segunda-feira, 13 de abril de 2009

Conto de Páscoa

João César das Neves

In Diário de Notícias - 13.04. 2009

Um dia olhei e vi diante de mim uma espessa e ameaçadora floresta. A minha vida era um bosque sombrio e emaranhado, onde vários perigos espreitavam. Atrás estava uma alta parede de rocha, de que não via o topo, e à minha frente a selva. Pior de tudo, sentia que devia sair daquela pequena clareira onde me encontrava, mas não sabia como.

O problema não era a falta de caminho. Pelo contrário, havia várias vias diferentes abertas diante de mim, cada uma seguindo na sua direcção. Eu podia bordejar a parede de rocha, em ambos os sentidos, ou seguir sempre em frente, adensando-me no arvoredo. Mas podia também ir em várias linhas oblíquas à montanha, em mais de dez atalhos diferentes.

Olhando com atenção vi que, embora houvesse alguns ameaçadores, outros caminhos eram bastante convidativos. Muitos deles. Esse era o problema. Eram ensolarados, como a clareira, e se alguns pareciam infestados de feras, outros mos- travam-se empedrados, até com indicações de destinos. Por qual deles seguir?

Nessa altura reparei que não estava sozinho na mata. Aliás estava ali uma multidão que, apesar de ser tão grande e o local tão apertado, surpreendentemente não me oprimia nem acotovelava. Procurei saber a direcção que eles iam escolher, mas percebi logo que ainda estavam mais confusos que eu. Todos menos um idoso, com roupagens estranhas, que olhava para mim intensamente. Dirigi-me a ele e perguntei se me podia ajudar a encontrar o caminho na vida. Ele disse-me que a escolha era minha. Mas, se eu quisesse, podia mostrar-me onde se dirigiam as várias veredas.

Aceitei com interesse e o homem penetrou decididamente na floresta, através de um arbusto que parecia sem passagem. Segui-o e logo depois chegámos a uma outra clareira onde havia um enorme balão de ar quente, com um cesto preso em baixo. Ele ia mostrar-me os caminhos subindo no balão. Entrámos ambos e o homem, largando o lastro e aumentando a chama na base do aeróstato, fê-lo subir.

Poucos minutos depois estávamos acima das copas das árvores, e logo a seguir via-se bem a clareira junto à rocha e o traçado dos vários carreiros que dela saíam. O que vi espantou-me. Todos aqueles caminhos eram sinuosos e embrulhados, criando uma rede impossível de distinguir. Alguns seguiam em linha recta algum tempo, mas eram cruzados por outros ou entroncavam nos demais. Não se via uma direcção clara em nenhum deles. Aliás, as direcções pareciam multiplicar-se à medida que se afastavam da montanha. Olhei assustado para o velho e ele limitou-se a sorrir e a aumentar a chama para subirmos mais.

Quando atingimos uma altura considerável acima da floresta, de repente comecei a notar um padrão. Os vários caminhos que serpenteavam no meio da selva, agora apenas linhas no verde escuro do fundo, pareciam agrupar-se. É difícil explicar, mas o emaranhado de veredas era como que dividido em dois feixes de percursos, que se dirigiam para lados diferentes. Notei que a mistura era intensa, sem que a origem do caminho permitisse prever em qual dos dois lados acabaria. Algumas linhas vinham de um dos extremos para acabarem no feixe contrário. Uma vez feita a separação, no entanto, deixava de haver ligação entre os dois conjuntos, que seguiam claramente cada um no seu sentido.

Tentei perceber onde se dirigia cada uma das direcções, mas ambas se perdiam no nevoeiro. A minha confusão aumentava e ia dirigir a palavra ao meu silencioso companheiro quando vi, mesmo no local onde os dois grupos de veredas se separavam, luzir algo muito intensamente. Perguntei o que era e o velho perguntou se queria ir ver. Aceitei e descemos rapidamente.

Quando nos aproximámos de novo do topo das árvores, encontrei-me numa clareira, onde em cima de um rochedo estava uma placa dourada. Era ela que eu vira luzir. O balão aterrou e corri para a placa, onde estava escrito: "Dois amores fizeram as duas cidades: o amor de si até ao desprezo de Deus - a terrestre; o amor de Deus até ao desprezo de si - a celeste." S. Agostinho A Cidade de Deus, livro XIV, cap. XVIII.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Luvas de Boxe

Sua Santidade o Papa na conferência de imprensa que deu a bordo do avião aquando da sua viagem apostólica a Espanha em 2010, como fosse interrogado sobre as luvas de boxe como meio de combate à violência doméstica, respondeu que a distribuição das ditas luvas não resolvia o problema da violência e que pelo contrário poderia agravá-la. Que o importante era mudar os comportamentos, suscitar a educação, formar para a responsabilidade, induzir ao respeito e ao amor. A notícia correu, pressurosa e indignada, as redacções do mundo inteiro. Políticos, jornalistas e eclesiásticos abespinhados conclamaram à uma que o Papa era um mata-mulheres, genocida do género feminino, ignorante troglodita, personagem imundo, etc. Por aqui não se ouviu uma voz episcopal que denunciasse o escárnio sacrílego com que o Santo Padre foi agredido. Pelo contrário, alguns Bispos professaram publicamente a sua fé nas luvas de boxe e admoestaram severamente que era não só aconselhável mas eticamente obrigatório o seu uso, por quem não prescindisse de espancar as suas mulheres.

Nuno Serras Pereira

06. 04. 2009

sábado, 4 de abril de 2009

Em Favor da Salvação dos Médicos


1. Se hoje sou vivo devo-o a muitos médicos. Ao que sei, a primeira vez que a minha vida perigou tinha eu cerca de 4 anos de idade, tendo estado em coma alguns dias, por numa tarde de grande calor ter bebido, à socapa dos adultos, água estagnada e pútrida de uma dorna. Considerando esse momento, experimento um misto de gratidão (para com o Dr. Santana Maia, que então me salvou - Deus lhe fale na alma, uma vez que o chamou a Si) e de tristeza por não ter partido, pois tinha o Céu garantido. Agora, já adulto, o que me assusta não é a morte mas o Juízo depois dela. Ninguém, assim o definiu o Concílio de Trento, pode ter a certeza, de Fé, que está na Graça de Deus. Poderá isso sim existir uma convicção moral e existencial que se obtém através de vários sinais, tais como o cumprimento dos mandamentos, de todos e não só de alguns, o amor e a prática dos sacramentos, uma vida de oração, a vivência das bem-aventuranças, a prática das virtudes, etc. Claro que devemos ter Esperança de Salvação, se não pecaríamos contra o Espírito Santo, mas ofendê-Lo-íamos igualmente caso tivéssemos presunção da mesma.

2. a) Ninguém, bem formado, ignorará que há determinado tipo de actos morais que são especificados pelo seu objecto, independentemente das intenções ou circunstâncias, e que por isso a proibição que sobre eles impende obriga sempre, sem excepção alguma, em todas as circunstâncias. Esses absolutos morais salvaguardam os bens da pessoa humana enquanto pessoa. Quando a Igreja ensina com a autoridade do próprio Cristo que a contracepção é intrinsecamente má ou perversa (pecado grave contra o sexto mandamento) não está a fazer mais do que a garantir e assegurar a verdade sobre o amor humano. Recusar, consciente e livremente, esta verdade da lei moral natural sobre a malícia da escolha contraceptiva significa rejeitar não só a Deus como Criador mas também como Revelador.[1]

b) Para que exista um acto contraceptivo não basta, para dar um exemplo, tomar a pílula. De facto, esta poderia ser usada por razões médicas, para tratar alguma desordem fisiológica, sem que existisse nenhum propósito, apesar de previsto, como consequência indirecta, de evitar a geração (é o chamado princípio moral do duplo efeito). Dizem-me médicos da especialidade que nos dias de hoje não há quase nenhuma ou mesmo nenhuma enfermidade em que seja necessário recorrer à pílula para a tratar, que já existirão outros meios mais indicados para cuidar desses doentes, que não “esterilizam temporariamente” as pacientes. Se assim for, não haverá então justificação para tomar ou receitar a dita pílula. Acresce que numerosos estudos e inclusive as bulas que acompanham esse fármaco indicam que um dos seus efeitos é abortivo. Pelo que a pessoa que o tomasse tinha a obrigação moral de se abster da relação sexual.[2]

Também não basta o propósito de evitar a geração para existir contracepção, pois é necessário que o acto sexual seja praticado com o consentimento de ambos. Quando ainda se desconheciam (ou melhor se esconderam e por isso se ignoravam) os possíveis efeitos abortivos da pílula, a Santa Sé esclareceu que as mulheres (em países em guerra) que estivessem na iminência de poderem ser violadas podiam tomar a pílula como prevenção e defesa. Feitas estas precisões passemos à alínea seguinte.

c) Imaginemos que estando eu muito descontente com o voto de pobreza me resolvia - depois de me iludir a mim mesmo para não me converter, não fosse desistir do mal que queria praticar -, a roubar um cofre-forte cheio de fino ouro e preciosas pedrarias. Sabia exactamente a quem comprar o instrumento necessário, sabendo ele muito bem qual a finalidade da aquisição, para o abrir mas para isso era necessário consultar-me com uma pessoa que, conhecedora do meu intento me arranjasse uma requisição. Graças a Deus que isto nunca aconteceu, pois se não fora a Sua Graça eu seria capaz disso e de muito pior, mas se tivesse sucedido, alguém teria alguma dúvida sobre a cumplicidade e consequente culpabilidade de todos os três na malfeitoria? É evidente que tanto quem passou a requisição como o vendedor cooperaram de um modo inaceitável com o furto que eu cometi e por isso participam da sua imoralidade ou pecaminosidade.

Pois o mesmo se sucederia principalmente com o médico que passasse uma receita cujo propósito fosse contraceptivo. O farmacêutico, de facto, poderia ignorar a sua finalidade.

3. Um último e telegráfico apontamento, uma vez que o escrito já vai longo, sobre os exames pré-natais. A maioria das grávidas julga que as ecografias são obrigatórias só porque o médico as marca. Não é assim, poderão ser convenientes mas também segundo alguns especialistas tem-se exagerado grandemente o recurso a estas. De qualquer modo, não há dúvidas de que estas, assim como meios complementares de diagnóstico como o exame do líquido amniótico, têm servido para uma eliminação desapiedada e sistemática de uma multidão de crianças nascituras em particular as que apresentam sindroma de Down. Permitam-me que acrescente que conheço vários casos em que tanto a ecografia como a amniocentese indicavam este defeito genético e afinal as crianças nasceram escorreitas, apesar das muitas pressões que as mães sofreram para abortar por parte do pessoal de saúde (?), de amigos (?) e familiares.

Seja como for, uma vez que a prática se instalou e cerca de 90% deste diagnóstico termina em aborto provocado, um verdadeiro médico, ainda para mais se católico, deveria recusar-se à transmissão desse conhecimento a não ser que estivesse seguro que isso poderia sossegar os pais no sentido de os preparar para o acolhimento desse filho. Por isso, sou de parecer que o médico na sua aliança terapêutica com a mãe grávida deveria, desde o início, deixar claro que é médico dos dois, da criança nascitura e da mãe, e que só investigaria e transmitiria qualquer problema com a criança que fosse susceptível de tratamento.


Nuno Serras Pereira

03. 04. 2009


[2] Para uma visão médica da razoabilidade e verdade da Humanae Vitae ver o estudo da Federação Internacional das Associações de Médicos Católicos: http://frblin.club.fr/fiamc/04texts/ehmann/HumanaeEs80T.pdf

sexta-feira, 3 de abril de 2009

O Pároco de Nine


Aqui há uns anos um franciscano insignificante fez publicar um anúncio num jornal diário declarando que a Lei Divina (de que nenhuma autoridade na Igreja pode dispensar), mais concretamente o cânone 915 que dela deriva, o impedia de dar a Sagrada Comunhão a todos os implicados na promoção ou votação de atentados à pessoa humana concebida e ainda não nascida. Caíram-lhe publicamente em cima um Cardeal, que depois teve que retractar-se numa homilia, vários Bispos e diversos sacerdotes.

Ontem numa reportagem do canal televisivo SIC, foi transmitida parte de uma homilia do Pároco de Nine (Famalicão) seguida de uma entrevista dentro da Igreja, tendo o Sacrário como fundo, em que, tanto numa como outra, esse sacerdote advogava o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Alguém ouviu alguma reacção?

Nuno Serras Pereira

30. 03. 2009

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Episcopado Africano toma Fortíssima posição em Defesa do Papa Bento XVI

AU SUJET DE LA CONTROVERSE AUTOUR

DE LA POSITION DU PAPE BENOIT XVI SUR LE PRESERVATIF

LES EVEQUES DE LA CERAO DECLARENT


Etonnement face à une manipulation outrageante planifiée

Nous avons été tous surpris et étonnés de la façon dont une phrase du Saint-Père a été totalement sortie de son contexte proche et lointain pour devenir le motif récurrent de toutes les émissions de RFI et d’autres médias français sur le premier voyage apostolique du Saint-Père, le Pape Benoît XVI, en Afrique. Le comble est cette occultation systématique des autres idées de l’interview et la minimisation de tout ce que le Saint-Père s’est efforcé de communiquer comme espérance à l’Afrique, tant au Cameroun qu’en Angola. A cela précisément ne devrait-on pas reconnaître que c’est à l’Eglise et à sa mission évangélisatrice que les acteurs de l’ombre s’en prennent ?

Nous, évêques de la Conférence Episcopale Régionale de l’Afrique de l’Ouest (CERAO), nous avons pris la mesure de l’événement et nous tenons à déclarer à tous ce qui suit :

Démolir la morale est crime contre l’humanité

On n’arrivera pas à bout du Sida, en cassant les ressorts spirituels et moraux des hommes, surtout des adolescents et des jeunes, en les fragilisant et en faisant d’eux des paquets de désirs sexuels sans les régulateurs prévus par le Créateur. C’est un crime contre l’humanité que de priver l’enfant, l’adolescent et le jeune de l’entrainement à la maîtrise de l’esprit sur le corps et ses pulsions qu’on appelle éducation sexuelle. En ce sens, les slogans publicitaires et la distribution de préservatifs pourraient n’être qu’irresponsabilité et crime contre l’humanité.

Des propos irrévérencieux, injurieux et sacrilèges

Pour nous, Africains, le Pape est le père de la Grande Famille qu’est l’Eglise et, à ce titre, nous lui devons respect et affection. Il est sacrilège selon nous, du simple point de vue de notre culture africaine traditionnelle, pour ne pas encore parler de la foi, que des fils et des filles d’Eglise qui se prétendent catholiques s’en prennent au Pape avec vulgarité, arrogance et injures, comme certains journalistes d’organes français et certaines personnalités françaises, espagnoles, européennes, se sont permis de le faire. Nous déplorons et condamnons ces propos irrévérencieux et injurieux.

L’Attentat post-moderne contre la vérité et ses conséquences violentes sur les relations humaines

Mais nous ne sommes d’une culture qu’au titre de la vérité plus profonde de notre humanité. Et l’humanité qui est commune à tous, est unique ; elle se concrétise dans un certain nombre de droits et de devoirs, inséparables de la dignité de toute personne humaine. Il est absolument intolérable qu’un petit groupe de communicateurs -parfois hélas des Africains émargeant sans gêne à la richesse « sale » de ceux qui ont dépouillé leurs peuples- s’arroge le droit de déformer la vérité pour se présenter en bienfaiteurs responsables face à la condition dramatique de nos frères et sœurs porteurs du VIH SIDA, et, par contre, transformer le Saint-Père en un personnage « irresponsable » et dépourvu d’humanité, et ainsi pouvoir l’injurier et tenter d’ameuter contre lui une cohue d’individus, qui s’estiment en droit de parler de ce qu’ils n’ont pas pris le soin de connaître avec précision. Ils oublient que, ce faisant, ils se disqualifient professionnellement, puisqu’il existe une différence essentielle entre créer du sensationnel scandaleux et informer. Nous déplorons et condamnons l’attentat contre la vérité qui est le péché de notre monde post-moderne, et dont résultent les graves blessures que subit de plus en plus la Sainte Eglise, Notre Mère. Quel est ce monde où l’on ne prend pas le temps d’écouter l’autre, de l’écouter jusqu’au bout et où on lui fait dire ce qu’on veut qu’il dise ? La sagesse africaine et la Sagesse Biblique toutes axées sur l’Ecoute ont une autre vision du monde à proposer.

Profonde union de pensée et de cœur entre Benoît XVI et l’Afrique

Nous, évêques africains, nous remercions du fond du cœur le Saint-Père, qui a tant d’affinités avec nous, du fait de notre communauté de pensée sur l’Eglise et de notre engagement commun en faveur de nos frères et sœurs malades du Sida, des pauvres, des blessés de la vie et des petits. Qui ignore que les titres : Eglise, Maison (Famille) et Peuple de Dieu ; Eglise, Fraternité Chrétienne, Eglise-Communion sont de lui ? Il y a cru et y a travaillé depuis longtemps comme jeune théologien et plus récemment comme Cardinal Préfet de Dicastère ; nous y croyons aussi et nous sommes à pied d’œuvre pour édifier en Afrique l’Eglise Communion comme Famille de Dieu et Fraternité du Christ. Il est venu chez nous pour nous confirmer dans cette foi. Nous l’en remercions.

Eglise d’Afrique, une Eglise porteuse d’espérance

Nous lui savons gré aussi pour tout le message d’espérance qu’il est venu nous livrer, au Cameroun et en Angola. Il est venu nous encourager à vivre unis, réconciliés dans la justice et la paix, pour que l’Eglise d’Afrique soit elle-même une flamme ardente d’espérance pour la vie de tout le continent. Et nous le remercions pour avoir reproposé à tous, avec nuance, clarté et pénétration, l’enseignement commun de l’Eglise, en matière de pastorale des malades du Sida.

Humanisation de la sexualité et don de soi aux malades du Sida

Il nous encourage tous à vivre et à promouvoir l’humanisation de la sexualité et le don de sa propre humanité pour être avec et secourir en vérité les frères et sœurs malades du Sida, comme l’authentique attitude responsable des catholiques face aux malades du Sida et de tous ceux qui aiment vraiment les Africains atteints de ce mal. Nous accueillons son message qui est aussi notre propre position. Et nous déclarons tous avec lui : « … On ne peut pas surmonter ce problème du sida uniquement avec des slogans publicitaires. Si on n’y met pas l’âme, si on n’aide pas les Africains, on ne peut pas résoudre ce fléau par la distribution de préservatifs : au contraire, le risque est d’augmenter le problème ». Telles sont les paroles de Benoît XVI qu’un matraquage médiatique s’est évertué à travestir. En vain.

Responsabilité des media

Dire moins, c’est mépriser l’Africain et témoigner de zèle à tuer ce qu’il y a d’authentiquement humain en l’homme noir dont par exemple toutes les traditions valorisent tant la virginité constatée au mariage. Nous déplorons et nous condamnons cette prétendue responsabilité vis-à-vis de l’homme noir qui n’aurait de solution que mécanique à un problème aussi vital qu’est la sexualité pour tout homme et donc pour l’Africain lui aussi. La responsabilité des media est élevée ; ils ne doivent pas déchoir, sous peine de faire déchoir quelque chose de l’humain fondamental.

Non à la pensée par procuration

Nous disons enfin que les Africains ont la capacité de penser par eux-mêmes, aussi bien les problèmes qui les concernent que ceux de toute humanité. Nous déplorons et dénonçons le crime, venant du fond des âges, où l’on traitait nos frères et nos sœurs en marchandises et en « biens meubles » (Le Code Noir, Art. 44), et qui aujourd’hui consiste à s’acharner à penser pour nous, à parler pour nous, à faire à notre place sans doute parce qu’on ne nous croit pas en mesure de le faire par nous-mêmes. Peut-être dira-t-on que c’est à des Communicateurs Africains qu’habilement on confie la sale besogne de jouer aux pitres pour amuser le monde et rendre l’Afrique doublement pitoyable : non seulement matériellement mais aussi moralement. Mais il n’y a pas que ces Africains ignorants des structures anthropologiques les plus solides et des valeurs morales les plus sûres de l’Afrique qui soient à même de parler au nom du continent.

Nous, évêques de l’Eglise catholique de l’espace CERAO, nous exigeons qu’on cesse de penser pour nous, de pousser l’Afrique de la rue à parler au nom de l’Afrique et amuser la galerie aux dépens de nos peuples. Nous exigeons que pour parler de l’Afrique l’on respecte les valeurs essentielles, sans lesquelles l’homme n’est plus l’homme, et qui sont synthétisées dans la dignité de tout homme, créé à l’image de Dieu. Oui, à la suite du Concile Vatican II, nous réaffirmons que « sans le Créateur, la créature s’évanouit tout simplement ». Nous remercions le Saint-Père d’avoir fait du Dieu d’Amour et de la foi en lui la priorité des priorités pour notre temps. C’est bien l’illusion qu’il puisse y avoir une autre priorité, qui a créé la situation paradoxale et violente, où l’on prétend être responsable de nous, tout en mettant à sac ce que nous avons de plus vital : notre relation de foi, d’espérance et d’amour avec le Dieu vivant, Père de Notre Seigneur Jésus-Christ, et notre vie morale.

Abidjan, le 27 mars 2009

+ Théodore Adrien Cardinal SARR

Président de la CERAO



terça-feira, 31 de março de 2009

Carta aberta ao Bispo de Viseu

Excelência Reverendíssima

Saudações de Paz e Bem

1. S. Tomás de Aquino (Summa contra gentiles III, c. 122) considera que quem fornica, isto é, quem tem trato carnal com pessoa de sexo diferente sem com ela estar casado, pode cometer dois tipos de males – o menor de entre eles, embora grave ou mortal, é o de que esse acto se opõe ao bem da vida da criança que pode resultar desse acto; o segundo, ainda mais grave, é o de recorrendo à contracepção impedir a geração da criança.

2. As Sagradas Escrituras, a Tradição da Igreja e o seu Magistério sempre ensinaram que só é lícita (que só é moralmente boa) a relação sexual entre um homem e uma mulher casados, em que o sémen do marido é ejaculado na matriz feminina, e da qual está ausente qualquer tipo de contracepção.

3. Às pessoas homossexuais ou às pessoas promíscuas infectadas com hiv/sida a Igreja não tem que dizer-lhes que não usem o preservativo, mas não pode de modo nenhum aconselhá-las a que o usem, já que isso representaria uma cooperação formal com o mal intrínseco que elas cometem. A missão da Igreja é a de chamar essas pessoas à conversão e a uma vida de santidade. Claro que a Igreja deverá alertar toda a gente para o cumprimento de todos os mandamentos. Desse modo as pessoas infeccionadas com enfermidades de tipo mortal têm de compreender que ao exercerem determinado tipo de actos poderão estar a transgredir não só o sexto mandamento mas também o quinto. E que a transgressão de dois mandamentos é mais grave ainda do que a de um só.

Sem outro assunto pede-lhe a sua bênção

Servo mísero e inútil

Nuno Serras Pereira, ofm

domingo, 29 de março de 2009

Acto de Consagração ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria

Fátima, 25 de Março de 2009


INTRODUÇÃO

Ao fazermos hoje a nossa consagração ao Sagrado Coração de Jesus, evocando a que os Bispos de Portugal realizaram há cinquenta anos, em acto de louvor e de gratidão pela graça do nosso país ter sido poupado à segunda Guerra Mundial, bem como a consagração ao Imaculado Coração de Maria, que há precisamente vinte e cinco anos o nosso amado Papa João Paulo II realizou na Praça de São Pedro, diante da imagem de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, queremos não apenas consagramo-nos e oferecer as nossas famílias, mas também consagrar todas as famílias aos Sagrados Corações de Jesus e de Maria.

OFERECIMENTO

Sagrado Coração de Jesus e Imaculado Coração de Maria, nós, aqui prostrados, Vos oferecemos em oblação as nossas vidas e Vos oferecemos as nossas famílias para que em Jesus encontrem a alegria e a paz e, por Maria, nossa Mãe, se mantenham sempre unidas a Deus e entre si.

Oferecemos tudo o que somos e temos, oferecemos os nossos trabalhos, as nossas orações e sacrifícios, oferecemos as nossas doenças e as nossas dificuldades, oferecemos as nossas preocupações e as nossas alegrias, para que em tudo sejamos sempre vossos, ó Sagrados Corações de Jesus e de Maria!

E porque nada podemos sem Vós, ao Sagrado Coração de Jesus imploramos o dom da graça e do perdão, por misericordiosa intercessão do Imaculado Coração de Maria.

Oferecemo-nos também em reparação de todas as ofensas a Deus, recorrendo confiadamente ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria, aos quais pedimos a graça de um espírito contrito e humilhado e o perdão por todos os que não crêem, não adoram, não esperam, nem Vos amam.

PETIÇÃO DE PERDÃO E DE DESAGRAVO

- Dos pecados contra a vida humana já concebida e ainda não nascida, livrai-nos!

- Do aborto, das práticas anticonceptivas que ofendem a Deus e de todos os atentados contra o dom da vida, livrai-nos!

- Do escândalo e da perversão das crianças, dos atentados contra a sua inocência, livrai-nos!

- Da falta de pudor e de modéstia e de tudo o que ofenda a dignidade do corpo humano, chamado a ser templo do Espírito Santo, livrai-nos!

- Da pedofilia, da sodomia e dos pecados de luxúria, livrai-nos!

- Do uso das drogas e do abuso do álcool e de tudo o que avilta a liberdade gloriosa dos filhos de Deus, livrai-nos!

- Do repúdio e do divórcio e de todos os flagelos que ferem a unidade e a santidade da família cristã, livrai-nos!

- Do adultério, da violência doméstica e da indiferença e de todas as ofensas contra a vida matrimonial, livrai-nos!

- Da eutanásia e do desprezo pelos doentes e idosos, livrai-nos!

- Da impiedade, do incumprimento dos Mandamentos da Lei de Deus e da irreverência pelos Sacramentos, livrai-nos!

- Da desobediência ao Santo Padre e aos Bispos a ele unidos e ao Magistério da Igreja, livrai-nos!

- Da presunção e do desespero e dos pecados contra o Espírito Santo, livrai-nos!

- Do sacrilégio e dos ultrajes e ofensas a Jesus escondido na Eucaristia, livrai-nos!

- Da condenação eterna, livrai-nos!

ORAÇÃO FINAL

Acolhei, ó Sagrado Coração de Jesus, a consagração que agora vos fazemos, para que todas as famílias sejam imagem e semelhança da família que Deus é na comunhão das Três Pessoas divinas!

Atendei, ó Imaculado Coração de Maria, a nossa prece, para que as nossas famílias e todas as famílias cristãs se inspirem sempre na Sagrada Família de Nazaré e sejam, na unidade do amor, um testemunho vivo da santidade da Igreja!

Ó Bem-aventurados Francisco e Jacinta, que acolhestes com tão generosa prontidão o convite à conversão, pela penitência e pela oração, fazei que as nossas famílias sejam verdadeiras igrejas domésticas, para que o mundo creia em Nosso Senhor Jesus Cristo, que é Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo! Amén.

Fátima, 25 de Março de 2009