duas advertências, evita, pois que já é perverso e condena-se por si mesmo”(Tit. 3,10).

O mesmo São Policarpo se casualmente se encontrasse com herege, tapava os ouvidos e exclamava: “Deus de bondade, porque me conservaste na terra a fim de que eu suportasse tais coisas?” E fugia imediatamente para evitar semelhante companhia.

No século IV narra Santo Atanásio que Santo António eremita chamava aos discursos dos hereges venenos piores do que o das serpentes.

E, em geral, este é o modo como os Santos Padres tratavam os hereges, como se pode ver de um artigo publicado na “Civiltà Cattolica”, periódico fundado por S. S. Pio IX, e confiado aos padres jesuítas de Roma. Nesse artigo citam-se vários exemplos que transcreverei:

Santo Tomás de Aquino, que apresentado às vezes como invariavelmente pacífico para com seus inimigos, numa das suas primeiras polémicas com Guilherme de Santo Amor, que ainda não estava condenado pela Igreja, assim o trata e aos seus sequazes: “inimigos de Deus, ministros do diabo, membros do Anticristo, inimigos da salvação do género humano, difamadores, semeadores de blasfémias, réprobos, perversos, ignorantes, iguais ao Faraó, piores que Joviniano e Vigilâncio (hereges que negavam a Virgindade de Nossa Senhora) ”. São Boaventura a um seu contemporâneo Geraldo chamava: “protervo, caluniador, louco, envenenador, ignorante, embusteiro, malvado, insensato, pérfido”.

O melífluo São Bernardo, a respeito de Arnaldo de Brescia que levantou cisma contra o clero e os bens eclesiásticos disse: “desordenado, vagabundo, impostor, vaso de ignomínia, escorpião vomitado de Brescia, visto com horror em Roma, com abominação na Alemanha, desdenhado pelo Romano Pontífice, louvado pelo diabo, obrador de iniquidades, devorador do povo, boca cheia de maldição, semeador de discórdias, fabricador de cismas, lobo feroz”.

Mais antigamente, São Gregório Magno, repreendendo a João, Bispo de Constantinopla, lança-lhe em rosto seu profano e nefando orgulho, sua soberba de Lúcifer, suas palavras néscias, sua vaidade, a escassez de sua inteligência.

Nem de outra maneira falaram os Santos Fulgêncio, Próspero, Jerónimo, Sirício Papa, João Crisóstomo, Ambrósio, Gregório Nazianzeno, Basílio, Hilário, Atanásio, Alexandre, Bispo de Alexandria, os santos mártires Cornélio e Cipriano, Antenágoras, Ireneu, Policarpo, Inácio Mártir, Clemente, todos os Padres enfim da Igreja que se distinguiram por sua heróica virtude.

Se se quiser saber quais as normas que dão os Doutores e Teólogos da Igreja para as polémicas com os hereges leia-se o que traz São Francisco de Sales, o suave São Francisco de Sales, na Filotea, cap. XX da parte II: “Os inimigos declarados de Deus e da Igreja devem ser difamados tanto quanto se possa (desde que não se falte à verdade), sendo obra de caridade gritar: Eis o lobo!, quando está entre o rebanho, ou em qualquer lugar onde seja encontrado.

Até aqui citações do artigo da “Civiltà Cattolica”, vol, I, ser. V, pag. 27).

Se o “Legionário” publicasse contra os modernos inimigos da Igreja apenas a metade do que ficou dito, que protestos entretanto teria de ouvir!


Plinio Corrêa de Oliveira

1941

O PSD quer o “casamento” entre homossexuais



O partido social-democrata (psd) ao propor a “união civil registada” de pessoas homossexuais, sem possibilidade de adopção, decidiu deliberadamente enveredar por um caminho que só pode conduzir à legalização do “casamento” entre essas mesmas pessoas e à consequente adopção de crianças bem como ao recurso à reprodução artificial. Quem quer os meios que conduzem necessariamente a um fim quer forçosamente esse mesmo fim.

Este estilhaçado partido político em putrefacta decomposição acelerada escolheu manhosamente iludir os eleitores com esta manobra de prestidigitação. Finge rejeitar o impropriamente apelidado “casamento” homossexual para agradar ao povo que o repugna e simultaneamente, de um modo sonso, escancara as portas ao mesmo satisfazendo os eleitores contaminados pela ideologia “gay”.

Talvez ainda se venha a conseguir realizar o referendo sobre o satânico “casamento” entre sodomitas. Se assim for e houver um empenho geral e esforçado das pessoas de boa vontade conseguiremos certamente rebatê-lo. Se assim for verificaremos então que o perigo verdadeiro está na “união civil registada”. Uma vez que a generalidade das impugnações ao invertido “casamento” sodomita se centraram quase exclusivamente nas questões da adopção e da reprodução artificial, como consequência desses emparelhamentos, “ninguém” oferecerá qualquer resistência a esse tipo de legalização. Esta praticamente por si só, quase sem necessidade de auxílios ulteriores, irá operando a reengenharia social que desembocará inevitavelmente no “casamento”.

Esta estratégia, de sabor maçónico, foi aliás descrita com todas as letras pelo pseudo-católico Paulo Rangel numa entrevista ao jornal de propaganda “gay” i, antes das eleições europeias do ano passado.

Nuno Serras Pereira

05. 01. 2010

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O Venerável Ancião das Sabedorias Primordiais


Quando entrei para o Seminário da Luz, a um mês de fazer 25 anos, desafiava-me regularmente, após o jantar, a jogar xadrez com ele na sala da comunidade. Os olhos sempre a sorrir e grandes exclamações bem-dispostas acompanhavam habitualmente esse exercício de pensamento. Quando não ia a pé para a UCP e acompanhava os restantes na carrinha da casa via-o sempre a ler, durante o percurso, quase sempre, as obras de Santo Agostinho, soltando de quando em vez a palavra genial!

Foi meu professor, primeiro, de Ontologia, depois de Teologia Filosófica Tive dificuldades com a sua sebenta da primeira cadeira – era densa, árida, numa linguagem exigente, alheia ao linguajar normal. Mas era essencial. Li-a repetidamente e o que não entendia nas primeiras leituras vim a compreender nas sucessivas. Não deixei, no entanto, porque com ele estávamos sempre à vontade, de o remoquear dizendo-lhe que tinha sido a cadeira mais penitencial que alguma vez tinha tido. Não se atrapalhou e logo perguntou, retoricamente, se tinha gostado de cerveja da primeira vez que a provei para logo concluir: agora gostas, não é verdade? Percebendo onde queria chegar e reconhecendo que tinha razão respondi que sim. Porém não tive coragem de lhe confessar que a primeira vez que me deram a beber cerveja foi a caminho de um acampamento, no Algarve, organizado pelo Colégio S. João de Brito, tinha eu então 11 anos. Numa das paragens, os mais velhos apanharam o Padre desprevenido e mandaram vir uma caneca para mim. Estranhei o sabor mas não poderei assegurar que não gostei. Triste e desarranjado traste este que sempre fui…

Com a disciplina de Teologia Filosófica fiquei maravilhado e devorei a sua sebenta com grande gosto. Como é que a mesma pessoa pôde escrever dois textos tão diversos e distantes entre si no estilo só se explica pela versatilidade do seu autor.

Quando o ia consultar à sua cela ficava sempre fascinado. Olhando para a sua secretária não o via a ele mas somente a uma luz que dali irradiava e ouvia uma voz cordial que se sobreerguia num crescente de alegria. Os livros empilhados eram como uma espessa floresta misteriosa que o abrigava. Depois, as estantes que cobriam todas as paredes, alçando-se pelo alto pé direito até ao tecto, eram montanhas e cumes de erudição e sabedoria. O seu leito afundava-se cercado de grande tomos amontoados que lhe serviam de consolo nas longas noites escuras. Para chegar perto da sua mesa de trabalho tínhamos de caminhar com mil cuidados, como numa gincana, para não embater nas pilhas entremeadas no soalho apinhoado. Contígua à sua cela, uma outra de igual extensão, mas sem os estorvos da habitação, acumulava em sólidas estantes outra imensidade de volumes para sua consulta habitual. Pegando ao acaso em variadíssimos livros, verificava que estavam sublinhados, com notas, cheios de papelinhos cortados a assinalar uma multidão de páginas. Deus do Céu, perguntava a mim mesmo, como é possível ter tanta informação naquela cabeça.

Nas homilias e nas conferências, creio que por timidez, assumia um ar e uma voz demasiado formais, algo artificiais. Tudo o que dizia tinha o maior rigor, não se permitia fantasias nem “liberdades de pregador”. Mas era quando o apanhávamos desprevenido que a sua chispa, a sua verve vinham à superfície. Por isso, com frequência, depois das refeições, quando descontraidamente caminhávamos pela mata do convento, lhe colocava dúvidas ou contrapunha argumentos só para o ouvir discorrer sobre filosofia e teologia. Então era brilhante, sentindo-se à vontade e sem uma plateia à frente tinha tiradas geniais, frases lapidares, respostas surpreendentes, argumentações admiráveis, ensinamentos excelsos. Era uma aliança viva entre a Fé e a razão.

Muitas vezes insisti com ele que quando se retirasse do ensino deveria completar a sua vasta obra de artigos com algum livro que fosse a síntese do seu pensamento ou um guia para os textos que deixava. Mas via-o reticente e por isso comecei a insistir que publicasse então em livro os seus artigos dispersos pelas várias revistas e enciclopédias. Pedi inclusive a outros confrades que instassem com ele nesse sentido e, seguramente, que muitas outras pessoas lhe terão sugerido o mesmo. Foi, pois, com enorme alegria que quando voltei para este convento ele me ofereceu os dois volumes da sua obra, intitulada O Ser e os seres.

O seu olhar bondoso procurava atentar sempre no melhor como que “ignorando” tudo o mais. Estou persuadido de que se deparasse com uma ratazana em putrefacção só veria a brancura dos seus dentes! Era assim, mesmo para com filósofos que trouxeram grandes males à humanidade. Procurava o que de bom e verdadeiro neles havia, mesmo que fosse muito pouco, e salientava-o. Não é que fosse destituído de espírito crítico, pelo contrário, a sua grande sensibilidade e a sua inteligência arguta detectavam com grande lucidez e desgosto as insuficiências, limites e perversões das doutrinas malsãs, mas a sua cortesia e delicadeza não suportavam a crítica desassombrada. Apesar de as reconhecer como tais, era de uma grande compreensão, compaixão e misericórdia para com as misérias humanas respondendo cristãmente com enorme paciência e Esperança a todos os que a ele acorriam em busca de auxílio.

Connosco, seus confrades, era jovial e “alinhava” nas brincadeiras e graçolas dos mais novos intervindo com espírito e bom humor. Sempre senti da sua parte apoio e incentivo quer em relação à vida franciscana quer em relação às leituras e estudos particulares a que me dedicava.

Nestes últimos anos em que convivemos aqui neste convento da Luz comecei a chamar-lhe, com carinho e boa disposição, venerável ancião das sabedorias primordiais. Referia-me, é óbvio, não à antiguidade da sua pessoa, pois é evidente que nunca conheceu Adão, mas ao acesso àquele saber incontaminado que pré-existiu a queda original, àquela sabedoria onde se bebe a verdade na Sua fonte, que é o fundamento que sustenta toda a realidade. É claro que, em virtude da sua humildade, torceu o nariz a este cognome. Mas eu persisti com carinho continuando a referir-me a ele de esse modo.

Como a enfermidade ruim o abocanhasse participou dos trabalhos de Cristo, da Sua Paixão, até que S. Basílio Magno e S. Gregório Nazianzeno, por incumbência de Deus, vieram buscar a sua alma no dia em que a Igreja os celebra, a saber, a 2 do mês de Janeiro deste ano de 2010.

Seguramente, assim o creio, partiu com grande alegria interior na companhia destes Santos a quem ele muito venerava não só pela santidade mas também pelo saber.

Padre Manuel Barbosa da Costa Freitas, da Ordem dos Frades Menores, venerável ancião das sabedorias primordiais, aos 81 anos de idade, cumprida, com generosidade e humildade, a sua missão na Terra foi chamado pelo Seu Criador e Redentor, que o tinha feito para Si. Morreu um Homem.

Nuno Serras Pereira

04. 01. 2010

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Excelente argumentário que desfaz as raízes da pretensão do casamento entre pessoas homossexuais

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Gay Activists' Main Arguments in Favor of Same-Sex Marriage

Basing their conclusions largely on the unquestioned acceptance of three key unspoken presuppositions, gay activists employ the following public arguments in their attempt to promote the idea of legal recognition for same-sex "marriages":

1) Gays, lesbians and bisexuals are being "discriminated against" when their unions are denied marriage recognition.

This is not the first instance of government interference in a couple's choice to marry. Less than thirty years ago interracial couples were prohibited from legally marrying. Today, very similar discriminatory arguments are being used to prohibit same-gender couples from marrying.[5]
Of course, this argument presumes a virtual legal equivalency between skin color or race and "sexual orientation."

2) Marriage is a "basic human right" and choice of marriage partners should in no way be regulated by government; therefore same-sex couples should be allowed to legally marry.

Marriage is an important personal choice and a basic human right. The decision to get married should belong to the couple in love, not the state.[6]
Here, the operative presumption seems to be that every "sexual orientation" is fundamentally like every other, and relationships involving any and all "sexual orientations" should be freely chosen by the individuals in relationships and then recognized without question by the state.

3) Civil and religious marriage will remain separate institutions if same-sex marriages are legalized.

Legally, religious and civil marriage are two separate institutions. Though many faiths do perform same-gender marriages now, they have no legal recognition as civil marriages. The state should not dictate which marriages any religion performs or recognizes, just as religions should not dictate who gets a civil marriage license from the state.[7]

These statements seem to presume that recognition of same-gender marriages will have little social impact, in either religious, civil or economic spheres.

4) Same-gender couples cannot legally marry in any state, despite how much they may feel a "need" to (emotionally), or how much their "families" need civil marriage's protections, benefits and responsibilities.[8]

In Virtually Normal, Andrew Sullivan's book-length apologia for same-sex marriage, the author asserts that...

The introduction of gay marriage would not be some sort of leap in the dark, a massive societal risk. Homosexual marriages have always existed, in a variety of forms; they have just been euphemized. Increasingly they exist in every sense but the legal one. As it has become more acceptable for homosexuals to acknowledge their loves and commitments publicly, more and more have committed themselves to one another for life in full view of their families and friends. A law institutionalizing gay marriage would merely reinforce a healthy trend.[9]
Elsewhere, Sullivan explains further:
In the contemporary West, marriage has become a way in which the state recognizes an emotional commitment by two people to each other for life. And within that definition, there is no public way, if one believes in equal rights under the law, in which it should legally be denied homosexuals.[10]
So long as conservatives recognize, as they do, that homosexuals exist and that they have equivalent emotional needs and temptations as heterosexuals, then there is no conservative reason to oppose homosexual marriage and many conservative reasons to support it.[11] Read More

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Psiquiatras doidarrões


1. Quando os médicos do Colégio de Psiquiatria destrambelham e conseguem que o Conselho Nacional Executivo da Ordem dos Médicos caucione o seu desvario é caso para profunda preocupação. A história tem-nos ensinado que quando esses profissionais tresloucam tornam-se inspiradores e cúmplices das maiores barbaridades através, por exemplo, da eutanásia, do aborto, da tortura, etc., – basta lembrar o papel que tiveram na perseguição demente que moveram aos dissidentes nos regimes comunistas com os consequentes internamentos e “tratamentos” forçados; as mortandades que provocaram em deficientes, eutanasiando-os, a invenção do gaseamento para as mortes maciças com a consecutiva aplicação nos campos de extermínio nazis; a descabeçada afirmação da gravidez como uma doença e a sucessiva elaboração de atestados para autorizar o aborto provocado, como se de uma terapia se tratasse.

A doidarraz posição dos delirantes membros do Colégio de Psiquiatria, hoje anunciada com grandes parangonas em tudo quanto é comunicação social, é patente, por exemplo, em asserções deste tipo: a) “ … não existe evidência científica que suporte uma intervenção que resulte na completa mudança de orientação sexual”. Trata-se obviamente de uma mentira colossal, contrariada pelos factos e por estudos credíveis de eminentes profissionais da saúde mental, publicitada com o propósito claro de induzir em erro as mentalidades, de modo a torná-las vulneráveis à investida da ideologia “gay”, agora consubstanciada na reivindicação do “casamento” entre pessoas do mesmo sexo, como uma fase decisiva na sua escalada pelo poder; b) “é generalizado o consenso entre os médicos psiquiatras de que não existe qualquer tratamento para a homossexualidade, pois esta designação não se refere a uma doença mas sim a uma variante do comportamento sexual”. Primeiro, o consenso não é generalizado; segundo, a afirmação de que não é uma patologia é ideológica e não médica; terceiro, dizer que não é uma doença porque é uma variante do comportamento sexual é tão desatinado como afirmar que a pedofilia, o sadomasoquismo, a bestialidade ou a necrofilia não são do foro patológico porque são variantes do comportamento sexual. Claro que são variantes, mas são variantes desvariadas, desvairadas, doentias.

Este parecer ao afirmar que “considerar a possibilidade de um tratamento da homossexualidade implicaria, nos tempos actuais, a violação de normas constitucionais e de direitos humanos” é claramente intimidatório para todos os terapeutas, em particular os psiquiatras, e subliminarmente insidioso para toda e qualquer pessoa de bom senso, inclusive pais, amigos familiares e Padres, que queira ajudar o ou a infeliz a reencontrar-se com a sua sexualidade natural, masculina ou feminina.

Por este andar dias virão em que a cleptomania deixará de ser considerada uma patologia para passar a ser uma variante do comportamento social e a piromania uma variante, sei lá, do comportamento rural.

2. Tenho vindo a insistir, ao que parece sem grande eco, nos textos que tenho escrito sobre este assunto, que o diabolicamente chamado “casamento” entre pessoas do mesmo sexo (ou legalização das ditas “uniões”) implicará, tarde ou cedo, uma redução das nossas liberdades e direitos. De facto, a liberdade de expressão, a liberdade de consciência (não confundir com liberdade da), a liberdade religiosa, a liberdade de ensino e de educação, os direitos das crianças e os direitos ao trabalho, à saúde e mesmo ao uso livre da propriedade privada serão postos em causa, limitados ou mesmo, nalguns casos, aniquilados.

3. Acresce que considero que o combate à legalização do “casamento” entre pessoas do mesmo sexo perde muito da sua força e eficácia quando se renuncia à proclamação da verdade integral, e portanto também moral e antropológica, sobre este assunto. O calar, esconder, fingir, dissimular não são armas da Verdade. E o facto de apostar tudo no argumento, aliás de enorme peso, da adopção e da reprodução artificial como se tudo o resto não importasse não me parece suficientemente adequado.

4. Felizmente tenho entre os melhores amigos excelentes médicos psiquiatras que se distinguem pela seriedade, pela competência, pela doação de si mesmos, e que não embarcam em fantasias alucinatórias que descambam na mais vil desumanidade.

Nuno Serras Pereira

30. 12. 2009

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Um Natal diferente


Quem me roubou de mim mesmo que já não sou o que fui? Não me reconheço neste vazio e nesta solidão. Quem me arrebatou pedaços da alma? Quem me fragmentou, estilhaçou a inteireza em que antes vivia? Donde me vem este desnorte, este sem sentido, esta angústia vertiginosa? Pudesse ao menos chorar… mas não!, é como e tivesse sido sovado, tormento atordoado, um sonâmbulo esbodegado. Nada me acode neste suplício, nesta aflição ansiosa. Tudo se esvaiu, ninguém me preenche, agoniam-me todas as superficialidades que antes me entretinham, às quais apegado vivia. Que risos e festejos eram aqueles senão nadas que o nada antecipavam? Distracções da cinza, do pó a que tornaremos… Pois como desapareceram as minhas origens, os meus fundamentos, as relações que eram a consistência do meu ser? Como sou sem elas senão sendo o que não sou? Mas se não sou, como ainda me reconheço, embora outro de mim mesmo, dissipado que estou como cinza espargida ao vento sem forma que a determine e a identifique? Como é que este eu que é não eu pode ainda dizer eu? E quem é este eu?

Esta inquietude, este enigma prenhe de mistério, que a grande custo, num esforço desesperado, quebrou, escaqueirando as cadeias do seu sofrimento, a paralisia dos seus padecimentos, fê-lo empenhar-se com grandes fadigas, esmolar-se pelos seus semelhantes.

Como que anestesiado cumpriu os ritos familiares, agora sem eles, olhando alheio, como exterior ao que se passava, os filhos e demais parentes. Porque é que aquilo que devia ser festa e tanto alegrava os outros tinha para ele o travo de uma melancolia imensa? Luzes cromaticamente variegadas, árvore abundantemente enfeitada, presentes em embrulhos multiplamente coloridos, presépio pitoresco, cheio de beleza simples. Refeições pingues, vinhos excelentes, sobremesas de fazer inveja às iguarias conventuais. Mas o olhar permanecia mortiço, o rosto enevoado, a testa num franzimento sombrio.

No regresso a casa, após a ceia de Natal, ao parar num sinal vermelho, viu uma criança seminua de rosto radiante e de olhar profundo como um céu inter-galáctico, que trazia uma manjedoira às costas. Era uma visão deslumbrante que o invadiu de um grande fascínio mas também de um terror sagrado. Esquecido da restante família que transportava quedou-se pasmado e depois arrebatado por uma Presença que lhe dizia interiormente: não temas; Eu sou o Alfa e o Ómega, o princípio e o fim, a origem e o destino, a eterna alegria sem fim, a felicidade plena, a consistência do mundo universo. Todos os que criei os quero em Mim. Deixa fazer-te criança como Eu. Abandona-te a Mim, como quando eras bebé no colo de tua mãe. Consente que Eu te refaça. Em Mim encontrarás tudo de bom que pensas ter perdido para sempre. Eu Sou Deus dos vivos e não dos mortos porque em Mim todos vivem.

Depois, o Menino saltou para a cobertura do carro, atravessou incólume o vidro que se manteve intacto, como outrora tinha nascido de Sua Mãe, estendeu-lhe a mãozinha e perguntou-lhe: dás-me o teu coração, dás-me o teu eu? Correram-lhe então lágrimas pela face e com voz embargada soluçou: é Teu Senhor. O Menino arrancou-lhe então o coração e enxertou-o no Seu. Em seguida dividiu o Seu e colocou-o no peito dele. Foi então que experimentando pela primeira vez ser realmente quem era exclamou: “pela graça de Deus sou o que sou”, “eu vivo, mas já não sou eu, é Cristo que vive em mim … Ele que me amou e Se entregou à morte por mim”.

De repente sentiu-se a abanar, era o filho mais novo que, sem cerimónias, repuxando-lhe por detrás as orelhas repetia esganiçado: Pai! Pai! Está verde, pai! Está verde!

Então pela primeira vez, desde há muito, o pai sorriu, e riu com vontade soltando gargalhadas sonoras que deixaram todos estupefactos. E bradou, viva o Menino Jesus!, “meu amparo e minha fortaleza”!, “Deus forte, Príncipe da Paz”!


Nuno Serras Pereira

24. 12. 2009

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Foi mesmo a 25 de Dezembro


Durante muito tempo ouvimos dizer que ninguém sabia a data em que nasceu o Menino Jesus. A data de 25 de Dezembro teria sido “baptizada” pelos cristãos romanos por se celebrar naqueles tempos a festa pagã do sol invicto. Assim como o sol que parecia ser derrotado, engolido pela escuridão da noite que se alongava, afinal se reanimava tomando forças de modo a ir crescendo e vencendo a obscuridade de modo semelhante a Luz que é Jesus Cristo, que foi coberta pela escureza sombria da morte ressuscitou derrotando as trevas do pecado. A verdade porém é que aquela festa se comemorava a 21 de Dezembro e não a 25. Por outro lado a Igreja primitiva, em particular as orientais, pouco tempo após a morte e Ressurreição de Jesus, começou a solenizar o nascimento do Deus humanado na noite de 25. Contra isto se levantaram vozes de alguns exegetas modernos que, apesar de não acreditarem na existência dos Anjos, negaram essa possibilidade porque, sempre segundo eles, não era possível que os Anjos aparecessem numa noite invernosa a pastores que guardassem rebanhos, pois estes teriam necessariamente recolhido aos apriscos. Esta protestação, no entanto, ignora as normas rituais de pureza que então vigiam. Naquele tempo, em Israel, havia três tipos de ovelhas: as brancas, as malhadas e as pretas. As primeiras, consideradas puras, depois do pasto, podiam recolher ao redil situado na povoação ou na cidade; as segundas, em virtude da lã preta entremeada com a branca, podiam, pela tarde, abrigar-se num curral, mas este teria de estar apartado de qualquer centro habitacional; finalmente, as negras, consideradas impuras, não gozavam do privilégio das outras mas tinham de permanecer dia e noite, de Verão e de Inverno, nos descampados acompanhados dos pastores que se revezavam continuamente. É bem de ver que as ovelhas negras prefiguravam aqueles pecadores que são, segundo as palavras do próprio Jesus, motivo da Sua vinda, pois veio a salvar o que estava perdido.

Já no século I a Igreja celebrava a Anunciação do Anjo a Zacarias, pai de S. João Baptista, a 23 de Setembro, e o nascimento deste a 24 de Junho. A descoberta dos manuscritos do Mar Morto e as investigações subsequentes nas grutas circundantes que levaram ao achamento de rolos manuscritos em muito bom estado veio confirmar, com o livro dos jubileus, esta antiga tradição da Igreja. De facto, por este manuscrito ficamos a saber que a semana em que entravam de serviço, no Templo, os Sacerdotes da classe de Abias, à qual pertencia Zacarias, tinha o seu início a 23 de Setembro e terminava a 30 do mesmo mês. Acrescentando 9 meses temos o 24 de Junho. Ora, pelos Evangelhos, nós sabemos, que logo após a Anunciação do Anjo à sempre Virgem Maria, portanto da Encarnação do Verbo no seu seio, ela se dirigiu “à pressa” para auxiliar sua prima Santa Isabel, grávida de seis meses (“ … já está no sexto mês aquela que é tida por estéril” – Lc 1, 37), que vivia a três dias de jornada. Seis meses depois da última semana de Setembro é a última semana de Março. A Igreja celebra a Encarnação de Jesus, Deus filho, acontecida aquando da Anunciação do Anjo, por virtude do Espírito Santo, a 25 de Março. Ora 25 de Dezembro é 9 meses depois de 25 de Março.

Como o Deus Criador e o Redentor, ou Salvador, são um único e mesmo Deus, o único Deus verdadeiro, compreende-se que tenha querido nascer na proximidade relativa do solstício de Inverno e que o Seu precursor, que disse de si mesmo “é preciso que eu diminua para que Ele cresça”, nascesse no solstício de Verão.

Nuno Serras Pereira

22. 12. 2009