Alexandra Teté
O Infovitae faz dez anos! E eu gostaria de dizer umas palavras de parabéns. Antes do mais, contudo, preciso de deixar claro o seguinte: não sou propriamente imparcial. Tenho uma grande amizade e admiração pelo Pe. Nuno Serras Pereira, que é o cérebro e o coração do Infovitae; concordo, substancialmente, com as suas posições; e comungo, graças a Deus, da mesma Fé.
A paisagem moral do futuro joga-se em torno das questões da vida e da família. Trava-se num combate desigual pela ‘alma do mundo’. E o Infovitae tem estado sempre na trincheira da frente.
Vale a pena continuar a lutar? Referindo-se em particular à questão do aborto, Joseph Ratzinguer (em “A Europa de Bento”) representava assim essa tentação, que nos assalta nas horas más: não seria preferível resignarmo-nos a perder esta batalha, dedicando antes as nossas energias a iniciativas mais consensuais? Afinal, com a aprovação da lei (em Portugal) tudo parece ter ficado na mesma: Cada um pode seguir a sua consciência. Ninguém é obrigado a abortar. Quem o faz no quadro legal, talvez o fizesse de qualquer modo, clandestinamente. Em resposta, Ratzinguer recorda duas coisas, tão simples quão graves: o respeito pela vida humana é inegociável, porque condição fundamental para que seja possível uma vida social digna desse nome; e quando o homem perde o sentido da sacralidade da vida, perde-se também a si próprio. Porque, ”o outro é guardião da minha dignidade” e o “olhar que lhe dirijo decide da minha humanidade”.
Vale a pena continuar a lutar? A propósito do Infovitae (e do Pe. Nuno), e da sua Esperança contra toda a esperança, David contra Golias, ocorreram-me os versos finais do “Cyrano” de Rostand:
“Ah! Je vous reconnais, tous mes vieux ennemis! Le Mensonge? (…) les Compromis, Les Préjugés, les Lâchetés!..
Que je pactise?
Jamais, jamais! – Ah! Te voilà, toi la Sottise!
– Je sais bien qu’à la fin vous me mettrez à bas;
N’importe: je me bats!, Je me bats! Je me bats!”
Sim, vale a pena continuar a pugnar pelo bem humano, e prosseguir os nossos esforços, ao nível da argumentação racional e do combate cultural, para impedir a banalização do mal com o aval do Estado. Nesse combate, teremos de registar o lamento do Senhor quando nota que os “filhos das trevas são mais espertos do que os filhos da luz”. E teremos também que recordar, uma e outra vez, que Ele nos urge a “amarmos os nossos inimigos”. Por fim, como diz ainda Ratzinger, neste papel de anúncio da irredutível dignidade do homem (sobretudo quando se encontra debilitado e desfavorecido) e dos deveres de respeito pela vida, os cristãos “serão provavelmente escarnecidos e odiados; mas o mundo não poderá viver sem eles”.
Bem-haja Infovitae!